Os 5 melhores pontos de mergulho nas Ilhas Virgens Britânicas

Naufrágio RMS Rhone - Foto Alcides Falanghe

Há quem diga que todos os mergulhos no Caribe são parecidos. Talvez pelo relevo submarino dos locais mais frequentados, normalmente caracterizados por platôs de areia branca salpicados por cabeços de corais, que rodeiam as ilhas e precedem abismos submersos próximos à costa.

Como a fauna é comum a toda região, a impressão que fica é que não há muita diferença entre uma ilha e outra. Isto deixa ser verdade quando falamos das Ilhas Virgens Britânicas.

Aqui o fundo é composto por enormes blocos de granito-gnaisse e muitos, muitos naufrágios, alguns deles entre os mais bonitos do planeta.

Localizadas a poucas milhas de Porto Rico, na confluência entre o Oceano Atlântico e o Mar do Caribe, as BVI como são carinhosamente chamadas pelos locais, abrangem dezenas de ilhas. As maiores são Tortola, onde está a capital, Roadtown, Virgem Gorda e Anegada. Em torno delas gravitam Jost Van Dyke, Beef, Guana, Great Camanoe, Scrub, Norman, Peter, Salt, Cooper, Ginger e um rosário de ilhotas, lajes e parcéis. Quase todas elas banhadas pelo canal Sir Francis Drake que é perfeito para velejar, com águas calmas e vento constante. São tantos pontos de mergulho, que a melhor opção é se hospedar em um live aboard.

Naufrágio RMS Rhone – Foto: Alcides Falanghe

RMS – Rhone

Um navio de propulsão mista – vela e vapor – que naufragou em 1867 ao colidir com o costão rochoso da ilha, quando tentava escapar de um furacão. O contato da água com as caldeiras causou uma grande explosão e o partiu em dois. A área do naufrágio é bem extensa e são necessários pelo menos dois mergulhos para conhecê-lo por inteiro.

A proa está ainda está praticamente intacta a 24m de profundidade, deitada sobre o costado de boreste. É possível penetrar em seus compartimentos ziguezagueando até o porão, onde se abre um grande túnel com acesso ao mar aberto. Aqui foi filmado na década de 70 algumas cenas do filme “The Deep”, escrito por Peter Blenchey, o mesmo de autor de “Tubarão” e estrelado por Jacqueline Bisset. Além de uma sensual camiseta branca molhada, ela usou pela primeira vez uma máscara de silicone transparente, especialmente desenvolvida para o filme e depois lançada no mercado.

A sessão da proa está completamente incrustada por esponjas e corais. Basta ligar a lanterna para o navio ganhar um colorido espetacular. Tartarugas, lagostas, cardumes de alevinos e uma infinidade de peixes tropicais completam o visual. Em um dos mergulhos que lá fizemos uma linda raia chita deu um show ao passear sobre o naufrágio.

A popa que está bastante desmantelada e espalhada por uma grande área fica para o dia seguinte. O hélice e o leme estão na parte mais rasa, quase atingindo a superfície e descendo até os 12m. Em um platô mais profundo encontra-se parte do casario, os mastros, as caldeiras e um grande eixo. Os costados estão abertos e caídos na areia, neles há várias vigias, algumas delas com o vidro ainda intacto. Grandes barracudas estão sempre presentes, assim como cardumes de xaréus e atuns.

Confira no video: https://www.youtube.com/watch?v=treT_3CeTPA

The Indians – Foto: Alcides Falanghe

The Indians

Diz a lenda que este conjunto de rochedos foi batizado por navegadores que ao longe imaginaram ver um cocar de índio aflorando na superfície. O visual é surpreendente debaixo d’água, com um labirinto de corais ladeando todo o rochedo, assim gorgônias, esponjas, tunicados e anêmonas.

Tudo muito colorido. A quantidade de vida é incrível. Lulas, lagostas, caranguejos, frades, moreias verdes, tartarugas e raias podem ser avistadas. A profundidade máxima é 12m, e em alguns pontos fica mais raso, com lindas passagens e grutas submersas.

Wreck Alley – Foto: Alcides Falanghe

Wreck Alley (Marie L, Pat, and Beata) – Cooper Island

Recomendado para mergulhadores mais experientes e avançados – por ser mais profundo e normalmente ter um pouco de correnteza – é o sonho de quem gosta de naufrágios. Em um único mergulho você pode explorar três naufrágios artificiais: o Marie L, um navio cargueiro que foi afundado de propósito no começo dos anos 90; o Pat, um rebocador que foi para o fundo poucos anos depois e agora se encontra colado ao Marie L; e o Beata que foi afundado em 2001.

Muitos peixes usam os naufrágios como abrigo, incluindo grandes barracudas e moreias. Duas raias-pregos gigantescas se escondem na areia e nem se mexem com a aproximação do mergulhadores. Tubarões-de-recife também podem ser avistados. Profundidade entre 18 e 27m.

Seal Dog – West Seal Dog Island

Grandes blocos de granito cobertos por corais duros e moles decoram lajes, cânions e passagens estreitas, deixando o visual colorido e cheio de vida. Situado no lado do Atlântico das ilhas, muitos pelágicos podem ser encontrados como raias-chitas, barracudas, tarpões, bijupirás e ocasionalmente tubarões.

Correntes ocasionais e ondas grandes normalmente entre novembro e abril, por isso é recomendado para mergulhadores avançados. Profundidade entre 6 e 24m.

Rainbow Canyons – Foto: Alcides Falanghe

Rainbow Canyons – Pelican Island

Quando se chega na poita de Pelican Island os mergulhadores normalmente não conseguem imaginar a beleza submersa que os aguarda. Ao caírem na água são surpreendidos por um mergulho extremamente colorido com corais, gorgônias e esponjas de todos os tamanhos.

Ali também podem ser encontrados peixes-cofres juvenis, cirurgiões, ciliares e garoupas pintadas escondidas em tocas. Local abrigado, excelente para fotografia macro e grande angular. Profundidade entre 6 e 27m.

Relatos de quem já foi

“Mergulhar nas Ilhas Virgens para mim foi uma grande descoberta. Primeiro, por fazer um live aboard com o Ocean Eyes, pois eu nunca havia ficado hospedada em um veleiro, com profissionais de mergulho, fazendo vários mergulhos diariamente. Segundo, porque é muito diversificado: todo dia você navega um pouco, vê coisas diferentes, mergulha em pontos diferentes, com vidas distintas. Terceiro, pela visibilidade típica do Caribe, maravilhosa, em um mar tranquilo para mergulhar, mesmo quando você vai mais para mar aberto, onde bate um pouco, você vê coisas lindas, como o naufrágio do Rhone, que é imperdível. Gosto muito do naufrágio do avião também, mas os meus preferidos são mesmo o Rhone e o The Indians. O The Indians é um verdadeiro jardim submerso lindo, com um pedaço de rocha que aflora do meio do nada.”

Loredana Kotinski, janeiro, 2015

“Já tínhamos viajado anteriormente para algumas regiões do Caribe, mas conhecer as Ilhas Virgens foi algo realmente inusitado e especial para nós, pois nos proporcionou uma nova perspectiva, ao passar uma semana à bordo em um Catamarã (Ocean Eyes) traçando uma rota marítima por várias ilhas, fato este que nos deixava realmente envolvidos e interessados por todo este cenário novo, ou seja, velejar, mergulhar, viver literalmente ao lado do nosso glorioso mar.

Nesta mesma viagem, aproveitamos para realizar o curso avançado de mergulho e uma clínica de foto sub, disponibilizado no próprio live aboard, o que deixou a viagem muito prazerosa, pois todas as noites nos reuníamos para a revisão das fotos tiradas e durante as primeiras horas da manhã realizávamos as aulas teóricas do avançado.

Aprendi muito sobre foto sub, e me senti muito seguro com as dicas que recebi sobre como usar os equipamentos (caixa estanque, flash, etc). Os mergulhos foram sensacionais, com ótima visibilidade, temperatura da água agradável, sem presença de fortes correntes e uma diversidade de cenários subaquáticos muito interessante, nos quais posso destacar a presença de grandes rochas, passagens, tocas, especialmente no ponto de mergulho chamado The Indians”.

Neste conjunto de diversidades, também destaco o mergulho no naufrágio RMS Rhone, imperdível. A vida marinha, também nos chamou bastante a atenção, logo no primeiro ponto de mergulho tivemos a sorte de avistar uma raia chita, e nos demais dias de mergulho os encontros com várias espécies, como Tarpões, Hogfish, Queen Angel Fish, Nurse Shark, Trunkfish, Queen Triggerfish e até um Reef Shark, que não chegou assustar e sim despertou admiração.

Nos intervalos de superfície, gostamos muito de visitar as lojinhas e comércios nas diversas ilhas e principalmente do passeio que fizemos, em uma espécie de trilha ao lado do mar, com rochas gigantescas, umas sobre as outras, chamado “The Baths”, um lindo lugar.”

Joao e Debora, abril, 2016

“Minha experiência foi fantasticamente maravilhosa, adorei cada mergulho e sinceramente sinto não ter feito mais… As águas me encantaram pois consegui ver tudo como se estivesse fora da água, a vida marinha, os corais, tudo perfeitamente lindo. Faria tudo de novo, só que com muito mais mergulhos !”

Margarete Blosfeld, janeiro, 2017

Onde ficar e mergulhar

Ocean Eyes – Live aboard personalizado 

O Ocean Eyes é um catamarã a vela Voyage 430 construído na África do Sul e projetado para que você tenha uma estadia personalizada, aconchegante e inesquecível. Tem 43 pés de comprimento por 25 pés de largura,  4 cabines com banheiros privativos, e um confortável ambiente interno com sala, cozinha e mesa de navegação. Seu cockpit é espaçoso, assim como o deck para mergulho e o trampolim na proa. Conta com um bote inflável de apoio com motor de 18 HP.

A capacidade do catamarã é para 8 pessoas, por isso os charters são feitos para no máximo 6 passageiros, sendo 2 pessoas por cabine em cama de casal queen size e banheiro privativo. Você poderá usar seu equipamento ou alugar tudo a bordo, sendo que o equipamento básico já está incluso na estadia, e o cilindro e lastro no valor dos mergulhos.