Naufrágio do Avião Bandeirantes – Do ar para o mar

Foto: Rafael Demôro

Nos preparamos para mais uma operação com a operadora Projeto Netuno.

Mar calmo e tempo nublado, sem perspectivas de chuva, e depois de embarcados os seis clientes, demos início a viagem de mais ou menos uma hora e meia até o Parque Estadual Marinho da Risca do Meio. O parque possui uma área de 33 Km² e está há dez milhas do porto do Mucuripe, em Fortaleza.

Foto: Marcus Davis

Existem dez pontos de mergulho, com profundidades entre 18 e 29 metros.

O ponto de mergulho à ser visitado, não estava definido, pois era preciso verificar as condições de mar e visibilidade, para nos dirigir ao ponto mais adequado para as condições daquele dia.

Ao passarmos pelo quebra-mar do porto do Mucuripe, nossas expectativas de mar calmo se confirmaram e o Gonça (Subtenente Gonçalves do Corpo de Bombeiros), responsável pela a operação, definiu o ponto: Vamos para o avião !

Tratava-se de um Avião Bandeirantes que caiu ali por volta de 1990. Era um avião bimotor usado para pesquisas meteorológicas que caiu a 12 milhas do litoral de Fortaleza. Em sua queda, morreram os dois tripulantes, piloto e co-piloto.

O Bandeirantes está agora na areia há 28 metros de profundidade e é morada de muitos animais marinhos.

Foto: Marcus DavisÉ um mergulho pouco visitado, pois está dentro dos limites do Parque Estadual Marinho onde não é permitida a prática de caça-sub e o Projeto Netuno, atualmente a única operadora de Fortaleza, e devido a isso, a única a realizar mergulhos periódicos no parque marinho.

É comum encontrarmos Lambarús, Arraias-Manteigas e até Meros em seus destroços, além dos cardumes de Parus-Brancos e do jardim de Enguias que podemos observar quando estamos em grupos pequenos e não as assustamos.

Chegando ao ponto, lançamos nosso “homem-garatéia”, o Miguel, que retornou à superfície em 3 minutos comemorando os 20 metros de visibilidade. Miguel nos contou que no fundo, junto aos destroços, estava pousada uma Arraia-Manteiga com quase dois metros de envergadura !

Todos prontos, fomos para água, dando início ao mergulho.

Aos dez metros já avistamos as manchas dos destroços do antigo Bandeirantes e um pouco ao lado uma mancha escura não identificada. Mais cinco metros e já identificamos bem os destroços. Chegando ao fundo, e verificamos que a parte da frente do avião onde seria a cabine estava parcialmente enterrada, junto à uma de suas asas. Junto a esta e um pouco mais à frente, encontra-se um dos motores, com sua hélice ainda no lugar e sua pontas amassadas, provavelmente devido ao impacto com a água. Do outro lado, no lugar da outra asa, não havia nada, provavelmente se despedaçou na queda ou está enterrada.

A cauda do avião estava separada do resto da fuselagem, deitada para o lado esquerdo e dentro dela, um “Dentão” de bom tamanho parecia não gostar da invasão. Ao redor, há pontas de metal denunciando restos enterrados. A mancha escura agora identificada era uma arraia imensa e muito escura, repousando no fundo do mar, com sua indiferença, característica das Arraias-Manteigas.

Foto: Marcus DavisApós curtos 25 minutos e várias fotos, retornamos à superfície, com a tradicional parada de segurança.

De volta ao barco, iniciamos uma viagem de trinta minutos ao segundo ponto do dia, uma pedra baixa, chamada Cabeço do Balanço, aos 18 metros de profundidade e uma fauna marinha incrível !

Neste ponto, observamos um Lambarú com um metro de comprimento, cardume de Xila que cobria toda a pedra, Peixes-Anjo e diversas outras espécies.

Trinta e cinco minutos de mergulho, com todos muitos satisfeitos, voltamos para a terra contentes e já esperando pelo próximo dia de mergulho.

Marcus Davis Andrade Braga
Formado em publicidade e propaganda pela FIC. Mergulha há mais de 15 anos, é instrutor de mergulho pela PADI #196258, instrutor de primeiros socorros pela EFR e supervisor de mergulho formado pelo Corpo de Bombeiros do Ceará, instituição para qual presta consultoria. Fotógrafo e pesquisador de naufrágios, já participou de diversas matérias e programas de televisão relacionados a mergulho. É coordenador do Clube de Mergulho do Mar do Ceará, grupo envolvido no desenvolvimento da prática de mergulho autônomo, na preservação ambiental e na pesquisa e localização de naufrágios no estado.