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Quando você vai viajar
As férias de verão estão chegando, e com elas você
começa a planejar suas merecidas viagens de mergulho. Muitos mergulhadores
ficam na sua área, mas muitos viajam grandes distâncias, utilizando-se de
aviões. Independente do local para o qual você irá, se afastado de sua
residência, é preciso tomar algumas precauções, para que sua viagem seja
a mais proveitosa possível, e que se algo vier a acontecer, que a
situação possa ser resolvida da melhor maneira possível.
Viagens de avião prolongadas
Um problema inicial de quem viaja é o avião. Quando
você fica sentado horas a fio, numa cadeira apertada, respirando um ar mais
seco (devido ao ar condicionado do avião), bebendo menos líquidos do que o
necessário e comendo mal, seu corpo sofre as consequências. A menos que
você viaje de classe executiva ou melhor do que isto, está sujeito a tudo
que foi descrito. Entretanto, podem se tomar algumas medidas, para minimizar
estes efeitos. Em primeiro lugar, hidrate-se adequadamente durante o vôo,
solicite mais líquidos do que o oferecido e lembre-se que bebidas
alcoólicas desidratam. Não tenha medo de sair "toda hora" para
ir ao banheiro, é até bom que você ande durante o vôo, para ativar a
circulação das pernas, prevenindo aquele inchaço desagradável ao final
da viagem.
Ainda, nossas narinas vão secando, e como resultado
você pode chegar ao destino com as vias aéreas bastante irritadas. Use
rinosoro ou outra solução de soro fisiológico para manter suas narinas
"em dia". Previnas dores musculares, movimentando-se e fazendo
alguns alongamentos dentro do espaço fornecido, sem ferir o passageiro ao
lado. O simples ato de pressionar os pés contra o chão, de maneira
ritmada, já ajuda a circulação. No vôo de volta, lembre-se de respeitar
as regras de vôo após mergulho, sempre esperando um mínimo de 24 horas,
embora possa-se esperar menos em determinadas circunstâncias.
Para onde você vai
É importante saber a infra-estrutura do local de
destino, saber se há problemas com a água para beber, se existem riscos de
intoxicação alimentar. Muitos locais remotos e barcos live-aboard obrigam
que o mergulhador tenha seguro para acidentes de mergulho. Uma solução
para águas problemáticas é levar soluções esterilizadoras, ou ingerir
apenas refrigerantes. Muitas vezes a água é estéril, mas seu conteúdo
mineral é suficiente para causar problemas. Certos locais têm prevalência
de intoxicações por comida do mar, como as intoxicações por mexilhões,
ostras, etc, que podem causar desde uma simples diarréia, até quadros
febris, e eventualmente hepatite. Em certas áreas pode haver uma forma mais
rara de intoxicação, por carne de peixe contaminado, a famosa Ciguatera.
É mais comum em determinadas épocas do ano, e em peixes de maior porte,
como garoupas grandes, meros e barracudas. A Ciguatera tem um quadro
clínico variável, às vezes com meses de duração.
Mais comum do que a Ciguatera é a comida mal conservada,
que acaba se contaminando. É difícil avaliar a limpeza da cozinha, a não
ser que a mesma seja exposta ao público. Uma dica de bom senso é evitar
comer carnes de animais que não existam no local, enquanto vivos.
O sol tropical
É muito comum vermos pessoas voltarem de férias,
literalmente esturricadas, por falta de precaução contra queimaduras
solares. Hoje em dia existe uma gama variada de protetores solares
biodegradáveis, que protegerão você do sol, evitando aquela dor de
"não poder tocar o lençol". Cuidado com as áreas não
protegidas por roupas, como nariz, lábios e orelhas. Um chapéu sempre
ajuda. E lembre-se que o mormaço queima, mesmo que o sol não esteja
presente.
Sua necessaire
Embora o ideal é não usar medicações que não tenham
sido prescritas por médicos, alguns remédios mais simples podem ajudar
bastante quando você está longe de casa. Lembro-me de certa viagem para
uma ilha caribenha onde meu irmão pegou uma "amebíase
intestinal". Eu cheguei à ilha alguns dias depois, e ele já havia
perdido alguns quilos, em função de uma diarréia que não passava,
enquanto o médico do posto de saúde insistia em lhe dar soro de
hidratação oral. Acabei resolvendo o problema com medicação específica
para o caso. Neste caso, seria difícil para uma pessoa sem conhecimento
específico resolver a situação, mas ilustra o problema com hospitais de
pequenas ilhas.
Leve pelo menos:
- Band-aids, Esparadrapo e Antissépticos
- Analgésicos e Antitérmicos
- Antialérgicos, sobre as formas de
pomadas e comprimidos
- Antidiarreicos
- Medicação para Enjôo em
Embarcações
- Medicações de Uso Pessoal
Obviamente existe uma série outra de medicações e
equipamentos de primeiros socorros que podem ser levados, mas ai a escolha
é pessoal, e decidi omitir nomes comerciais das medicações, para evitar
problemas com marcas.
É importante lembrar que cada país tem suas leis e
restrições com respeito a medicações e substâncias. O melhor é levar o
que você precisa, do Brasil. E cuidado pois certas medicações podem ser
proibidas em determinados países.
E você adoeceu
O triste é que sempre "sobra para o Gabriel",
escrever sobre as coisas ruins do mergulho, porém a idéia é muito mais o
aspecto da prevenção e solução de coisas que acontecem. Embora
raríssima, a Doença Descompressiva e outros acidentes de mergulho podem
acontecer. É fundamental que você tenha um seguro para acidentes de
mergulho com cobertura internacional, já disponível no Brasil através de
uma companhia de seguros brasileira, ou através de seguradoras
internacionais. Procure se informar a respeito.
Pessimismo a parte, e a cobertura para acidentes de outra
natureza, você tem ??? Já dizia o grande autor, Leo Buscaglia no livro
"Vivendo, Amando e Aprendendo", que se guardássemos todo o
dinheiro gasto em seguros numa poupança, provavelmente teríamos o
suficiente para pagar todos os custos nos acidentes. Mas quando estamos
fora, tenho que discordar. Um tratamento de câmara, mais internação
hospitalar, etc., podem custar muito mais do que 30 anos de recolhimento de
seguro de mergulho.
Boas férias de mergulho, com certas precauções.
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