Entrevista: Aldemar Araújo Castro
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Entrevista: Aldemar Araújo Castro

Aldemar fala sobre o mergulho no estado de Alagoas e os problemas enfrentados pelos mergulhadores para a realização das operações.

Além disso, ele nos conta como foi a montagem de uma estação de recarga nitrox utilizada pelo grupo de mergulho.

Qual é a sua visão atual sobre o mergulho no estado de Alagoas ?
Uma local que foi explorado de forma inadequada e que espera para ser redescoberto.

A impressão que muitos têm aqui no sudeste, é que o estado de Alagoas sofre com a falta de operadoras de mergulho. Você acredita que o motivo seria a falta de pretendentes ao mergulho ou a falta de divulgação do turismo ?
A falta de operadoras é um fato. Hoje, maio de 2004, há duas operadoras que estão se estruturando. A razão para a não existência de operadoras foram às experiências negativas que as operadoras que passaram por aqui, e que não existem mais. Em resumo, quem mergulhou por aqui, tem boas lembranças embaixo d’água e péssimas acima d’água. Só o tempo e novas operadoras com outra mentalidade podem mudar este cenário.

Você acredita que havendo um bom investimento em operações de mergulho e uma boa divulgação, o mergulho em Alagoas cresceria ?
Sem dúvida. Um bom investimento aliado ao profissionalismo e a um planejamento tem tudo para dar certo.

Aqueles que não possuírem uma embarcação própria, teriam dificuldades em conseguir uma embarcação para montar uma operação de mergulho nos naufrágios da região ?
Sim. A parte fácil é alugar o barco e os cilindros com ar, daí em diante é só problemas. Os pontos de mergulho os pescadores conhecem, no entanto, são poucos que conseguem jogar o ferro em cima do naufrágio. Ter um GPS com os pontos é essencial e no ponto, descer para fazer a amarração é a melhor opção. A parte logística de: água, alimentação, oxigênio, salva-vidas, kit de primeiros-socorros, rádio VHF, sonda, artefatos pirotécnicos, bandeira de mergulho, bóias, são itens que devemos ter para fazer um mergulho seguro.

Você é membro de um grupo de mergulhadores em Maceió ?   Vocês chegaram a criar um nome para o grupo ?
Itapagé Divers é o nome do grupo. O grupo não é uma operadora, não tem fins comercias. É um grupo de amigos que viabilizaram uma forma de continuar mergulhando. O nome foi dado em homenagem ao maior e mais importante naufrágio, até agora, nas águas do litoral alagoano. O naufrágio é deslumbrante, existem três pontos no naufrágio que valem por um naufrágio inteiro: a proa, a popa e os motores. Em cada um destes pontos um mergulhador que se interessa por naufrágios pode identificar um número quase infinito de estruturas. E como não bastasse, existe uma grande quantidade de garrafas e porcelana e outros objetos pelo chão. Que ainda resistem a mau prática dos saqueadores que roubam este patrimônio.

Como surgiu a idéia de se formar um grupo ?
A idéia surgiu quando conseguimos nos identificar como mergulhadores locais que mergulhavam sistematicamente e tínhamos problemas com as operadoras (horário, preço, alimentação, educação, profissionalismo). Foi o insucesso das operadoras locais de manter uma operação regular, boa e segura que motivou a formação do grupo. Diante da nossa insatisfação começamos a discutir a possibilidade de termos uma estrutura própria e fazermos nossos mergulhos sem depender das operadoras. Desde então, começamos a adquirir tudo o que era necessário. Hoje só não temos o barco.

Quem são os membros do grupo ?
O grupo é formado por sete mergulhadores. Entre os membros do grupo, temos dois médicos com formação em medicina hiperbárica, um pelo CIAMA e o outro pela DAN. O grupo foi criado em novembro de 2003. Os integrantes são:

Aldemar Araújo, Audir Marinho, Eugênio Lisboa, Henrique Miranda, Marcos Apolônio, Marta Suseni, Weber Cavalcanti.

Com a criação do grupo, quais foram os benefícios obtidos ?
A discussão da sistematização dos procedimentos e padronização dos itens. Hoje, cada um do grupo sabe o que tem a fazer e como. Estamos tentando padronizar cada um dos itens do mergulho: a mistura utilizadas, o perfil em cada mergulho, os equipamentos e a configuração. Quando a discussão resultar na efetiva padronização e sistematização, estaremos em um patamar diferente. Temos oxigênio a bordo em volume suficiente para dois mergulhadores durante a remoção, quatro dos seus membros tem seguro DAN e nossa meta é que todos tenham até o final do ano. Quatro possuem primeiros socorros, e dois possuem DAN O2 provider.

Vocês chegaram a montar uma estação de recarga Nitrox para consumo próprio. Como foi a idealização desse projeto e as dificuldades principais ?
Já tínhamos um compressor Coltri MCH6-ET, 100L/min e constantemente, discutíamos o desejo de termos EAN em Maceió para estender o tempo de fundo ou usar fazer um perfil mais conservador, já que nossos naufrágios estão aos -30 metros. Não tínhamos know-how para fazer nitrox, foi quando em São Paulo, um membro do grupo (Aldemar Araújo – IANTD 68246) faz o curso IANTD EAN Gas Blender para se capacitar e montar a estação. Durante o curso e ainda hoje, a produção de EAN pela pressão parcial é o mais comum e difundido. Teríamos que investir em filtros e na limpeza de dos cilindros e torneiras. Durante o curso tive acesso a uma publicação que apresentava uma opção de fazer EAN até 40% pela mistura antes do compressor, o Nitrox Stick. Com isso não seria preciso fazer investimento nos filtros, nem na limpeza dos cilindros e das torneiras para serem compatíveis com o oxigênio em alta pressão. E o cilindro com oxigênio poderia ser utilizado até secar. A dificuldade foi achar alguém no Brasil que usasse o sistema, e não encontramos !

Nos foi indicado uma operadora na Flórida, que possui o sistema comercial instalado e em funcionamento. Entramos em contato, sanamos nossas dúvidas e depois, compramos um analisador de oxigênio e fomos até uma loja de construção para comprar os canos e junções para a montagem do Nitrox Stick. No dia 21 de março de 2004 iniciamos os mergulhos com nitrox, e neste dia também, foi realizado o checkout do curso de Nitrox de dois membros de nosso grupo, um pela CMAS e outro pala PADI com seus respectivos instrutores. Foi um mergulho com EAN 32 e outro com EAN 36.

Em Alagoas há conhecidos naufrágios como o Itapagé e o Draguinha. Vocês realizam pesquisas em busca de novos naufrágios ?
Sim. Sempre que temos conhecimentos de algum naufrágio ou alguma estrutura desconhecida, programamos o mergulho e fazemos duas ou três saídas até o ponto para saber o que existe por lá. No futuro, queremos reservar uma operação por mês e fazer uma busca ativa para encontramos novos pontos de mergulho ou naufrágios. Estamos atualmente fotografando os detalhes dos naufrágios mais conhecidos e fazendo vídeos destes naufrágios.

O que você diria aos mergulhadores que ainda não conhecem os mergulhos em Maceió ?
Venha mergulhar conosco !   O conosco significa as operadoras locais existente, que acreditamos irão ficar cada vez melhores. Na minha página mantenho atualizada a relação das que existem.

Aldemar Araújo Castro, é médico e professor universitário. Atualmente é Technical Diver e EANx Gas Blender pela IANTD, DiveMentor pela PDIC e Emergency First Response pela PADI. Possui além disso, diversas outras epecialidades, como O2 Provider DAN. Tem como preferência os mergulhos no naufrágio do Draguinha (Maceió-AL) e em Lage de Santos (São Paulo).

 

 

 

 

  


Itapagé