|
Apnéia e Respiração - os primeiros passos
A respiração - hummmm é tão bom falar dela...
Pode ser estranho para alguns falarmos em respiração quanto tratamos
do assunto: apnéia. Devemos ter em mente que a respiração é um
momento particular do período que antecede a imersão e também no
período de finalização da apnéia. Todo apneísta deve dar grande
importância a respiração... ela é o começo e o fim da apnéia.
Ávidos por ficar muito tempo sob a água ou de descer mais fundo ???
Deveremos aprender a otimizar a respiração para
podermos nos abster dela por alguns minutos e partir para o azul.
Um pouco de teoria
O oxigênio é um gás que não podemos estocar. A
respiração pulmonar constitui o movimento global que traz o gás ao
interior dos pulmões, onde, por difusão e variação de pressão
parcial dos gases alveolares, ocorrem as trocas gasosas
alvéolo-sangue. O que mais vemos é a crença de que: quanto mais se
ventila mais, se fixa o oxigênio. Isto não é verdadeiro. A primeira
regra que se poderia retirar desta parte mais teórica é que o
oxigênio é um gás que não temos condições de estocar. Os
cientistas falam de uma saturação de O2 do sangue de cerca de 98% em
condições normais e 98,5% em condições de hiperventilação. É
quase a mesma coisa. Então não, não é se ventilando muito que
vamos amarzenar mais oxigênio.
Então... como fazem os apneístas ?
Podemos citar alguns exemplos que mostram que, em
matéria de ventilação, há muitas escolas... Para se evitar uma
hiperventilação alguns povos pescadores introduzem frequentemente
nas expirações, sons ou assobios sensíveis, dificultando a saída
do ar.
Outro dado importante já relatava R. Mauriés que,
em 1990 escreveu na Revista Apnea Magazine: "A descontração é
um fator essencial à realização da apnéia. A respiração deve ser
computada com uma inspiração moderada e uma expiração livremente
pausada". Em janeiro de 1993, B. Salvat escreveu na mesma
revista:"Eu respiro fundo expirando o mais possível, mas sem
jamais forçar. O relaxamento é importante. É preciso reconhecer que
isto se trata de uma "hiperventilação muito controlada".
Na França-Nice, duas escolas foram desenvolvidas nos últimos anos:
A escola da piscina Jean Butin patrocinada por B.
Banin et Yuns Moch que chegaram a propor uma ventilação calma, na
qual significa inspirar pelo ventre de modo bastante amplo e expirar
de um modo suave sem forçar.
O mérito deste método era demonstrar aos
apneístas que não era necessário repirar como uma foca para se
fazer uma boa apnéia, se precavendo do risco de uma
hiperventilação. Ainda assim vale lembrar que a inspiração
forçada apresenta vantagem de não provocar uma queda importante de
CO2 alveolar, ao contráario do que acontece com a expiração. Mas ao
forçarmos em demasia estaremos trabalhando com uma grande
musculatura, o diafragma, e ao partirmos iremos gastar um pouco mais
de oxigênio... além de termos um batimento cardíaco aumentado..
nada produzente.
Escola de Inspiração do Clube Universitário de
Nice que propõe uma ventilação adaptada à atividade, pois a
preparação do caçador não pode ser aquela do apneísta. Para o
caçador será preconizado uma ventilação lenta, alongada dentro da
água com o snorkel. Ela será principalmente ventral com o
propósito de não expirar fundo, mas de modo moderado.
Quanto ao apneísta, ele estará dentro da água
porem sem o snorkel, alongado com a máscara sobre a cabeça. No
inicio a inspiração poderá ser feita pelo nariz e será ventral, a
expiração se fará pela boca emitindo um som que permitira controlar
a regularidade de ar que sai, sob um ritmo lento e sob um período. Na
segunda etapa, já com a máscara na face a respiração será
totalmente pela boca, com a expiração moderada, dando prioridade ao
relaxamento nos primeiros minutos. Dá-se normalmente a proporção de
1 tempo para inspirar e 2 tempos para expirar.
Os tempos curtos de ventilação, sob a visão
pedagógica, evita que certos apneístas se ventilem demais!
Em competição, pelo nervosismo, tambem podemos
cair na hiperventilação... então é bom sabermos que, com apenas 2
ou 3 minutos podemos estar muito bem preparados. Mas para isto
precisaremos saber dividir bem o tempo, aplicar uma respiração
relaxante e que permita ao atleta focar no seu objetivo, partindo
depois para a fase de partida propriamente dita, aonde a respiração
se torna mais firme.
Em situações onde se busca a melhor performance,
propõem inclusive um período de ventilação fora da água (1ª
etapa), com a fase final de algumas poucas respirações dentro da
água.
Aprendi com os italianos e com os franceses a
respirar, a partir bem, sem precisar mover o ar como um ventilador
ambulante. O fato de conversarmos entre uma apnéia e outra já nos
permite uma ventilação, muitas vezes fazíamos isto, saímos da
apnéia, conversávamos e partíamos com uma pequena contagem
regressiva. E o resultado aparecia ! Porquê ? Porque estávamos
relaxados, havíamos respirado o necessário.
A confiança nos treinos, na forma com que a pessoa
prática a sua respiração lhe trará um conforto muito grande.
Qualquer alteração deve ser gradual, senão iremos comprometer esta
"confiança", os tempos diminuirão e iremos nos abalar
psicologicamente... O caminho será mais difícil.
O mais importante para todos os apneístas,
iniciantes ou não, é saber que não existem receitas milagrosas,
não existe um padrão de respiração, um número correto de
inspirações e expirações, um tempo padrão, uma postura padrão.
Compreender o mecanismo da respiração,
ventilar-se de forma correta, partindo seguro e trabalhando ao
máximo o relaxamento são o começo para boas apnéias !
|