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Computadores de Mergulho e a Prevenção da Doença
Descompressiva
"Qualquer tabela de descompressão ou computador de
mergulho que permitirem menos tempo para descompressão, vão causar uma maior
necessidade de câmaras de recompressão".
Dr. Robyn Walker
Nos últimos tempos, começou-se a realizar múltiplos mergulhos num mesmo
dia a vários níveis de profundidade e o uso de um computador de mergulho
passou a ser fundamental. Muitos mergulhadores acabam envolvidos com a
necessidade de escolher um computador de mergulho.
Com a grande variedade de modelos disponíveis das mais diversas marcas, a
preocupação maior, na hora da escolha, recai nas características do
equipamento. O mergulhador acaba se preocupando com as seguintes possibilidades:
se o equipamento tem ou não facilidades na troca de pilhas, se os mostradores
são bem visíveis, se possui alarmes sonoros, se começa a funcionar
automaticamente, se há sistema integrado com a fonte de mistura gasosa, entre
outras. O que constatamos, na maioria das vezes, é a total confiança no
instrumento.
O sucesso do uso do computador em situações limites nos planejamentos de
mergulho acaba acarretando uma supervalorização do instrumento. Surge, no
imaginário do mergulhador, o mito de que algoritmos de descompressão em
computadores são perfeitos e evitam definitivamente a doença descompressiva.
Todo mergulho com ar ou outra mistura gasosa requer descompressão. Muitos
mergulhadores querem mais tempo de fundo. Outros, menos doença descompressiva.
O modo de se usar o computador e se apresentar menos doença descompressiva pode
tornar-se mais uma questão de posicionamento do mergulhador: ser ele recreativo
ou técnico, crédulo ou incrédulo em relação à eficácia do instrumento.
Muitos mergulhadores optam por comprar um computador de mergulho, mergulhar e
seguir cegamente as informações do mostrador. Ocasionalmente eles têm
conhecimento das instruções de uso do manual e das características do
equipamento. Por que procurar saber mais ? Afinal, o mostrador indica
tudo. Certamente essa atitude não diminui o risco da incidência de doença
descompressiva.
O PROBLEMA
O problema é que pode ocorrer doença descompressiva mesmo naqueles que usam
computadores de mergulho.
Muitos mergulhadores recreativos acreditam que tabelas de descompressão e
computadores se baseiam em dados oriundos de pesquisas bem fundamentadas. Acabam
acreditando que, seguindo as orientações do mostrador, não apresentarão
doença descompressiva.
Os dados do Diver’s
Alert Network (DAN) indicaram que, em 2002, 72% dos mergulhadores tratados
para doença descompressiva estavam usando um computador de mergulho. Desses, a
grande maioria dos mergulhadores que tiveram doença descompressiva, estava
mergulhando dentro dos limites indicados por seus computadores.
Em 1994, Acott relatou, no South
Pacific Underwater Medicine Society Journal, a observação de uma taxa
maior de doença descompressiva em usuários de computador quando comparados com
mergulhadores que usaram tabelas, principalmente, em mergulhos de 30 metros ou
mais. Para se entenderem os motivos desse fato, novos estudos deveriam ser
realizados.
Nesse trabalho, ele pôde observar que planejamentos de mergulho equivocados
ocorriam independentemente do uso de computadores e tabelas e se distribuíam
igualmente entre os grupos de mergulhadores que usavam ou não tabelas ou
computadores.
O fato mais impressionante que ele pôde observar, era que, entre os
acidentados, havia vários indicativos de desinformação. Eles pouco sabiam em
relação à absorção e eliminação de gases no mergulho ou sobre o
funcionamento de tabelas de descompressão e eram incapazes de realizar um
planejamento de mergulho no que diz respeito a mergulhos repetitivos, tempos de
intervalos de superfície e ordem de profundidade de mergulhos.
A REALIDADE QUANTO À POSSIBILIDADE DA OCORRÊNCIA DA DOENÇA DESCOMPRESSIVA
Hoje está bem documentado que mais da metade daqueles que apresentaram
doença descompressiva, não realizou mergulhos conflitantes com tabelas ou
computadores de mergulho.
Na prática, no mergulho recreativo, observa-se que, apesar de várias
adequações na programação de mergulho ao longo dos anos, como a realização
de uma parada de segurança entre 4, 5 e 6 metros de 3 a 5 minutos, e do uso de
tabelas sem paradas descompressivas, ainda ocorre doença descompressiva.
Sabe-se que o risco de doença descompressiva em relação ao mergulho
recreativo é pequeno e está em torno de um ou dois casos por 10.000 mergulhos.
A incidência de doença descompressiva entre mergulhadores recreativos no Reino
Unido é estimada em 0,07/1000 mergulhos e já foram observadas, em alguns
momentos, séries com valores tão altos quanto 1,52/1000.
No mergulho comercial, na década de 80, no Mar do Norte, quando a indústria
off shore diminuiu os mergulhos saturados e começou a aumentar a frequência
de mergulhos com ar para a manutenção, inspeção e reparo, se pôde observar
um aumento da incidência de doença descompressiva. Na época, os órgãos
estatais responsáveis pela saúde ocupacional intervieram e puderam constatar
que, mesmo seguindo as orientações de tabelas consagradas, em mergulhos
profundos ou não, sendo realizados tempos de fundo longos, havia um aumento no
risco de doença descompressiva. Houve, então, argumentos, no trabalho
profissional, afirmando que seria o caso de se ajustarem parâmetros
computacionais.
Nesse episódio de aumento da frequência de doença descompressiva,
identificaram-se importantes fatores relacionados à grande variabilidade
relacionada a padrões de ocorrência. Um deles foi a suscetibilidade
individual. Outro foi a temperatura ambiente. Além disso, chamou a atenção
dos observadores o fato de os sintomas encontrados serem imprevisíveis. Não se
pôde explicar por que havia um significativo número de manifestações
neurológicas graves quando pouco gás era absorvido pelos tecidos. Nesse
momento, os técnicos de segurança do trabalho puderam perceber que uma tabela
de descompressão deveria ser definida em termos de risco de ocorrência de
doença descompressiva em função das condições de mergulho.
Na construção civil, também foi possível perceber que, mesmo seguindo as
tabelas de descompressão, podiam ocorrer episódios de doença descompressiva.
Durante a construção do Great Belt Tunnel, na Dinamarca, pôde ser observada
uma incidência de 0,42% de doença descompressiva nas exposições em que houve
grande estresse à condição de trabalho hiperbárica e 0,016% nas exposições
de menor estresse.
Portanto, um certo número de ocorrências de doença descompressiva parece
inevitável, mesmo utilizando tabelas com tempos de fundo curtos que não
requeiram paradas descompressivas. A questão da ocorrência de doença
descompressiva tornou-se mais uma questão de oportunidade do que de ciência.
Além disso tudo, há fatos importantes e curiosos como a constatação da
ocorrência de doença descompressiva no mergulho livre em apnéia e evidência
de doença descompressiva em mamíferos aquáticos. Recentemente foi publicado
no Science um artigo falando da hipótese de que algumas baleias que realizam
mergulhos muito profundos, possam apresentar doença descompressiva. As
hipóteses se baseiam na observação de que algumas baleias sofreram de perda
crônica de tecidos ósseos e cartilagens. A ocorrência desse tipo de perda
estaria associada a mergulhos profundos com subidas rápidas. Normalmente as
baleias e os mergulhadores do mergulho livre evitam descompressão, controlando
a velocidade de subida e o tempo de permanência na superfície.
Como, então, confiar cegamente num instrumento de uma rigidez matemática
quando lidamos com um problema biológico de uma natureza tão complexa ?
AVALIANDO O RISCO DE DOENÇA DESCOMPRESSIVA
No nosso dia-a-dia, realizamos avaliações probabilísticas constantemente.
Quando dirigimos, por exemplo, e realizamos uma ultrapassagem, escolhemos o
momento de sair de trás do carro da frente, avaliamos a distância e velocidade
do veículo da outra pista que vem em nossa direção, a nossa velocidade e
capacidade de ultrapassagem e então, sendo as condições favoráveis,
ultrapassamos. Em última análise, realizamos uma avaliação probabilística
para deixar o risco de acidente em ultrapassagem baixo. Mesmo assim, existe um
risco provável, mensurável, de ultrapassar em determinada estrada, com
determinado veículo e outras condições associadas e haver um acidente.
Sempre que mergulhamos, corremos o risco de apresentar doença
descompressiva. Se não quisermos ter doença descompressiva, então não
deveremos mergulhar. Acredita-se que a tabela da Marinha Norte-Americana de
limites não descompressivos tem um risco de 2 eventos de doença descompressiva
por 100 exposições. Em média, se pensa que as tabelas comumente utilizadas no
mergulho recreativo apresentam um risco médio de 5%. O que cada mergulhador
deve fazer, é definir o nível de risco compatível com a atividade de lazer
que ele escolheu.
O risco de doença descompressiva pode ser diminuído. Para isso o
mergulhador deve diminuir o tempo de fundo, mergulhar mais raso e utilizar mais
paradas de segurança em relação ao que está na tabela. Necessitamos aplicar
o modelo de decisão probabilístico na rotina de nossos mergulhos. Isso é
válido tanto para mergulhadores recreativos quanto técnicos e deve ser
incorporado à filosofia do uso de um computador de mergulho.
COMPUTADORES PARA DESCOMPRESSÃO
Os computadores de mergulho são instrumentos que estão sendo amplamente
utilizados desde a década de sessenta do século passado. Nenhum deles foi
aprovado por organizações oficiais representativas dos países que apresentam
legislação relacionada à prática segura do mergulho autônomo recreativo.
Não se consegue conhecer os motivos e se é omissão ou desinteresse.
Atualmente presenciamos o surgimento de muitos modelos de computadores de
mergulho e, apesar dos muitos refinamentos, ainda há uma certa inquietude em
relação à eficácia desse equipamento.
A maioria dos computadores de mergulho apresenta microprocessadores
eletrônicos programados com um conjunto de equações matemáticas para simular
a dinâmica de entrada e saída de gás inerte do corpo do mergulhador. Essas
equações são chamadas de algoritmos de descompressão.
Os computadores comunicam aos mergulhadores o tempo de mergulho e o tempo que
falta para chegar ao final do limite não-descompressivo. Eles também
registram, de maneira acurada, a profundidade e a duração total do mergulho.
Além disso, podem ter monitores de velocidade de subida em que um alarme
auditivo dispara quando a taxa de subida excede o limite preestabelecido pelo
equipamento. Alguns também mostram, através da pressão de ar do cilindro de
mergulho, a quantidade de ar disponível para o mergulho e também o tempo
remanescente de mergulho baseado no consumo prévio e na profundidade em que
está o mergulhador. Mesmo assim, acontecendo o mergulhador mergulhar além do
limite não-descompressivo, o computador indica as paradas de descompressão que
ele deverá realizar.
Apesar de todos esses dispositivos, o mergulhador deve ter a consciência de
que está sendo assistido pelo computador e de que quem governa o mergulho, é
ele. É difícil conceder plena confiança a um equipamento que utiliza um
modelo matemático, enquanto a doença descompressiva é um fenômeno
biológico, mesmo sabendo que é uma excelente tabela dinâmica de mergulho, com
capacidade de manter o mergulhador constantemente informado sobre parâmetros
relacionados à imersão segura, e capaz de informar a necessidade de paradas
descompressivas.
Os modelos computacionais na forma em que foram idealizados acabam permitindo
muito mais exposição sob a água com menos descompressão. Tentando reduzir o
risco de doença descompressiva, muitos modelos incluíram limites
não-descompressivos menores, assim como menores taxas de velocidade de subida.
Todavia os mergulhos permitidos por eles foram avaliados como de risco e foram
corroborados por observações clínicas.
Um estudo recente comparando computadores de mergulho num teste em câmara
hiperbárica concluiu que alguns computadores de mergulho fornecem esquemas de
descompressão mais conservadores que outros quando comparados entre si na
maioria, mas não em todas exposições. Diferenças existem entre computadores
e alguns são consistentemente menos conservadores que as recomendações da
tabela do Defence and Civil
Institute Of Environmental Medicine (DCIEM).
DADOS RELACIONADOS AO USO DE COMPUTADORES DE MERGULHO E POSSIBILIDADE DE
DOENÇA DESCOMPRESSIVA
Os problemas dos algoritmos de computadores ou tabelas decorrem do simples
uso de um modelo matemático. Nenhum modelo computacional para o mergulho
autônomo considera variações biológicas ou fatores relacionados com, por
exemplo, a idade, o sexo, a capacidade física do mergulhador, as variáveis de
esforço físico durante o mergulho, temperatura da água ou variações de
altitude, entre outros. O Dr. Edmonds, por exemplo, preconiza que para cada
década de vida a partir dos trinta anos se deva diminuir 10 % do tempo de
fundo. Qual algoritmo permite entrar nessa variável ?
Apesar de os computadores considerarem, em seus algoritmos, muitas variáveis
numéricas relacionadas à fisiopatologia da doença descompressiva, eles não
são 100% eficazes em evitá-la.
Em 1994, a UHMS promoveu um
encontro sobre o uso de computadores no mergulho recreativo. Nesse encontro, foi
colocado que, dependendo da situação, os computadores podem provocar
descompressão omitida quando comparados com a consagrada tabela de mergulho com
ar da Marinha Norte-Americana; que poucos computadores haviam sido testados em
campo antes de serem colocados no mercado; que haveria a possibilidade de
problemas em mergulhos repetitivos e profundos muito próximos uns dos outros;
que era necessário incorporar a variável temperatura da água; que havia
permissibilidade demasiada nos mergulhos do tipo iô-iô sem compensação
adequada de descompressão. Por outro lado, os pontos positivos registrados com
o uso de computadores foram: possibilidade de registro de mergulhos; adequado
desempenho no mergulho multinível; fornecimento de um padrão mais conservador
no mergulho chamado quadrado; muita qualidade na medida do tempo de fundo e
profundidade pelos instrumentos.
Nesse simpósio, também foi registrado que se deveria assumir que, com o uso
de computadores, o mergulho recreativo mudaria suas características e que
mergulhadores recreativos poderiam passar a realizar mergulhos descompressivos.
Deveria também se refletir sobre o fato de que mergulhos multinível seriam, na
verdade, um tipo de descompressão e qual a importância disso no mergulho
recreativo ? Isso, por sua vez, reforçou a necessidade de um processo
educacional específico sobre o uso do equipamento e um reposicionamento em
relação ao perfil do mergulhador que poderia utilizá-lo.
As instituições de treinamento deveriam reconhecer que, com o computador, o
mergulhador recreativo pode deixar de realizar mergulhos dentro dos limites
não-descompressivos. Além disso, os computadores não são a prova de
mergulhadores. O mergulhador deve controlar o equipamento, do contrário haverá
a "narcose do computador". É um estado de embriaguez e confiabilidade
irrestrita num equipamento que apresenta limitações de interpretação do modo
de uso. Enfim, o mergulhador deveria ser muito bem treinado para poder perceber
a realidade e as possibilidades de mergulhar com esse equipamento.
Do ponto de vista prático, na ocasião, o Diver’s Alert Network se
manifestou, colocando que o instrumento estava se popularizando entre os
mergulhadores que tinham um perfil menos agressivo de mergulho e
consequentemente para a ocorrência de doença descompressiva. No entanto, os
mergulhos com computadores apresentavam a tendência de serem mais agressivos.
Outras observações do Divers Alert Network eram que os mergulhadores que
utilizavam o equipamento, eram mais velhos e do sexo masculino; que a
proporção de doença descompressiva observada ocorria mais com mergulhadores
de tabela do que com aqueles que utilizavam computadores; que não havia
diferenças significativas na severidade da sintomatologia da doença
descompressiva apresentada nos dois grupos e na demora em buscar tratamento.
As sugestões mais adequadas para aqueles que usam computadores que foram
levantadas no simpósio, são: necessidade de saber como se usa o computador
para mergulhar com segurança; controlar velocidades de subida; evitar
exposições limites consideradas provocativas; limitar mergulhos entre 2 e 4
por dia; intervalos de superfície de, pelo menos, uma hora e meia a duas horas
entre um mergulho e outro; novatos devem realizar mergulhos não-descompressivos
e mergulhadores mais experientes não devem empurrar seus computadores ao limite
e finalmente ter consciência de que nenhum procedimento descompressivo é
completamente seguro.
O QUE É UM MERGULHO DE RISCO ACEITÁVEL
Definir um risco aceitável em relação ao mergulho é aceitar a
possibilidade de apresentar uma doença descompressiva, mergulhando. Já que
não existe mergulho com descompressão 100 % segura, há a possibilidade
probabilística de se definirem os riscos que se dispõe a aceitar. O conceito
de risco aceitável implica, antes de tudo, definir o que é risco em mergulho.
Atualmente entidades como o Diver’s Alert Network consideram aceitável um
risco de 2% para desenvolver doença descompressiva para o mergulho recreativo
em geral, de 5% quando há uma câmara de tratamento de recompressão junto ao
local de mergulho e de 0,5% quando se mergulha num local distante que não tem
facilidades para sair da área ou em que não há comunicação adequada.
Em alguns países, no mergulho comercial, aceitam-se níveis de risco de
doença descompressiva de 2,5% para mergulhos dentro de limites
não-descompressivos e mergulhos com pouca quantidade de descompressão. Os
valores aceitáveis de risco aumentam para 5% para mergulhos descompressivos
mais longos, chegando até 10% para situações de exposição extrema
excepcional.
Na realidade, os procedimentos de descompressão de mergulhos profundos e
demorados não são satisfatórios. Esses mergulhos têm altas taxas de
incidência de doença descompressiva em comparação com mergulhos menos
estressantes. Essas observações devem ser consideradas por todos os
mergulhadores e colocadas em seu planejamento de mergulho.
O QUE NÃO CONSTA NOS COMPUTADORES
Alguns fatores fisiológicos e ambientais predispõem a ocorrência ou
potencializam a gravidade da doença descompressiva e, pelos menos, em tese
deveriam ser variáveis de algoritmos de descompressão. Na prática, é muito
difícil incluí-los no instrumento.
Eles incluem o exercício provocado durante o mergulho, preparo físico,
temperatura ambiental (água fria, banho quente), idade, obesidade,
desidratação, ingestão de álcool, episódio descompressivo prévio, dano
tecidual prévio e retenção de gás carbônico. Foi observado que as mulheres,
quando expostas à altitude, apresentam uma frequência quatro vezes maior de
doença descompressiva que os homens. Cabe salientar que isso não pode ser
colocado para o mergulho ao nível do mar.
Têm sido propostos muitos outros fatores agravantes. Muitos deles se
relacionam a alterações bioquímicas sanguíneas como alterações dos
lipídios (dislipidemias) e o complemento sérico, bem como fatores de
ativação do músculo liso. Outros são exógenos como o fumo e a enxaqueca.
Todos eles requerem mais investigação antes de serem confirmados.
Mas, sendo o assunto computadores de mergulho e doença descompressiva,
então o maior fator de risco é a extensão do tempo de mergulho por conta do
mergulhador. É o que se chamaria fator de risco atitude do mergulhador. Fatores
predisponentes relacionados ao mergulho e à atitude do mergulhador são: perfil
escolhido para o mergulho, realização de subidas rápidas, múltiplas subidas,
mergulhos sucessivos com intervalos curtos, vários dias de mergulho e
exposição à altitude.
MERGULHO MULTINÍVEL E COMPUTADORES
Atualmente a análise dos dados estatísticos permite concluir que o perfil
de mergulho quadrado possibilita uma ocorrência maior de doença descompressiva
quando comparado ao mergulho multinível, desde que iniciado na parte mais
funda, seguindo para o raso. Essa conclusão talvez tenha sido tirada da
constatação de que, na prática, no mergulho multinível, realizam-se
mergulhos, com menor tempo no fundo, na profundidade máxima e de que se
adiciona uma velocidade de subida mais lenta, ou seja, os mergulhadores
recreativos não passam todo o tempo à profundidade máxima.
No mergulho multinível, os computadores consideram as diferenças nos
vários seguimentos do mergulho, calculando um perfil revisado da quantidade
teórica de nitrogênio absorvida a cada profundidade.
Mergulhos sucessivos combinados com mergulho multinível são muito
complicados no ponto de vista matemático. Os computadores de mergulho tornaram
possível o mergulho multinível, pois apresentam capacidade de calcular os
meios-tempos relacionados à absorção e liberação do nitrogênio baseados na
profundidade e tempo em cada seguimento do mergulho. No entanto, mesmo com os
computadores, continua a ocorrer doença descompressiva também naqueles que
realizam mergulho multinível.
OUTRAS CONSIDERAÇÕES
Algoritmos computacionais de descompressão tentam definir a quantidade de
gás dissolvido tolerável antes de o mergulhador desenvolver uma doença
descompressiva. Isso é o chamado limite de doença descompressiva e define a
relação entre a incorporação permitida de gás e a pressão ambiente.
A comunidade de mergulhadores tem uma tendência a classificar os
computadores de acordo com seu grau de conservadorismo. Considerar um computador
com um algoritmo baseado nos princípios de Buhlmann ou do modelo de gradiente
reduzido de superfície de bolhas com grande nível de conservadorismo e os
baseados nos princípios de Haldane como sendo não restritivos e de maiores
tempos de fundo para mergulhos não-descompressivos é analisar a questão de
forma parcial e de certa maneira rígida. Convém observar que um computador
será mais liberal ou conservador conforme o mergulhador o utilizar.
Para definir o grau de conservadorismo, deve-se ter conhecimento do número
de compartimentos, meios-tempos e valores M definidos no algoritmo do modelo de
computador a ser escolhido. Não há consenso no número de compartimentos nem
nos valores M de função matemática.
As relações entre essas variáveis geram diferentes perfis de
descompressão. Por exemplo, na análise do valor M, devemos ter a consciência
de que um valor M definido será mais conservador que outro somente para
combinações de profundidade, tempos de mergulho e altitude.
O mergulhador deverá escolher o seu computador, conhecendo o algoritmo que o
instrumento apresenta e as modificações eventuais feitas pelos fabricantes. A
escolha propriamente do princípio que rege aquele algoritmo, deve ocorrer em
função do seu tipo de mergulho, considerando a profundidade máxima habitual,
o tempo de fundo pretendido, características ambientais como a temperatura,
realizando mergulho multinível, o número de mergulhos no dia, número
consecutivo de dias de mergulho e vôo após mergulho. Para isso, o mergulhador
deverá entender um mínimo da teoria da descompressão.
Os computadores considerados adaptativos são programados para considerar
fatores que possam aumentar a incorporação tecidual de gás inerte ou
facilitar a formação de bolhas durante os mergulhos. Divergências ocorrem em
relação à quantificação de eventos capazes de gerar bolhas como subidas
rápidas, exposição à água fria, aumento da profundidade durante um
mergulho, aumento do ritmo ventilatório e mergulhos sucessivos. Na prática,
esses eventos acabam sendo computados e acarretam diminuição do tempo sem
limite não-descompressivo no caso do mergulho recreativo ou aumento do tempo de
descompressão no mergulho descompressivo técnico.
O Dr. Bruce Wienke coloca que um algoritmo definitivo que considere todas as
variáveis possíveis que ocorrem num mergulho, para colocar o risco de doença
descompressiva próximo de zero e que inclua todos os modelos matemáticos, é
algo muito complicado de realizar e requer o uso de supercomputadores. Ele
coloca que computações de problemas para outras finalidades semelhantes aos
que ocorrem no mergulho estão sendo feitas, em Los Álamos, por
supercomputadores com velocidades perto de um gigaflop (one billion floating
point operations per second). Mesmo com instrumentos poderosos como esses, a
solução do problema proposto pode levar de 16 a 32 horas !
UM OLHAR SOBRE COMO MERGULHAMOS E A POSSÍVEL RELAÇÃO COM A OCORRÊNCIA DE
DOENÇA DESCOMPRESSIVA APESAR DOS COMPUTADORES
Alguns dados históricos devem ser relembrados para que não voltemos a ter
alguns problemas vivenciados no passado e que têm tudo a ver com o jeito como
se mergulha atualmente, ou seja, nosso jeito de mergulhar envolvendo velocidade
de subida e mergulho multinível.
John Scott Haldane é considerado o pai das tabelas de descompressão. Em
1904, esse fisiologista, contratado pela Marinha Britânica, formulou e
comprovou experimentalmente a hipótese de que os mergulhadores poderiam subir
rapidamente de uma profundidade cuja pressão ambiente equivalesse à metade da
pressão absoluta do seu maior mergulho sem apresentar doença descompressiva.
Essa taxa de descompressão de 2:1 poderia ser novamente aplicada após um
período de eliminação do gás dissolvido. Esses ciclos repetir-se-iam até a
chegada à superfície.
Na mesma época, Leonard Hill, contratado pela companhia de mergulho Siebe
Gorman, defendia a idéia de que a doença descompressiva poderia ser evitada,
se, no procedimento de emersão, o mergulhador realizasse uma subida linear num
sino de mergulho. Hill tentou comprovar sua tese num experimento, utilizando
cabras. Após a perda de vários animais, ficou demonstrado que sua hipótese
não funcionava. As Marinhas Britânica e Norte-Americana acabaram usando a
teoria de Haldane por mais de 50 anos para formular suas tabelas.
Muitas mudanças ocorreram desde os experimentos iniciais de Haldane e Hill,
no início do século passado, principalmente relacionadas à velocidade de
subida. Haldane usou uma taxa de subida de 9 metros por minuto, que era lenta o
suficiente para evitar a formação de bolhas e compatível com o tipo de
equipamento usado, que eram os escafandros. Como o mergulho autônomo permite
uma liberdade de subida maior, as taxas de velocidade de subida aumentaram.
Após um período de tempo considerável durante o qual se preconizava a
velocidade de subida de 18 metros/minuto (Marinha Norte-Americana, 1956), ela
acabou diminuindo para12 metros/minuto (Hills, 1966-76), depois indo para 10
metros/minuto (Buhlmann, 1975), finalmente até os 9 metros/minuto, preconizados
pela maioria das entidades relacionadas à prática do mergulho recreacional
seguro.
Revisando a história, poderemos encontrar alguns paralelos em relação ao
que fazemos atualmente. Haldane era um fisiologista britânico contratado pela
Real Marinha Britânica e pai das tabelas das Marinhas Britânica e
Norte-Americana. No entanto, a Marinha Norte-Americana percebeu que taxas
maiores, tanto quanto 4:1, eram possíveis nos tecidos rápidos de 5 e 10
minutos em vez dos tradicionais 2:1. Hoje isso parece menos real para o atual
tipo de mergulho recreativo, que é curto, profundo, do tipo
"quadrado" e sucessivo, que se pratica. O nome de Haldane ficou
historicamente vinculado à tabela norte-americana, todavia ela sofreu
modificações a partir de dados observados, passando a não seguir à risca os
preceitos postulados pelo fisiologista. Haldane sabia que um mergulhador tinha
tempo suficiente para eliminar algum excesso de gás após o mergulho. No
entanto, ele acreditava que a maneira mais eficiente de eliminar o gás
absorvido durante o mergulho era realizando paradas descompressivas. Hoje os
experimentos com medidas através do uso do Doppler evidenciam que a maior taxa
de formação de bolhas ocorre numa taxa de subida de 3 metros por minuto sem
paradas, confirmando que a hipótese de Hill ainda não é válida.
Se refletirmos sobre como é praticado o mergulho recreacional atualmente,
veremos que a tendência, na maior parte de destinos de mergulho espalhados pelo
mundo todo, é realizar mergulhos de mais de 30 metros por, pelo menos, 20
minutos e depois subir a nove metros por minuto, realizando uma parada de 3
minutos entre 3 e 6 metros. Aí surge a questão: Por que, fazendo um mergulho
semelhante ao proposto por Hill, não sofremos doença descompressiva ?
Como foi falado anteriormente, a Marinha Norte-Americana percebeu que taxas
tão grandes como 4:1 são possíveis nos tecidos rápidos. Hoje sabemos que as
paradas devem ser longas o suficiente para permitir que a medula deixe de ficar
saturada. Existe também a idéia de que o meio-tempo de saturação completa da
medula de 12,5 minutos seja provavelmente em torno de 18 minutos.
As vantagens de diminuir a velocidade de subida vão além da simples
oportunidade de aumentar o tempo de eliminação do gás acumulado durante o
mergulho. Elas incluem a diminuição da produção de bolhas como êmbolos
gasosos venosos, menos obstrução do filtro pulmonar por bolhas e menos
possibilidade de barotrauma pulmonar.
O Dive Alert Network (DAN) está estudando várias taxas de
subida e a realização de mais paradas, incluindo uma parada aos 15 metros.
Vários delineamentos de pesquisa, incluindo estudos comparativos com
velocidades de subida tão lentas quanto um metro a cada três minutos e várias
modalidades de paradas de cinco minutos nos 14,5 e 5,5 metros, estão sendo
utilizados. Nos achados preliminares desses estudos, parece claro que,
independentemente da velocidade de subida, por mais lenta que ela seja, quando
uma parada profunda é introduzida por volta dos 15 metros, o escore de
identificação de bolhas por Doppler cai para valores muito baixos. Mais uma
vez parece que a abordagem proposta por Haldane parece mais favorável no
sentido da profilaxia da doença descompressiva e deverá ser incorporada a
novos algoritmos de descompressão.
Reflexões que devem ser consideradas
A análise dos dados relacionados aos casos de doença descompressiva,
independentemente do uso ou não de computadores durante os mergulhos em que
eles ocorreram, gerou novas hipóteses relacionadas à necessidade de se
reformularem conceitos referentes à velocidade de subida no final do mergulho.
Esses achados foram corroborados com estudos com Doppler. Os computadores de
mergulho atuais são capazes de informar quando os mergulhadores excedem a
velocidade de subida e muitos acreditam que talvez seja esse um dos melhores
atributos do equipamento. Muitos mergulhadores recreativos minimizam os avisos
de SOS dos seus computadores quando a velocidade de subida é excedida,
principalmente nos últimos metros.
Existe um pequeno, porém bem definido número de casos de manifestações
neurológicas da doença descompressiva relacionadas a subidas rápidas. A taxa
de subida de 18 metros por minuto é o resultado de uma decisão arbitrária da
Marinha Norte-Americana e não tem qualquer fundamento baseado na cinética dos
gases.
Apesar de se preconizar uma grande variedade de procedimentos derivados de
algoritmos de tabelas e de computadores, que até mesmo encurtam os tempos de
fundo indicados pela tabela da Marinha Norte-Americana, podemos observar que a
incidência de doença descompressiva em suas formas mais graves, ou seja, do
tipo II ou neurológica, continua a mesma e deve estar relacionada à formação
de bolhas e à velocidade de subida perto da superfície.
O Dr. Peter B. Bennett acredita que muitos episódios de doença
descompressiva observados nos acidentes de mergulho recreativo não decorrem de
algoritmos utilizados para calcular o tempo de fundo em função da profundidade
mergulhada, mas sim de uma taxa de subida muito rápida.
A observação da ocorrência de doença descompressiva no mergulho livre em
apnéia reforça essa idéia. Se analisarmos as ocasiões em que ocorrerou
doença descompressiva, poderemos observar que a velocidade de subida
desempenhou importante papel. Durante os treinamentos de atletas que realizam
apnéia, grandes profundidades são alcançadas, os tempos de fundo são
consideráveis e altas velocidades de subida podem ser observadas. Atualmente a
ocorrência de doença descompressiva nessas ocasiões é evitada através da
dosagem de tempo de superfície e de mergulho. Nessa situação, velocidades de
subida muito rápidas aumentam o risco da ocorrência de doença descompressiva.
A análise dos argumentos relacionados à necessidade da diminuição da
velocidade de subida no mergulho autônomo gera a reflexão sobre a necessidade
de se reverem critérios nas formulações matemáticas utilizados nos
algoritmos computacionais tradicionais e de se incluírem modelos que levem em
conta a geração de bolhas como os modelos de fase. Não podemos esquecer que a
velocidade de subida tem efeito direto sobre a formação de bolhas em função
de um gradiente de pressão gerado subitamente, principalmente nos últimos
metros, onde há maiores variações de volume em função da pressão ambiente.
Foi observado que, durante o mergulho realizado nos limites das tabelas, a
maior incidência da doença descompressiva foi do tipo II, com manifestações
decorrentes de dano da medula em 65 % dos casos relatados. A medula é
considerada um compartimento tecidual rápido em termos de absorção de
nitrogênio com meio-tempo de saturação de 12,5 minutos. Isso significa dizer
que ela estará totalmente saturada de gás em somente trinta minutos.
Nos algoritmos de computador mais modernos, foi arbitrado que os tecidos
críticos para mergulhos curtos e profundos são aqueles chamados rápidos em
termos de absorção de gás, ou seja, aqueles que têm meios-tempos de 5, 10 e
20 minutos em detrimento dos considerados lentos, com meios-tempos de 40, 80 e
120 minutos. Cabe salientar que no passado os chamados tecidos lentos eram os
considerados críticos em termos de descompressão segura. Hoje, cada vez mais,
dados apontam para os chamados tecidos rápidos, não os lentos, como os tecidos
críticos para o desenvolvimento da doença descompressiva no mergulho
recreativo multinível sucessivo.
Por exemplo, num mergulho de 30 metros de profundidade por 25 minutos, a
medula estará praticamente toda saturada e requererá um tempo significativo
para eliminar o excesso de gás. Nesse tipo sem parada descompressiva nos 6
metros, o mergulhador, subindo a 18 metros por minuto, poderá emergir em 1,6
minuto. Isso é muito pouco tempo para eliminação de gás. Se acrescentarmos
uma parada de 5 minutos aos 6 metros, ainda será pouco o tempo de eliminação.
Subindo a 9 metros por minuto, parando por 5 minutos aos 6 metros para realizar
descompressão, o tempo de eliminação de gás será maior, passando para 8,3
minutos. Isso demonstra que paradas têm mais valor para eliminar o gás
acumulado do que simplesmente a diminuição da velocidade de subida. As paradas
ajudam, de maneira bem eficiente, a eliminar a quantidade total de gás
acumulado. Isso é uma abordagem típica como a proposta por Haldane.
São muitos os problemas existentes no desenvolvimento de um modelo
matemático ideal para prevenir a doença descompressiva. As dificuldades não
recaem somente sobre a escolha de beneficiar os tecidos lentos ou rápidos e a
sua correlação com mergulhos profundos, rápidos ou demorados. As dificuldades
se concentram no fato de não existir um conhecimento claro que defina a escolha
a ser seguida, ou seja, por se seguirem argumentos ainda não bem esclarecidos
quantitativamente relacionados à difusão ou à perfusão de gás nos vários
tecidos a resposta possível não é a definitiva.
Em geral, o que podemos observar é que os algoritmos e tabelas atuais são
mais efetivos em reduzir a doença descompressiva nos tecidos de meios-tempos
mais lentos do que nos rápidos como o sistema nervoso central.
CONCLUSÃO
Os computadores de mergulho, de certa maneira, mudaram o jeito de mergulhar,
facilitando a maneira de realizar a descompressão. No entanto, ainda é
necessário algum tempo para que o algoritmo definitivo chegue ao pulso do
mergulhador.
A alta proporção de mergulhadores que apresentam doença descompressiva
mesmo usando corretamente seus computadores de mergulho não significa que o
equipamento seja inseguro. Pode significar que a ocorrência de doença
descompressiva inclua muitas variáveis desconhecidas ou até mesmo que outras
variáveis conhecidas sejam difíceis de integrarem os cálculos computacionais.
Existem estudos experimentais e matemáticos que demonstram as diferenças
entre computadores e mergulho controlados com tabelas. Quando se comparam as
descompressões indicadas e o perfil de mergulho, considerando mergulhos
repetitivos e multinível, eles demonstram que as informações do display
podem variar muito com o uso de computadores, especialmente em mergulhos
sucessivos.
Talvez um dos melhores atributos dos novos computadores de mergulho seja a
possibilidade de monitorar a velocidade de subida e alarmar quando ela é
excedida, além, é claro, de medir o tempo de fundo e a profundidade de um modo
muito acurado. De uma maneira muito singela, se o mergulhador quiser ser mais
conservador e não empurrar os limites, simplesmente deverá subir antes que o
tempo restante do fim do mergulho apontado pelo computador acabe, ou seja, antes
que o "dive-time remaining" do mostrador seja zero.
Os modelos matemáticos tentam descrever a realidade e, ao usá-los no pulso
na forma de um computador de mergulho, tentamos evitar a doença descompressiva
com o melhor que temos em termos de tecnologia. Como, apesar do uso correto do
computador, ela continua ocorrendo, provavelmente a realidade deva ser mais
complexa que o modelo.
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Renúncia
Nenhuma representação neste texto é feita no sentido de oferecer um
diagnóstico, tratamento ou cura para qualquer condição ou doença relatada. O
caráter do texto é somente informativo e deve ser usado em conjunto com o
aconselhamento específico do médico de medicina do mergulho. O autor não é
responsável por qualquer consequência concebível relacionada à leitura
deste texto.
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