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Hiperventilação é um verdadeiro perigo
Bem ilustrada pelo japonês do filme "Big Blue" (Imensidão Azul),
de Luc Besson, a hiperventilação se define pelo estabelecimento de um
"débito ventilatório superior aquele necessário para manter em seu valor
normal a tensão do gás carbônico anterior" (Tenny et Lamb, 1965).
Em outros termos significa respirar mais rápido ou de maneira mais ampla às
vezes utilizando-se das duas formas.
Gosto de insistir ao falar sobre os efeitos nefastos desta técnica
ventilatória que até hoje, para alguns, ainda é considerada como a receita de
uma apnéia bem feita, por desconhecimento, ou até pela veiculação de imagens
de pessoas que praticam de forma incorreta a apnéia.
A apnéia não é somente respirar, respirar, respirar e cair na água. Não
é simples assim, senão somente as pessoas com grande volume pulmonar e os
brutos teriam ótimas performances. Muitos outros fatores irão interferir...
- A hiperventilação tende a desenvolver a composição do ar alveolar
próximo do ar ambiente sem que o volume do oxigênio transportado pelo
sangue aumente de maneira significativa. Ao contrário, resulta numa queda
importante do CO2 alveolar.
Sabe-se perfeitamente que um dos mecanismos de alarme do corpo humano é
justamente essa pressão parcial do CO2 e este nível alto da PPCO2 dá
inicio ao importante estimulo da vontade de respirar.
A hiperventilação mascara o alarme, ou melhor, retarda o alarme, podendo
nos levar facilmente à perda do controle motor ou até mesmo ao apagamento
pela hipoxia severa.
- O que é menos conhecido treinadores e dos apneístas, é que no fim da
apnéia, depois de uma hiperventilação, a pressão pode ficar baixa.
Podemos ter, simultaneamente, hipoxia e hipercapnia ! Estes
efeitos são cumulativos, quer dizer, que seus efeitos negativos se juntam.
A hipocapnia (baixa de CO2) leva a uma vasoconstrição cerebral (debito
sanguíneo menos importante no cérebro) que agrava a hipoxia cerebral (pouco
oxigênio).Finalmente se tem mais chances de entrada em síncope após uma
hiperventilação quando a pressão parcial do oxigênio é fraca.
A prática da hiperventilação exagerada só levará à aceleração
cardíaca, ao cansaço do músculo do diafragma, a um maior consumo de
oxigênio, à tonturas (pela hipoxia comentada acima), ou sejam, fatores
indesejáveis para um apneísta que se prepara para uma performance.
Muitas pessoas que hoje praticam a hiperventilação temem "mudar"
por acharem que o seu tempo está ótimo, e não pensam que poderiam, inclusive,
melhorá-lo ainda mais e com menos riscos de acidentes.
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