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Entrevista: Renata da Silva Prado
Como
foi a sua trajetória até a sua formação com instrutora ?
Sempre pratiquei mergulho livre como esporte mas minha mãe me proibia de fazer
o autônomo porque achava muito perigoso. Fiz meu básico com 21 anos, em 92,
com um instrutor PDIC. Em 93 comecei a trabalhar na academia do Projeto Acqua
onde conheci a Claumar. Poucos meses depois já estava
trabalhando na loja e
tinha feito o Avançado, Rescue e Primeiros Socorros. Como eu já carregava
muito cilindro por ser funcionária da loja, acabei fazendo o dive master em
maio de 94 e o instrutor veio como conscequência no fim do ano, já na primeira
turma do Diving College.
Quais foram os motivos que a levaram a
formação de Course Director pela PADI ?
Em 2001 eu já tinha uma boa experiência profissional como instrutora e
tinha acabado de sofrer bastante mudanças na minha vida pessoal, foi então que
resolvi colocar objetivos diferentes e maiores na minha vida. Começei a almejar
o Course Director mas consciente de que poderia levar algum tempo para
conseguir. Mesmo assim me dediquei ao trabalho pois acreditava que seria
importante para meu crescimento pessoal e profissional. É como finalizar algo
que você começou, o Course Director é o último curso dentro da carreira
principal de um instrutor. Eu já havia acabado a faculdade (depois de muito
esforço) e acreditava que dentro da carreira profissional de mergulho poderia
ter ser uma grande conquista pessoal.
Houveram dificuldades durante a
formação no que diz respeito a necessidade de estar fora do Brasil ?
Sem dúvida. Embarquei sozinha para a Califórnia e, apesar de ter experiência
em viagens para o exterior sozinha, as emoções que experimentei foram únicas
e memoráveis. Não sabia muito bem o que esperar do curso e quem da PADI que eu
já conhecia estaria por lá. Tudo isso somado ao fato de ninguém falar
português ou entender nossa cultura. Foram duas semanas de curso e, durante a
primeira, confesso que tinha dores de cabeça no final do dia devido ao esforço
para entender tudo que se falava. Não sou uma pessoa tímida, e consegui fazer
muitos amigos na turma de 42 alunos de diferentes partes do mundo relativamente
rápido, afinal estavamos todos no mesmo barco !!! O pessoal da PADI
também foi muito bacana e faziam o que podiam para nos sentirmos confortáveis
fora de casa.
Qual a sua visão sobre a abrangência
atual da PADI no Brasil ?
Acredito que a PADI vem expandindo e o crescimento tem sido lento porém
constante. Ainda há muito o que fazer no nosso país e a nossa economia não
ajuda muito os pequenos resorts e dive centers. Nos últimos dez anos vi
mudanças para melhor como exames de instrutor sendo feitos em português e os
livros originais traduzidos. Estas eram queixas básicas que durante muitos anos
fizemos e que hoje são realidade e só tem contribuido para nosso
desenvolvimento.
Na sua opnião, o mercado requer mais
profissionais qualificados como Course Director para atender a demanda de
pretendentes a formação em instrutor ?
Nós ainda somos considerados um mercado em processo de maturação e um dos
itens que nos qualifica assim é a pequena formação de instrutores. Isso é
devido não somente pelos poucos course directors mas também pelo fator
econômico. O curso de instrutor demanda tempo, dinheiro e investimento pessoal.
O candidato começa sua formação nos cursos como Resgate e Dive Master (onde
acredito que é construída sua base) e conclui com o curso de instrutor. Ainda
temos regiões bastante afastadas e o aluno muitas vezes tem que se deslocar
para fazer seus cursos, inclusive o de instrutor. Com a formação de novos
course directors em mais regiões do brasil e consequente maior formação de
instrutores, com certeza começamos a diminuir estes custos.
Quais seriam os requisitos para uma
formação instrutor PADI e quanto tempo em média um mergulhador necessita para
terminar toda a formação ?
Durante o curso de instrutor PADI o candidato recebe orientação quanto ao
desenvolvimento de suas habilidades práticas e conhecimento, ampliando o que
já adquiriu nos cursos anteriores, principalmente no Dive Master. podemos
dividir o curso em aulas teóricas e sessões práticas de treinamento. Nas
práticas ele principalmente começa e desenvolver sua habilidade de ensino,
praticando aulas teóricas, de piscina e de águas abertas (no total 12 aulas
que ele irá preparar no mínimo). O curso tem um tempo mínimo de 7 dias, mas
geralmente é conduzido em mais (em média 10 dias).
Sendo um país de grandes extensões,
você saberia dizer se em algum estado especifico, há uma carência de
instrutores ou a falta de um bom estudo para o desenvolvimento do mergulho ?
Eu não diria em algum estado específico mas em regiões. Ainda considero
as regiões norte, nordeste e centro oeste mais carentes. As regiões sul e
sudeste já estão um pouco mais desenvolvidas, mas ainda há potencial de
crescimento. O Brasil só não possui maior potencial de crescimento de
atividades de mergulho porque existe o problema econômico. Ainda não possuimos
uma estabilidade financeira suficientemente boa para permitir o crescimento dos
pequenos investidores. Acho que podemos crescer mais se estivermos voltados
principalmente para o público estrangeiro. Nosso país atrai muitos turistas e
temos que estar profissionalmente preparados para atendê-los. para isso é
necessário manter nossos padrões de qualidade sempre altos.
Por ser a primeira mulher Course
Director no Brasil, você percebeu alguma diferenciação ?
Sem ser feminista, acredito que existam diferenças na maneira em que
conduzimos os cursos. os homens e mulheres são diferentes por natureza e
conduzem situações de maneiras diferentes. Muitas vezes, alunas minhas me
disseram que se sentiram mais a vontade por eu ser uma instrutora mulher e isso
fez com que continuassem o curso. Atualmente temos o público feminino
crescendo, pois o mergulho deixou de ter uma imagem militarizada. o número de
instrutoras mulheres tendem então a aumentar e daí temos um efeito de bola de
neve. A grande vantagem que vejo nesta situação é que hoje vemos mais casais
e famílias mergulhando juntos e compartilhando de experiências únicas e
enriquecedoras para seus relacionamentos.
Que conselhos você daria aos
interessados na formação em instrutor PADI ?
Acredite no seu potencial. A PADI possui um sistema de treinamento bastante
simples e funcional. estude sempre, muito, sobre diferentes assuntos. É
necessário mais do que ser um bom mergulhador para se tornar um bom instrutor
PADI, pois o mergulho não se trata somente de ser "safo" debaixo
d'água, mas também de saber lidar com as pessoas e com negócios.
Renata da Silva Prado, é
formanda em Biologia, Course Director PADI.
Além do Brasil, já mergulhou em Bonaire, Curaçao, Miami, Ginnie Springs,
Califónia, Bahamas, Cozumel e Yucatan.
Site: www.brasilmergulho.com.br/renataprado/
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