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Teoria
da Descompressão
História A primeira descrição de problemas
relacionados com a pressão em seres humanos foram
realizados por Triger, em 1841.
Túneis e Caixas de
Construção Sub-Aquáticas eram pressurizados, com ar,
para manter fora a água e a lama. Durante o trabalho a
profundidade aumentava e com isso os trabalhadores
respiravam ar a pressões maiores, retornando à
superfície com dores e em algumas vezes, com paralisia. Diversos pesquisadores
tentaram explicar tal fenômeno até que o Fisiologista
Paul Bert estabelecesse a relação existente entre os
"Bends" e as bolhas de Nitrogênio demonstrando
que a dor poderia ser revertida através de uma
recompressão.
Em 1908 a Marinha Real
Inglesa (Royal Navy), preocupada em diminuir os problemas
de descompressão em seus mergulhadores, publicou três
jogos de tabelas de tempo e profundidade, adaptadas para
as Marinhas Inglesa e Americana.
Para os realizadores das
tabelas, John Scott Haldane, Arthur E. Boycott e Guybon
C. Damant, diferentes áreas do corpo absorvem e liberam
Nitrogênio em ritmos diferentes; as quantidades de
absorção e eliminação podem ser estimadas utilizando-se uma simples
equação matemática; um mergulhador poderia ascender
sem problemas de descompressão, desde que a redução da
pressão não fosse mais do que a metade.
A maioria das tabelas de
mergulho e computadores atualmente em uso são baseados
nos conceitos iniciados por Haldane e desenvolvidos pelos
pesquisadores que se seguiram, normalmente com os mesmos
4 conceitos:
1- Estimam a pressão
parcial do gás inerte, normalmente Nitrogênio, que
irá se acumular nas diferentes partes do corpo,
chamados de "Compartimentos"
2- Comparam
avaliações das pressões parciais internas de
Nitrogênio para suas supostas pressões máximas
toleráveis, normalmente chamadas de
"Valores-M" (M-Values)
3- Estabelecem limites
de profundidade e tempo no ascenso, para que não se
ultrapasse os máximos permitidos por qualquer um dos
compartimentos.
4- Caso os
compartimentos ultrapassem os seus
"Valores-M" durante o ascenso, as tabelas
avisam o mergulhador a fazer uma parada de
descompressão, fazendo com que os compartimentos
liberem o excesso até que estejam abaixo de
"M", antes de continuar o ascenso
Alguns modelos de
descompressão entendem o transporte gasoso ou a
formação de bolhas diferentemente do modelo
Haldaniano.
Os Compartimentos
Todo o corpo absorve
Nitrogênio, sob pressão. Algumas áreas absorvem o gás
mais rápidos do que outras, por exemplo, os
compartimentos de 5 e 10 minutos, comparados com os
compartimentos de 60 e 120 minutos. Atualmente os
pesquisadores contemporâneos preferem utilizar o termo
"Compartimentos" do que "Tecidos".
Anatomicamente existem 4
tecidos no corpo humano: muscular, conjuntivo, epitelial
e nervoso. Tudo no nosso corpo é feito pela combinação
destes 4 tecidos. Para trabalho de descompressão, o
corpo é dividido em um certo número de compartimentos.
Apesar do fluxo
sanguíneo poder variar com a atividade ou outros
eventos no corpo e com isso mudar a velocidade do tecido
anatômico, os modelos de descompressão levam em conta
muitos compartimentos, para ter a certeza de levar
considerar a maioria das possibilidades, tais como frio e
o exercício.
Pressão Parcial
Entender "Pressão
Parcial" é importante para compreendermos a
Descompressão.
A "Pressão
Parcial" é normalmente abreviada como
"PN2" ou "PpN2". Existem também
diversas unidades para Pressões Parciais, tais como:
- mmHg : milímetros de
mercúrio (medida médica)
- ATA / ATM : Atmosferas
absolutas (medidas de descompressão)
- atm abs / Pa / kPa :
(aplicações científicas)
A Pressão Parcial do
Nitrogênio na mescla gasosa determina a quantidade de
Nitrogênio que é absorvido (ongas) e eliminado
(offgas). Como a PpN2 do ar respirado aumenta com a
profundidade, a absorção do Nitrogênio também
aumenta. Quando reduzimos a pressão da água ao redor,
como no ascenso, a pressão de Nitrogênio que cresceu no
corpo excede a PpN2 da água ao redor, fazendo com que
haja uma eliminação (offgas) do Nitrogênio por parte
do mergulhador.
A composição de qualquer
gás que respiramos não muda com a profundidade, apenas
a pressão que sim. Por exemplo; no ar normal temos 21%
de Oxigênio e 79% de Nitrogênio, o que representa uma
FO2 (fração de oxigênio) de 0,21 e uma FN2 (fração
de nitrogênio) de 0,79. A fração só irá mudar se
houver uma mudança na mescla.
Quando mergulhamos a 10
metros ou 2 ATA, o mergulhador está sob o dobro da
pressão de superfície a 1 ATA; sendo assim, teremos
pressões parciais de : PO2 de 0.42 ATA e PN2 de 1,58
ATA.
Se triplicarmos a
pressão, a PO2 será de 0,63 ATA e a PN2 de 2,37 ATA.
Tensão do
Nitrogênio
A pressão parcial do
nitrogênio, na mescla que normalmente respiramos em
superfície, é chamada de Pressão Parcial do
Nitrogênio. A pressão parcial do nitrogênio dissolvido
no corpo é geralmente chamada de Tensão do Nitrogênio,
ou em outras palavras, a pressão parcial do nitrogênio
ambiente determina as tensões nos compartimentos.
Deve-se compreender que as
Tensões do Nitrogênio no corpo são pressões e não
volumes de gás.
Quando se mergulha,
aumenta-se com rapidez a pressão Parcial do Nitrogênio,
mas não o suficiente para equilibrar a tensão do N2
interno com a pressão parcial do N2 externo. Intervalos
de superfície longos, ajudam a diminuir as tensões.
Meios-Tempos
(Half-Times)
Nas equações de
descompressão, os Meios-Tempos descrevem a quantidade de
nitrogênio ou outro gás inerte, que transita para
dentro e para fora do corpo.
Um compartimento com
Meio-Tempo de 5 minutos, completa com gás inerte a
metade do máximo da sua capacidade, em 5 minutos. O
compartimento de 10 minutos completa a sua metade em 10
minutos, o de 20 minutos leva 20 minutos para completar a
sua metade, e assim por diante.
A figura a seguir
demonstra o funcionamento dos Meios-Tempos :
Os compartimentos atingem
50% da sua capacidade (equilíbrio) após 1 Meio-Tempo,
75% após 2 Meios-Tempos, 87,5% após 3 Meios-Tempos,
93,75% após 4 Meios-Tempos, e 96,87% após 5
Meios-Tempos. Por convenção, após 6 Meios-Tempos os
compartimentos são considerados completamente
equilibrados ou "cheios" com a pressão na
profundidade.
O modelo Haldaniano coloca
no mesmo Meio-Tempo e com a mesma velocidade, a
eliminação (offgassing) e a absorção (ongassing),
apesar de diversos fatores atrasarem a eliminação do
nitrogênio pelo corpo.
Os compartimentos mais
rápidos, obviamente, realizam essa tarefa mais rápidos
do que os mais lentos.
As partes do nosso corpo
absorvem nitrogênio através de Meios-Tempos, variando
de segundos até horas, e não através de tempos
específicos, tipo 5 ou 10 minutos.
Uma quantidade maior de
compartimentos não faz com que os modelos se tornem mais
precisos. Como exemplos temos as seguintes tabelas:
- Ar padrão da US Navy: 5,
10, 20, 40, 80 e 120
- Orca Edge : 5, 11, 17, 24,
37, 61, 87, 125, 197, 271, 392, 480
- Dacor Micro Brain : 4, 11,
31, 86, 238, 396
- Beuchat Aladdin : 4, 12,
26, 54, 108, 304
- Buhlmann ZHL-16 : 4, 7.94,
12.2, 18.5, 26.5, 37, 53, 79, 114, 146, 185, 238, 304,
397, 503, 635
- Compartimentos rápidos e
lentos
- Os compartimentos rápidos
absorvem e eliminam o gás inerte rapidamente.
- Já os compartimentos
lentos absorvem e eliminam o gás lentamente.
Nos tecidos anatômicos, a
quantidade depende do fluxo sanguíneo e solubilidade do
gás naquela área. Nos modelos de descompressão
Haldanianos o fluxo sanguíneo é o principal fator para
se estabelecer a velocidade do compartimento.
O Nitrogênio é mais
solúvel em tecidos gordurosos do que aquosos. Nos
tecidos gordurosos o nitrogênio leva mais tempo para
entrar e sair.
O coração, por exemplo,
provavelmente possui diversas áreas que absorvem e
eliminam o nitrogênio, todas com diferentes velocidades.
Os compartimentos lentos
podem receber gás, durante o ascenso, no mesmo momento
em que os compartimentos rápidos estão eliminando o
próprio nitrogênio.
Saturação e
Dessaturação
Saturação significa: O
corpo conter o máximo de nitrogênio ou outro gás
inerte, em determinada profundidade. Ocorre quando os
compartimentos têm tempo suficiente para se igualar com
a pressão parcial do gás inerte inspirado.
As pessoas estão
saturadas de nitrogênio em superfície, ou seja, elas
estão equilibradas com a pressão ambiente.
Os compartimentos só
estarão completamente saturados ou dessaturados após 6
Meios-Tempos, isto quer dizer que o compartimento de 60
minutos, independente da profundidade, será considerado
saturado em 6 horas (6 Meios-Tempos x 60 minutos = 360
minutos ou 6 horas). Já o compartimento mais lento de
120 minutos, levará 12 horas ( 6 Meios-Tempos x 120
minutos = 720 minutos ou 12 horas).
Na dessaturação diversos
fatores complexos entram em cena mas a maioria dos
modelos Haldanianos considera o mesmo ritmo de
Meio-Tempo, para absorção e eliminação.
Quando as tensões nos
compartimentos excedem a pressão ambiente, o
compartimento tem mais nitrogênio que pode conter, em
equilíbrio. Ocorre quando a pressão cai durante o
ascenso e ao se passar o "Ponto", chamado de
Super-saturação Crítica, as bolhas se formam. Alguns
pesquisadores acham que, em qualquer grau de
Super-saturação, há a criação de bolhas.
Um ascenso rápido fará
com que o nitrogênio saia muito rápido da solução,
formando bolhas e problemas descompressivos.
Valores-M
(M-VALUES)
Os Valores-M são as
tensões máximas de nitrogênio ou outro gás inerte que
os diversos compartimentos provavelmente podem tolerar,
antes que a Super-saturação produza uma quantidade
prejudicial de bolhas. Essas tensões máximas são
chamadas de Valores-M (M-Values) onde "M"
significa, "Máximo". Os Valores-M existem para
qualquer gás inerte usado.
Os Valores-M são
pressões e, portanto, as unidades são de pressão.
Cada compartimento tem
diferentes Valores-M, para diferentes profundidades.
Os Valores-M em
superfície, são escritos como "M0" e
pronunciados como "M sub zero". Caso os
compartimentos ultrapassem "M0", deve-se fazer
uma parada de descompressão para que os compartimentos
desçam até valores abaixo de "M0".
"M10" é a
tensão máxima que pode ser criada ao chegar a 3 metros
da superfície, com um risco aceitável.
Os Valores-M permitem que
as tabelas e computadores de mergulho determinem os
limites de profundidade e tempo para os diferentes
compartimentos e assim basear o limite de todo o corpo no
compartimento que primeiro atingir o seu máximo, sendo
chamado de " Compartimento de Controle".
Computadores baseados na "Tabela" e
no "Modelo"
Os Computadores baseados
na Tabela, analisam o perfil da imersão levando em conta
os valores já determinados pela tabela descompressiva.
Os Computadores baseados
no modelo, calculam a descompressão pela atual
profundidade/tempo do perfil, em tempo real.
Modelos Não-Haldanianos
Alguns modelos de
descompressão vêem o transporte gasoso e a formação
de bolhas de um modo diferente do modelo de Haldane. O
desenvolvimento desses modelos cresceu pela necessidade
de se reduzir os problemas descompressivos em perfis de
mergulho, não abrangidos pelo modelo de Haldane, e
também porque, diversos assuntos na dinâmica da
descompressão, permanecessem inexplicáveis pela Teoria
da Descompressão existente.
Abordaremos alguns
conceitos não-haldanianos, tais como:
- Modelos Estatísticos
- Modelo disposto em
Séries
- "El" Modelo
- Modelo de
Permeabilidade Variável
- Modelo de Redução
Gradiente da Bolha
- Modelo de 1
Compartimento (Slab)
Modelos Estatísticos
As Tabelas de
Descompressão, que atingem a descompressão
estatisticamente indicam que após um certo número de
imersões, de um determinado tipo, espera-se alguns
incidentes de DCS(doença descompressiva). Uma tabela para imersões
com ar, fornece perfis de mergulho com 1% de risco de se
contrair uma doença descompressiva (DCS).
Já uma Segunda tabela
para imersões com ar possui perfis maiores, com um risco
premeditado de 5%. O perfil a ser escolhido
dependerá da prioridade e duração da missão. O fisiologista Dr. Bill
Hamilton afirma que os modelos estatísticos são uma
nova onda nos modelos descompressivos.
Modelo disposto em séries
É um modelo de
descompressão onde se assume que o gás inerte, passa em
série, de compartimento em compartimento. Apenas um
compartimento é considerado exposto à pressão
ambiente, alcançada pela corrente sanguínea.
Os compartimentos não
possuem Meios-Tempos e absorvem (ongas) e eliminam
(offgas)entre eles. As tabelas Canadenses,
DCIEM, são calculadas através deste modelo.
Em 1962, os pesquisadores
D.J. Kidd e R.A.Stubbs começaram a desenvolver um
computador para o mergulho. Eles iniciaram o trabalho com
um modelo paralelo ao de Haldane e mais tarde decidiram
utilizar o modelo disposto em séries, que mais
representava o corpo humano.
"El" Modelo
Modelo de descompressão
onde a absorção (ongassing) é calculada como
Exponencial (E), e a eliminação (offgassing) como
Linear (L). "EL" está
relacionada com Exponencial e Linear e é uma variação
do Modelo Haldaniano.
O Capitão Ed Thalmann, da
Unidade Naval Experimental de Mergulho (NEDU) e seu
grupo, desenvolveram o "EL" Modelo como base do
computador, carregado pelos mergulhadores de combate da
US Navy.
Eles chegaram à
conclusão de que os perfis gerados pela eliminação
(offgassing) exponencial das tabelas USN não eram
conservativas para a profundidade/tempo dos perfis
utilizados.
Modelo de 1 Compartimento (SLAB)
Este modelo utiliza apenas
1 compartimento, chamado de "Slab", ao invés
de diversos compartimentos separados. A área mais rápida é
considerada exposta a pressão ambiente, do gás no
sangue. A mais lenta, mais longe. Este modelo foi
desenvolvido pelo Dr. Tom R. Hennessy de Londres e é
utilizada pela British Sub-Aqua Club (BSAC).
Modelo de Permeabilidade Variável
Este modelo de
descompressão limita o tamanho da bolha, no ascenso, a
um volume crítico, e a quantidade abaixo do número
crítico. É também chamado de
"Modelo Bolha Pequena".
As tabelas e computadores,
baseados em Haldane, calculam limites baseados na
eliminação do gás que é dissolvido no corpo e não o
gás que saiu da solução, para formar uma fase de gás
livre e bolhas. Quando as bolhas se formam
no corpo, elas retém a futura saída do nitrogênio por
diversos mecanismos e meios químicos.
Diversos modelos de bolhas
foram desenvolvidos e um deles foi o Modelo de
Permeabilidade Variável, desenvolvido por um grupo de
pesquisadores da Universidade do Hawai, chefiada pelos
Drs. Yount e Hoffman. O trabalho deles vem de
experimentos com bolhas em gelatina super-saturada. Eles também acreditavam
que o tamanho e número de bolhas era importante, e que o
corpo podia tolerar uma determinada quantidade por longos
períodos de tempo.
Este modelo pede por
paradas de segurança, velocidade de ascenso não maior
do que 18 m/min. Tem restrições para imersões
repetitivas profundas, imersões "dente de
serra" ou muitos dias seguidos de mergulho.
Modelo de Redução Gradiente da Bolha (RGBM)
Modelo que utiliza
gradiente de superfície reduzido nas imersões
repetitivas. Foi desenvolvido pelo
físico Dr. Bruce Wienke e parcialmente baseado no
trabalho de Yount e Hoffman. Os gradientes de
superfície são parecidos com os Valores-M, onde os
meios-tempos curtos tem valores maiores do que os
meios-tempos longos. A intenção das tabelas
de descompressão e dos computadores é a de maximizar o
tempo de mergulho, minimizar os problemas fisiológicos
de se respirar oxigênio, nitrogênio e outros gases.
As maiores considerações
que se deve levar em conta são: a profundidade, o tempo
e o ritmo de ascenso.
É fácil controlar esses
fatores, utilizando as tabelas e computadores,
conservativamente, e assim aumentar a margem de
segurança.
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