Os benefícios terapêuticos da prática de atividade física regular

Muitos já ouviram falar que não é recomendável mergulhar com hipertensão arterial, pois os efeitos poderiam ser danosos à saúde e a segurança do mergulhador. Este fato procede ao analisarmos as considerações abaixo:

Durante a imersão em meio aquático, o sangue circulante na região periférica do organismo é direcionado para a área central a fim de suprir as necessidades dos órgãos vitais. Desta forma, as extremidades do corpo humano tornam-se carentes do aporte sanguíneo fazendo com que o coração necessite bombear maior quantidade de sangue (sobrecarga de volume) fazendo mais “força” para vencer a resistência vascular periférica, para que o sangue seja redirecionado para os membros superiores e inferiores.

A resistência vascular periférica de um mergulhador hipertenso é maior do que em um mergulhador normotenso (pressão arterial normal e controlada), ou seja, haverá maior sobrecarga cardíaca no hipertenso, podendo ocasionar efeitos deletérios ao organismo em curto e longo prazo. Como exemplos, podemos citar o AVC (acidente vascular cerebral) e o infarto agudo do miocárdio.

Além disso, associado ao fato supracitado, a tensão arterial poderá se agravar pelo aumento da freqüência cardíaca ocasionada por um esforço demasiado durante o mergulho, nadar contra a correnteza ou situações que promovam stress, tais como: administrar problemas, desorientar-se, perder-se do dupla ou enroscar-se em um cabo, alga, redes e linhas de pesca.

Outro fator que merece destaque quanto à realização do mergulho associado à hipertensão arterial não controlada, é a ocorrência do edema pulmonar da imersão. Este edema pulmonar ocorre em decorrência do sangue que circula nos vasos pulmonares, que, após ser oxigenado, não retorna de forma adequada ao coração, acumulando-se nos alvéolos e impossibilitando a troca gasosa adequada. A ocorrência destes problemas durante o mergulho significa uma grande chance de afogamento por perda da consciência.

Para tanto, é de fundamental importância que o mergulhador consulte seu médico regularmente para monitorar sua pressão arterial. Uma vez diagnosticada, a hipertensão arterial poderá ser tratada de algumas formas como, por exemplo, pela ingestão de medicamentos, controle alimentar, redução de peso e prática de atividade física regular.

A prática de atividades físicas regulares, tais como, exercícios aeróbios moderados e de longa duração (caminhada, corrida, natação, bicicleta ergométrica), bem como exercícios de resistência muscular localizada (RML) com cargas leves e de baixa intensidade, propiciam maior vascularização muscular e conseqüente redução da resistência vascular periférica, exercendo benefícios terapêuticos para a redução da pressão arterial. É de fundamental importância que a orientação para um programa de atividades físicas seja realizada por um profissional de Educação Física.

A busca por explicações para o efeito do exercício físico na redução da pressão arterial em indivíduos hipertensos tem sido motivos para diversos estudos e pesquisas.

Estudos realizados nas últimas décadas, indicam um efeito benéfico do exercício físico crônico na hipertensão arterial (Negrão, 2001). Após algumas semanas de exercícios físicos  regulares, o hipertenso se beneficia dos efeitos agudo tardio e crônico sobre a pressão arterial. O exercício físico também é capaz de promover a angiogênese, aumentando o fluxo sanguíneo para os músculos esqueléticos e para o músculo cardíaco (Irigoyen, 2003).

Concluindo, mergulhar de forma segura é um indicativo de responsabilidade, compromisso individual e coletivo, respeito à vida e a garantia de extraordinárias experiências subaquáticas.

Ótimos mergulhos !

Fontes

Irigoyen MC, Angelis K D, Schaan BDA, Fiorino P, Michelini LC. Exercício físico no diabetes melito associado à hipertensão arterial sistêmica. Revista Brasileira de Hipertensão 2003;10:109-17.

Negrão, Carlos Eduardo. Rondon, Maria, U. P. B. Exercício físico, hipertensão e controle barorreflexo da pressão arterial. Revista Brasileira de Hipertensão 8: 89-95, 2001.

Negrão C. E., Rondon MUPB, Kuniyosh FHS, Lima EG. Aspectos do treinamento físico na prevenção da hipertensão arterial. Revista Hipertensão, 2001;4.

Rodrigo Correa

Administrador de empresas graduado pela PUC-SP e profissional de Educação Física.

Professor Mestre pela faculdade de Educação Física da Universidade de São Paulo-USP, Divemaster e mergulhador técnico pela IANTD.