|
Doença Descompressiva, Descompressão e Modelos
Ideais
O modo de mergulhar é a razão para a necessidade do uso de computadores de
mergulho. Nossa cultura, aspectos logísticos e, ao mesmo tempo, aspectos
geográficos de distanciamento do mar ideal fazem com que mergulhemos
intensamente quando nos é disponibilizado um ou mais dias de mergulho.
Múltiplos mergulhos, num mesmo dia, a vários níveis de profundidade,
acabam gerando a necessidade do uso de computadores de mergulho no mergulho
recreativo. No mergulho técnico, mergulhos profundos e com misturas gasosas
diferentes do ar acabaram gerando um grau de complexidade no planejamento do
mergulho, e o computador de mergulho passou a ser uma ferramenta fundamental.
Instrutores e guias de mergulho envolvidos com múltiplos mergulhos sucessivos
com curtos intervalos de superfície também necessitam deste equipamento.
Por outro lado, quando um mergulhador recreativo passa a usar um computador
de mergulho, imediatamente se cria a possibilidade de ele deixar de ser
recreativo. Ele pode estender os limites de tempo e profundidade do mergulho,
pois sabe que no display de seu computador será mostrado um perfil
descompressivo. Dessa forma, muitos mergulhadores acabam querendo mais tempo de
fundo enquanto outros, menos doença descompressiva.
O que podemos observar é que, na maioria das vezes, há total confiança no
computador e, na hora da escolha de um modelo, falta senso crítico em relação
à escolha pelo modo como ele funciona. Com a grande variedade de modelos
disponíveis nas mais diversas marcas, a preocupação maior, na hora da
escolha, não deve recair simplesmente nas características do equipamento. O
mergulhador avançado não pode acabar se preocupando somente com as situações
de que o equipamento tem ou não facilidades na troca de pilhas, os mostradores
são bem visíveis, possui alarmes sonoros, começa a funcionar automaticamente,
há sistema integrado com a fonte de mistura gasosa, entre outras. Ele deve
envolver-se com a teoria da descompressão.
Atualmente começaram a aparecer no mercado dos equipamentos do mergulho
computadores com novas abordagens em relação aos algoritmos de descompressão
tradicionais por muito tempo utilizados. O mergulhador deve ter o conhecimento
básico necessário para fazer a sua escolha na hora de investir. A decisão
sobre o tipo de equipamento que ele vai adquirir, será o melhor resultado da
análise da relação custo/benefício referente ao tipo de mergulho que ele
pratica. Além disso, ele também deve ter consciência de que muitas questões
em relação à descompresão ainda não estão resolvidas.
O objetivo, em última análise, do uso de computadores de mergulho é a
prevenção da doença descompressiva. Com o computador de mergulho utiliza-se
um algoritmo, uma função matemática, para tentar evitar um fenômeno
biológico. Usando um computador ou uma tabela de mergulho, pelo menos em tese,
a possibilidade de se apresentar uma doença descompressiva é consideravelmente
diminuída. O mergulhador experiente que precisa de um computador de mergulho,
deve envolver-se com a necessidade de compreender o seu funcionamento. Em
última análise, deve envolver-se com o conhecimento da teoria da
descompressão e dos modelos computacionais mais atuais.
COMPUTADORES PARA DESCOMPRESSÃO
Os computadores de mergulho são instrumentos que estão sendo amplamente
utilizados e atualmente presenciamos o surgimento de muitos modelos. Apesar dos
muitos refinamentos, ainda há uma certa inquietude sobre a eficácia deste
equipamento na prevenção da doença descompressiva. Sabemos que muitos
mergulhadores que tiveram doença descompressiva, estavam usando um computador
de mergulho e seguiram perfis compatíveis com o mergulho seguro. Portanto, um
computador de mergulho não garante 0% de risco descompressivo. Por outro lado,
não podemos saber o quanto ele já preveniu de doença descompressiva.
Os computadores modernos apresentam microprocessadores eletrônicos
programados com um conjunto de equações matemáticas para simular a dinâmica
de entrada e saída de gás inerte do corpo do mergulhador. Essas equações
são chamadas de algoritmos de descompressão.
Os computadores comunicam aos mergulhadores o tempo de mergulho e o tempo que
falta para chegar ao final do limite não-descompressivo. Eles também
registram, de maneira acurada, a profundidade e a duração total do mergulho e
têm a possibilidade de gerar o registro dos mergulhos realizados. Apresentam
também monitores de velocidade de subida em que um alarme auditivo dispara
quando a taxa de subida excede o limite preestabelecido pelo equipamento. Alguns
também mostram, através da pressão de ar do cilindro de mergulho, a
quantidade de ar disponível para o mergulho e também o tempo remanescente de
mergulho baseado no consumo prévio e na profundidade em que está o
mergulhador. Além disso tudo, se o mergulhador mergulhar além do limite
não-descompressivo, o computador indicará as paradas de descompressão que ele
deverá realizar para não apresentar doença descompressiva.
O mergulhador deve ter a consciência de que está sendo assistido pelo
computador e de que quem governa o mergulho é ele. É confiar plenamente num
equipamento que utiliza um modelo matemático, enquanto a doença descompressiva
é um fenômeno biológico. Isso deve ser relevado, mesmo sabendo que é uma
excelente tabela dinâmica de mergulho, com capacidade de manter o mergulhador
constantemente informado sobre parâmetros relacionados à imersão segura e
descompressão.
O QUE É A DOENÇA DESCOMPRESSIVA ?
Quando mergulhamos, somos submetidos a uma carga de gás considerado inerte
em nossos tecidos. Subindo à superfície, descarregamos os tecidos do gás
absorvido durante o mergulho. Nesse momento podemos apresentar bolhas. É o que
chamamos de formação de fase. São bolhas que podem estar na circulação ou
na intimidade dos tecidos. Havendo bolhas, há doença descompressiva.
A doença descompressiva é uma síndrome clínica cujo conjunto de sinais e
sintomas são consequências diretas dos efeitos da presença dessas bolhas de
gás nos tecidos e na circulação sanguínea. O mal descompressivo é causado
pela liberação de bolhas de gás dissolvidas nos tecidos ou no sangue. Bolhas
podem formar-se no corpo do mergulhador, do aviador e dos trabalhadores em
ambientes pressurizados. Elas ocorrem quando o indivíduo é exposto a uma
redução na pressão ambiente, a chamada descompressão, causando os sinais e
sintomas da doença descompressiva. Por isso é uma doença disbárica
As manifestações da doença descompressiva resultam da presença de bolhas
formadas nos tecidos ou na circulação sanguínea como resultado de
variações na pressão ambiente. Essas bolhas podem acarretar sintomas
decorrentes de lesões diretas numa determinada estrutura afetada produzidas
mecanicamente sobre os tecidos. Lesões indiretas decorrem do bloqueio da
circulação dos vasos sanguíneos, que também pode ocorrer. Embolia arterial
gasosa também pode ocorrer quando gás entra na circulação. Usualmente isso
ocorre quando há dano descompressivo nos pulmões ou embolia pulmonar. Êmbolos
podem chegar até o cérebro e produzir sintomatologia específica.
Mais recentemente, o Dive Alert
Network (DAN) tem usado um sistema de definição
de doença descompressiva por sintomas. Casos considerados leves ("dor
somente") apresentam sintomas do tipo fadiga, coceira, rash cutâneo,
inflamação local, dor muscular ou articular. Os casos graves
("sérios") se caracterizam por manifestações neurológicas como dor
de cabeça, fraqueza muscular, alterações visuais, auditivas, de sensibilidade
e motricidade, da memória, da personalidade, disfunção intestinal e da bexiga
e queixas cardiopulmonares que podem evoluir à insuficiência respiratória, ao
choque e até mesmo à morte. A embolia arterial gasosa acarreta rápido início
de sintomas cerebrais geralmente seguidos de alterações da consciência.
Usualmente os sintomas da embolia arterial gasosa estão associados a subidas
rápidas e se manifestam tão logo ocorra a emersão. No mergulho recreativo, a
maior parte dos sintomas é neurológica.
Muitas vezes, sinais sutis são difíceis de valorizar, pois não diferem
muito de sintomas comuns que todos apresentam habitualmente na vida normal. Não
é incomum observar mergulhadores com sintomas leves que continuam mergulhando
até surgirem sintomas mais bem definidos e se configurarem situações
dramáticas.
Mergulhadores recreativos apresentam sintomas de doença descompressiva mais
frequentemente do que o esperado. Há um sub- registro dos eventos de doença
descompressiva porque muitos mergulhadores não procuram cuidados para tratar os
sintomas menores da doença.
Estudos utilizando Doppler para avaliar a presença de bolhas na circulação
sanguínea evidenciaram que, em 75% de todos os mergulhos acompanhados, se
identificaram bolhas e que 95% dos mergulhadores apresentavam bolhas após o
mergulho. Portanto, descompressão após um mergulho não é uma atividade livre
de risco. Após uma submersão, não há descompressão 100% livre de risco, ou
seja, 100% segura.
FATORES PREDISPONENTES
Alguns fatores fisiológicos e ambientais predispõem a ocorrência ou
potencializam a gravidade da doença descompressiva e, pelo menos em tese,
deveriam ser variáveis de algoritmos de descompressão. Eles incluem
exercício, preparo físico, temperatura ambiental (água fria, banho quente),
idade, obesidade, desidratação, ingesta de álcool, episódio descompressivo
prévio, dano tecidual prévio e retenção de gás carbônico. Foi observado
que as mulheres, quando expostas à altitude, apresentam uma frequência quatro
vezes maior de doença descompressiva que os homens. Esse achado não pode ser
colocado para o mergulho realizado ao nível do mar.
Existem também fatores predisponentes relacionados ao mergulho propriamente
dito como o perfil do mergulho, subidas rápidas, múltiplas subidas, mergulhos
sucessivos, vários dias de mergulho e exposição à altitude.
Têm sido propostos muitos outros fatores agravantes. Muitos deles se
relacionam a alterações bioquímicas sanguíneas como alterações dos
lipídios (dislipidemias) e o complemento sérico, bem como fatores de
ativação do músculo liso. Outros são exógenos como o fumo e a enxaqueca.
Todos eles requerem mais investigação antes de serem confirmados.
Mas, sendo o assunto computadores de mergulho e doença descompressiva,
então o maior fator de risco é a extensão do tempo de mergulho por conta do
mergulhador. É o que se chamaria fator de risco atitude do mergulhador.
COMO OCORRE A DOENÇA DESCOMPRESSIVA
Quando se ventila durante o mergulho, uma porção de cada um dos gases que
compõem a mistura gasosa que o mergulhador respira, se dissolve no organismo.
Nosso organismo absorve gás, quando colocado sob pressão. Quando a pressão é
reduzida, há uma liberação desse gás. A distribuição do gás absorvido
não é homogênea e existem barreiras bioquímicas e biofísicas. Diferentes
áreas do corpo humano absorvem e liberam gás inerte a diversas taxas. Nenhum
tecido corresponde a outro em termos de absorção de gás inerte. Além disso,
devemos considerar o sangue como um compartimento à parte. Ele tem uma grande
quantidade de líquidos e se encontra num compartimento, que é o sistema
circulatório.
Tecidos, espaços e circulação, tudo isso ajuda a confundir o mergulhador
no entendimento desse assunto. Para entender melhor do ponto de vista
matemático, devemos considerar compartimentos os vários locais em que
identificamos um comportamento semelhante em relação à capacidade de
absorção, manutenção e eliminação do gás inerte.
Os vários tecidos do nosso corpo são compostos de várias porções de
tecido de sustentação, gordura, epitélios, músculos, células nervosas e
vasos sanguíneos de modo que são diferentes na capacidade média de absorver
e eliminar gás inerte.
A convenção de um número de compartimentos que representam diferentes
tecidos, órgãos e aparelhos do nosso corpo e que absorvem e eliminam gás
inerte a determinadas taxas ou velocidades, é uma convenção matemática para
explicar idealmente o funcionamento real. No entanto, essa convenção é
fundamental na criação de tabelas de descompressão e gera o modelo chamado
multitecidual. Isso é útil para saber como os computadores de mergulho e
tabelas de descompressão funcionam.
Bolhas
Os gases inertes se difundem também em microbolhas que são transportadas
pela circulação. Quando o mergulhador volta à superfície, alguma parcela do
gás entra em fase na circulação sanguínea, que é o compartimento de menor
meio-tempo. Chegando aos vasos capilares dos pulmões, essas bolhas ficam presas
no filtro pulmonar. Como essas bolhas não são numerosas e apresentam um volume
compatível com a sua eliminação, os pulmões acabam eliminando-as de modo que
não há doença descompressiva. Os gases das micro-bolhas observadas acabam
deixando o corpo do mergulhador através da ventilação normal. Quando há um
excesso de bolhas em relação à capacidade do organismo de eliminar, ocorre
doença descompressiva. Quando mergulhamos, podemos estar no limiar entre a
formação de bolhas e a manifestação de uma doença.
Bolhas de gás na circulação produzem alterações acústicas que são
facilmente detectáveis. Desde que os estudos com Eco-Doppler evidenciaram que a
grande maioria dos mergulhadores apresentou bolhas no sistema venoso após o
mergulho, elas passaram a ser o foco das atenções dos pesquisadores. A
constatação da presença de bolhas na circulação do mergulhador tem
permitido um melhor entendimento da doença descompressiva.
Bolhas podem crescer a partir de núcleos pré-existentes. Podemos observar
núcleos pré-formados em qualquer substância aquosa conhecida. Acredita-se
também que bolhas se formam diretamente num tecido supersaturado assim que a
pressão a sua volta diminui. Caso o mergulhador apresente muito gás inerte
dissolvido ou suba muito rapidamente, bolhas poderão formar-se a partir de
micronúcleos pré-formados.
As bolhas extravasculares podem formar-se tanto na fração aquosa como na
gordurosa (de lipídios) dos vários tecidos. Tecidos gordurosos atuam como
reservatórios para a maioria das bolhas de gás inerte. Bolhas extravasculares
podem ficar num lugar e, por difusão, incorporar mais gás de tecidos
adjacentes supersaturados, aumentando de tamanho. Crescendo, essas bolhas podem
ter efeito de massa e comprimir estruturas, provocando mais dano tecidual.
Bolhas intrateciduais podem acabar entrando na circulação e se tornar bolhas
intravasculares.
As bolhas podem formar-se no sangue, ou seja, no espaço intravascular, ou
fora dele, em vários tecidos do corpo e são as extravasculares. As pequenas
bolhas que se formam na circulação, mas não produzem sintomas, são chamadas
de bolhas silenciosas. Uma bolha intravascular pode deixar o sistema
circulatório e ficar num tecido.
Em relação às bolhas intravasculares, podemos dizer que elas são mais
frequentes no sistema venoso. Há a suspeita de que bolhas venosas se formam
primeiramente em tecidos com alto teor de lipídios. Estes, atuando como
reservatórios, quando supersaturados, acabariam drenando-as para o sistema
venoso. Os vasos venosos, ou seja, as veias e vênulas, seriam mais finos que as
artérias e, portanto, seriam mais susceptíveis à penetração de gás
extravascular.
As bolhas podem crescer e alongar-se, podem coalescer-se em grandes bolhas.
Uma quantidade muito grande de bolhas pode exceder a capacidade de eliminação
pelos pulmões e permanecer na circulação. Bolhas presas pré-formadas em
tecidos podem atrair gás inerte que está saindo deles ou de outros tecidos
durante o processo normal de eliminação e gerar bolhas extravasculares.
Entretanto, não necessariamente bolhas sintomáticas ocorrem a cada mergulho,
caracterizando uma doença descompressiva. Frequentemente o mergulhador fica no
limiar entre apresentar ou não uma doença descompressiva.
As bolhas têm uma grande relação com as manifestações da doença
descompressiva. Bolhas nos ligamentos e tendões podem estimular terminações
nervosas e provocar a dor característica da doença descompressiva clássica.
No sistema circulatório, as bolhas podem desencadear a cascata da coagulação
sanguínea e as suas complicações embólicas. Nos vasos sanguíneos, podem
obstruir e produzir isquemia a partir do ponto de obstrução. Elas também
podem produzir uma deformação mecânica de um nervo ou estrutura nervosa e
causar um dano neurológico.
Bolhas sintomáticas ocorrem em mergulhadores que ficaram muito tempo na
profundidade ou subiram muito rapidamente. Outros mergulhadores acabam tendo
doença descompressiva por uma razão mais sutil da sua própria fisiologia ou
fatores de risco individuais. Definitivamente ela é um fenômeno biológico que
ocorre num determinado indivíduo.
O Eco-Doppler foi um importante instrumento para a identificação das bolhas
e sua relação com as manifestações da doença. Ele também possibilita que
se revise o grau de exposição ao mergulho e que se definam os limites sem
paradas descompressivas das tabelas e algoritmos computacionais em termos de
limites aceitáveis ou toleráveis em relação à formação de bolhas. Seu uso
acaba sendo um instrumento de validação de tabelas e algoritmos.
FUNDAMENTOS BÁSICOS DA TEORIA DA DESCOMPRESSÃO
Existem achados da dinâmica do movimento dos gases desde a sua entrada pelos
pulmões do mergulhador até sua chegada aos tecidos e se encontrarem num estado
de saturação que devem ser entendidos. A teoria da descompressão nos moldes
atuais é uma leitura matemática da fisiopatologia da doença descompressiva. O
conhecimento da teoria da descompressão facilita o entendimento das propostas
relacionadas aos modelos algoritmos criados.
Características dos Gases e Descompressão
Os gases da mistura gasosa respirada se dissolvem do alvéolo aos tecidos por
difusão, seguindo um gradiente de pressão das áreas de maior pressão para as
de menor pressão. Os gases inertes usados nas misturas gasosas têm diferentes
propriedades de solubilidade e difusibilidade. Essas propriedades interferem na
sua taxa de absorção. Essas características também afetam a velocidade de
eliminação e consequentemente a descompressão.
O hélio, por exemplo, é menos solúvel nos tecidos que o nitrogênio,
porém tem maior velocidade de difusão. A solubilidade menor do hélio diminui
a quantidade total incorporada desse gás pelos tecidos e reduz o tempo de
descompressão após longos mergulhos profundos. No entanto, a maior
difusibilidade faz com que sejam necessárias paradas descompressivas mais
profundas para mantê-lo fora de solução durante o procedimento de subida.
Esses fatos são considerados na criação de um algoritmo computacional de
descompressão para cada gás.
Tensão do Gás Inerte Tecidual e Descompressão
Durante o mergulho, gases são absorvidos pelos tecidos dos mergulhadores. A
tensão do gás inerte tecidual, mensurada em unidade de pressão, é a medida
do quanto o mergulhador absorve desse gás.
A pressão parcial dos gases da mistura gasosa nos pulmões do mergulhador
direciona a absorção dos gases teciduais. À medida que o mergulhador
submerge, há um aumento da pressão ambiente. A mistura de gás respirado
durante o mergulho tem a mesma pressão. No entanto, demora um tempo para que
ocorra aumento da tensão tecidual e ela alcance o valor de pressão dos gases
respirados.
Maiores tempos de fundo aumentam a tensão tecidual de gases inertes. Maiores
intervalos de superfície diminuem esses valores.
Meios-tempos
Cada tecido ou parte do nosso corpo é peculiar e os órgãos do corpo humano
são constituídos de vários tecidos, que, por sua vez, são formados de
diferentes substâncias e apresentam diferentes suprimentos sanguíneos
(perfusão). As tensões teciduais de gás inerte variam em função da taxa de
absorção e eliminação de cada tecido.
Quando falamos de meio-tempo tecidual de gás inerte, estamos referindo-nos
ao tempo, em minutos, que é levado para saturar metade do tecido com esse gás.
Seguindo o processo de saturação de gás pelo tecido, há a necessidade da
mesma quantidade de tempo para que seja absorvida a quantidade de gás para a
outra metade ficar saturada pela metade. Dessa maneira, é necessária a mesma
quantidade de tempo para que a quarta parte de tecido restante fique 50%
saturada e assim por diante. Meio-tempo também é chamado de meia-vida quando
vinculado a processos exponenciais como quando, por exemplo, nos referimos ao
decaimento radiativo de radioisótopos.
Assim sendo, quanto mais repleto de gás fica o tecido, mais difícil fica
entrar mais gás. A diminuição da taxa de absorção de um gás em relação a
um intervalo de tempo segue uma função matemática exponencial até a
saturação completa.
A absorção de gás inerte segue uma função contínua com diferentes taxas
de absorção, dependendo da estrutura do corpo em questão. A convenção
matemática acaba criando uma analogia entre compartimentos e tecidos. Isso quer
dizer que, por convenção, alguns de nossos tecidos absorvem gases com
velocidades que variam de segundos a minutos e outros, horas para a completa
saturação. Esses compartimentos são agrupados de forma conceitual em
múltiplos de minutos. Matematicamente falando, existirão compartimentos ou
"tecidos" de 5, 10, 20 minutos e assim por diante.
Diferentes modelos matemáticos utilizam diferentes meios-tempos. A
quantidade de compartimentos e os minutos de cada um deles dependem do criador
do modelo.
Nem todo o gás, durante o seu processo de eliminação, sai do tecido para a
corrente sanguínea do mesmo modo que entrou. Tecidos adjacentes que apresentam
meios-tempos diferentes, influenciam a eliminação de gás inerte em função
da criação de diferenças de tensões entre eles. Maiores tensões de gás num
determinado tecido que em outro produzem um gradiente de pressão entre tecidos.
O gás acaba passando de um tecido para outro e daí para a circulação para
ser eliminado. Isso complica os cálculos de difusão no sentido da eliminação
dos gases.
Os modelos matemáticos iniciais trabalhavam com conceitos de que a
absorção e eliminação de gases eram exponenciais e se davam da mesma maneira
nos dois sentidos e, portanto, eram simétricas. Os modelos matemáticos mais
atuais acrescentam fatores que retardam a taxa de eliminação presumida. Eles
consideram que fatores como vasoconstrição e características biológicas dos
órgãos e tecidos afetam a cinética dos gases. Os modelos atuais simplesmente
retardam a taxa de eliminação presumida, pois existem poucos dados objetivos
para se construir uma equação cinética adequada relacionada à taxa de como a
eliminação realmente ocorre.
"Tecidos Rápidos" e "Tecidos Lentos"
Um tecido rápido absorve e elimina gases de forma rápida e apresenta
meios-tempos curtos. Em comparação com os tecidos lentos, eles apresentam
tensões de gases mais altas após um mergulho. Como os tecidos rápidos
geralmente também apresentam rápida eliminação de gás inerte acumulado,
ocorre que eles se beneficiam com as paradas de segurança. As paradas de
segurança diminuem de modo significativo as tensões desses gases. Além disso,
maiores intervalos de superfície facilitam a eliminação de gases inertes
desses tecidos.
Os tecidos de meios-tempos mais curtos são importantes na ocorrência de
doença descompressiva, principalmente, porque eles são o modelo de
comportamento da cinética dos gases inertes no sistema nervoso central.
Já os tecidos ditos lentos são aqueles que absorvem e eliminam gases em
meios-tempos longos. Esses tecidos não têm tempo suficiente de eliminar gás
inerte antes do mergulho seguinte, ou seja, o mergulho seguinte de uma
sequência de mergulhos sucessivos já ocorre a partir de uma tensão tecidual
de gás inerte naquele tecido que ficou do mergulho anterior.
Um tecido é mais rápido que outro em relação à capacidade de
eliminação de gás inerte em função da sua vascularização (perfusão) e da
afinidade ou capacidade de incorporar o gás em questão. Tecidos com maior
conteúdo de gorduras têm maior capacidade de incorporar gases do que os com
maior conteúdo aquoso. O mesmo é valido para os mais ricamente vascularizados
em relação aos menos.
Portanto, tecidos lentos são o tecido adiposo, o osso, as cartilagens pouco
vascularizadas, os líquidos da sinóvia e articulações e as cicatrizes.
Neles, pela grande distância entre a massa total e os vasos capilares, a
difusão é um fator mais importante que a vascularização na incorporação e
eliminação de gases. O meio-tempo desses tecidos acaba limitado pela
difusibilidade e a massa total de tecido. Neles, são necessários grandes
gradientes de pressão para eliminação do gás inerte. Na descompressão
acabam tendo maiores tensões de gás que os tecidos mais vascularizados. Acabam
desempenhando o papel de reservatórios de gás, que podem contribuir para o
crescimento de bolhas ao fim do mergulho e mesmo na superfície.
Os compartimentos de meios-tempos maiores são importantes no cálculo da
formação de bolhas quando se realiza mais de um mergulho no dia, durante
vários dias ou se pretende voar após o mergulho. A utilização no cálculo de
descompressão de compartimentos de meios-tempos maiores permite definir a
eliminação total de uma carga presumida de gás inerte num período mais
estendido.
Enquanto a massa de tecido no mergulho pouco varia, o mesmo não se pode
dizer em relação à perfusão. Ela varia com o exercício, temperatura,
condição física do mergulhador, estado nutricional e velocidade de descida no
mergulho. Nos músculos, o exercício causa vasodilatação e aumenta o fluxo
sanguíneo, elevando a incorporação muscular de gás inerte. Já na pele e
vísceras, o exercício provoca vasoconstrição e diminui o fluxo sanguíneo.
Se, por um lado, nessas estruturas diminui a entrada de gás, por outro,
decresce a saída do mesmo. Portanto, algumas vezes, deve-se considerar em que
parte do mergulho o exercício ocorreu para prevenir o impacto sobre a cinética
do gás e produção de bolhas.
Outros fatores também podem entrar na constituição de uma equação
matemática. Com o aumento da pressão parcial do oxigênio que ocorre com a
elevação da profundidade, há vasoconstrição, na maioria dos tecidos,
diminuindo sua perfusão. O frio produz vasoconstrição periférica reduzindo a
perfusão na pele. Uma velocidade de descida rápida pode provocar uma redução
da perfusão nos ossos e tecidos periféricos. Fumo, desidratação e alguns
medicamentos de uso comum, como os descongestionantes nasais, podem alterar a
perfusão tecidual. As variáveis que alteram a entrada e saída de gases
inertes dos tecidos, são muitas e influenciam, de forma negativa, o cálculo da
descompressão e não são incorporadas aos algoritmos habituais.
Saturação
Um tecido é considerado saturado quando absorve todo o gás inerte que ele
pode a uma determinada pressão ambiente. Para um tecido ficar 99% saturado a
uma determinada pressão ambiente são necessários 6 meios- tempos.
Se, num determinado algoritmo, considerarmos o compartimento mais lento como
sendo de 120 minutos, então serão necessárias 12 horas para haver 99% da
saturação do tecido, tendo estado o mergulhador numa determinada profundidade.
Em termos práticos, a partir desse período não há mais o que absorver de
gás pelo tecido. Se o mergulhador aumentar a profundidade do mergulho, haverá
mais gradiente de pressão entre a mistura respirada e os tecidos e
consequentemente mais gás poderá ser absorvido. Um novo período de tempo
deverá passar até que ocorra nova saturação.
Em relação à dessaturação, considera-se que o tecido leva a mesma
quantidade de meio tempos para dessaturar. Como foi colocado anteriormente, há
vários fatores que afetam a dessaturação. Atualmente há uma tendência de
tratar a dessaturação de modo não simétrico em relação à saturação.
Como já foi colocado, isso é previsto em alguns algoritmos e nesses há uma
diminuição da taxa de dessaturação.
O conceito de saturação é importante no mergulho comercial que utiliza o
mergulho saturado. No mergulho de saturação, os mergulhadores permanecem, a
determinada profundidade, por períodos longos de tempo por questões de demanda
de trabalho. Muitas vezes, se passam vários dias até se reiniciarem os
procedimentos de descompressão. Ficar numa mesma profundidade por longos
períodos acarreta uma determinada obrigação de descompressão que não mais
muda em relação ao tempo que se gasta naquela profundidade, ou seja, ficar
numa mesma profundidade por longos períodos acarreta a mesma obrigação de
descompressão que se o mergulhador ficasse por pouco tempo. Então, havendo uma
determinada demanda de trabalho, o mergulho saturado se torna mais prático e
economicamente viável do que fazer múltiplos mergulhos no mesmo período de
tempo com menor tempo de fundo.
Supersaturação
Supersaturação é o estado que ocorre quando um tecido apresenta uma
tensão de gás maior do que a que ele pode conter em equilíbrio.
Supersaturação ocorre quando a pressão ambiente diminui e temporariamente a
tensão do gás em questão excede o equilíbrio de saturação alcançado na
profundidade de saturação. Cada tecido orgânico específico pode tolerar uma
quantidade de saturação antes de o gás entrar em estado de fase e bolhas
começarem a aparecer. As taxas de supersaturação diminuem com a pressão
ambiente.
Descompressão segura ocorre quando se pode diminuir a pressão ambiente e
manter a supersaturação suficientemente alta que não produza estado de fase
gasosa e, ao mesmo tempo, o gás possa ser eliminado.
As mudanças de estado dos gases ocorrem num espectro que passa pelo estado
de fase gasosa. Sempre que existe supersaturação, a fase gasosa pode evoluir
em micronúcleos e bolhas.
No mergulho seguro, o mergulhador deve poder subir de determinada
profundidade até a superfície sem que seja necessário cálculo de
descompressão. Um mergulho também é considerado seguro quando a taxa de
supersaturação na superfície fica abaixo dos limites aceitáveis que não
provoquem a formação de uma quantidade de bolhas que venham a ter expressão
clínica na forma de doença descompressiva.
Inicialmente se pensou que a taxa de tensão tecidual em relação à
pressão ambiente poderia ser de 2:1 sem produzir bolhas. Um dos primeiros dados
experimentais importantes foi a observação de que um organismo pode ser
descomprimido à metade da pressão de saturação sem desenvolver doença
descompressiva. Experimentos posteriores concluíram que esse princípio de taxa
fixa de descompressão é muito conservador para mergulhos rasos e, em
contrapartida, não é para mergulhos profundos. Acredita-se que isso ocorre em
função de haver múltiplos compartimentos com diferentes taxas de troca gasosa
e tolerâncias à supersaturação.
Hoje sabemos que os tecidos rápidos toleram níveis de supersaturação
maiores que os lentos apesar de terem meios-tempos menores. Os tecidos rápidos
podem continuamente sobrecarregar os lentos durante a eliminação de gases. Os
tecidos rápidos, por sua vez, são os responsáveis pelos sintomas mais graves
da doença descompressiva. Atualmente constatou-se que isso é um dos problemas
de descompressão mesmo quando o mergulhador se encontra nos limites de tempo
por profundidade das tabelas. Isso também pode servir de base para se acentuar
a necessidade de controle da velocidade de subida.
Valor M
O valor M refere-se à tensão máxima de determinado gás permitida para
determinado tecido. O "M" vem de máximo. Historicamente foi criado no
início dos esforços de se realizar uma teoria da descompressão quando se
acreditava que um gás não entraria em fase para formar bolhas antes que se
excedesse uma quantidade máxima de supersaturação. Um valor M era calculado
para cada tecido ou compartimento de forma que cada um tinha um valor M
específico para determinado gás a determinada pressão ambiente.
Na descompressão, nenhum tecido pode exceder o valor M da tensão do(s)
gás(es) inertes da mistura. Alcançar um valor estabelecido significa que a
tensão do gás no tecido pode desencadear o início do surgimento de uma bolha.
A criação do valor M permitiu a definição de paradas descompressivas. Uma
parada descompressiva numa profundidade de valor M aceitável deve ocorrer para
diminuir a tensão do gás para valores aceitáveis. No mergulho recreativo em
que não deve haver descompressão na água, nenhum tecido pode exceder o valor
M determinado para a profundidade de fundo real. Os valores M são determinados
para cada gás, pressão ambiente e compartimento e são incorporados aos
algoritmos computacionais de descompressão.
Atualmente os valores M têm sido reavaliados. Não podemos considerá-los
limites absolutos nos quais bolhas não se formarão. Se considerarmos a
variabilidade dos resultados observados na descompressão, poderemos concluir
que eles realmente não devem ser considerados limites absolutos. Muitas
variáveis podem interferir no valor M. Talvez a mais importante seja a
perfusão tecidual. Isso fez com que valores M também fossem definidos como a
pressão parcial de gás inerte na qual a taxa de formação de fase é muito
lenta em relação à eliminação de gás via capilares. Além disso, outro
fato a ser considerado é que a maioria dos tecidos apresenta, na sua
intimidade, micronúcleos e que cada indivíduo apresenta uma composição
tecidual própria e particular. Isso, por si só, já define a variabilidade dos
valores M para cada mergulhador e afasta o modelo da realidade.
Bolhas
De acordo com as leis termodinâmicas, as bolhas devem ter formas esféricas
na ausência de pressões externas de distorção. As bolhas guardam gases
livres devido à presença de um fino filme molecular que exerce uma pressão de
tensão superficial. Um balaço de pressão hidrostática requer que a pressão
de dentro da bolha exceda a pressão ambiente na mesma quantidade da tensão
superficial da bolha. Quanto menor o raio da bolha, maior será a tensão
superficial observada.
Gases podem difundir-se para dentro e para fora da bolha de acordo com as
diferenças de pressão parcial de dentro e de fora. Isso ocorre
independentemente de o gás estar livre ou em fase de dissolução. Dessa forma,
o gradiente pode ser de livre para livre (livre/livre) ou de livre para
dissolvido (livre/dissolvido). A menos que tensão superficial da bolha seja
zero, sempre haverá gradiente direcionando o gás para fora da bolha. Isso
força o colapso da bolha em função da tensão superficial. Havendo
alterações de pressão ao redor das bolhas, elas poderão crescer ou se
contrair.
Bolhas podem crescer ou se contrair de acordo com a força do gradiente de
tensão de gás livre ou dissolvido em relação à pressão do gás no interior
da bolha. Devemos considerar que é o gradiente livre/dissolvido que colocará o
mergulhador em descompressão e não o livre/livre. A taxa radial na qual uma
bolha se contrai ou se expande depende diretamente da difusão e solubilização
e inversamente do raio da bolha. Um raio crítico vai separar bolhas que crescem
das que colapsam. Bolhas com raios maiores que os críticos crescerão enquanto
as com raios menores colapsarão. Os algoritmos de descompressão devem calcular
os limites de crescimento de bolhas.
A questão dos limites de crescimento de bolhas é mais complexa que a
física da bolha. Não sabemos onde as bolhas se formam ou se instalam, não
conhecemos seu padrão de migração, mecanismos de nascimento e dissolução.
Também não conhecemos ainda o processo bioquímico de que elas resultam e não
sabemos se são capazes de desencadear as manifestações clínicas da doença
descompressiva.
Bolhas podem formar-se diretamente em tecidos supersaturados quando ocorre
descompressão. Elas também podem formar-se a partir de micronúcleos
pré-formados que são excitáveis por compressão e descompressão. As bolhas
que deixam seus locais de formação, podem mover-se para qualquer outro local.
Elas também podem dissolver-se localmente por difusão gasosa para tecidos
contíguos ou mesmo para o sangue. Bolhas podem passar pelo filtro pulmonar,
podem fragmentar-se em núcleos menores agregados e podem até ser eliminadas
completamente. O colapso de uma bolha ou micronúcleo somente ocorre com enormes
pressões, alguma coisa semelhante a 10 atm.
Além do estabelecimento das fases de gás e a evolução em bolhas, a
doença descompressiva ainda apresenta uma série de aspectos sequenciais.
Inicialmente ocorre nucleação e estabilização, que é a chamada fase livre
de início. Segue a supersaturação ou aumento do gás livre. A fase seguinte
é de excitação e crescimento ou fase de interação de gás livre/dissolvido.
Depois ocorre a coalescência ou agregação de bolhas e finalmente a fase de
efeitos físicos da bolha sobre estruturas teciduais, que é de deformação
tecidual e oclusão vascular, a fase final ou de dano tecidual e isquemia.
As questões matemáticas da dinâmica das bolhas, ou seja, surgimento,
crescimento e eliminação, não são uma abordagem tradicional em relação à
abordagem geral da cinética dos gases inertes. Fases livres e de gás
dissolvido não parecem ter o mesmo comportamento na descompressão. Deve-se ter
cuidado na aplicação de formulações matemáticas em cada componente.
Aumentando-se a proporção de fase livre, deve ocorrer alguma influência sobre
a fração dissolvida. A dinâmica de gás livre e a de gás dissolvido são
diferentes. O gradiente para a eliminação da fase livre aumenta com a
profundidade e o gradiente de eliminação da fase dissolvida diminui com a
profundidade. Portanto, mudanças no tratamento das duas fases devem ocorrer e
suas equações devem ser separadas.
O objetivo final do entendimento da dinâmica das bolhas é o mesmo para o
gás separado ou dissolvido, devendo ser tratado como um processo de
transferência de massa com valores críticos de volume ou de quantidade,
limitantes ou desencadeantes de doença descompressiva.
ALGORITMOS DE DESCOMPRESSÃO
Os computadores de descompressão utilizam algoritmos, que são modelos
matemáticos cuja hipótese operacional se baseia em vários exponenciais de
absorção ou eliminação de gases respirados sob pressão enquanto se
mergulha. Os algoritmos apresentam uma série de equações delineadas para
simular o movimento de entrada e saída dos gases inertes no nosso corpo durante
a sua compressão e descompressão. Os algoritmos utilizam conceitos e
equações básicas de cada modelo de teoria de descompressão. Os mais atuais
incluem a questão da formação de bolhas e seu comportamento em termos de
volume crítico.
Eles também se utilizam de modelos biofísicos de transporte de gás inerte
dissolvido e de formação de bolhas nos vários espaços do corpo humano para
prevenir um fenômeno biológico que é a doença descompressiva. Este modelo
matemático aceita a informação de variáveis que, colocadas numa fórmula
matematicamente escrita, acabam gerando um resultado em conformidade com os
perfis de mergulho em que a experiência prática prévia não evidenciou
doença descompressiva. Isso diz que ele foi validado.
Ele serve, em última análise, para predizer esquemas de tempo a determinada
profundidade que serão necessários para que o gás inerte incorporado nos
vários compartimentos do corpo humano representados pela circulação
sanguínea e tecidos seja eliminado através da ventilação realizada pelos
pulmões. O resultado final do cálculo são os limites de tempo ou as
necessidades de descompressão para que não se apresente doença descompressiva
com um risco presumido. Dessa forma, o mesmo modelo é usado para a confecção
de tabelas de descompressão no mergulho.
Modelos matemáticos de descompressão vêm sendo desenvolvidos desde o
início do século passado e diferem entre si em relação a muitas questões
básicas ainda não resolvidas. O padrão de descompressão seguro combina as
equações relacionadas às trocas de gases que ocorrem no corpo do mergulhador
com os dados experimentais de tensões de gases toleradas sem desencadear
doença descompressiva.
Nos últimos 20 anos, podemos observar uma grande variedade de algoritmos
computacionais de programas de descompressão. Mais recentemente, pesquisas,
inicialmente realizadas na Universidade do Havaí, acabaram incluindo outras
variáveis relacionadas à interação dos gases com o corpo humano, sendo
disponibilizados novos algoritmos. Parece que as dúvidas relacionadas à
doença descompressiva e os algoritmos utilizados em tabelas ou computadores de
mergulho encabeçam a lista de prioridades na prevenção de doenças no
mergulho recreativo. A concepção e validação de novas tabelas requerem tempo
e volumosos investimentos.
MODELOS COM MÚLTIPLOS TECIDOS
Estes modelos acabam criando "tecidos matemáticos" que se saturam
da mistura gasosa nas condições de profundidade e tempo de fundo que ocorrem
no mergulho. A verdade é que ainda não temos o conhecimento completo de como o
corpo humano absorve e elimina gases inertes.
As observações de Haldane são as bases destes modelos. O modelo haldaneano
considera que absorção e eliminação de um gás por um determinado tecido
ocorrem de maneira exponencial. Além disso, considera a movimentação dos
gases em relação a um conjunto de compartimentos teciduais com diferentes
meios-tempos de absorção e eliminação de gases. Portanto, ele considerou que
a taxa de saturação varia de tecido para tecido. Em relação à
descompressão, ele pôde concluir que a mesma pode ser iniciada com uma grande
diminuição da pressão ambiente. Além disso, concluiu que os compartimentos
têm características diferentes e independentes, mas que a saturação deles
poderia ser calculada em paralelo.
Haldane observou que a descompressão estava limitada à metade da pressão
ambiente, ou seja, que os tecidos toleravam tensões elevadas de gases
dissolvidos numa taxa de até duas vezes a pressão ambiente antes de se
apresentarem sintomas de doença descompressiva. Haldane construiu esquemas
descompressivos cuja taxa de supersaturação era limitada em dois para um
hipotético compartimento tecidual. Neste modelo, por cinquenta anos, foram
empregados 5 compartimentos de 5, 10, 20, 40 e 75 minutos nos cálculos de
descompressão. No modelo de Haldane, é assumido que cada compartimento absorve
e libera gás inerte separadamente e, ao mesmo tempo, cada um interagindo
diretamente com a corrente sanguínea. Por isso, a idéia de transferências
separadas e simultâneas de gás é considerada como sendo em paralelo em
relação aos tecidos. Neste modelo, assume-se que não existe transferência
gasosa entre os compartimentos. O modelo de Haldane é simples e constitui a
base da teoria da descompressão.
Quando se passou a realizar mergulhos mais profundos e houve a necessidade de
se expandirem os valores das tabelas de 1930, os investigadores da época
passaram a utilizar outros valores máximos de tensão de supersaturação para
cada compartimento. A seguir, com a realização de mergulhos sucessivos,
preconizou-se o uso de seis compartimentos de 5, 10, 20, 40, 80 e 120 minutos na
construção de tabelas, tendo cada qual sua tensão máxima limitante.O modelo
de múltiplos tecidos vincula o transporte de gás dissolvido com o gradiente de
saturação. Ele considera que a troca de gás dissolvido é direcionada por
gradiente local no tecido ou compartimento em questão. O gradiente é a
diferença entre a tensão arterial e tecidual do gás. Esse gradiente é
controlado pelo fluxo sanguíneo através de regiões de concentração
variável de gás.
A tensão tecidual é uma função exponencial que depende das tensões
iniciais intra-arterial e tecidual do gás e de uma constante de perfusão que,
por sua vez, estarão vinculadas a meios-tempos teciduais de vários minutos
presumidamente independentes da pressão.
Nos mergulhos sucessivos ou de múltiplos níveis, as tensões presumidas de
gás arterial e tecidual são os extremos de cada mergulho e de cada nível, ou
seja, a tensão arterial e tecidual inicial do próximo nível desse mesmo
mergulho ou do próximo mergulho sucessivo. Cada nível de mergulho é tratado
separadamente e sequencialmente, sendo que as tensões finais de um nível são
as iniciais de outro e assim por diante.
Acredita-se que, havendo fase de gás livre, há outros gradientes a serem
considerados além daquele relacionado com o do dissolvido no sangue. Após o
gás ser incorporado ao tecido, há também gás livre por todo o tecido e fora
do sangue. Gás fora do sangue é capaz de gerar outros gradientes e alterar o
processo de eliminação, competindo com o gás dissolvido no sangue. Além
disso, a saturação no sistema circulatório afeta a perfusão. Como o processo
de criação de outros gradientes ocorre após a absorção, acredita-se que
haja um aumento nos meios-tempos de eliminação de gás em relação à
absorção. Há propostas de que, apesar de se saber que tanto a absorção
quanto a eliminação ocorrem exponencialmente, se deve usar uma função
exponencial para absorção e uma função linear para eliminação no modelo
multitecidual. Tais modificações podem ser facilmente colocadas no modelo de
modo a acarretar resultados diferentes que compensem o problema identificado.
Os modelos mais comuns de computadores têm as equações básicas derivadas
dos trabalhos de Buehlmann. A seguir, relataremos as equações básicas para
que se tenha um entendimento do que o computador calcula antes de disponibilizar
no display. O nível de complexidade aumentará de acordo com o modelo.
Modelo de Buehlmann
Buehlmann utiliza um modelo haldaneano básico e atualiza-o conforme os
achados práticos que sucederam ao seu uso. Como ele inclui o modelo de Haldane
e faz parte da maioria dos computadores, será usado como o exemplo mais simples
de cálculo. Ele opera com as seguintes equações:
1. Pressão parcial do nitrogênio no ar inspirado
A pressão parcial do nitrogênio inspirado é igual ao produto da pressão
parcial do nitrogênio da mistura gasosa a 1 ATA vezes o resultado da
subtração da constante de pressão do vapor da água nos pulmões à pressão
ambiente. Lembramos que, a 1 ATA, a pressão de nitrogênio no ar é 0,79. E,
para mergulhos com ar, a fórmula é a seguinte:

Onde:
pN² insp = pressão do nitrogênio inspirado
p amb = pressão ambiente
0,0063 = constante da pressão de vapor de água nos pulmões
2. Cálculo da saturação e dessaturação
A taxa de saturação de um compartimento é tratada matematicamente como uma
função exponencial modificada com fatores que afetam a dessaturação como a
formação presumida ou estimada de bolhas que ocorrem nesta fase de
descompressão. Portanto, a dessaturação ocorre mais lentamente. Um modo de
incorporar esse conceito à fórmula é incluir fatores multiplicativos ou
coeficientes de correção de taxa de dessaturação na equação básica. A
saturação e dessaturação são calculadas da seguinte forma:

Onde:
pN² = pressão parcial de nitrogênio
pN² ° = pressão parcial de nitrogênio inicial
T = meio-tempo do compartimento tecidual
t = tempo de exposição
3. Cálculo da pressão de nitrogênio tolerada em relação à pressão
ambiente
Num modelo de saturação e dessaturação, é presumido que exista uma
pressão máxima de nitrogênio que pode ser tolerada em relação à pressão
ambiente antes que ocorra a formação de bolhas no tecido em questão.
Estruturas do nosso corpo que apresentam grande suprimento sanguíneo, são
capazes de tolerar grandes pressões de nitrogênio numa determinada pressão
ambiente. Elas são considerados matematicamente como compartimentos de
meios-tempos curtos e, portanto, rápidos. São exemplos o sistema nervoso
central e o próprio sangue que se encontra no sistema circulatório. Os
compartimentos rápidos são capazes de tolerar maiores pressões parciais de
gás inerte a uma determinada profundidade em relação aos lentos.
Matematicamente podemos expressar a pressão parcial de nitrogênio tolerado
em relação à pressão ambiente da seguinte forma:

Onde P amb tol é a pressão ambiental mínima até a qual a subida pode ser
realizada e a e b são constantes.
Isso significa que a pressão mínima até a qual a subida pode ser feita é
igual à pressão parcial do nitrogênio naquela profundidade menos uma
constante a multiplicada por outra constante b. Buehlmann realizou uma série de
experimentos que definiram essas constantes. Nesses experimentos, foram
definidas as constantes a partir de valores aceitáveis de risco de desenvolver
doença descompressiva. Alterações ou ajustes nessas constantes acarretaram
alterações aceitáveis de risco de desenvolver doença descompressiva.
Programadores de computadores de mergulho podem ajustar os valores das
constantes a e b com o objetivo de diminuir o risco de doença descompressiva
para determinada profundidade de mergulho.
O algoritmo idealizado pelo Dr. Buhlmann utiliza um modelo com compartimentos
de 16 tecidos com meios-tempos que variam de 4 a 635 minutos. Os tempos de
descompressão são afetados, aumentando-se a quantidade de tecidos e seus
meios-tempos. É mais um recurso matemático além da adição ou alteração de
constantes de fórmulas.
Ele reduz a taxa de subida para 10 metros por minuto e a duração das
paradas profundas permitidas excede a encontrada na tabela da Marinha
Norte-Americana. Neste modelo, todo mergulho não-descompressivo requer uma
parada de 1 minuto aos três metros. Nele também é considerado que os
mergulhos iniciais curtos minimizam a formação de bolhas no primeiro mergulho
e que melhora a eliminação de gás na subida, o que permite maiores tempos
para os mergulhos sucessivos.
Além disso tudo, ele foi o algoritmo mais cuidadosamente testado em
altitude. No mergulho em altitude, há o acréscimo de outra variável, que é o
fato de que as variações de altitude têm um comportamento exponencial em
relação à pressão ambiente, enquanto, dentro da água, a variação de
pressão em função da profundidade é linear. Constitui mais um fator a ser
inserido no algoritmo de cálculo de saturação e descompressão dos tecidos.
Em 1994, o Dr. Buhlmann continuava acrescentando variáveis ao seu modelo.
Nessa ocasião, era a incorporação da variável temperatura ambiente às suas
tabelas.
Variações: Modelo do Defence and Civil Institute of Environmental
Medicine (DCIEM)
O modelo de descompressão do Defence and Civil Institute of Environmental
Medicine (DCIEM) utiliza um conjunto de 4 compartimentos teciduais em série e
não em paralelo.
No modelo do DCIEM, se considera que o gás inerte passa de um compartimento
para outro de maneira seriada e que somente um compartimento é exposto à
pressão parcial do gás da corrente sanguínea. Neste modelo, assume-se que
existe transferência gasosa entre os compartimentos.
No modelo de Haldane, cada compartimento interage diretamente com o sangue do
sistema circulatório, de maneira independente e ao mesmo tempo, sem haver
transferência entre compartimentos.
Provavelmente a absorção e liberação de gases também ocorram em série,
pois compartimentos adjacentes são de diferentes meios-tempos, o que implica
áreas com diferentes tensões de gás inerte entre si que são capazes de gerar
gradiente e consequentemente transferência de gás entre tecidos. A
transferência de gás de uma região para outra é chamada de transferência
serial.
O modelo teórico básico foi modificado após os estudos experimentais
humanos monitorados por Doppler. Esses testes foram realizados em condições
adversas como em água fria e com esforço intenso. Os tempos de mergulho
não-descompressivos e a maioria dos mergulhos repetitivos são mais
conservadores do que os da tabela da Marinha Norte-Americana.
OUTROS MODELOS
As primeiras gerações de modelos da descompressão somente lidavam com o
aspecto geral da cinética dos gases inertes, ou seja, o do gás dissolvido.
Novos modelos se fizeram necessários a partir do conhecimento de novos aspectos
do comportamento clínico e da fisiopatologia da doença descompressiva. Modelos
novos deveriam incluir os mecanismos da formação de bolhas, o processo que
ocorre entre o estado de gás livre dissolvido e a dinâmica da entrada em fase
e também outros mecanismos de transporte de gás entre compartimentos de
tecidos envolvendo perfusão e características biofísicas dos tecidos e dos
gases inertes, bem como o comportamento desses nos tecidos sob a forma de
micronúcleos.
Serão apresentados alguns outros modelos que envolvem o gás livre e a
formação de fase gerando a bolhas. Como são muito complexos do ponto
matemático, somente serão explicados os princípios gerais.
Modelo de Difusão de Massa (Bulk Diffusion Model)
Neste modelo, a dinâmica de descompressão considera o mecanismo de difusão
do gás inerte em relação a um único compartimento. A troca gasosa limitada
por mecanismos de difusão é modelada ao longo do tempo pela soma de funções
exponenciais que se relacionam à tensão arterial e tecidual inicial do gás.
Em vez de existirem vários tecidos, o modelo considera uma única massa
tecidual com uma constante de difusão gasosa. É considerado modelo
"tijolo" por alguns autores. O tecido é separado em região
intravascular (sangue) e outra extravascular (células). O sangue que contém
gases inertes e metabólicos, passa pela zona intravascular, criando as
condições iniciais e subsequentes para difusão de mais gás nas células da
porção extravascular. A difusão é direcionada pelas diferenças de pressão
entre a tensão arterial e tecidual gasosa de acordo com a força de um único
coeficiente de difusão apropriado ao tecido. Um gradiente crítico aos dez
metros é usado para limitar as exposições. O modelo é atrativo, pois permite
que todo o perfil de mergulho seja modelado por uma única equação e prediz
meios-tempos de incorporação e eliminação do gás.
Modelo Termodinâmico de Fase
O modelo termodinâmico aborda simultaneamente uma série de pontos da
movimentação dos gases inertes durante o processo de compressão. Basicamente
o modelo considera, ao mesmo tempo, a troca de gases, a separação de fase e o
ponto de volume de disparo de fase. O modelo se baseia no equilíbrio de fase
entre as fases de gás dissolvido e separado numa relação temporal com a
absorção e eliminação de gás inerte controladas pela perfusão e difusão.
O ponto de partida é uma geometria tecidual cilíndrica.
A transferência de gás dissolvida através de difusão é controlada pela
diferença instantânea da tensão tecidual e a tensão venosa. A perfusão é
controlada pela diferença de tensões arterial e venosa. Um balanço de
transferência de massa para um determinado fluxo de gás na interface vascular
celular gera o limite de perfusão e vincula diretamente as equações de
difusão e perfusão. Tensões teciduais e sanguíneas são acopladas numa
complexa alça de controle retroativo. O modelo termodinâmico completo é
complexo e vai além dos nossos objetivos.
Modelo de Permeabilidade Variável
O modelo é baseado em estudos laboratoriais de crescimento e nucleação de
bolhas e postula a existência de micronúcleos ou sementes de bolhas. O gás
inerte se distribui tanto dissolvido quanto em forma gasosa tipo microbolhas ou
bolhas.
A transferência de gás dissolvido ou livre e em fase considera conceitos de
interface da superfície de moléculas ativas como se a bolha apresentasse uma
pele ativa do ponto de vista molecular. As moléculas do gás têm um volume que
é pequeno o suficiente para se manter em solução e forte o suficiente para
resistir ao colapso. Isso é o que podemos chamar de volume crítico do
micronúcleo.
A troca de gás inerte é direcionada por gradiente local pela diferença
entre a tensão arterial e a tensão tecidual instantânea. Compartimentos
teciduais clássicos são empregados. No entanto, enquanto um modelo haldeano
clássico limita as exposições de acordo com a tensão tecidual crítica, o
modelo de permeabilidade variável limita o gradiente de supersaturação pelo
limite de volume de fase do gás inerte que se encontra no corpo do mergulhador.
É o que podemos chamar de volume crítico. Micronúcleos desprendem-se de forma
exponencial com um subsequente aumento do seu volume, formando bolhas, e são
excitados pela compressão e descompressão tecidual.
Um raio crítico separa micronúcleos que estão crescendo dos que estão se
contraindo numa determinada pressão ambiente. Descompressões profundas excitam
núcleos menores e mais estáveis. Este modelo assume um raio de 0,8 mícron ao
nível do mar para os núcleos iniciais.
A quantidade real de distribuição de núcleos de gás em humanos não é
conhecida. Para haver uma distribuição estabilizada e acomodada de
micronúcleos pelo corpo numa determinada pressão, o número excedente de
núcleos excitáveis pelo processo de compressão e descompressão deve ser
removido do corpo. A taxa na qual gás infla no tecido depende do número de
bolhas em excesso e do gradiente de saturação. A hipótese do volume crítico
requer um cálculo que gere um limite de ponto de volume de fase que seja
proporcionalmente constante ao longo das mudanças de profundidade. A
descompressão é realizada, mantendo-se o resultado do cálculo do volume
crítico de formação de bolhas abaixo de um valor limitado por essa constante.
Modelo do Gradiente Reduzido de Bolhas
O modelo de gradiente reduzido de bolhas (GRB) foi desenvolvido pelo Dr.
Bruce Wienke e aborda a teoria da descompressão através da mecânica de
formação de bolhas no corpo do mergulhador. A proposta é que, adicionando
paradas descompressivas mais profundas e curtas juntamente com outros passos,
pode limitar a formação continuada de bolhas de gás nos tecidos durante o
procedimento de subida.
Estudos com o uso do Doppler para avaliar a formação de bolhas de gás na
circulação do mergulhador fizeram com que uma nova variável clínica fosse
considerada. Esses achados evidenciaram que, na grande maioria dos mergulhos,
ocorre a formação de bolhas no sistema venoso do mergulhador. A atualização
do conhecimento indicou a necessidade de incorporar ao modelo biofísico a
formação e eliminação de bolhas de gás inerte para que o mesmo se
aproximasse mais do ideal.
O modelo GRB é uma extensão do modelo de permeabilidade variável. Ele
trata o transporte de gás que ocorre através de perfusão e de difusão de
forma acoplada e inclui os conceitos de formação de bolhas. Este modelo aborda
matematicamente os gradientes de superfície da interface dos micronúcleos e
bolhas.
Para a profilaxia da doença descompressiva é necessário saber onde as
bolhas se formam e como elas se deslocam nos tecidos, conhecer os mecanismos de
criação e dissolução e o seu papel na ocorrência da doença descompressiva.
O entendimento da formação de bolhas permite que os pesquisadores idealizem um
modelo matemático que leva em consideração a formação de bolhas e que tenha
a capacidade de definir quando bolhas vão ocorrer de modo a possibilitar a
ocorrência de doença descompressiva.
O fluxo sanguíneo, ou seja, a perfusão tecidual, gera as condições para
que ocorra a penetração do gás no tecido por difusão. A troca gasosa vai
depender do tempo e das taxas de coeficientes de transferência de gás.
O modelo GRB trata o transporte de gás por perfusão e difusão como duas
partes de um processo contínuo de fluxo. O fluxo sanguíneo ou perfusão serve
de condição limitante para a penetração do gás por difusão. Dependendo do
tempo e coeficientes de taxa de transferência, um ou outro processo pode
dominar a troca gasosa. Alguns fabricantes de computadores fizeram
implementações no modelo original, assumindo que a perfusão é o processo
dominante. Adicionalmente, por mecanismos de não-saturação biológica
produzida pelo oxigênio (janela de oxigênio), alguns tecidos e o sangue ficam
subsaturados em relação à pressão ambiente. O modelo GRB inclui esses
débitos nos cálculos.
O modelo incorpora uma quantidade de compartimentos que variam de 1 a 720
minutos, dependendo da mistura do gás respirável. A separação de fase e o
crescimento de bolhas em compartimentos mais lentos são o foco central nos
cálculos.
Este modelo também assume que sempre está presente um volume de
micronúcleos que atuam como bolhas potenciais. Na continuação dos cálculos,
o modelo assume que sempre existem micronúcleos distribuídos pelo corpo, que
são bolhas potenciais e que podem ser excitados para o crescimento pela
compressão e descompressão.
Os micronúcleos considerados sementes de bolhas apresentam uma superfície
que funciona como uma pele ou interface que pode variar, ou seja, podem ocorrer
variações na superfície de fase. A interface da bolha é permeável sob
quaisquer pressões de esmagamento. O tamanho dos micronúcleos disponíveis
para crescimento é inversamente proporcional ao gradiente de supersaturação.
Aumentando a pressão, os micronúcleos fazem com que diminua a taxa de difusão
gasosa.
Os gradientes de superfície de bolha são muito similares aos valores M. No
entanto, o modelo não aborda a formação da bolha do ponto de vista de tensão
máxima de gás no tecido, mas do ponto de vista do gradiente de superfície
capaz de gerar bolhas a partir de uma massa de gás dissolvida.
Quando há a formação de bolhas ocorre uma alteração na velocidade de
eliminação de gases inertes, seja por causas mecânicas, seja por alterações
bioquímicas. Essas modificações acarretam alterações subsequentes na troca
de gases. Uma das formas de os modelos computacionais tratarem a formação de
bolhas é fornecendo dados num conjunto separado de equações ou frações de
conversão criados para determinar a quantidade e efeitos da formação de
bolhas.
No modelo, um processo iterativo para uma subida em estágios é empregado
para controlar o crescimento dessas bolhas de modo que o volume coletivo delas
não exceda o ponto limite de volume de fase. Misturas dos gases hélio,
nitrogênio e oxigênio têm uma distribuição de bolhas de diferentes
tamanhos, porém possuem o mesmo limite de volume de formação de fase.
Ele também utiliza os limites não-descompressivos documentados nos estudos
realizados com Doppler e reduz, de maneira conservadora, os limites previamente
sugeridos por outros pesquisadores, desde que os mantendo dentro dos limites
críticos do volume de fase aceitáveis.
Neste modelo, ocorre uma redução do limite de volume de fase gerador de
bolhas nos mergulhos múltiplos pela consideração da capacidade de gerar novos
micronúcleos que ocorrem nos intervalos de superfície, dependendo do tempo, da
profundidade e da altitude dos mergulhos prévios, bem como do número de
mergulhos sucessivos, do número de dias de mergulho e da exposição a mergulho
de perfil reverso. O modelo é capaz de gerar novas bolhas em relação às
bolhas previstas, dependendo do tipo de mergulho. Os limites de volume de fase
também são reduzidos em função da adição dos efeitos de novas bolhas.
Os limites não-descompressivos do modelo são modificações mais
conservadoras do que aqueles oriundos dos trabalhos com Doppler. Esses limites
são mantidos dentro de limites de volume de fase. Violações de subida são
corrigidas com o acréscimo de tempo de parada de segurança definido por
análise de risco da violação.
Em mergulhos sucessivos em vários dias e de limite reverso, acabam
apresentando redução de volume crítico de fase sob uma escala de tempo
apropriada. Além disso, nos cálculos, o modelo gera recolocação de
micronúcleos ao longo do tempo, adicionando novas bolhas em relação a bolhas
já existentes. Pontos de limite de volume de fase também são reduzidos pelos
efeitos decorrentes de novas bolhas adicionadas.
Modelo de Difusão Tecidual de Bolhas
O modelo de difusão tecidual de bolhas considera o crescimento de uma bolha
extravascular que ocorreu após difusão de gás sob condições hipo ou
hiperbáricas. Ele incorpora a difusão de gás inerte que ocorre através da
interface tecido-bolha, considerando a elasticidade tecidual, a solubilidade e
capacidade de difusão do gás, tensão superficial da bolha e as limitações
de transporte decorrentes da perfusão tecidual. Acrescenta outras variáveis à
difusão de um micronúcleo inteiro.
O modelo prediz o crescimento das bolhas em função de uma variabilidade de
exposições e pode ser estendido à respiração com oxigênio e mudanças de
gases. Este modelo assume que núcleos estáveis de gás se formam nos tecidos
durante a descompressão e subsequentemente acarreta o crescimento de bolhas,
utilizando equações dinâmicas. A troca gasosa limitada por difusão é
evocada na interface tecido-bolha e as trocas limitadas por difusão ocorrem
entre os tecidos e o sangue de modo similar ao que ocorre no modelo
termodinâmico, porém considerando também a mecânica de fase livre. Através
da região extravascular, a troca gasosa é direcionada pela diferença de
pressão entre o gás dissolvido no tecido e o gás livre da bolha, tratando o
gás livre como um modelo ideal. Este modelo assume um raio de 3 microns ao
nível do mar para o núcleo inicial.
As mudanças de volume da bolha ficam mais significativas quando a pressão
ambiente diminui e mudanças hipobáricas são previstas. Nessa situação,
tensões constritoras de tensão superficial são menores que aquelas
encontradas em ambientes hipobáricos. Numa abordagem probabilística, o modelo
correlaciona o tamanho de bolhas com o risco de descompressão. O volume de
núcleos corresponderia a uma dose de bolhas. A dose de bolhas representa uma
medida não normalizada do volume de fase separada. Acoplando o volume de bolhas
com o risco, representa uma extensão da hipótese do volume de fase, o que
acaba significando um mecanismo para identificar o ponto de desencadeamento de
uma incidência de doença descompressiva. Por exemplo, uma quantidade de bolhas
de 5 ml corresponde a um risco de 20% de doença descompressiva e 35 ml
correspondem a um risco de 90%.
COMPARAÇÃO ENTRE O MODELO DE HALDANE E OS DE FASE
Por muito tempo, a questão da descompressão foi abordada do ponto de vista
da supersaturação. Mais recentemente, o foco passou a ser o efeito das bolhas
e sua correlação com as manifestações da doença descompressiva. Todo
mergulho requer descompressão e parece que um número significativo de núcleos
gasosos sempre se forma num mergulho. Normalmente há um equilíbrio entre a sua
existência e a ocorrência de doença descompressiva. Os estudos com Doppler
foram o elo entre o modelo e a clínica. Através deles, pode-se
"visualizar" a doença. Estudos in vitro forneceram mais dados sobre a
nucleação, excitação e crescimento de bolhas. Questões sobre agregação de
bolhas, dano tecidual, isquemia e o gatilho para a ocorrência de doença
descompressiva são difíceis de quantificar e ainda não estão esclarecidas.
Interrogações sobre a sequência das manifestações da doença
descompressiva têm impacto sobre os algoritmos. Há uma aceitação de que a
formação de bolhas é uma condição predisponente à doença descompressiva.
Estudos com Doppler, que inicialmente fizeram perceber um vínculo entre a
clínica e a biofísica, acabaram trazendo outros questionamentos através da
evidência das bolhas silenciosas. A ocorrência delas parece desvincular o
fenômeno da formação de bolhas do início das manifestações da doença
descompressiva. Isso faz concluir que outros fatores parecem ser igualmente
importantes nessa questão, como a quantidade de gás que saiu de solução num
momento, o tamanho dos locais de nucleação que recebem o gás, taxas de
crescimento de bolhas, deformação do tecido onde elas ocorrem e os mecanismos
de coalescência de pequenas bolhas em grandes agregados de bolhas. Muitos
desses aspectos vinculam a cinética tradicional dos gases com a formação de
bolhas. Outros tentam vincular a matemática com a talvez imensurável
manifestação clínica.
Em relação aos métodos baseados na supersaturação, podemos dizer que a
dinâmica das bolhas indica, pelas considerações de excitação e crescimento
delas, a necessidade de paradas em níveis mais fundos durante a descompressão.
No procedimento de subida, as paradas do modelo GRB têm como limite volumes de
fase separados, enquanto o modelo de Haldane tem como limite as tensões
críticas através dos compartimentos teciduais. O modelo GRB considera tanto o
mecanismo de criação do estado de fase do gás, ou seja, a geração de
bolhas, quanto a sua eliminação e inclui variáveis como altitude, mergulhos
sucessivos, misturas gasosas, descompressão, saturação e exposições sem
paradas. O modelo GRB é uma abordagem diferente que vai além da abordagem de
Haldane de descompressão no limite relativamente seguro para um conceito de
descompressão de tolerância segura.
As demandas atuais de paradas profundas do mergulho técnico e os mergulhos
sucessivos e multinível do recreativo tornaram os modelos de fase pertinentes.
Nos últimos tempos, pudemos presenciar mudanças no modo de mergulhar, passando
a diminuir os limites sem paradas, reduzir a velocidade de subida, acrescentar
paradas de segurança e aumentar o tempo de vôo após mergulho. Além disso,
mudaram-se os tempos dos tecidos controladores rápidos e lentos e se elegeram
valores menores de tensão crítica nos tecidos. Todas essas mudanças
empíricas deveriam ser previstas num modelo matemático que fosse para o pulso
do mergulhador. Isso tudo e a possibilidade de validação através de estudos
com Doppler tornaram possível o modelo GRB.
A melhor abordagem da questão da descompressão e, portanto, das bolhas
será aquela que integre todos os aspectos da formação das bolhas e inclua o
conhecimento relacionado ao gás tanto dissolvido quanto em fase, concebendo
equações que considerem a inter-relação dos dois processos num modelo
unificado.
NOVOS PONTOS DE VISTA E OUTRAS ABORDAGENS
Modelo de Meios-tempos Contínuos
Alguns pesquisadores propõem o uso de uma variável contínua para meios-
tempos teciduais que permite a simulação de um infinito número de
compartimentos. Seria uma nova proposta que surgiu da análise das formulações
matemáticas atualmente utilizadas nos modelos já considerados clássicos. A
análise dos resultados de simulações utilizando este modelo indica que esse
conceito matemático inserido no algoritmo reduziria a discrepância entre
algoritmos diferentes para uma única expressão de limite descompressivo do
mergulho. O modelo poderá ser útil no planejamento de descompressão de modos
não documentados de mergulho como o mergulho multinível e descompressivo em
altitude. As informações disponíveis não indicam se ele já foi validado.
Modelo Probabilístico
A observação em testes de mergulho com ar em que alguns esquemas de
descompressão para mergulhos com tempos de fundo longos resultavam numa
incidência inevitavelmente alta de doença descompressiva, fez com que alguns
pesquisadores propusessem um modelo probabilístico.
O modelo probabilístico serve para predizer a ocorrência de doença
descompressiva após uma exposição hiperbárica a partir de um fator de risco
aceitável. Tabelas de descompressão são geradas a partir de um nível de
risco predeterminado a partir do qual o mergulhador aceita a exposição durante
o mergulho. As tabelas criadas são mais conservadoras que as tabelas de
mergulho a ar da Marinha Norte-Americana. Ele não mudaria algoritmos, mas
disponibilizaria perfis de descompressão a partir de um risco escolhido
previamente.
Este modelo não foi aceito pela indústria do mergulho no início da década
de 90 por vários motivos. O principal seria o desconforto dos fabricantes de
colocar no mercado um algoritmo que resultasse em procedimentos de
descompressão com um risco estimado de doença descompressiva de 2,5% ou mais.
Seria aceitar que a doença descompressiva é uma questão de oportunidade...
Outros motivos foram: equipamento comercialmente impopular por ter um
algoritmo muito conservador em mergulhos repetitivos; receio de que os limites
não-descompressivos não fossem conservadores o suficiente em relação à
prática do mergulho recreativo; os microprocessadores existentes à época não
poderiam trabalhar com as necessidades computacionais do modelo; o que seria
feito com os outros computadores à medida que um novo modelo com outra
filosofia fosse adotado ?
O Computador de Descompressão da Marinha Norte-Americana
Na década de 70, a Marinha Norte-Americana desenvolveu um novo equipamento
de mergulho autônomo de circuito fechado que utilizava um microprocessador para
controlar a pressão parcial de oxigênio em 0,75 ATA. As vantagens de
operacionalizar um mergulho com pressões parciais de oxigênio altas e
constantes seriam a extensão de limites não-descompressivos para mergulhos
rasos e diminuição de tempo de paradas descompressivas em profundidades mais
rasas. O mergulho com uma pressão parcial de oxigênio fixa e pressões
variáveis de gás inerte gerou a necessidade de desenvolver novos tipos de
tabelas de descompressão. A demanda era criar um algoritmo delineado para
calcular descompressão com uma pressão parcial constante de oxigênio e
variável de outros gases.
Após um longo período de trabalho e desenvolvimento, acabou
materializando-se o computador da Marinha Norte-Americana. Ele é um modelo
Cochran de nome Navy com o software VVAL 18. O VVAL 18 foi desenvolvido na
Unidade de Mergulho Experimental da Marinha Norte-Americana (NEDU) pelo
comandante Thalmann. Em 1995, após um longo período de conversações entre as
várias instituições da Marinha Norte-Americana envolvidas na demanda,
concordaram que o VVAL 18 seria a melhor opção.
O VVAL 18 é um modelo haldaneano com 9 compartimentos teciduais com
meios-tempos que variam de 5 a 240 minutos que produz limites
não-descompressivos que são intermediários entre as tabelas padrão e a USN
93 para mergulhos rasos, mas que ficam muito mais conservadores à medida que o
tempo descompressivo total aumenta. Este algoritmo sofreu modificações para
ser capaz de realizar esquemas de descompressão para mergulho a ar ou com uma
pressão constante de oxigênio de 0,75 ATA numa mistura nitrox. Ele trabalha
com um risco estimado de doença descompressiva de, no mínimo, 2,5%.
QUESTÕES NÃO RESOLVIDAS
Existem questões básicas ainda não resolvidas que necessitam de
esclarecimentos para que se possa construir um computador de mergulho com
níveis menores de risco de doença descompressiva. Elas são as seguintes:
1. Quem realmente define o limite das trocas gasosas teciduais ? É a taxa de
fluxo sanguíneo (perfusão) ou a taxa de transferência através do tecido
(difusão) ? E qual é o limite ?
2. Qual a composição e localização dos tecidos críticos ?
3. Qual a mecânica definitiva da formação e crescimento de bolhas ?
4. Qual é o ponto crítico desencadeante dos sintomas em relação à
quantidade de gás dissolvido em tecidos, volume de gás separado, número de
bolhas para cada unidade de tecido, taxa de crescimento de bolhas, entre outros?
5. Qual a natureza da lesão crítica que causa o quadro clínico ? Deformação
nervosa ? Oclusão arterial com isquemia ? Alterações bioquímicas
? Ou mudanças de densidade ?
Todas essas questões são defrontadas pelos criadores de modelos algoritmos
de descompressão e nos deixam longe de um modelo definitivo.
CONCLUSÃO
Os computadores de mergulho, de certa maneira, mudaram o jeito de mergulhar,
facilitando a maneira de realizar a descompressão. Eles são um dos aspectos
práticos da aplicação da teoria da descompressão. No entanto, ainda é
necessário algum tempo para que o algoritmo definitivo chegue ao pulso do
mergulhador.
Os mergulhadores devem conhecer os modelos propostos pelas tabelas ou
computadores para serem capazes de selecionar o nível de risco que estão
dispostos a correr e, em última análise, para saberem o que estão usando e
não ficarem surpresos, se tiverem uma doença descompressiva, mesmo usando
adequadamente o equipamento.
Considerar um computador como um algoritmo baseado nos princípios de
Buhlmann ou do modelo de gradiente reduzido de bolhas como tendo um grande
nível de conservadorismo e os baseados nos princípios de Haldane como sendo
não-restritivos e de maiores tempos de fundo para mergulhos
não-descompressivos é analisar a questão de algoritmos de mergulho de forma
parcial e, de certa maneira, rígida. Um computador será mais liberal ou
conservador conforme o mergulhador o utilizar.
O algoritmo definitivo que combine toda a teoria de descompressão com
cálculos relacionados à nucleação de bolhas, absorção de gás dissolvido
na circulação, eliminação de gases, crescimento de bolhas, coalescência de
bolhas pequenas e tecidos críticos, é muito complicado e requer
supercomputadores. Se é somente isso que acontece, a solução do problema
parece ser uma questão de tempo e dependente de tecnologia digital de hardware
acessível ao propósito.
Se não for isso, então será uma questão de modelo. Os modelos
matemáticos atuais tentam descrever a realidade e são muitos. Se mesmo assim a
doença descompressiva continuar a ocorrer com o uso correto do computador,
provavelmente a realidade deva ser ainda mais complexa que o modelo. Acreditamos
que atualmente os pesadelos dos cientistas da descompressão são constituídos
de bolhas.
FONTES BIBLIOGRÁFICAS
Acott, C.. The Diving Incident Monitoring Study Dive Tables and Dive
Computers. SPUMS Journal. 1994; December; 24(4):214-215.
Bennett, P.B.. Outting On The Brakes. Extra Safety Stops and Slower
Ascent Rates May Help Reduce Decompression Injuries. Alert Diver. 2001; March:
1.
Bennett, P.B.. Decompression Illness. Know Your Signs and Symptoms. Alert
Diver. 2001; November/December: 7.
Bookspan, J.. Decompression Theory in Plain English. In: Westerfield, R..
The Best of Alert Diver. 1st Edition, Best Publishing Company, 1997;
4:127-134.
Butler, F.K. and Southerland, D.. The U.S. navy Descompression Computer.
Undersea & Hyperbaric Medicine. 2001; Winter; 28(4):213-228.
Dunford, R.. Understanding How to Decrease Your Risk of Bends. In:
Westerfield, R.. The Best of Alert Diver. 1st Edition, Best
Publishing Company, 1997; 4:139-142.
Dunford, R.. et al. The Incidence of Venous Gas Emboli in Recreational
Diving. Undersea & Hyperbaric Medicine. 2002; Winter; 29(4):247-259.
Egi, S.M. and GuRMEN, N.M.. Computation of Decompression Tables Using
Continuous Compartments Half-lives. Undersea & Hyperbaric Medicine. 2000;
Fall; 27(3):143-153.
Hagberg, M. And Örnhagen, H.. Incidence and Risk Factors for Symptoms of
Decompression Sickness Among Male and Female Dive Masters and Instructors – A
Retrospective Cohort Study. Undersea & Hyperbaric Medicine. 2003; Summer;
30(2):93-102.
Hamilton, R.W. and Thalmann, E. D.. Decompression Practice. In: Bennett
P.B., Elliot D.. The Physiology and Medicine of Diving, 5th Edition,
Philadelphia, WB Saunders Company ltd, 2003; 10.2:455-500.
Hamilton, R.W.. UHMS Dive Computer Workshop. SPUMS Journal. 1994; March,
24(1):52-53.
Henriques, M..Tabelas DCIEM e Mergulhos Multinível. In: Henriques, M..
Curso de Especialidade. Mergulhos Multinível e Computadores de Mergulho. 4ª
Edição, PDIC Brasil, 1995, 4:1-7.
Henriques, M.. Mergulhos Multinível Assistidos por Computador. In:
Henriques, M.. Curso de Especialidade. Mergulhos Multinível e
Computadores de Mergulho. 4ª Edição, PDIC Brasil, 1995, 5:1-2.
James, T., Francis, R. and Mitchell, J. S.. Pathophysiology of Decompression
Sickness. In: Bennett P.B., Elliot D.. The Physiology and Medicine of
Diving, 5th Edition, Philadelphia, WB Saunders Company ltd, 2003; 10.4:530-556.
Lipppmann, J. and Wellard, M.. Comparing Dive Computers. SPUMS Journal.
2004; September, 34(3):124-129.
Meyer, K.. Doença Descompressiva no Mergulho Livre. Deco Stop. 2004;
Maio/Junho/Julho 1 (4): 14-15.
Tikuisis, P. and Gerth, W. A.. Decompression theory. In: Bennett P.B.,
Elliot D.. The Physiology and Medicine of Diving, 5th Edition, Philadelphia, WB
Saunders Company ltd, 2003; 10.1:419-454.
Walker, R. Decompression Sickness: History and Physiology. In: Edmonds,
C., Lowry, C., Pennefather, J., Walker, R. Diving and Subaquatic Medicine, 4th
Edition, London, Arnold, 2002; 10: 111-130.
Walker, R. Decompression Sickness: Pathophysiology. In: Edmonds, C.,
Lowry, C., Pennefather, J., Walker, R. Diving and Subaquatic Medicine, 4th
Edition, London, Arnold, 2002; 11: 131-136.
Walker, R. Decompression Sickness: Clinical. In: Edmonds, C., Lowry, C.,
Pennefather, J., Walker, R. Diving and Subaquatic Medicine, 4th Edition, London,
Arnold, 2002; 12: 137-150.
Wienk, B.R.. Bubble Quest. Developing Dive Tables & Computers is
Still not a Exact Science. In: Westerfield, R.. The Best of Alert Diver. 1st
Edition, Best Publishing Company, 1997; 4:121-126.
Wienk, B.R.. Tables, Meters, and Biophysical Models. In: Wienk, B.R..
Technical Diving in Depth. 1st Edition, Best Publishing Company,
2001; 7:131-165.
Renúncia
Nenhuma representação neste texto é feita no sentido de oferecer um
diagnóstico, tratamento ou cura para qualquer condição ou doença relatada. O
caráter do texto é somente informativo e deve ser usado em conjunto com o
aconselhamento específico do médico de medicina do mergulho. O autor não é
responsável por qualquer consequência concebível relacionada à leitura
deste texto.
|