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Chapeirão Atlântida
Era novembro de 2003, quando fomos passar
três dias à bordo do Iate Titan e do Catamarã Horizonte Aberto dos amigos Jean Pierre e Jacqueline. No segundo dia de mar, pedimos ao Hamilton, instrutor responsável pela operação no Horizonte Aberto e ao Caleb, capitão da embarcação, que nos levasse a um ponto de mergulho
onde tivesse uma produndidade em torno dos trinta metros, para que pudéssemos levar
noss os alunos do curso avançado para finalizar o check-out , pois faltava apenas o mergulho profundo
para o término do curso e certificação dos mesmos.
Fomos informados que o ponto de mergulho mais próximo do arquipélago
com as características desejadas, seria o Recife Califórnia, aproximadamente
à uma hora e meia de navegação, e como os dois responsáveis pelas
embarcações foram extremamente solícitos em atender ao pedido, decidimos enfrentar as
três horas de navegação pelo mar azul, tendo à bordo a Berna e
Andreza, duas guardas do parque administrado pelo IBAMA, e que também desejavam fazer um mergulho
profundo.
Após quinze ou vinte minutos de navegação, um dos alunos, Bruno
Alvares, que para passar o tempo observava a sonda da embarcação, nos
questionou sobre uma estranha formação aos 8m de profundidade que apareceu na
tela, e que depois caía até aos 32m. Uma mistura de excitação e curiosidade gelou a coluna de todos. O que seria
esta formação ? Teríamos descoberto um novo ponto de mergulho ? O que será que havia lá em
baixo ?
Quando percebi, já estavamos dentro d'água, eu e o Hamilton saltamos apenas de
sunga para matar a grande curiosidade. Não foi preciso mais do que alguns metros para depararmos com um imenso chapeirão em formação, que por não ter ainda chegado
à superfície, não desenvolveu a forma de cogumelo. Ele possui uma enorme base
no fundo e se afunila a medida em que a profundidade diminui, apresentando paredes verticais e em outros lugares torres como em uma catedral gótica.
Voltamos ao barco extasiados com a beleza das formações e da quantidade de vida no local,
e após o nosso relato, todos os mergulhadores resolveram de forma uninime, que aquele seria o
lugar do nosso mergulho.
Descemos todos e não era difícil perceber a emoção de cada um com a beleza do local, e com o fato de sabermos que
eramos os primeiros a descer e conhecer aquele chapeirão. Ao retornarmos à superfície, só ouviamos os gritos de comemoração pelo
belíssimo mergulho, além do orgulho pela descoberta de um novo ponto que certamente viria a se tornar famoso. Hamilton, como
que para realçar o que todos já sabiam, gritou a todos: Descobrimos um ponto maravilhoso, vamos batizá-lo de Chapeirão Atlântida.
Ao retornar a embarcação, colhemos no GPS, as coordenadas e as meninas
do IBAMA comunicaram através do rádio à sua base no arquipélago, a recente descoberta.
No início do mês de janeiro passado, retornamos a Abrolhos e nossa principal curiosidade era com relação ao Chapeirão Atlântida.
Será que ele tinha sido mais explorado ? Como estariam os mergulhos por lá
?
A primeira surpresa foi
ver os instrutores e dive masters locais comentando sobre as belezas do "nosso" chapeirão com a mesma naturalidade com que falavam de velhos pontos de mergulho, como das Cavernas da Siriba, do Naufrágio do
Rosalinda, ou dos Chapeirões da Sueste. Melhor surpresa porém, foi reservada pelo próprio Hamilton, que durante o breve intervalo, fez várias incursões pelo local, descobrindo grutas, salões,
passagens e demais atrativos que levaram os mergulhadores a tecer comparações com pontos famosos do Caribe.
Fazíamos o primeiro mergulho mais profundo e no segundo experimentávamos as lindas
passagens cheias de cardumes a profundidades
menores. Saímos de Abrolhos ainda mais maravilhados e orgulhosos, principalmente por sabermos que, de alguma forma, ajudamos a proporcionar
a todos que visitam e vierem a visitar Abrolhos, momentos inesquecíveis. Nivaldo Savergnini (Bô), mergulha
há 20 anos,
é instrutor pela PADI e proprietário da operadora Atlântida
Mergulho em Belo Horizonte - MG.
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