Naufrágios desaparecem na Indonésia

O naufrágio do USS Huston já não existe mais.

Em novembro passado, uma equipe de mergulhadores partiu da ilha indonésia de Java com a missão de pesquisar navios de guerra afundados na Segunda Guerra Mundial. O governo holandês pediu que avaliasse as condições de dois navios holandeses em particular, o Hr. Ms. Java e Hr. De Ruyter, ambas naufragados em 1942 durante a Batalha do Mar de Java, não muito longe da remota ilha de Bawean.

As condições lá são notoriamente perigosas, pois há incidência grande ​​de águas-vivas e fortes correntes. Essas mesmas correntes também deixam a visibilidade limitada, chegando alcançar 1 ou 2m apenas. A profundidade nessa área gira em torno dos 60m, então, a equipe sabia que precisaria descer muito para ver qualquer sinal dos navios.

O grande problema, é que ao descerem os navios não apareceram.

Nesse momento, surgiram as dúvidas:

Estamos usando as coordenadas corretas ?

Fixamos corretamente a âncora ?

Já começamos a deriva ?

Os mergulhadores estavam precisamente no lugar certo, mas o navio não estava lá, e o que esses mergulhadores deveriam ter encontrado, era um cruzador de 6.440 toneladas, completo com suas torres, um navio longo e grande o suficiente para lançar um hidroavião. Em vez disso, encontraram apenas a impressão de um casco em um leito oceânico vazio. A embarcação que outrora havia ali e descoberta em 2001, simplesmente desaparecera.

A busca da equipe por outras baixas de batalha na área não foi menos assombrosa. O USS Perch, um submarino americano de 100m de comprimento, também desapareceu. O mesmo aconteceu com dois navios britânicos – o HMS Encounter de 109m e o Exeter de 172m. O HMS Electra de 109m havia sido destruído. Uma enorme seção do Kortenaer, outro navio de guerra holandês de 107m, também estava desaparecida. Sete navios ao todo, sem rastros ou totalmente eliminados. Um oitavo, o USS Houston, estava praticamente intacto, mas era claro que os piratas tinham começado a destruí-lo também.

A própria natureza desses navios de guerra é o que faz com que os dois sejam tão difíceis de serem removidos do fundo do oceano e tão atraentes para os piratas.

Enquanto os navios comerciais modernos são frequentemente projetados para serem leves, os navios de guerra são construídos com muito cuidado: os custos com combustível não são um grande problema se o orçamento for financiado pelo governo.

Segundo o lendário mergulhador John Chatterton, “a própria construção desses navios gigantescos, os torna atraentes para os piratas”. Mesmo em más condições, o aço recolhido chega a US$ 150 a tonelada no mercado internacional. Um grupo de piratas pode facilmente lucrar US$ 100.000, o que é muita coisa quando falamos de países em desenvolvimento.

Ninguém sabe onde – ou para quem – o aço desses navios ilegalmente recuperados está sendo vendido, mas o fato é, que ele estão sendo saqueados.