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Mergulhando nas cavernas de Marianna - Flórida
Após três meses no Brasil sonhando com os mergulhos nas
cavernas da Flórida, partimos no começo do mês de novembro para mais
uma semana de sacrifício...
Confirmamos a viagem após ter recebido um e-mail da Nanci Laroe, que
é a gerente da operadora Ginnie Springs Outdoors, localizada dentro do
parque de Ginnie Springs, onde está uma das cavernas que havíamos
programado para essa viagem.
Ao chegarmos na região, fomos surpreendidos pelos estragos causados
por todas os furacões que passaram por aquela região nesses últimos
meses. A visão era de impresionar. Fomos ao parque, e mais surpresas... o
parque continuava alagado, e ficamos sabendo que teríamos apenas o
sistema de Devill’s e Manatee Spring’s para a realização dos
mergulhos, seno muito pouco para uma viagem que normalmente é difícil
mergulhar dois dias no mesmo lugar, devido a grande quantidade de
opções.
Diversos locais encontravam-se inundados..... Peacok, Telford, Litle
River, Cow (a melhor de todas), enfim as cavernas mais conhecidas estavam
sem acesso, e a viagem começou a parecer um pesadelo.
Começamos então uma busca incessante pelo pontos de mergulho onde
poderíamos montar uma operação.
No Brasil, só conseguimos mergulhar na Mina da
Passagem em Minas Gerais, e aqui só em dois sistemas, que tristeza
!!!
Mergulhamos no primeiro e segundo dia em Devill’s, no segundo dia a
tarde, passamos na loja de Ginnie e encontramos por lá uma cave diver
muito conhecida da região, a Rose Meadows, que disse ter aberto uma nova
operadora de mergulho em uma outra área de caverna a apenas três horas
de lá e que um rapaz que fez toda a montagem da operadora, era uma pessoa
muito legal e a região muito especial, pois haviam no mínimo 4 cavernas
para mergulho. Depois da tão importante sugestão, nos planejamos a
seguir viagem para lá, ganhamos um cartão de negócio com o nome da Rose
com as coordenadas para chegar até a Cave Adventures, que é a operadora
do Edd Sonerson, um experiente cave diver que a cerca de dois anos, chegou
do Oregon e começou a operar mergulho na região.
Acordamos às 5h e seguimos viagem rumo Interstate 75 sentido Norte, e
depois indo para Oeste pela Interstate 10, passando por uma cidade muito
famosa dos cave divers, Talahasse, onde um grupo de mergulho em cavena
Woodville Karst Plan Project ou WKPP, explora o sistema de Wakulla Spring’s.
Após alguns erros de percurso chegamos a cidade de Marianna, sendo uma
grata coincidência, pois a mina de ouro no Brasil está também próxima
a cidade de Mariana-MG. Fomos direto para as cavernas, e lá chegando,
vimos que não iria ser tão fácil assim, pois tínhamos que voltar a
cidade e procurar o escritório do sherif para que ele nos desse a chave
do parque de Jackson Blue Park. Tivemos que voltar por quase 10 milhas,
para procurar o sheriff, pedindo informação a várias pessoas, onde
todos diziam para que não fossemos mergulhar naquelas cavernas, pois
muitas pessoas haviam perdido sua vidas lá. Como somos treinados isso
não nos abalava, mas era sempre nos dito.
Assim que chagamos no escritório do sheriff vimos dois guichês, fomos
no primeiro e disseram que os cave divers eram atendidos no segundo
guichê, e realmente vimos no vidro cartão de negócio preso ao vidro com
a direção das duas operadoras da região, porém depois constatamos que
a melhor é a Cave Adventures do Edd. Voltamos então a área do lago que
vimos na passagem por Marianna, entramos a Blue spring’s Road até a rua
da operadora na RUSS St, uma rua que nos leva até uma estrada de terra,
onde encontramos na margem do lago a garagem com uma estação de recarga.
Fizemos a recarga de nossas duplas e stages, pegamos mais umas
orientações sobre o mergulho, e através do mapa que o dive center nos
disponibilizou e seguimos viagem rumo ao parque de Jackson Blue, onde
faríamos o primeiro mergulho naquela área.
Os mergulhos
Na entrada do parque encontramos o portão fechado por um cadeado,
abrimos com a chave que pegamos no escritório do sheriff, e entramos em
um dos parques mais bem arrumados que vi nos Estados Unidos. Muito limpo e
organizado.
Encostamos o carro mais próximo possível do tanque de areia e
trampolim, pois a entrada da caverna no verão e usada por banhistas, que
usam como piscina para saltos ornamentais, e começamos então fazer o
plenejamento de nosso mergulho. Sabíamos que a uns 400m de penetração,
encontraríamos um "Y" no cabo e teríamos que escolher qual dos
lados tomar. Ficamos planejados a ir a direita do "Y".
Começamos a descida em Jackson Blue, uma caverna de fluxo bem forte,
portanto, com água cristalina e bem limpa, visibilidade em torno dos 50m.
Conectamos a carretilha primaria ao cabo principal, e começamos a
nadar contra um fluxo muito forte. Estava bem difícil e logo o primeiro
stage chegou no primeiro terço. Abandonamos o primeiro e começamos a
nadar cada vez mais fácil pois o arrasto agora é menor, logo chegamos ao
"Y" tão aguardado, colocamos um cookie no cabo por onde
vínhamos e entramos a direita, logo a caverna ficou mais emocionante,
pois conseguíamos nos movimentar usando puling e glaiding puxar e
deslizar, abaixando assim nosso consumo, logo no final deste conduto
deixamos nossa segunda stage e partimos para o terço final de nosso
mergulho, com nossas duplas de 104 pés cúbicos a 3600 libras de pressão, fato
normal nas recargas de lá.
Essa caverna é muito branca, onde a luz de nossas HID’s
fizeram um bom trabalho nos proporcionando um mergulho com uma
iluminação maravilhosa. Polegar para cima e penetração finalizada,
hora de se divertir voltando a favor do fluxo, drift dive dentro de
caverna.
Na volta podemos perceber que a caverna guarda uma quantidade enorme de
fóssils de estrelas do mar, corpo do ouriços, bolacha do mar e espinhos
de ouriço satélite, iguais aqueles que encontramos na maioria de nossos
mergulho. Naquela tarde, chegamos a realizar mais um emocionante mergulho
no local.
Voltamos a estação de recarga para preparar nosso mergulho do outro
dia. Nesse dia íamos mergulhar em duas cavernas novas e com poucas
informações, pois em uma delas, era certeza que nenhum mergulhador
brasileiro havia estado. E numa outra, tive a confirmação de que um
brasileiro já estivera
As cavernas são Hole in The Wall e Twin cave, onde há mais uma
caverna chamada Shagrilá, mas essa não seria possível pois é só para
mergulhadores com treinamento em Side Mount.
Nessa cavernas há a necessidade de ir de barco pois uma fica na parede
deste lago e o a outra no fundo. Chegamos bem cedo na Cave Adventures para
que nosso equipamento fosse acondicionado no barco. Após o barco estar
carregado, o Ed nos levou de até o píer próximo a entrada das cavernas
para que nos desse as dicas de como chegar, uma vez que ele tinha que
voltar para a operadora. Assim que o deixamos, começamos a navegar para
Hole in the wall que seria a primeira caverna onde mergulharíamos.
Chegamos no primeiro píer e atracamos com certa facilidade o barco,
assim que nos equipamos fomos para água que estava com uma quantidade
enorme de Duck Weed, um tipo de vegetação comum na região que cobre sua
superfície, nadamos até a entrada da caverna e lá vimos a boca de
acesso, que primeira impressão, tem uma cruz sem o braço esquerdo, bem
tétrico. Logo após a entrada deixamos nossas stages de O2 e saímos num
enorme poço que eles chamam de Chaminé.
No fundo deste ponto, encontramos os dois condutos desta caverna, onde
a direita, tínhamos um conduto Up stream (mergulho contra o fluxo) e a
esquerda o Down Stream (mergulho a favor do fluxo). Tínhamos decidido no
planejamento que o primeiro mergulho seria no Up, conectamos a carretilha
primária no cabo principal e começamos nossa penetração que iria até
o jump do Big "E ". Fizemos um mergulho muito prazeroso com um
visual realmente diferente, e quando chegamos no jump, pudemos perceber
que o cabo do conduto lateral está mal fixado e que está enterrado parte
dele no silt, e como estávamos muito longe da entrada , tínhamos que
manter um bom controle da situação. Desistimos então de entrar do Big
"E" e seguimos no conduto principal, logo após o jump
cancelado, subimos para uma passagem bem restrita e com água mais gelada
do que já havíamos encontrado, e nesse ponto cancelamos o mergulho e
voltamos para a saída da caverna. Podemos ver que o cabo desta caverna é
muito antigo e que ainda se preserva setas feitas com "Tape",
sistema que o lendário Sheck Exley utilizava, logo imaginamos ser do
próprio, pois ele é um dos responsáveis pela exploração e mapeamento
desta caverna.
Saímos e subimos para nosso barco, para ser feito um intervalo de
superfície, tão logo ficamos restabelecido, fomos para o segundo
mergulho, desta vez mergulharíamos no conduto Down, esse por sinal,
estava com um cabo novinho, e pudemos perceber que realmente o fluxo está
zero, pouco tempo depois tivemos que cancelar o mergulho, pois estávamos
com pouco gás remanescente do nosso primeiro mergulho.
Retornamos então para a operadora de volta recarregar as duplas.
Já no meio da tarde e com nosso equipamento pronto, fomos conhecer
Twin Caves, uma caverna interessante, pois ela tem duas bocas gêmeas que
leva ao mesmo conduto principal. Já exaustos, saímos à noite desta
caverna, e com uma incrível sensação de que tínhamos realizados bons
mergulhos.
A Flórida é realmente um local de experiências múltiplas e
diferentes, onde a cada viagem realizada para lá, percebemos que ainda
existem muitos lugares à serem descobertos e visitados.
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