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Condicionamento físico para o mergulhador autônomo
esportivo
Uma coisa frequentemente neglicenciada por mergulhadores
é o condicionamento físico. O mergulho autônomo é promovido como uma
atividade de baixo impacto, fácil e que não requer qualquer
condicionamento físico. Muitos mergulhadores são péssimos nadadores, e na
verdade é possível ensinar alguém que não sabe nadar a mergulhar.
O mergulho em apnéia tem necessidades completamente
distintas e não será abordado nesta matéria, embora alguns dos
treinamentos abaixo possam ser utilizados.
A grande maioria dos mergulhadores que acompanhei nas
mais diversas saídas e atividades se beneficiaria de um programa de
condicionamento físico. Mergulhar todo final de semana não basta,
especialmente para quem vive em cidades onde não se pode mergulhar com
bastante frequência.
Muitos dos acidentes de mergulho autônomo ocorrem na
superfície, e um dos fatores que pode piorar uma situação é a
inabilidade física. Algumas pessoas, em certas condições, simplesmente
entram em exaustão respiratória e pânico, e acabam se afogando na
superfície. Enquanto um bom treinamento de mergulho é fundamental, certas
situações requerem uma boa condição física, como ter que nadar contra
uma corrente razoável, seja na superfície ou no fundo, ou ter que rebocar
um companheiro cansado.
Benefícios do condicionamento
Podemos citar alguns benefícios para o mergulhador que
faz um programa de condicionamento:
-
Melhora da performance e diminuição do consumo de
ar
-
Mergulho mais relaxado, com menor gasto de energia
-
Menor risco de doença descompressiva (que já é
baixo)
-
Menor risco de lesões físicas durante o mergulho
-
Enor risco de acidentes, devido a menor chances de
exaustão respiratória e pânico
Para entendermos a importância do condicionamento, vamos
falar de pontos a serem treinados:
Respiração: fundamental, para um bom aproveitamento de
energia, menor consumo de ar, prevenção da exaustão, menor absorção de
nitrogênio, contrôle sobre situações que fujam do usual.
Como treinar a respiração: exercícios aeróbicos
ritmados, como natação e corrida, são excelentes. Ainda, nadar com
equipamento scuba por debaixo da água, mesmo que numa piscina, ajuda
bastante. É importante fazer este exercício de maneira ritmada, evitando a
exaustão respiratória.
Musculatura abdominal e das costas: importante para
sustentar um bom posicionamento debaixo da água e evitar problemas na
coluna pelo peso do equipamento.
Como treinar: sob orientação, diversos tipos de
exercícios abdominais e um pouco de musculação dirigida ao fortalecimento
da musculatura (a natação pode substituir a musculação, se bem
orientada).
Musculatura dos membros inferiores: importante para uma
boa propulsão com bom aproveitamento de energia, prevenção de caibras e
melhor sustentação na superfície caso seja necessária. Natação com
equipamento scuba ajuda bastante, pois o arrasto do equipamento força mais
as pernas do que a natação equipada em mergulho livre
Como treinar: natação comum e natação equipada, com o
uso de nadadeiras, são as melhores formas de treinar as pernas do
mergulhador. Contra-indico a musculação, a não ser que com pouca carga e
muita repetição. Corrida e esportes mistos (que combinem atividade
aeróbica e anaeróbica) como futebol, tênis e outros, também funcionam.
É importante lembrar que um bom programa de
condicionamento deve receber um acompanhamento de um profissional da
atividade, e que para mergulhadores autônomos alguns parâmetros podem ser
interessantes: o consumo de ar e o comportamento da frequência cardíaca
durante o mergulho. O consumo de ar pode ser medido com boa precisão
através de computadores de mergulho que tenham manômetro integrado e
interface para PC, embora seja possível fazer o cálculo manualmente. É
importante enfatizar que um mergulhador pode melhorar seu consumo, mas
dentro de limites, e que não se mede sua qualidade pelo consumo, que é
algo muito particular. Deve-se evitar comparações de consumo entre
diferentes mergulhadores.
Para medir a frequência cardíaca durante o mergulho
pode-se usar o relógio Polar ou similar, que em conjunto com uma faixa
peitoral e sua interface, faz um gráfico de toda a atividade. É importante
lembrar que o mergulhador deve respeitar o limite de pressão deste tipo de
relógio, que não foi feito para mergulhadores. Numa experiência, usei o
relógio dentro de uma lanterna de mergulho transparente, e fui a 40 metros
de profundidade sem qualquer problemas. O inconveniente é que você perde o
acesso aos botões do relógio, que acaba tendo que ser ativado antes do
mergulho.
Tenho feito este trabalho em piscina com alguns ex-alunos
e tem sido interessante, pois uma vez que os mesmos têm os parâmetros
iniciais, passam a se preocupar mais com seu condicionamento físico.
Bons mergulhos, mais duradouros e confortáveis.
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