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Mergulhadores exploram
Rubinéia submersa
Sob as águas do Paranazão,
equipe localiza ruínas da cidade inundada.
Foi em 1973 que a construção da
hidrelétrica de Ilha Solteira, alagou a velha cidade de Rubinéia
nas águas do Rio Paraná e, uma nova cidade surgiu próximo ao
local. A transferência da população para a "Nova
Rubinéia" foi feita com tempo hábil da maioria das
edificações serem demolidas da antiga cidade e pouco sobrou no
momento da inundação.
A equipe de mergulhadores de
Fernandópolis, formada pelos empresários Clacir Colassiol, Adão
José Martins e Gilberto Musto, realizou dezenas de mergulhos
durante os últimos 18 meses a fim de explorarem o local que está
há 12 metros de profundidade. Tecnicamente os mergulhos são
"rasos" proporcionando um período maior de permanência
dos mergulhadores junto as ruínas, facilitando assim a pesquisa.
As condições climáticas
interferem diretamente nos mergulhos da equipe, onde apenas na
estiagem a visibilidade chega a cerca de 5 metros. Nos demais
períodos do ano a média não passa de 2 metros, demandando assim
um período bastante longo para conclusão dos trabalhos.
Hoje as ruínas da cidade
submersas estão totalmente mapeadas por GPS e os pilares da antiga
estação ferroviária cabeados para guiar outros apreciadores do
mergulho pelo trajeto montado pela equipe fernandopolense.
São cerca de 25 pilares com 6
metros de altura cada, numa extensão de 110 metros no total da
plataforma, ainda sedimentada com poucas rachaduras. Ruínas da
bilheteria é outro ícone do local. Informações de que um antigo
lavador dos trens que ali paravam para manutenção, ainda está
sendo procurado pelos mergulhadores. A antiga caixa d´água da
cidade, que ficava próximo ao lavador, foi destruída não faz
muito tempo. A edificação, que continha uma parte localizada acima
da superfície da água colocava em risco as embarcações do local.
As pilastras demolidas foram localizadas pelos mergulhadores e
também devidamente mapeadas como no corqui ao lado. 
"O local é limpo e não há
enroscos. Torna-se um mergulho prazeroso e relaxante" diz
Clacir. Para Adão o conhecimento histórico de um passado não tão
distante é o que atraia a equipe: "Sempre nos deparamos com um
antigo morador, ou ribeirinho que conta a história de Rubinéia.
Acho que somos privilegiados de podermos, hoje, visitar ‘in loco’
o que foi parte da vida de muitos munícipes do local". Giba
diz ainda que o trabalho não terminou: "Nós temos esperança
de ainda encontrar o lavador, e completar o trajeto da estrada de
ferro. O progresso da nossa pesquisa é gradual, mas temos a certeza
de estarmos próximos do nosso objetivo".
Em uma das atividades da equipe no
mês passado, o mergulhador Thales Igor de Oliveira de Santo André,
desceu com os amigos para conhecer as ruínas: "é um mergulho
muito radical, diferente dos que estamos acostumados a fazer no mar,
com visibilidade de até 20 metros. O mergulho no Rio Paraná é de
muita adrenalina" conclui Thales que tem apenas 15 anos de
idade e 1 de mergulho autônomo.
Como chegar
O acesso a cidade de Rubinéia é pela rodovia Euclides da Cunha, que se inicia em São José do Rio Preto e termina na cidade de Rubinéia. A distância da capital paulista até Rubinéia é de 630 km. A cidade está localizada na divisa dos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás, ao lado da ponte Rodoferroviária Federal.
GPS: 20º 18,640'
S / 51º 1,990' W
Gilberto Musto,
é jornalista, radialista, diretor da Revista
CHARME e da Mídia G. Comunicação. Atualmente possui certificação
de Divemaster e mergulha há 2 anos tendo logados cerca de 100
mergulhos, dos quais cerca de 40 deles em rios da região de São
Paulo, Minas e Mato Grosso. Juntamente com Clacir Colassiol e Adão
José Martins, está formando um grupo de mergulhadores da região
Noroeste objetivando novas pesquisas.
E-mail: gilbertomusto@uol.com.br
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