Mosquetões – Amarração e uso

Frequentemente vemos equipamentos “clipados” através de mosquetões no conjunto utilizado pelo mergulhador técnico, com os mais variados tipos e tamanhos. Eles são de extrema importância para o mergulho técnico, pois além das facilidades em se prender (clipar) ou soltar (desclipar) objetos da configuração utilizada, possuem extrema resistência e segurança.

Para a utilização adequada, o mergulhador deverá saber escolher o mosquetão adequado para cada necessidade e tipo de equipamento, prevendo possíveis acidentes e complicações, como por exemplo, deixar que um mosquetão se enrosque em um cabo, ou até mesmo, que este se desprenda da configuração técnica, deixando algum equipamento cair sem que se perceba o fato.

Um mosquetão tido como inadequado e criticado por muitos, é o modelo apelidado de “suicide” ou suicídio em português, devido ao seu fácil desprendimento sem a intervenção do mergulhador, pois às vezes com um simples esbarrão, ele se abre, se soltando facilmente. Imagine ao estar retornando à superfície e quando buscar pelo seu Deco Marker, você se dá conta de que ele não está no local onde deveria, e que caíra de seu D-ring sem que você percebesse. Por isso, é imprescindível ter ciência sobre as características de cada mosquetão.

Quanto ao material, se possível, escolha sempre os mosquetões fabricados em aço inox, pois além da qualidade infinitamente superior, eles não oxidam e são bem mais resistentes que os modelos tradicionais em latão, onde normalmente é preciso colocar um lubrificante WD-40 para que a mola interna não fique oxidada, e mais rígida a cada mergulho, dificultando a abertura do mesmo.

Mosquetões de plástico, nem pensar, pois além de não serem fabricados para o mergulho, não são resistentes o suficiente se comparados aos modelos fabricados em metal. Além disso, a mola interna é fabricada de ferro, que enferruja com o contato com a água e quebrando facilmente mais tarde.

Amarração de um mosquetão

No uso de qualquer tipo de mosquetão, utilizamos um cabo fabricado em nylon (poliamida) ou polipropileno, sendo a melhor opção o nylon, por ter maior resistência e durabilidade. Com poucas exceções, o uso do cabo é a maneira mais apropriada em se unir o mosquetão com um equipamento qualquer, pois este poderá suportar um esforço excessivo e pode ser cortado facilmente caso esteja em uma situação de emergência.

Equipamentos necessários:

Mosquetao21 – Cabo de nylon, tesoura, isqueiro, mosquetão e o equipamento.

 

 

Mosquetao32 – Corte o cabo a ser utilizado e dê uma volta pelo anel do item a ser preso ao mosquetão.

 

Mosquetao43 – Passe cada ponta do cabo pelo anel do mosquetão e em sentidos contrários.

 

Mosquetao54 – Depois de passar o cabo pelo anel como a foto anterior, dê um nó de forma que este, tenha bastante pressão.

5 – Passe as duas pontas do cabo para o lado inverso do primeiro nó, e faça com bastante firmeza um segundo nó, e depois mais outro nó, sendo este, o terceiro deles.

Mosquetao6

6 – Corte as pontas deixando como a foto ao lado.

 

 

Mosquetao77 – Com um isqueiro ou fósforo, queime as duas pontas, deixando estas, bem próximas dos nós. Tome cuidado com o nylon derretido, pois ele poderá queimar você, ocasionando uma forte dor.

 

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Pronto, o nó está pronto e seu equipamento já pode ser utilizado normalmente.

Existem outros tipos de nós além do mencionado acima, mas este tipo tem boa amarração e durabilidade, dando garantia ao mergulhador, de que seu equipamento está bem montado.

Independente da amarração, nunca deixe de examinar seu equipamento, pois imagine se durante uma incursão a uma caverna ou ao interior de um naufrágio, você necessita de suas lanternas backup, e ao tentar pegá-las, você não as encontra no local esperado. Isso é no mínimo inaceitável e você precisa ter a certeza de que tudo estará presente e de fácil acesso quando precisar.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.