Naufrágios da Hamburg Sud na costa brasileira

Dentre os milhares de naufrágios na costa do Brasil, alguns navios têm em comum o fato de pertencerem à mesma companhia de navegação.

A alemã Hamburg Sud Amerika Line, fundada em 1871, entre várias outras que singraram nossos mares, chama a atenção por ter em seu histórico naufrágios bastante visitados por mergulhadores, outros causados por eventos que marcaram a história naval e alguns pouco ou não conhecidos.

Quando iniciou suas operações, a Hamburg Sud operava a partir de Hamburgo para a Bahia, Rio de Janeiro e Santos via Lisboa, estendendo mais tarde sua rota até Rio da Prata. A partir de 1900, um serviço expresso de passageiros foi aberto entre Hamburgo e Rio da Prata e Nova Iorque e Brasil.

Esta matéria dá início a uma série de matérias sobre estes naufrágios, que a equipe Brasil Mergulho irá realizar com o objetivo de obter imagens e dados destes mergulhos.

Brasilóide

Construído como Montevidéu em 1936. Vendido ao Lloyd Brasileiro e renomeado em 1942, sendo torpedeado pelo submarino alemão U-518 em 1943.

Buenos Aires

Bastante conhecido pelos mergulhadores cariocas, o Buenos Aires naufragou em 1890 após chocar-se com a ilha Rasa. Apesar de estar desmantelado, ainda há muito para ser visto. A profundidade varia entre 12 e 42 metros e os adeptos do mergulho técnico têm neste navio uma ótima opção de mergulho.

Cap Frio

Encalhou próximo ao Farol da Barra em 1908 devido a um temporal. Foi tentado o salvamento porém a tarefa foi abandonada. Os passageiros e a carga foram recuperados. O naufrágio está entre 13 e 18 metros.

Cap Trafalgar

Durante a primeira guerra mundial, navios de passageiros receberam armamentos e foram classificados como cruzadores auxiliares. Este foi o caso do Cap Trafalgar que em 1914, após apenas cinco meses de serviço entre Hamburgo e a América do Sul foi restabelecido e recebeu armamentos da canhoeira Eber.

Enquanto era reabastecido na costa da Ilha da Trindade no Espírito Santo, o Cap Trafalgar foi descoberto pelo cruzador auxiliar inglês Carmania.

Após pequena perseguição, os dois navios iniciaram uma troca de tiros que durou cerca de uma hora e meia e terminou com o Cap Trafalgar mortalmente avariado. O navio emborcou e afundou pela proa. Sobreviveram 279 alemães e 16 morreram incluindo o capitão do navio.

O Cap Trafalgar ainda não foi localizado e possivelmente estará em grandes profundidades. A canhoeira Eber, que transferiu armas para o navio, naufragou em 1917 na costa da Bahia.

Corrientes

Navio não localizado e não conhecido pelo público em geral. Há poucas informações disponíveis. Construído em 1881 com 1.790 toneladas, naufragou na costa cearense em 1890 após encalhar. Há controvérsias sobre o local de naufrágio do Corrientes. Segundo o “Ships List” ele naufragou ao largo do Ceará e de acordo com o livro da Hamburg Sud, este mesmo navio afundou próximo à Montevidéu.

Santa Catharina

Em 1914, durante a primeira guerra, o paquete Santa Catharina, que fazia a rota Nova York-Santos, foi capturado pelo cruzador inglês “H.M.S Glasgow” e escoltado ao arquipélago dos Abrolhos. Um incêndio iniciou-se à bordo e logo saiu de controle. Acabou por ser afundado pelo cruzador. A posição do naufrágio foi descoberta no ano de 2007.

Uruguay

Também desconhecido do público, o Uruguay naufragou na região de Cabo Frio em 1895 devido a encalhe provocado por densa neblina. Na ocasião, o navio fazia a rota Montevidéu / Hamburgo transportando carga variada.

Tijuca / Baependy

O Tijuca foi construído em 1899 para a Hamburg Sud e permaneceu nesta companhia até 1917 quando foi confiscado no final da primeira guerra. Mais tarde, foi transferido para o Lloyd Brasileiro e renomeado Baependy.

Em 1942 enquanto navegava rumo Recife, o Baependy foi atingido por dois torpedos do submarino alemão U-507 comandado pelo capitão Harro Schacht. Estava a 15 ou 20 milhas da costa na altura do farol do Rio Real, no litoral de Sergipe.

Pereceram no naufrágio 55 tripulantes e 214 passageiros. Este episódio acabou acelerando a entrada do Brasil na segunda guerra mundial. Navio ainda não localizado.

Germânia

Apesar de não pertencer à Hamburg Sud, este navio prestava serviços de navegação para a mesma. Naufragou nos recifes do farol da Barra em Salvador no ano de 1876. Encontra-se na profundidade de 7 a 11 metros e já se encontra bastante desmantelado.

Rodrigo Coluccini
Criador e proprietário da Revista Deco Stop, foi um dos responsáveis pela divulgação em larga escala das informações sobre naufrágios no litoral brasileiro, fato antes restrito a poucos. É co-autor do manual de naufrágios da certificadora PDIC. Seu trabalho é citado em vários livros atuais sobre história maritima brasileira confirmando a importância de seu trabalho.