Recifes Artificiais Marinhos:
Uma Proposta de Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento da
Pesca Artesanal
Recifes Artificiais Marinhos,
são estruturas rígidas de grande porte, normalmente construídas à base de concreto ou materiais
obsoletos de indústrias (carcaças de navio, plataformas de petróleo
desativadas, pneus, etc.), que submersas propositalmente ou por acidente
no meio aquático marinho, servem de substrato para o desenvolvimento da fauna e
flora típicas dos ambientes rochosos.
Do ponto de vista estrutural, o termo
"recife" é impróprio tendo em vista a natureza não biológica do
substrato. Entretanto, desde que tenham tamanho e forma adequados e estejam
submetidas a condições ambientais que não restrinjam o crescimento dos
organismos, o resultado final da colonização biológica de estruturas
submersas artificialmente, assemelha-se às comunidades encontradas em recifes
naturais, costões rochosos do infralitoral, parcéis e lajes submersas.
Baseado nisto, o Instituto
Ecoplan do Paraná com a ajuda do Centro de Estudos do Mar, criaram o Programa RAM,
onde tem como objetivos a conservação
da biodiversidade, desenvolvimento da pesca artesanal, incentivo ao turismo
subaquático e pesca esportiva, além de desenvolver pesquisas na Costa dos
estados do Paraná e Espírito Santo.
O projeto, com grande repercussão ambiental e sócio-econômica,
visa recuperar a diversidade biológica em regiões costeiras atingidas pela ação
do homem. Desde sua fase inicial, em janeiro de 1997, o Programa RAM, implantou
centenas de sistemas recifais no assoalho submarino, gerando áreas protegidas
na plataforma, e prevê ainda a instalação de um total de mais de 14.000
recifes na costa do Paraná.
A prática de submergir estruturas para criar artificialmente
ecossistemas semelhantes aos fundos rochosos de lajes e parcéis vem sendo
empregue a muito tempo. Desde 1600 o Japão submerge substratos duros em áreas
costeiras, criando ambientes artificiais de colonização biológica,
objetivando a exploração de seus recursos pesqueiros. Esta técnica vem sendo
aplicada com bons resultados em diversos países com o objetivo de recuperar e
aumentar a diversidade biológica em regiões costeiras impactadas pela ação
do homem, trazer benefícios sócio-econômicos em escala regional referentes a
indústria da pesca esportiva e turismo náutico e proporcionar mecanismos que
facilitem o manejo dos recursos pesqueiros.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o assentamento em grande
escala de recifes artificiais tem sido praticado nos últimos 30 anos como uma
ferramenta útil ao manejo pesqueiro. Anualmente são investidos cerca de US$ 1
milhão para o financiamento de 500 projetos ao longo da costa americana, a
maioria na Flórida, onde o interesse na criação de novos locais de pesca e
conservação cresce a cada dia.
Recentemente, mais uma etapa do programa RAM foi
concluída com sucesso, o naufrágio planejado de duas
balsas. Também em fase implantação está o naufrágio do navio Victory
8B na costa do Espírito Santo, em Guarapari.
Com os resultados obtidos, o
governo deveria incentivar a criação de projetos idênticos ao Projeto RAM,
pois com um baixo custo, estaríamos ajudando a conservação marinha, além
de novos pontos de mergulho e consequentemente, gerando mais empregos. Outro
grande exemplo, são os navios afundados na Flórida, que além de conservar,
ajudam a circular algo em torno de U$ 25 milhões com o mergulho em
naufrágios.
Programas de proteção e recuperação de áreas
altamente impactadas pela pesca de arrasto utilizam-se de recifes artificiais,
como navios obsoletos e blocos de concreto, para criar áreas de exclusão,
através da ciação de uma reserva da pesca, permitindo a recuperação da
fauna e flora marinha.
Na Espanha foram obtidos bons resultados com o uso de
recifes artificiais para a proteção de fundos de fanerógamas submersas (tipo
de vegetação de fundo), permitindo a conservação da fauna e flora marinhas e
o aumento da pesca local.
Apoio:
- Associação Paranaense de Atividades Sub-aquáticas (Roberto Baracho - (41)
9981-4733 / 232-0198)
- Atlantes operadora de
mergulho
-
Capitania dos Portos do Paraná (Ministerio da Marinha)
-
Centro de Estudos do Mar
- Empresa Votorantin Cimentos
- Instituto ECOPLAN (Paraná)
- Laboratório de Materiais e Estruturas - LAME - COPEL - UFPR
- Laboratório Central de Pesquisas - LAC - COPEL - UFPR
- Ministério da Ciência e Tecnologia através
do Programa de Apoio ao Desenv.o Cientifico e Tecnologico - PADCT
- Prefeitura de Pontal do Paraná
- Sub-programa Ciências Ambientais (CIAMB)
Colaboração para este
artigo:
- Frederico Brandini e Ariel Scheffer - Centro de Estudos do Mar
- Roberto Baracho - Associação Paranaense de Ativ. Subaquáticas
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Momento da implantação do recife artificial

Recife artificial sendo levado
para o mar

Mergulhador e um mero

Meros nadam calmamente ao
lado de um recife artificial
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