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Avaliação Médica e a Prevenção de Acidentes no Mergulho Autônomo
Recreativo
Os vários aspectos relacionados à avaliação médica no mergulho autônomo
recreativo dividem opiniões. No mergulho profissional, ela é obrigatória por
ser uma atividade de risco que envolve diversos tipos de exposição que exigem
muito da saúde do trabalhador. Nele, muitas questões de saúde são bem
definidas e aquele que é avaliado, recebe respostas do tipo pode ou não
trabalhar. As exigências relacionadas à capacidade física no mergulho
profissional não permitem que mergulhadores com certas doenças exerçam a
atividade. Entretanto, no mergulho recreativo, o momento, o papel e a
necessidade de uma avaliação médica obrigatória e seus resultados dividem
opiniões.
No mergulho recreativo, o próprio nome da atividade define o grau de
exposição e pressupõe que o mergulhador quer ter um risco mínimo em
relação a sua saúde e que esse seja muito menor que os benefícios gerais da
atividade. Entretanto, podemos perceber que, em relação aos mergulhadores,
prevalece o sentimento de paixão, de um gosto intenso pela atividade em
detrimento de uma avaliação crítica dos riscos a que estão expostos em
função das suas reais condições de preparo físico e de estado de saúde.
Atualmente podemos perceber que o médico com conhecimento de medicina do
mergulho pode ter um envolvimento maior com o treinamento no mergulho autônomo
recreativo. Seu papel é importante em termos de identificação de doenças em
mergulhadores iniciantes e de alterações de estado de saúde de mergulhadores
mais experientes e na prevenção de acidentes de mergulho. A necessidade de
participar do treinamento aumenta quando o mergulhador apresenta alguma doença
ou muda o tipo de mergulho, expondo-se a riscos ainda maiores. Nesses casos,
pode pretender uma abordagem de manejo de riscos que vai além do simples
aconselhamento ou da qualificação em relação à possibilidade de poder
mergulhar ou não.
Apesar de podermos perceber a importância da avaliação médica no mergulho
autônomo recreativo, ainda não é unânime a forma de inserção dela no
processo de formação do mergulhador, assim como também não é unânime que
ela deve ser obrigatoriamente realizada, num primeiro momento, por um médico
familiarizado com as diversas questões de saúde pertinentes. Muitas questões
que envolvem a avaliação médica, também requerem posicionamentos da
comunidade de mergulhadores, da sociedade médica e da indústria do mergulho
recreativo.
Atualmente podemos observar basicamente dois modelos de abordagem relacionada
ao estado de saúde daquele que está iniciando o mergulho. Uma considera a
necessidade de uma avaliação médica inicial obrigatória por profissional com
conhecimento na área. Essa rotina é adotada pela Austrália e França. A outra
abordagem é responder a um questionário que avalia a saúde do candidato,
aplicado no momento da inscrição num curso de mergulho. A partir das respostas
do candidato poderá haver um encaminhamento ao médico e o início do curso
fica postergado, podendo o treinamento até mesmo ser desaconselhado. Essa é a
posição da maior parte de escolas e certificadoras. Recentemente pudemos
observar, no Reino Unido, a partir do resultado da aplicação de um
questionário, uma mudança de prática da avaliação necessária. É o sinal
de que mudanças na maneira de ver a questão estão ocorrendo.
Quanto à necessidade de avaliações periódicas posteriores que os
mergulhadores deverão realizar, podemos dizer que elas devem seguir o modelo
geral preconizado para a prevenção das várias doenças, cuja rotina
dependerá da idade e do sexo do indivíduo. Além disso, o mergulhador deverá
realizar uma nova avaliação toda vez que surgirem mudanças no seu estado de
saúde.
Vamos inicialmente abordar o assunto do ponto de vista inverso, do acidente
ao estado de saúde, ou melhor, à doença do mergulhador.
Qual a importância da avaliação médica num curso de mergulho autônomo
recreativo ?
Um dos motivos para se preocupar com o estado de saúde de um praticante de
determinada atividade esportiva é saber se há ou não riscos relacionados à
saúde do praticante, se esse risco é significativo e se envolve questões
relacionadas ao estado de saúde prévio do praticante. Sabemos que o mergulho
autônomo recreativo é uma atividade que não é isenta de risco e que esse
risco poderá aumentar, dependendo do estado de saúde do mergulhador.
A National Sporting Goods Association divulgou o risco de fatalidade
relacionado ao mergulho recreativo como tendo uma frequência de 5,1 por
100.000 praticantes por dia de participação da atividade. Na literatura
médica, encontramos outros valores para esse risco tão altos quanto 16,7 por
100.000 praticantes. Atividades como esqui e snowboarding teriam risco de 0,7,
enquanto a natação em águas abertas é de 2,44 e futebol é de 0,25. O
mergulho somente perderia para o pára-quedismo e vôo livre, 82,9 e 43,3
respectivamente.
O risco da atividade é significativo e evidencia que não é uma atividade
segura. Isso é evidente e é diferente do que é divulgado pela indústria do
mergulho. Acredita-se que essa taxa de mortalidade deve aumentar nos próximos
anos em função de uma maior abertura para a sua prática nos extremos de
idade.
Por outro lado, a análise dos acidentes fatais relacionados ao mergulho
autônomo recreativo revela que, em 25% dos casos, havia uma condição clínica
pré-existente relacionada com a fatalidade que, se avaliada previamente,
evidenciaria uma inaptidão ao mergulho pelo praticante. Além disso, há
registros de que, em 9% dos casos, a vítima havia sido informada por um
especialista em medicina do mergulho ou um instrutor de que ela não apresentava
condições clínicas para mergulhar. São números significativos e indicativos
de que a comunidade de mergulhadores deva tomar alguma atitude em relação às
condições de saúde do praticante em relação ao esporte.
Se muitos mergulhadores doentes sob tratamento estão mergulhando, o que pode
estar ocorrendo ?
As possibilidades são a omissão da informação por parte do candidato, a
não aplicação dos standards da atividade e até mesmo a existência de
mergulhadores que mergulham apesar de aconselhados em contrário.
A omissão da informação pelo candidato parece ser uma questão de foro
íntimo, muito relacionado com a educação pessoal e o convívio numa sociedade
de desempenho, individualista, que permite o acesso rápido a praticamente tudo,
desde que se tenham condições econômicas. Ele precisa mergulhar a qualquer
custo apesar dos riscos. É uma postura, no mínimo, imatura. O mesmo pode ser
dito em relação aos mergulhadores que mergulham, apesar de aconselhados ao
contrário.
A não aplicação dos padrões médicos necessários, preestabelecidos, pode
decorrer do desconhecimento médico da existência deles ou mesmo do não
entendimento das alterações provocadas no corpo do mergulhador durante o
mergulho, de sua relação com o equipamento e das demandas do meio. A medicina
do mergulho não é uma disciplina habitualmente ensinada nos cursos de
graduação. Os instrutores, por seu lado, podem falhar na aplicação dos
standards também por desconhecimento que pode estar associado a situações
conjeturais relacionadas a fatores de mercado.
Como anda a saúde dos mergulhadores ?
Parece claro e bem estabelecido que, em média, os mergulhadores constituem
um grupo saudável. Saúde parece ser uma motivação e um pré-requisito para
qualquer pratica desportiva. Entretanto, a análise da população de
mergulhadores revela que 5,8% têm hipertensão arterial sistêmica, 1,2% tem
asma e 1,1% tem diabete, ou seja, mergulhadores recreativos não estão
protegidos para não apresentar doenças. Porém, se, por um lado, esses
números revelam que existe doença nesse grupo de indivíduos, por outro,
podemos observar que essas prevalências são bem menores que as observadas na
população em geral, que são em torno de 26% para hipertensão, 4,94% para
asma e 5,1% para o diabete. Essa observação sugere que deve haver um fator
cultural que seleciona esses indivíduos para o mergulho.
Em relação aos acidentes de mergulho, ficam bem evidentes dois picos de
maior incidência de fatalidades, que parecem estar relacionados direta ou
indiretamente com o estado de saúde do mergulhador. Um é em torno dos 28 anos
e outro em torno dos 48 anos de idade e podem demonstrar uma relação direta
com a necessidade da avaliação médica. O primeiro pico, pelo menos em tese,
ocorre quando supostamente o mergulhador teria melhores condições de saúde.
Acredita-se que, nesse ponto, os fatores comportamentais relacionados ao
treinamento superam as causas relacionadas com o estado de saúde do mergulhador
como causadores de acidentes. No entanto, a exposição ao mergulho pode ser o
fator desencadeante para o surgimento de manifestações de doenças, que, na
verdade, são as suas complicações e que até então não se manifestavam na
vida normal do indivíduo, mas que, durante o mergulho, passaram a se
manifestar. Muitas vezes, essas manifestações são catastróficas,
relacionadas a acidentes potencialmente fatais.
O segundo pico, que se relaciona mais com o estado de saúde prévio do
mergulhador, tem como fator principal as doenças cardiovasculares e seus
tratamentos. Nessa média de idade, doenças crônico-degenerativas já
instaladas com ou sem manifestações clínicas, e, portanto, com ou sem
diagnóstico, são os fatores causais mais importantes de acidentes fatais. No
mergulho, elas podem descompensar, se manifestar e complicar na forma de
acidentes fatais.
Atualmente se identificou uma série de condições que ainda não
caracterizam uma doença, que também carecem de manifestações clínicas,
porém apresentam uma potencialidade de virem a se desenvolver como doenças.
São as alterações do metabolismo da glicose, mais precisamente os estados
pré-diabéticos e a pré-hipertensão. Essas alterações estão associadas a
riscos de mortalidade cardiovascular igual ao próprio diabete e à
hipertensão, se associadas a outros fatores de risco como história familiar de
doença coronariana, obesidade, dislipidemia, sedentarismo e tabagismo. Essas
situações podem ser identificadas numa avaliação médica bem feita e, quando
tratadas, podem ser compatíveis com o mergulho seguro. Nesse caso, passa a
haver um risco pequeno de complicações e uma grande possibilidade de
prevenção.
Há também que se ressaltar que existe diferença entre ter preparo físico
e apresentar condições clínicas para poder mergulhar. Preparo físico é
necessário para a prática de muitos esportes e muitos esportistas podem
praticar suas atividades com alguns problemas de saúde. Isso vale para
atividades ao nível do mar e com a possibilidade de parar e descansar a
qualquer momento. No mergulho, é necessário preparo físico, psicológico e
condições clínicas compatíveis. Muitos mergulhadores que morreram por
problemas médicos, tinham preparo físico adequado, apesar de apresentarem
condições clínicas que incapacitavam a prática do mergulho autônomo
recreativo. Qualificação médica para o mergulho significa ausência de
doenças incompatíveis com o mergulho seguro. O contrário também é
verdadeiro, principalmente em relação ao sedentarismo e à obesidade.
Fatores relacionados ao estado de saúde do mergulhador que contribuem para a
ocorrência de fatalidades
Quando se realiza a análise de acidentes, determinadas condições
psicológicas, fisiológicas e patológicas são listadas como fatores médicos
que contribuem com acidentes fatais. O pânico e a fadiga são fatores
relacionados, de forma bem clara, à ocorrência de acidentes, bem como o
vômito e o despreparo físico. No entanto, é difícil dizer se eles são
causas diretas de acidentes ou consequências de alterações decorrentes de
uma doença prévia do mergulhador que acabam contribuindo com o desfecho.
Durante o mergulho, as principais causas médicas relacionadas a acidentes
fatais são a ocorrência de barotrauma pulmonar e de complicações agudas de
doenças cardíacas. Quando eles ocorrem, podem estar associados a doenças
preestabelecidas.
A tabela 1 ilustra condições médicas com riscos diretos de fatalidades no
mergulho autônomo recreativo. A tabela 2 ilustra condições que comprometem a
consciência, o julgamento e a mobilidade no mergulho recreativo autônomo e,
portanto, com possibilidade de promover o afogamento e, consequentemente,
acidentes fatais.
Muitas das situações relacionadas podem ser avaliadas e identificadas
durante uma consulta objetivando a constatação de aptidão médica para o
mergulho autônomo recreativo. Um dos objetivos da avaliação médica é
identificar essas situações e oferecer aconselhamento quanto ao melhor
encaminhamento pertinente ao caso.
Tabela 1: Riscos diretos de fatalidades no mergulho autônomo recreativo e
condições médicas relacionadas
| Risco de morte súbita |
| Asma |
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| Doenças cardíacas |
(cardiopatia isquêmica, comunicações intracardíacas,
arritmia cardíaca, hipertensão severa, insuficiência cardíaca) |
| Doenças vasculares cerebrais |
(aneurisma cerebral, doença aterosclerótica) |
| Algumas causas de vômito |
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| Medicações |
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| Risco de desorientação |
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Perfuração da membrana timpânica |
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| Doenças da orelha interna |
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| Cirurgia da orelha interna |
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| Alteração da acuidade visual sem correção |
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| Risco de barotraumas |
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Doenças pulmonares |
(infecção respiratória aguda ou crônica, asma, doença
pulmonar obstrutiva crônica, pneumotórax espontâneo, cistos pulmonares,
fibrose pulmonar, cicatrizes pulmonares) |
| Obstruções da trompa de Eustáquio |
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| Ceratotomia radial |
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| Risco de doença descompressiva |
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Obesidade |
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| Traumatismos agudos |
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| Trauma ou doença medular |
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| Comunicações intracardíacas |
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| Extremos de idade |
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Fonte: Walker, R.. Medical standards
for recreational divers. In: Edmonds, C., Lowry, C., Pennefather, J., Walker, R.
Diving and Subaquatic Medicine, 4th Edition, London, Arnold, 2002; 53:550.
Tabela 2: Condições médicas prévias associadas a
alterações da consciência, do julgamento e da mobilidade acarretando risco de
vida no mergulho autônomo recreativo
| Consciência |
Julgamento |
Mobilidade |
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Uso de medicações |
Uso de medicações |
Alterações da medula |
| Epilepsia |
Psicoses |
Alterações da coluna dorsal |
| Diabete e seu tratamento |
Ansiedade grave |
Doenças musculares |
| Arritmia cardíaca |
Depressão grave |
Neuropatias |
| Hipertensão severa |
Claustrofobia |
Obesidade |
| Doença vascular cerebral |
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Despreparo físico |
| Síncope inexplicável |
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Fonte: Walker, R.. Medical standards
for recreational divers. In: Edmonds, C., Lowry, C., Pennefather, J., Walker, R.
Diving and Subaquatic Medicine, 4th Edition, London, Arnold, 2002; 53:550.
A avaliação médica
A partir do conhecimento das condições médicas com possibilidade de
acarretar fatalidades e daquelas que comprometem a consciência, o julgamento e
a mobilidade, acarretando situações indiretas de risco de vida no mergulho
recreativo autônomo, fica fácil entender o que deverá fazer o médico
avaliador durante a consulta médica do candidato a mergulhador ou mesmo de um
mergulhador experiente que muda o seu estado de saúde.
Caberá ao médico realizar uma boa história e exame físico capaz de
identificar fatores de risco à saúde do mergulhador. Dependendo da situação,
poderá utilizar outros métodos diagnósticos pertinentes à situação
identificada. O médico deverá realizar um inventário do estado de saúde do
mergulhador, relacionando alterações com a possibilidade de provocar lesões
durante o mergulho. Além disso, ele deverá fazer um levantamento das
complicações e tratamentos, avaliando se eles são compatíveis com o mergulho
seguro.
A tabela 3 detalha as situações de risco temporário, relativo e severo
para acidentes envolvendo estados de saúde prévios no mergulho autônomo.
Tabela 3: Alterações clínicas por sistemas e seus riscos
relacionados ao mergulho autônomo recreativo.
| Neurológico
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Risco temporário |
Risco relativo |
Risco severo |
| História de embolia gasosa cerebral |
1. Enxaqueca complicada
2. Trauma craniano com sequela outra que não convulsão
3. Aneurisma ou tumor intracraniano
4. Dano medular ou cerebral
5. Esclerose múltipla
6. Neuropatia periférica
7. Neuralgia do trigêmio
8. Hérnia de núcleo pulposo
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1. Convulsões, excluindo-se as febris
2. Isquemia cerebral transitória
3. Acidente cérebro vascular
4. Doença descompressiva grave com déficit neurológico residual
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Cardiovascular |
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1. Doença da artéria coronária
2. Infarto miocárdico
3. Revascularização miocárdica
4. Angioplastia
5. Insuficiência cardíaca congestiva
6. Arritmias necessitando medicação para supressão
7. Insuficiência valvular
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1. Cardiomiopatia dilatada
2. Estenose valvular
3. Comunicações intracardíacas
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Pulmonar |
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1. Asma
2. Broncoespasmo induzido pelo exercício
3. Lesão pulmonar sólida, cística ou cavitada.
4. Pneumotórax secundário a cirurgia torácica, trauma ou lesão
prévia por hiperinsuflação
5. Obesidade
6. Edema pulmonar por imersão
7. Doença pulmonar restritiva
Obs.: Espirometrias normais antes e após exercício.
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1. História de pneumotórax espontâneo
2. Prejuízo na capacidade de desempenho durante o exercício por
doença respiratória
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Gastrintestinal |
1. Doença péptica associada com obstrução do piloro ou refluxo
2. Hérnias da parede abdominal
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1. Doença inflamatória intestinal
2. Doenças funcionais do intestino
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1. Obstrução gástrica severa
2. Obstrução recorrente ou crônica do intestino delgado
3. Refluxo gastrintestinal severo
4. Hérnia para-esofágica
5. Acalásia
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| Ortopédico |
1. Dor lombar |
1. Amputação
2. Escoliose
3. Necrose asséptica
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| Hematológico |
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1. Anemia falciforme
2. Policitemia Vera
3. Leucemia
4. Hemofilia e outras alterações da coagulação sanguínea
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| Metabólico e endocrinológico |
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1. Alterações hormonais
2. Obesidade
3. Insuficiência renal
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1. Diabete melito
2. Gravidez e mulheres que estão tentando engravidar
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Psiquiátrico |
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1. Retardo de desenvolvimento neurológico
2. História de abuso de álcool e drogas
3. Episódio psicótico prévio
4. Uso de medicação psicotrópica
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1. Motivação inadequada ao mergulho
2. Claustrofobia ou agorafobia
3. Psicose ativa
4. Desordem do pânico não tratada
5. Abuso de álcool e drogas
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| Otorrinolaringológico |
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1. Otite externa recorrente
2. Obstrução significativa do conduto auditivo externo
3. História de lesão significativa do pavilhão auditivo ao frio
4. Disfunção da trompa de Eustáquio
5. Otite média ou sinusite recorrente
6. História de perfuração timpânica
7. História de timpanoplastia
8. História de mastoidectomia
9. Déficit condutivo ou neuro-sensorial auditivo significativo
10. Paralisia facial não associada a barotrauma
11. Aparelhos prostodônticos totais
12. História de fratura de face
13. Cirurgia oral não cicatrizada
14. História de radioterapia de cabeça e pescoço
15. História de disfunção da articulação têmporo-mandibular
16. História de ruptura da janela redonda
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1. Membrana timpânica monomérica
2. Perfuração aberta da membrana timpânica
3. Tubo de meringotomia implantado
4. História de cirurgia de ouvido interno e ossículos
5. Paralisia de nervo facial secundária a barotrauma
6. Doença de ouvido interno que não presbicusia
7. Obstrução não corrigida de vias aéreas
8. Laringectomia ou estado pós-laringectomia parcial
9. Traqueostomia
10. Laringocele não corrigida
11. História de doença descompressiva vestibular |
Fonte: Guidelines for recreational scuba diver’s physical examination
– Recreational scuba Training Council.
Como classificar os resultados da avaliação médica inicial ?
Abordagem 1: apto, não apto e apto com ressalvas
Uma proposta de classificação do resultado da avaliação é definir se há
contra-indicações ao mergulho e qual o seu caráter. Ela segue as linhas
gerais do mergulho profissional e é a adotada pela South Pacific Underwater
Medicine Society. A diferença da do mergulho profissional é que ela considera
que, na proposta do mergulho recreativo, existem algumas situações em que
ainda se pode mergulhar, apesar de se apresentar algum tipo de problema.
Nessa proposta, ao terminar a avaliação médica inicial de um candidato a
mergulhador, podemos ficar com três impressões. Os candidatos poderão ser
classificados como aptos a mergulhar, portadores de contra- indicações
relativas ou portadores de contra-indicações absolutas ao mergulho.
Os aptos a mergulhar apresentam condições médicas e podem receber
treinamento adequado. Muitas vezes, se constata um despreparo físico que deve
ser considerado para se mergulhar com mais segurança. Esse grupo também deve
saber que a avaliação poderá mudar com o tempo em função do surgimento de
novos problemas de saúde, temporários ou definitivos. Consultas futuras são
indicadas, seguindo a boa prática da medicina preventiva, e sua periodicidade
dependerá do sexo e idade do mergulhador.
Os candidatos que apresentam contra-indicações relativas, devem ser
informados quanto aos riscos da atividade. Elas podem ser temporárias ou
definitivas. As temporárias, na maior parte das vezes, podem ser resolvidas de
forma definitiva. Exemplos de contra-indicação relativa temporária são a
gravidez e as infecções das vias aéreas. As definitivas são doenças já
estabelecidas que, dependendo do estágio e da forma de apresentação, podem
ser compatíveis com o mergulho, respeitando-se algumas ressalvas.
Atualmente se preconiza a avaliação e manejo do risco da contra-indicação
relativa identificada em relação ao mergulho. Cabe ao médico aconselhar ou
mesmo orientar sobre as possibilidades de mergulhar, apresentando a alteração
em questão. Esse grupo representa um número considerável e importante de
indivíduos, pois atualmente podemos observar um número maior de mergulhadores
de meia idade que apresentam co-morbidades.
Aqueles com contra-indicações absolutas não são recomendados ao
treinamento para o mergulho autônomo. Esse grupo de indivíduos é pequeno,
porém muito importante do ponto de vista médico. Quando mergulham,
desconsiderando o aconselhamento, se relacionam diretamente com fatalidades.
Essa é a classificação coerente com a avaliação obrigatória antes do
treinamento, que, de certa maneira, pretende proibir certos candidatos a
mergulhar.
Abordagem 2: manejo do risco
Outra forma de abordar o resultado da avaliação é definir riscos para o
mergulhador em função de alterações identificadas. Essa forma de
apresentação, de certa maneira, foi abordada anteriormente quando se falou
sobre o que o médico deve investigar durante a avaliação inicial do
mergulhador (tabela 3). Ela basicamente considera que mergulhar ou não é uma
opção do candidato onde há o exercício da liberdade de se correr risco, ou
seja, o princípio da autonomia do mergulhador deve ser respeitado.
Nesta abordagem, haveria condições com risco temporário, relativo ou
grave. Tenta quantificar o risco e dimensionar o plano de manejo. Conforme o
caso, o risco poderá ser tão grande que a atividade é totalmente
desaconselhada. A abordagem tenta preservar a autonomia do mergulhador para ele
poder decidir sobre aquilo que quer fazer. É aquela que é realizada a
posteriori ao questionário aplicado e que indica a necessidade de um
aconselhamento médico.
Alterações com risco temporário são problemas médicos que impedem o
mergulho e que têm um caráter temporário, que responde a tratamento,
permitindo que o mergulhador mergulhe com segurança após ter sido resolvido.
Situações de risco relativo se referem àquelas situações em que há um
risco, que é moderado, porém aceitável. A decisão de se o mergulho será
contra-indicado depende do resultado da abordagem individual em relação à
apresentação da doença, ao estado atual do portador da desordem e aos
objetivos do mergulhador.
Situações de risco severo ou grave estão relacionadas a uma incidência
alta de doença descompressiva, barotrauma pulmonar ou alteração da
consciência que leve ao afogamento. O portador de alterações com risco grave
deve ser desestimulado ao treinamento para o mergulho autônomo.
A escolha de uma ou outra forma de apresentação do resultado da avaliação
define a abordagem do problema. A baseada em contra-indicações trata o
problema da forma pode ou não mergulhar e tenta eximir o médico dos aspectos
médico-legais relacionados com mergulho. A que define o risco, abre a
possibilidade do manejo do risco e é a adotada pela Undersea & Hyperbaric
Medical Society.
Qual o tratamento que deve ser dado ao resultado da avaliação médica ?
O tipo de tratamento ao resultado da avaliação depende do posicionamento de
todos os envolvidos com o mergulho. Basicamente há dois tipos de abordagem. O
primeiro é em termos de apto ou não apto, ou seja, passa ou não passa na
avaliação. É um modelo rígido e uma resposta negativa desobriga todos de
consequências éticas e legais, deixando o candidato a mergulhador ou o
mergulhador experiente sem possibilidade de poder mergulhar ou continuar
mergulhando. O segundo é informar sobre o problema e oferecer um planejamento
de manejo do risco, se for o caso.
Do ponto de vista médico, a abordagem apto ou não é simplista e protege o
médico dos riscos médico-legais. Muitos acham que a decisão de mergulhar é
uma decisão pessoal, devendo ser respeitado o princípio ético da autonomia. O
mergulho será uma decisão pessoal e o mergulhador acabará mergulhando
independentemente da opinião do médico, se expondo e expondo os outros aos
riscos da sua doença. Muitos dos que apresentam essa opinião, acreditam que se
deve informar adequadamente sobre o estado de saúde do mergulhador e o risco da
atividade. O médico fornece os dados necessários para o candidato definir sua
opção de correr riscos em função dos benefícios hipotéticos da atividade.
O médico assumiria o papel de conselheiro e as entidades envolvidas com o
ensino forneceriam as condições de treinamento e prática com segurança da
atividade.
Entretanto, podemos observar que o problema doença e mergulho envolve
vários personagens e extrapola o ambiente do consultório médico. A decisão
de uma organização certificadora de treinamento em mergulho sobre treinar ou
não determinado indivíduo deve ser definida e elaborada como instituição. A
instituição ou a comunidade de mergulhadores não deve transferir ao médico
essa decisão, tornando o resultado da avaliação objeto de uma abordagem
simplista de caráter médico-legal. A comunidade de mergulhadores, que é
constituída não somente do mergulhador na sua individualidade, mas também de
escolas e operadoras de mergulho, deve decidir qual o caminho a ser tomado. O
mergulhador determinado a mergulhar doente o fará independentemente dos outros.
Acabará que ele fica desassistido e a comunidade de mergulhadores exposta. Essa
é a principal motivação do envolvimento por parte de certas instituições
oficiais de saúde de alguns países e certificadoras internacionais, que se
pode observar em certas culturas de mergulho, encarando o problema do
mergulhador com certas doenças, dando o tratamento mais adequado à condição
encontrada.
Alguns exemplos de tratamentos dados pela medicina do mergulho em relação a
desordens que dividem opiniões e condutas
Quando se realiza uma avaliação médica visando ao mergulho recreativo, o
médico examinador se depara com muitas situações em que ainda não há um
consenso na literatura médica baseada em evidências quanto à possibilidade de
se mergulhar em segurança. Algumas doenças se apresentam de várias formas em
diversos momentos da sua história natural e tornam difícil uma proibição ou
liberação tranquila e de forma segura. Muitas dessas situações estimulam a
reflexão e a possibilidade de uma avaliação objetivando o manejo do risco.
O mergulho pode não ser compatível com algumas dessas doenças e suas
complicações. Portadores de desordens que estão em acompanhamento ou
tratamento, como o diabete, a asma e as doenças do coração, entre outras,
apresentam riscos de complicações da própria doença ou do seu tratamento e,
portanto, a princípio não deveriam ser liberados para o mergulho. Pelo menos
teoricamente, alguns riscos da exposição da doença ao mergulho autônomo
superariam a intenção da proposta saudável deste tipo de atividade de lazer.
Além das complicações agudas, as alterações crônicas de muitas doenças
podem comprometer outros sistemas e produzir danos que alterariam o desempenho
embaixo da água e impossibilitariam a resposta adaptativa fisiológica e
consequentemente o mergulho autônomo seguro. Aqueles que quiserem mergulhar
nessas condições, deverão ser bem avaliados de forma global, desde a
motivação que os fez mergulhar, o estado de saúde que apresentam no momento,
os sinais de complicações secundárias à doença até o tipo de treinamento
que desejam e a realização de um plano de manejo do risco, se for o caso.
A tabela que segue, exemplifica, resumidamente, alguns posicionamentos de
entidades relacionadas com o assunto em relação às principais situações
médicas específicas polêmicas. Como pode ser observado, há rotinas e
posicionamentos distintos entre as instituições. Ela também serve para
evidenciar que são possíveis vários encaminhamentos para lidar com um mesmo
problema.
Tabela 4: Critérios de definição médica para liberação ao
mergulho autônomo recreativo de entidades médicas nos Estados Unidos,
Reino Unido e Austrália
| Diabete Melito
|
SPUMS*
|
UKSDMC** |
RSTC*** |
|
Aquele que requer medicação é contra-indicado.
Todos os candidatos a treinamento em mergulho devem realizar triagem
com medida da glicemia capilar na avaliação inicial de rotina. Havendo
alteração, encaminhar para especialista.
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Pode mergulhar se:
1. Não teve ataque hipoglicêmico no último ano.
2. Não se hospitalizou no último ano por qualquer motivo associado ao
diabete.
3. Tem controle adequado do diabete, monitorizado por medida da
hemoglobina glicosilada ou da frutosamina.
4. Apresenta condições mental e física para mergulhar.
5. Sem comprometimento de órgãos-alvo da doença.
|
O mergulho geralmente é contra-indicado, a menos que vinculado a um
programa especializado neste assunto. |
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|
| Hipertensão
|
O exame cardiovascular completo deve ser normal, ou seja, sem
evidência de doença cardíaca ou arritmia.
Pressão de repouso não deve exceder 150 mm de Hg de sistólica e 95
mm de Hg de diastólica.
Havendo dúvidas quanto ao preparo cardiológico para o exercício,
deve ser realizada avaliação com cardiologista.
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Permitido para hipertensos em grau leve e se a pressão diastólica
não for maior que 90 mm de Hg para noviços e maior que 100 mm de Hg para
experientes. Sistólica não pode exceder 160 mm de Hg para ambos os
grupos.
Esses níveis são aceitos, se compensados com tratamentos aprovados.
Tratamentos aprovados: restrição de sal, diurético (se usado
exclusivamente para hipertensão), doses baixas de vasodilatadores
(prazosin, nifedipina e iECA****)
Outros anti-hipertensivos devem ser avaliados em relação à
possibilidade de prejuízo na resposta cardíaca ao exercício.
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Condição de risco relativo.
Requer avaliação específica.
Importante análise das medicações em uso. |
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| Asma
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Exame completo e teste de provocação, se houver dúvidas.
Desqualifica:
1. Doença pulmonar obstrutiva crônica passada ou presente associada.
2. História de pneumotórax, lesão penetrante no tórax e cirurgia
aberta prévia.
3. Presença de lesão fibrosa que altera a complacência pulmonar.
4. Qualquer evidência de doença obstrutiva da via aérea: asma aguda,
bronquite crônica ou bronco-espasmo alérgico.
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Podem mergulhar aqueles com asma leve, bem controlados e que seguem
protocolos.
Asma alérgica é permitido.
Não é permitido asma induzida pelo frio, exercício ou emoção.
Não deve mergulhar, se necessitou de broncodilatador terapêutico nas
últimas 48 horas ou se teve qualquer outro sintoma torácico. |
Asma predispõe à ocorrência de pneumotórax.
Acredita-se que o risco de mergulhadores asmáticos terem doença
descompressiva ou barotrauma pulmonar é excepcionalmente baixo.
O mergulhador asmático deve ser assintomático e ter uma espirometria
normal antes e depois do exercício. |
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| Epilepsia |
História de convulsões ou apagamentos sem explicação requer
avaliação mais detalhada.
Exceção é a convulsão febril da infância.
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Não é seguro qualquer tipo de epilepsia, ainda mais usando
medicação com ação sobre o sistema nervoso central.
Podem mergulhar aqueles que estão há 5 anos sem medicação e sem
crises.
No caso de crises de ocorrência exclusivamente noturna, o período
pode ser reduzido para três anos.
Desconsiderar a convulsão relacionada com a febre, se não houver
evolução para epilepsia.
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Não pode ter apresentado qualquer crise convulsiva na sua história
pregressa, a menos que febril. |
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* SPUMS: South Pacific Underwater Medicine Society
** RSTC: Recreational Scuba Training Council
*** UKSDMC: United Kingdom Sport Diving Medical Committee
**** iECA: inibidor de enzima de conversão de angiotensina.
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Fonte: Meehan,C.. The Australian diving medical. A look at the
standards in Australia and overseas. SPUMS Journal, 2004, 34(3):137-141.
Posicionamentos: a necessidade de se repensar o resultado da avaliação
médica e o mergulho autônomo recreativo
Parece que algumas proibições são mais conservadoras do que o necessário.
Isso é evidente à medida que se constatou que muitos mergulhadores, inclusive
instrutores, apresentavam algumas dessas desordens e continuavam mergulhando sem
maiores problemas. Além disso, muita informação nova baseada em evidências
surgiu nos últimos anos, contestando certas posições. Devemos considerar que
numa doença há várias formas de apresentação e de evolução, dependendo do
momento da sua história natural, e, de acordo com o tipo de tratamento
necessário, poderá ou não ser compatível com o mergulho e seu processo de
ensino e aprendizado.
Atualmente, no mergulho recreativo, podemos observar diferentes
posicionamentos no tratamento dessa questão. Alguns países que inicialmente
excluíam mergulhadores com certas desordens da prática do mergulho recreativo,
com o passar do tempo revisaram suas posições e acabaram adotando
orientações condicionais, que acabam sendo mais liberais. Outros, por outro
lado, apesar de adotarem uma posição geral proibitiva, acabaram orientando a
necessidade de se avaliar caso a caso e dar um tratamento específico, indicando
programas de mergulho adaptado. Finalmente existem aquelas culturas de
segurança no mergulho que mantêm firme algumas proibições, muito semelhantes
ao mergulho profissional, até que um conjunto de informações sustente um
comportamento mais liberal.
Por outro lado, existem culturas sem posições definidas nem legislações,
em que o processo decisório quanto à saúde do mergulhador acaba ficando a
cargo da decisão e postura ética do médico, do instrutor e da certificadora.
O médico avaliador deve evitar um julgamento super- restritivo. Ele também
deve evitar um liberalismo excessivo que coloque em risco a saúde do
mergulhador, sua dupla e a operação de mergulho. A participação do médico
junto ao trabalho do instrutor, da escola ou de associações de mergulho
facilita a tomada de decisão, uma decisão mais ética. Isso possibilitaria a
individualização de critérios e o estabelecimento da possibilidade de manejar
riscos compatíveis com o mergulho seguro.
Em muitas situações, devemos definir a possibilidade de qualificação para
o mergulho em função da gravidade da apresentação da doença. Para poder
mergulhar, deve ser também analisada a forma de apresentação e o estágio da
evolução natural da doença em que o mergulhador se encontra no momento. Além
disso, o tipo de tratamento que vem recebendo para compensar a doença, precisa
ser obrigatoriamente entendido e avaliado em relação a sua compatibilidade com
o mergulho. Avaliações frequentes realizadas pelo médico podem ser
necessárias durante o plano de manejo de risco, se essa for a decisão de
encaminhamento final, e mesmo ao longo da vida do mergulhador.
Avaliação médica e certificação
Em relação à certificação, as condições em que ele poderá mergulhar
também se relacionarão à forma de certificação que receberá: normal ou do
tipo mergulho adaptado. O tipo de certificação, por sua vez, definirá o tipo
de operação de mergulho necessária. O mesmo é válido para os termos do
tempo de validade da certificação.
A avaliação médica objetivando liberação ao mergulho autônomo
recreativo também vai além do ambiente da consulta. Como o objetivo é
investir em saúde e prevenir situações de risco, idealmente deve haver uma
aproximação entre o médico avaliador e a escola de mergulho, mais
precisamente, entre o médico e o instrutor.
Por exemplo, em relação à síndrome do pânico, sabemos que o despreparo
físico e psicológico é a base da sua ocorrência. Despreparo físico e
psicológico pode decorrer de inexperiência, de treinamento inadequado, de uso
de medicações ou mesmo de problemas de saúde pré-existentes. Havendo uma
aproximação entre esses profissionais, muitos desses problemas podem ser
identificados, treinamento adequado e individualizado oferecido e acidentes
evitados.
Inserindo a avaliação médica no contexto do mergulho recreativo
Parece que ainda não está bem definida a necessidade de se realizar, antes
de um curso de mergulho, uma avaliação médica obrigatória de rotina no
consultório médico. Os problemas em relação à obrigatoriedade da
avaliação são variados. Avaliações médicas consomem tempo e têm custos.
Muitas vezes, é difícil encontrar o médico treinado no assunto e no momento
em que é necessário. O processo de avaliação acaba ficando resumido à
questão de poder ou não mergulhar. Dependendo da abordagem, não são
possíveis a análise do risco e a realização de um planejamento de
treinamento em mergulho adaptado. Com base no vínculo do contrato de trabalho
do médico avaliador, se com o candidato, com uma instituição de treinamento
ou com a própria sociedade, o médico acaba trabalhando para alguém e isso
influencia diretamente o resultado da avaliação. Atualmente evidenciamos uma
abordagem simplista e longe da eticamente ideal, que envolve uma abordagem de
riscos.
Em extremos e dependendo da situação, o médico acaba assumindo um risco
médico-legal desproporcional ao intuito de uma atividade de lazer. Nos locais
em que é obrigatória a realização de uma avaliação médica inicial ou
mesmo uma periódica, instituições e instrutores acabam transferindo ao
médico o risco médico-legal. Entretanto, naqueles locais em que se optou por
individualizar as situações de saúde e de se realizar uma abordagem de
tratamento do risco com treinamento específico, houve obrigatoriamente a
participação do médico no programa proposto.
Em relação à necessidade da avaliação médica para o mergulho autônomo,
acreditamos que, em se tratando atividades de risco, as pressões do paradigma
comercial e empresarial devem ser minimizadas. De outra maneira, em função dos
paradigmas científicos, também não deve haver um liberalismo excessivo do
tipo tudo pode, em que tudo é permitido em se respeitando a autonomia dos
indivíduos. Não podemos esquecer que o mergulho é uma atividade socializante
e que envolve vários personagens.
É necessário que o médico avalie todos os candidatos a mergulhadores
autônomos ?
Há duas maneiras de abordar a questão da avaliação médica para o
mergulho. A primeira é torná-la obrigatória a todos candidatos. Na Austrália
e na França, a consulta é obrigatória antes de realizar o treinamento. Essa
abordagem consome tempo e recursos econômicos e atualmente não se sabe se ela
é custo eficiente. Por outro lado, pode parecer uma atitude de proteção de
mercado para o trabalho médico especializado.
A outra abordagem é selecionar aqueles que necessitam de avaliação
através da aplicação de um questionário padrão elaborado por alguma
instituição que trata especificamente do assunto. Esses questionários são
gerenciados pelas certificadoras de treinamento em mergulho autônomo e
geralmente são aplicados por instrutores. Em última análise, o instrutor
identifica aqueles que devem procurar aconselhamento médico. Para que isso
ocorra de maneira eficiente, o instrutor deve ser bem treinado. Idealmente o
candidato a mergulhador deveria poder escolher quem consultar e poder discutir o
risco associado à atividade.
Parece que não é necessária a avaliação de todos os casos por médico
treinado especificamente de modo a justificar o consumo de tempo e de recursos
econômicos. A pré-seleção por profissional treinado parece ser fundamental e
mais custo eficiente.
Para quem o médico está trabalhando ?
Finalmente, numa abordagem ética moderna, baseando-se numa ética da
proteção, o médico deve trabalhar para a sociedade na qual ele, o candidato e
as instituições que treinam e formam mergulhadores, estão inseridos. Devemos
ter bem claro que qualquer condição médica com prejuízo da capacidade de
poder mergulhar deve ser comunicada não só para o bem do próprio individuo
que está sendo avaliado, mas também para o bem da sociedade como um todo.
Doenças e acidentes, especificamente, consomem recursos emocionais e materiais
de todos os envolvidos: duplas, instrutores, operadores de mergulho, famílias
de mergulhadores acidentados e cidadãos.
Dependendo de quem contrata o serviço médico, há uma sutil influência
sobre a decisão do profissional. Essa influência permeia o paradigma vigente,
comercial empresarial, técnico-científico ou médico-legal. Quando o candidato
a mergulhador contrata o médico com conhecimento na área, ele espera que o
resultado da avaliação seja condizente com o seu desejo de mergulhar. Nesses
casos, a responsabilidade médica também deve ser tomada em consideração por
aquele que busca o serviço médico.
Concluindo
A avaliação médica no mergulho recreativo é importante tanto para
candidatos a mergulhadores quanto para mergulhadores experientes que querem
continuar mergulhando à medida que certas doenças são identificadas. Ela não
precisa ser realizada em todos os mergulhadores iniciantes e é fundamental para
aqueles mergulhadores que envelhecem, como medida preventiva. Nas situações de
risco relativo ou severo, ela será de extrema valia na decisão do processo de
treinamento a ser seguido.
Devemos buscar evidências científicas que apóiem um mergulho seguro em
determinadas situações de doença, bem como estruturas de treinamento que
forneçam as condições necessárias ao aprendizado e prática do mergulho
seguro nessas condições. Indivíduos com algumas doenças que antigamente eram
contra-indicações absolutas ao mergulho autônomo, se forem selecionados,
talvez possam mergulhar sob condições específicas, desde que treinados,
acompanhados e certificados com modelos específicos.
O mergulhador sério e dedicado tanto em relação a sua saúde como ao
mergulho como atividade deve preocupar-se com o seu preparo físico e as
alterações do seu estado de saúde. Na tentativa de se criar uma cultura do
mergulho seguro, em determinados momentos a avaliação médica deve ser
encarada como uma necessidade e um momento de se praticar a prevenção.
Bibliografia
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medical for the 21st Century. SPUMS Journal, 2004, 34(3):150- 152.
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27:519-532.
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Edition, London, Arnold, 2002; 46:473-489.
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Edition, London, Arnold, 2002; 53:533-551.
Wendling, J. and Muller, P.H.J.. Standards for diving in Europe – the
present situation. SPUMS Journal, 2004, 34(3):141-144.
Renúncia
Nenhuma representação neste texto é feita no sentido de oferecer um
diagnóstico, tratamento ou cura para qualquer condição ou doença relatada. O
caráter do texto é somente informativo e deve ser usado em conjunto com o
aconselhamento específico do médico de medicina do mergulho. O autor não é
responsável por qualquer consequência concebível relacionada à leitura
deste texto.
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