É longe ? Definitivamente é.

É exótico ? Muito.

Vale a pena ? Cada segundo, dentro e fora d´água.

Um lugar com paisagem realmente paradisíaca, daqueles que nos fazem refletir sobre a grandiosidade e força da natureza, em todos os seus aspectos. Assim é a Polinésia Francesa, com suas 118 ilhas e atóis no meio do Pacífico Sul, ocupando uma área equivalente à metade do tamanho do Brasil. Incluindo água e terra, são mais de 4 milhões de km², literalmente do outro lado do mundo.

A Polinésia é formada por cinco arquipélagos: ilhas da Sociedade, Marquesas, Austrais, Mangarevas e Tuamotu. O mais famoso e mais frequentado é o Sociedade, onde se encontra a maior ilha da região, o Taiti, a porta de entrada de todos os turistas, mergulhadores, casais em lua de mel, e etc.

O idioma oficial é o francês, mas o inglês é bem aceito, visto que o turismo é uma das maiores fontes de renda das ilhas, ao lado das exportações de pérola.

O traslado entre as ilhas pode ser feito por avião ou barco, dependendo à distância e/ou sua pressa. As acomodações nas ilhas vão das luxuosas até as pensões mais naturais e simples, a exemplo de todos os locais que visitamos, são confortáveis, funcionais, bem integradas à natureza e com um design rústico, características tanto dos bangalôs de terra como dos “over water”. O atendimento também é excelente, e você pode desfrutar de um serviço a la francesa. Seja qual for sua opção de viagem, em todos os locais você receberá um colar de flores, simpático sinal de boas-vindas.

Com um foco muito definido, fator imprescindível para não se perder em meio a tanto sossego, excelente acolhida, boa comida e aquela vontade de esquecer tudo e ficar simplesmente apreciando o horizonte, tentando nomear os vários matizes daquela água tão transparente, quente, convidativa, vestimos logo nossa roupa de neoprene e procuramos uma das empresas que operam o mergulho na região.

Apesar de ser pouco explorado pelos mergulhadores, até pela distância de tudo, este local costuma ser mais famoso como opção de lua de mel, surpreende também como um excelente destino para mergulho, atraindo grupos de mergulhadores em busca de grandes emoções.

Da Ilha do Taiti, se parte para outras ilhas e arquipélagos, e o escolhido foi o arquipélago de Tuamutu nos atóis de Maniri e Fakarava, onde são considerados os melhores da Polinésia para se mergulhar, apesar de discordar disso, porque depois estar lá, acho que qualquer lugar desse paraíso é fantástico.

Foto: Sandro Cesar

Taiti

A Ilha do Taiti cuja capital é Papeete, foi também uma surpresa, pois apesar de não ser muito divulgado, possui bom mergulho e presenciamos um verdadeiro festival de tubarões, em pontos muito próximos dos hotéis, sendo possível ver pelo menos três espécies. Logo na saída do píer do hotel, um bando de golfinhos veio dar boas vindas. Tudo bem, tirando as dezenas de tubarões não tem muito mais pra ver, mas para começar é muito bom. Com visibilidade de 30m nos dias que estivemos mergulhando (considerada de média a ruim para a região), água estava 27ºC e descemos sem muita pretensão, e já avistamos um grupo de tubarões de recife, alguns cinzentos e grandes, com quase 2m de comprimento. Um ponto com poucos corais, muitos peixes, ideal para um mergulho de reconhecimento, se a agenda permitir ficar pelo menos dois dias na ilha.

Manihi

O pequeno atol conta com um hotel, mais um belo hotel. Não por ser luxuoso, mas por ser aconchegante e acolhedor. A recepção com os colares característicos não podia faltar, e no bar da piscina, somos mimados com coquetéis de frutas e pedaços de coco para beliscar.

Uma toalhinha úmida e fresca surge para refrescar do calor. São pequenas coisas como essas que fazem você se sentir bem e adorar o lugar. Como convidado do escritório de turismo do Taiti, fomos acomodados nos bangalôs Over Water, ou seja, acima da água. uito chique.

A comida é fantástica, logicamente há mais opções de frutos do mar, mas outras carnes e massas estão no cardápio. Escolha sua entrada, prato principal, sobremesa e se delicie.

Mergulhos em Manihi

Deixando os tubarões do Taiti para trás, partimos de manhã para dois mergulhos, e durante a preleção no barco, que comporta confortavelmente 10 pessoas (grupos maiores podem ser acomodados em mais barcos), o guia nos falou que o primeiro mergulho seria no lado de dentro do recife, no ponto das raias manta. Explicou que esse cardume já está acostumado à presença humana, e que bastava descermos e esperarmos que elas chegassem até nós

Incrédulos diante de tanta convicção, iniciamos o mergulho e ancoramos em pedras com as mãos, não há corais vivos. Durante a descida, vi a primeira. Sorte de principiante, claro.

Depois veio a segunda, e a terceira, e mais uma, até completarem seis, presenteando-nos com seu balé característico. Por mais experiente que seja o mergulhador, essa “dança” emociona qualquer um.

O segundo mergulho do dia foi feito no lado de fora do recife, que apresenta uma visibilidade com mais de 50m, muita vida, corais de formação única, moréias, alguns tubarões (gralha preta e branca de recife), peixes como borboleta, badejos e muitos outros, um festival para as lentes.

Um mergulho tranquilo, sem corrente ideal para relaxar e curtir a paisagem. Com essa visibilidade e muito sol, é possível ter a sensação de voar sobre montanhas submersas.  

Fakarava

Se Manihi é bom, Fakarava é ainda melhor. Praias brancas e lindíssimas, por ser muito maior que a anterior, possui mais opções de acomodação. Além do grande hotel, há várias pensões convidativas. Não com o mesmo conforto, são bem simples (só com ventiladores, e quando tem…) e alguns estão isolados em pequenos trechos do atol, cerca de 1:30h de barco do aeroporto. Para alguns europeus aventureiros, são ideais, muito sossego e um livro com 1.968 paginas é o suficiente para eles. Mas para quem vêm de tão longe como nós, um bom e confortável hotel é mais indicado.

O cardápio não muda muito, tudo à base de peixe. Jantares a luz de velas e o melhor serviço à francesa, fazem do restaurante uma atração gastronômica. Não há como não gostar dos pratos muito bem elaborados, mas as conta do final do jantar é um pouco indigesta, prefiro só um cafezinho.

Podemos explorar o local de bicicleta ou alugar uma scooter, mas o melhor passeio é o para região de Tetamanu onde para chegar é necessário ir de barco. A saída é pela manha é leva cerca de 1h e retorno no final da tarde. Numa pequena praia de areia branca desembarcamos e a grande atração é o mergulho livre e a paisagem magnífica.

Com menos de 2m de profundidade e possível ver dezenas de tubarões de recife, peixes multicoloridos, mas um em especial chama a atenção… o peixe Napoleão.

Eles são grandes e nadam entrem as pessoas sem se incomodar.

Depois de comer um churrasco de peixe na praia (são caçados na hora), vamos à outro atol totalmente deserto para curtir a praia de áreas rosadas. Somente coqueiros e muito sossego.

Foto: Sandro Cesar

Mergulho

Fakarava é um dos melhores pontos de mergulho da polinésia, pelo menos dos pontos mais acessíveis, pois há muitos atóis e ilhas que não são tão fáceis de chegar e com mergulhos incríveis. Saindo do hotel e após uma hora e meia de navegação, chegamos ao nosso primeiro ponto de mergulho, a Passagem Sul do lado de fora da Fakarava.

A passagem estreita gera uma corrente forte que “carrega” os mergulhadores para a parte de dentro do atol. Em determinado ponto, acompanhamos o guia para um canyon, um oásis cheio de corais, peixe leão, anêmonas e outras espécies exuberantes, mas o que nos aguardavam era uma surpresa fantástica.

No meio do canal começam a surgir dezenas, centenas de tubarões galha preta, galha branca e tubarões cinzentos de recife. Não tem como contar, mas calculo em 300.

Ancorados nas pedras por causa da forte corrente, bastando ficar parado e admirar o espetáculo. Sem nos cansar muito, pois a correnteza se encarrega de ajudar a natação, mas já no barco, fomos levados para almoçar em um pequeno restaurante, descansando e nos preparando para o segundo mergulho do dia.

Os pontos de mergulho possuem diferentes níveis técnicos, liberando muita adrenalina e boas histórias de superfície. Há também mergulhos tranquilos para relaxar e esquecer da vida em terra.

Escolhemos outro ponto onde teríamos fortes emoções, que era a passagem norte, ou Garuae.

Caímos no azul, do lado de fora do atol e mais uma vez somos assolados por uma forte corrente que nos leva para dentro e com força incrível. O bom do mergulho em Drift (correnteza) é que não é necessário nadar contra, somente se deixe levar e o barco estará esperando no final do mergulho dentro do atol. Para quem assistiu a animação Nemo, é como entra na C.L.A. Uhuuu !!!

Num momento do mergulho o guia sinaliza para descer, e um pouco à frente surge uma fenda e um banco de areia. Bom, acho que é o ponto de parada e bem rente à área, a corrente é menos intensa e ficamos ancorados no local por um tempo. Não estávamos sozinhos, cardumes e mais cardumes de peixes passavam por todos os lados. Para finalizar o mergulho deixamos nosso “esconderijo” e passeamos por cima de belíssimos corais.

Muitas opções

São tantas as opções que a Polinésia oferece que é importante organizar com antecedência seu roteiro para evitar perda de tempo, já que são muitas coisas a explorar e que sempre deixam aquela sensação de quero mais.

Os passeios exploratórios de barco são convidativos. É possível realizar mergulhos livres em quase todas as praias, nadando ao lado de muitos cardumes coloridos, tubarões e outras espécies acostumadas à presença dos turistas.

Caminhar pelas areias, comer bem e experimentar temperos exóticos também faz parte deste cenário, assim como apreciar os shows de dança típica ou admirar as joias confeccionadas com pérolas.

É do outro lado do mundo. É…

Mas vale mesmo cada segundo !

Sandro César
Sandro César do Nascimento também conhecido como “Sandrão”, é Técnico em turismo, Guia de Turismo Nacional e Internacional, agente de viagens especialista em mergulho. Mergulhador há mais de 25 anos, é instrutor de mergulho desde 1993, fotógrafo especialista foto submarina e diretor da Oxigenação Turismo e Empreendimentos.