Operação Príncipe de Astúrias

O navio fazia a rota Barcelona – Buenos Aires, com uma carga muito valiosa além das 40.000 libras esterlinas de um agência bancária de Buenos Aires, além de uma estátua de bronze do General San Martin, que seria doada ao governo argentino.

Era madrugada de 6 de março de 1916, o navio estava em um denso nevoeiro e forte tempestade tirando toda a visão da tripulação, navegando com ondas de até 6m de altura na costa do estado de São Paulo, quando foi por volta das 3 h da manhã, colidira contra a Ilhabela, precisamente, na Ponta da Pirabura.

O navio batera violentamente nos rochedos rompendo o casco e sofrendo grandes avarias da proa até a meia-nau, onde em apenas 3 minutos as caldeiras explodiram, e o navio vindo a naufragar pouco tempo depois. Os tripulantes não avistaram o farol da Ponta da Pirabura,

Foi um dos maiores naufrágios na costa brasileira, onde morreram 477 pessoas. Alguns dizem que na realidade foram mais de 1.000 mortos, pois haveria refugiados alemães escondidos nos porões. O navio tinha capacidade para até 1.300 passageiros. O número de mortos poderia ser maior se não houvesse o resgate feito pelos tripulantes do navio inglês “Vega” que passava próximo no momento do acidente.

A viagem

Após 5 horas de viagem do Rio de Janeiro a São Sebastião, chegamos a Ilhabela, no estado de São Paulo, sendo recebidos pela equipe da operadora Colonial Diver, em uma sexta-feira à noite, para embarcar no Netuno, principal embarcação da operadora para grandes operações de mergulho. A programação era mergulhar no Astúrias e depois no cargueiro Campos.

No dia seguinte, o sol ia nascendo enquanto navegávamos em direção ao Príncipe de Astúrias, também conhecido como “Astúrias”. Nossa equipe começou a acordar e partindo para a montagem dos equipamentos, e ao mesmo tempo, finalizando as recargas dos últimos cilindros, pois ainda teríamos ainda algumas horas de navegação pela frente.

Devido às condições de mar no local e pelo grande tamanho da embarcação, as duplas foram levadas até o ponto de mergulho através de dois rápidos botes infláveis, sendo a primeira dupla, eu e o Emerson Covisi, um dos melhores mergulhadores do Brasil, reconhecido pela grande experiência em mergulhos avançados e de alta compelxidade. A poucos minutos de curtir este naufrágio histórico, a ansiedade aumentava, junto com a vontade de conhecer os mistérios abaixo d’água.

O naufrágio

Os infláveis nos deixaram em cima do naufrágio, e iniciamos a descida até ele, e com o passar dos metros, chegamos até as ferragens  sobrepostas há quase um século. Aliado a sua trágica história, as condições do naufrágio dão um ar um tanto assustador ao local. São encontradas dezenas de chapas caídas e bem espalhadas pelo fundo, onde este é muito propenso à suspensão devido ao tipo de fundo. Junto ao fato de visibilidade reduzida, algo em torno dos 2 a 3 metros apenas, durante todo o mergulho, havia correntezas no fundo, onde em certas ocasiões, chegava a nos deslocar alguns metros, isto mesmo aos 30m de profundidade. Deve-se tomar cuidado principalmente com descompressão à deriva no local, pois o local está virado para mar aberto e mudanças repentinas no local sempre ocorrem.

Nosso primeiro mergulho do dia foi realizado na área da cozinha, onde foi possível avistar pelo menos uns vinte talheres da época, e sendo do Astúrias, contendo a inscrição “MADRID”, nome gravado nos utensílios. Em outra área, chegamos a ver duas grandes escotilhas, uma caída no chão e totalmente incrustada, e a outra ainda com seu vidro totalmente intacto e aberta.

Com quase 1h de fundo, chegamos ao final de nosso mergulho e retornar à superfície para uma deco, e logo após, pegar os infláveis que já estavam nos aguardando para o retorno ao Netuno.

Ao chegar à embarcação, o sorriso de um excelente mergulho estava estampado em todos, e com isso, iniciamos a preparação das outras duplas que nos aguardavam para outro mergulho mais tarde.

Sem dúvida nenhuma, a experiência de mergulhar no Astúrias é sempre gratificante, principalmente para aqueles que realmente curtem naufrágios históricos, onde toda viagem, trabalho e horas aguardando para cair na água, são recompensados ao chegar ao fundo.

Serviços

O mergulho no Astúrias é indicado aos mergulhadores avançados ou técnicos, devido às condições do naufrágio, e principalmente, pelas condições de mar no local. Profundidade, mar revolto, água escura e fria, são comuns, e o mergulhador deve estar atendo as condições climáticas para efetuar um mergulho no local.

Para montar a operação, contatamos a Colonial Diver, há 14 anos no mercado, sendo uma excelente opções disponível em Ilhabela, devido às condições a realização de operações voltadas ao mergulho técnico e live aboard.

A embarcação Netuno possui 56 pés (17m) de comprimento, com capacidade para até 35 mergulhadores recreacionais ou 12 técnicos, um compressor Coltri MCH 16, 2 infláveis de apoio, cama para até 16 mergulhadores, grande espaço para alocar os equipamentos.

Agradecimentos especiais

A equipe da Colonial Diver, pelo atendimento e pelo “rango”, que como muitos já haviam dito, é excepcional.

Participaram da operação

– Emerson Covisi
– Cláudio Yamanishi
– Clécio Mayrink
– Dino Aragão
– Eduardo Davidovich
– Eduardo Valensia
– Fábio Amoroso
– Johnny
– José Maurício Rodrigues
– Lélis J
– Marco Aurélio – “Marcão”
– Nelson Marinelli – “Teco”
– José Mário Ventura – “Zé Mário”

Redação
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