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Entrevista: Dr. Marco
Antonio Ferreira Caixeta
O que o levou a atuar na área de
Medicina Hiperbárica e a quantos anos o Sr. atua ?
Foi uma oportunidade surgida na
Marinha do Brasil, em 1973. Portanto, há 30 anos.
Na época, houve grande
dificuldade, tendo em vista que o mergulho ainda era uma coisa recente ?
O mergulho raso era uma
realidade. Iniciava-se na época o mergulho profundo e, logo em seguida, o
mergulho saturado. Eu, como instrutor do CIAMA - ForS, procurei desmitificar a
coisa, ensinando ao mergulhador toda a teoria que eu sabia sobre a referida
atividade.
O uso das tabelas de tratamento foi estendido também aos
mergulhadores. Eu ficava feliz quando não tinha nada a acrescentar ao
procedimento terapêutico hiperbárico, ministrado pelo supervisor de mergulho
a bordo das plataformas da Petrobrás, na vigência de algum acidente
descompressivo. Talvez seja por isso eu não seja rico e ainda esteja dando
assessoria a este site sem cobrar qualquer honorário profissional. O meu
objetivo, como médico, é de poder ajudar aos que mais precisam.
Como o Sr. vê a Medicina Hiperbárica
hoje no Brasil, considerando 30 anos atrás ?
Em 1973, quando iniciei o
aprendizado sobre Medicina Hiperbárica, haviam poucos especialistas. A gente
contava nos dedos das mãos e ainda sobravam dedos. Hoje eu vejo um interesse
maior pela Oxigenoterapia Hiperbárica (OHB).
Na sua opinião, o Sr.
acredita que o Brasil necessita de uma ampliação e/ou modernização no que
diz respeito a Medicina Hiperbárica no Brasil ?
Embora exista uma Sociedade
Brasileira de Medicina Hiperbárica (SBMH), a qual eu fui membro fundador e
não pertenço mais, eu vejo uma atuação mais voltada para as Clínicas de
Oxigenoterapia Hiperbárica (OHB), conforme eu disse. Cito por exemplo a
Resolução do Conselho Federal da Medicina, número 1.457 / 95. Eu já
tentei algumas vezes corrigir algumas indicações incorretas, tais como: osteomielites,
e não consegui. Somente as ostiomielites crônicas refratárias ao
tratamento convencional teriam a indicação da OHB, como tratamento
adjuvante.
Se o país está mal, a
sociedade está doente, voltada mais para o capitalismo selvagem, a Medicina
Hiperbárica do Brasil não poderia ser diferente. A maioria do povo
brasileiro não tem acesso à Medicina Hiperbárica (Obs. O único
serviço público funcionando neste momento é o da Marinha do Brasil). Tenho
tentado que os Estados e Municípios tenham seus próprios serviços. Aproveito
a oportunidade para me colocar à disposição das autoridades de saúde
estaduais e municipais para qualquer esclarecimento sobre o assunto.
O Sr. saberia informar se foi percebido
algum aumento em termos de acidente hiperbárico, tendo me vista um aumento
crescente de mergulhadores formados, novas operadoras e empresas voltadas ao
mergulho profissional ?
Eu não tenhos os dados
estatísticos desses acidentes. Se não houve um trabalho educativo /
preventivo, certamente o número de acidentes deverá ter aumentado,
principalmente entre os mergulhadores que operam sem a supervisão de Empresas
de mergulho. Normalmente as Empresas prestadoras de serviços subquáticos,
bem como as contratantes (Petrobrás, por exemplo), conhecem os procedimentos
de segurança.
Sabemos que no Brasil, existem vários
mergulhadores que atuam no garimpo e atividades ligadas. Pelo que se sabe, a
grande maioria é despreparada para executar a atividade, pois muitos nem
chegam a realizar a descompressão necessária a cada mergulho. O Sr. acredita
que algo poderia ser feito para se tentar diminuir o número de acidentes ?
Eu sou partidário da
educação, da medicina preventiva, a nível municipal. Os municípios
deveriam ter cadastrados todos esses profisionais e prover um ensinamento
básico sobre as normas de segurança em mergulho (tabelas de
descompressão, acidentes de mergulho , etc.). Uma cartilha , impressa e
distribuída em âmbito nacional, seria um bom começo, principalmente para os
que não são filiados às Empresas de mergulho.
Na maioria dos casos de acidentes no
mergulho, qual é a maior causa ? Erro humano ? Falta de treinamento ?
Eu acredito que seja na falta de
conhecimento. Na Marinha temos os cursos de mergulho e os adestramentos
periódicos. Não basta qualificar uma única vez o profissional. É
necessário mantê-lo atualizado nos novos e nos antigos princípios do
mergulho. O erro humano é consequência, normalmente, da ignorância
(imperícia). No caso do mergulho, raramente por imprudência ou negligência.
Com a entrada do Divers Alert Network
(DAN) no Brasil, o Sr. consideraria um progresso do mergulho no Brasil ?
Eu, particularmente, não
conheço o trabalho do DAN.
Sabemos que a Marinha brasileira, conta
com modernas instalações na Base Naval do Mocanguê. A Marinha possui alguma
outra no Brasil ?
Além de possuir instalações
amplas e modernas (Departamento de Mergulho Saturado - Centro Hiperbárico) no
âmbito da Força de Submarinos, a Marinha procurou ter uma estrutura de
mergulho em todos os Distritos Navais. No Hospital Naval Marcílio Dias, a
Marinha dispões também uma Clínica de Medicina Hiperbárica, voltada para
as indicações clínicas da OHB.
Se uma pessoa desejar se tornar um
médico hiperbárico, que procedimentos ela deve seguir ?
Essa palavra já foi privilégio
de alguns, reconhecidos a nível da Secretaria de Segurança e Medicina do
Trabalho. Hoje, por descuido da nossa parte, a Medicina do Trabalho colocou no
currículo do curso do Médico do Trabalho alguma teoria sobre o assunto. O
médico do trabalho "deveria estar apto" para atender todos os
trabalhadores, inclusive os mergulhadores. Considero o curso com carga
teórico-prática insuficiente para dar uma boa qualificação nessa área.
Eu divulgo e reconheço somente
os Cursos da Marinha do Brasil (C-ESP-MEDSEK para os médicos do Corpo
de Saúde da Marinha e o Curso Expedito de Emergências em Medicina
Submarina, para médicos civis e militares), ministrados no CIAMA - Ilha
de Mocanguê - Niterói / RJ.
Acredito que a SBMH
esteja pensando em alguma coisa para qualificar os médicos que desejarem se
tornar médicos hiperbáricos.
Dr. Marco Antonio
Ferreira Caixeta,
é médico hiperbárico há 30 anos, trabalhando na Marinha do Brasil desde 1971. Com formação inicial nas áreas de anestesiologia e terapia intensiva, atualmente é assistente da Clínica de Medicina Hiperbárica do Hospital Naval Marcílio Dias. Também é responsável pelo
Med-Online, área onde os mergulhadores tiram suas dúvidas sobre medicina hiperbárica, gratuitamente, no Brasil
Mergulho.
Além da medicina, o Dr. Caixeta faz música como motivo de confraternização. Ele é tecladista e vocalista, líder da banda Just Friends e do Quarteto Rio 4ever. Mais informações sobre o Dr. Caixeta, os leitores poderão ter no site
www.justfriends.mus.br
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Dr. Caixeta na Clínica de Medicina
Hiperbárica do Hospital Marcílio Dias

Dr. Caixeta na Clínica de Medicina
Hiperbárica do Hospital Marcílio Dias
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