Mundo das Compactas – Parte II – Qual é o número guia de seu flash ?

Foto: Clécio Mayrink

Para a maior parte dos fotógrafos subaquáticos o uso dos flashes é essencial, o que não deixa de ser verdade. Fala-se muito de seletores de potência, modo auto, número guia, etc. Mas, poucos entendem o comportamento dele debaixo d´água, que obviamente, é muito diferente que no ar. Vamos agora entrar com um pouco de física e matemática, mas de forma bem superficial.

Todos os flashes possuem uma referência de fábrica à sua potência chamada de número guia. O número guia (GN) pode ser encontrado no manual do mesmo, e representa a abertura do diafragma necessária que a câmera deve estar, para que na potência máxima do flash, a luz atinja uma distancia de 1 metro para correta exposição. Funciona assim: Se estiver na terra (ambiente ar) e você usar um flash de número guia 22 (GN=22), ao ajustar o diafragma da câmera com abertura f/22 o flash alcançará 1m de distância, não importando a velocidade do obturador.

Supondo que seu flash fosse agora de GN=16, significa agora que ao ajustar o diafragma da câmera com abertura f/16, o flash alcançará 1m de distância. Deve-se lembrar que esta proporção não é aritmética, mas geométrica desta forma meia potência não é necessariamente a metade. Existe uma tabela em cada flash mostrando a abertura requerida para cada distância de acordo como o ISO (sensibilidade do sensor) utilizado.

E o que acontece debaixo d’água ?

Principalmente devido à densidade da água, a potência do flash (qualquer que seja) cai à metade. Ou seja, se seu flash é f/22 em terra ele será GN=11 na água e não 22. Se ele é f/16 em terra ele será GN=8 e não 16. Assim temos que pensar na água tudo pela metade. Geralmente, os flashes para foto-sub já vem com uma tabela aderida em forma de etiqueta em seu corpo, indicando a abertura e distância para determinados ISO´s (normalmente 50, 100 e 400) já corrigidos para a água.

Mas, o que não se sabe ?

O que é comum pensar é que este alcance dado ao número guia seria a distância que poderia cobrir para iluminar adequadamente o objeto desde os primeiros centímetros até a distância exigida, o que não é !    Se o seu flash tem GN=11 conseguira expor muito bem seu objeto ao usar f/11 com máxima potência se ele estiver a 1m de distância !    Se estiver a 70 cm, por exemplo, haverá muita luz para o objeto e será sobreexposto (claro demais), e se estiver a pouco mais de 1m, digamos a 1,30cm ficará sub-exposto (escuro).

Por que acontece isso ?

O flash tem praticamente três fases: A primeira há uma “explosão” próxima ao flash onde a luz brilha mais intensamente, depois há um decaimento da intensidade da luz à medida que esta vai percorrendo esta distância (em curva geométrica) na água até chegar numa distância que seria a adequada onde a quantidade de luz é a ideal para a abertura. Depois disso, o decaimento da luz deixará tudo depois iluminado mais escuro.

Para usar corretamente o flash devem-se seguir estas fases:

(1) A primeira fase onde a luz brilha mais intensamente, tende a carrear muito backscatter, assim e recomendável que deixe o flash um pouco atrás da câmera afastando da área de cobertura da lente e fazer uma angulação entre 30 e 45 graus para ter menos efeito de backscatter. “Você deve puxar o flash para traz até doer o ombro, quando isso acontecer ele estará na posição correta”. Frase de Laércio Horta da Azumarinho Oficina de Imagens.

(2) Entendendo que há uma fase segunda de decaimento de luz até a exposição correta, devemos deixar a luz atingir o objeto sempre neste ponto, e não antes para não estourar demais a foto. Quantas vezes já pensou em fotografar algo como uma moréia por exemplo, e como havia algum plano antes, como uma pedra por exemplo, esta fica muito clara ?    Se o flash já estiver na posição adequada, você poderá diminuir ao aumentar a potência dele diretamente por seu seletor ou abrindo e fechando mais o diafragma da câmera, controlando assim a quantidade de luz que irá iluminar o objeto.

(3) Finalmente, o que fica depois ficará pouco iluminado, onde o que irá dominar é a luz ambiente. No caso de fotos macro,  prefiro aumentar a velocidade ao máximo para deixar o fundo mais escuro e prevalecer o objeto principal. E no caso de grande angular, deixo a velocidade mais lenta para captar a luz de fundo. Este último seria necessário uma fotometria que veremos depois em outra ocasião.

Agora eu pergunto a você: Qual o número guia de seu flash ?

Exemplo-Foto-Erro

A foto acima mostra o efeito da “explosão” nos primeiros centímetros a partir do flash causando muito backscatter.

 

Flash-Guia

A tabela nos flashs, mostram a distância apropriada de acordo com o ISO já considerando a densidade da água.

Christian Sgarbi
Instrutor de fotografia pela ADS International, desenvolveu a primeira revista virtual de fotosub no país, a Virtualfotosub e atualmente integra a CEDSU (Comissão de Evento Digital Submerso).