Moréia – O primeiro naufrágio artificial do Brasil

Foto: Clécio Mayrink

Muitos mergulhadores que frequentam a Laje de Santos, acabam visitando o Moréia, um naufrágio localizado na ponta norte da ilha. Mas o que alguns não sabem, é que o Moréia foi o primeiro naufrágio artificial criado no Brasil, com intuito de ser mais um atrativo aos mergulhadores.

O nome “Moréia” foi dado por Clóvis Benno de Carvalho, pois o nome real do naufrágio é desconhecido. O Clóvis foi um antigo e conhecido operador de mergulho em Santos, sendo o responsável pelo afundamento da embarcação.

Segundo ele, tomou conhecimento dos afundamentos propositais realizados no exterior para a criação de novos recifes artificiais e novos pontos de mergulho, e achou que a Laje de Santos também precisava ter esse diferencial.

O “Moréia” estava abandonado em um mangue nas proximidades da cidade de Santos, até que na madrugada do dia 19 de abril de 1992, em pleno domingo de Páscoa, ele rebocou o Moréia até a Laje de Santos, numa navegação de 6h aproximadamente. Ao chegar lá, abriram-se as válvulas e após 2h, o Moréia começou a afundar.

Pronto, estava ali o primeiro naufrágio artificial do Brasil criado para mergulhadores.

O naufrágio criou alguns problemas, pois na época, a marinha brasileira queria saber quem era o responsável pelo afundamento, e felizmente não tiveram como identificá-lo.

Somente em 2012 durante as gravações do documentário “Laje dos Sonhos”, Clovis assumiu a autoria do afundamento.

O naufrágio

O Moréia era uma embarcação de pesca e por algum motivo, seus motores já haviam sido removidos.

Atualmente o naufrágio encontra-se aos 22m de profundidade e a parte mais alta do naufrágio está aos 18m.

O naufrágio está com uma parte desmantelada, sendo possível uma breve penetração, porém, não aconselhada.

Em seu interior é possível avistar alguns badejos e garoupas vivendo ali tranquilamente, pois a área pertence ao Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, sendo proibida a pesca e caça submarina.

Ao redor do naufrágio normalmente avistamos diversos tipos de peixes, desde os peixes mais coloridos aos de passagem.

Arraias estão sempre deitadas nas proximidades do naufrágio.

O Moréia se tornou além de uma atração aos mergulhadores, um grande recife artificial, virando um abrigo e criadouro das espécies marinhas, contribuindo muito para o ambiente local.

Galeria de Fotos

 

Homenagem

Esse artigo é uma homenagem ao Clóvis Benno (in memoriam), que além de todo o trabalho em idealizar o afundamento do Moréia e dos riscos, acabou criando esse belo recife artificial disponível hoje a todos os mergulhadores, foi um dos percursores do mergulho no Brasil.

Infelizmente ele veio a falecer recentemente por causas naturais, mas suas lembranças e feitos nunca serão esquecidos.

Assista a entrevista do Clóvis ao Documentário Laje dos Sonhos abaixo:

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.