Porque baterias recarregáveis pegam fogo ?

Foto: Clecio Mayrink

Atualmente as baterias de Níquel Metal Hidreto (NiMh) e de Lítio, já fazem parte da lista de equipamentos dos mergulhadores, pois fornecem energia para as lanternas, câmeras, tablets, notebooks e sistemas de iluminação de vídeo, por exemplo.

Muitas vezes, vemos em noticiários, casos de baterias pegando fogo e causando incêndios, o que pode acontecer com qualquer um de nós.

Há poucos meses atrás, um mergulhador deixou em um quarto de hotel, um pack de baterias de uma lanterna de mergulho realizando a recarga e foi andar pela cidade. O pack de baterias pegou fogo e gerou um incêndio que tomou conta do quarto, onde quase tudo foi perdido… equipamentos de mergulho, tablets, computadores e etc. Por sorte, ninguém se feriu.

Mas porque essas baterias pegam fogo ?

Normalmente as baterias são fabricadas sob altos padrões de qualidade a fim de evitar esses problemas. A preocupação vai desde a qualidade da matéria prima utilizada ao controle de qualidade, mas o fato é, que muito quando desses packs são montados em linha de produção, e se algum detalhe importante passar despercebido, aí começam os problemas.

Quando você recarrega uma bateria, a recarga é feita através da união de elétrons em uma unidade de armazenamento de carbono. Esses elétrons ficam “presos” até a hora em que se ligam a um eletrólito repleto de sais de lítio, permitindo que voltem a fluir de forma controlada para dentro da corrente e forneçam energia ao equipamento.

Normalmente a combustão ocorre quando um pequeno defeito ou dano é sofrido pelos finos separadores que isolam os elementos da bateria, permitindo assim, que entrem em contato direto uns com outros, levando a um curto circuito interno e, como consequência, ao rápido acúmulo de calor.

Esse calor é conhecido como “fuga térmica”, onde a bateria fica superaquecida e pode entrar em combustão, permitindo que as células adjacentes também fiquem excessivamente quentes, gerando uma perigosa reação em cadeia. Para evitar esse risco, as baterias são isoladas em compartimentos protegidos.

Um aspecto importante é quanto à qualidade das células utilizadas nos packs de baterias. A grande maioria das células são produzidas na China, e normalmente encontramos baterias com diferentes qualidades, o que pode fazer a diferença.

Outro problema é a utilização de carregadores inadequados paras as baterias usadas. Carregadores para Niíquel Metal Hidreto e Lítio, precisam ser “inteligentes”, isto é, demandam uma carga com limite específico conforme o tipo de bateria usada e param de realizar a recarga quando a bateria já chegou a seu limite de absorção de carga. Se a bateria já carregou 100% e ainda assim, o carregador continua fornecendo carga para recarregá-la, isso fará com que a bateria se aqueça, e o aumento da temperatura poderá desencadear a combustão. Por isso, a importância e atenção que o mergulhador deve dar ao equipamento, realizando sempre a recarga com super0visão e utilizar somente componentes originais de fábrica.

Atualmente os pesquisadores trabalham em projetos de pesquisa para tentar conseguir a sbstituição dos componentes e apresentar maiores densidades de energia, com menores riscos de combustão.

Enquanto não temos um sistema totalmente seguro, jamais deve deixe suas baterias recarregando sem acompanhamento e utilize materiais originais.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.