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Rosca de torneiras refeitas - Uma bomba relógio em mãos
Em meados das décadas de 80/90, principalmente para aqueles que atuavam no mergulho como eu, certamente chegaram à presenciar diversos cilindros com roscas refeitas, para que as
torneiras (registros) de mergulho pudessem encaixar na
rosca em questão.
No passado, devido a falta de distribuidores de equipamentos no Brasil e
dificuldades na importação de equipamentos, era comum encontrarmos os chamados
cilindros "Coca-Cola", que nada mais eram, do que cilindros fabricados para as
máquinas de refrigerantes, e que acabaram sendo utilizados para o mergulho,
pois saía bem mais em conta adquirir um cilindro desses e
refazer sua rosca para adaptar uma torneira, do que adquirir um cilindro S80,
por exemplo.
Estes cilindros, além de terem sua rosca refeita, não possíam um tratamento
específico e características voltadas para a utilização imerso em água doce e
salgada. Trabalhavam com pressões inferiores a 2.2250 PSI, e não
demandavam tanto gás assim. Nunca soube de algum caso de acidente com torneira se soltando destes cilindros, porém, era mais do que comum, haverem vazamentos
na junção do cilindro com a torneira.
Na época em questão tinha apenas 18 anos, e ao ver um conhecido instrutor
chegar com quase 30 cilindros desses, me arrepiava, pois a cada 6 ou 7, 1 deles
vazava e era necessário a troca de o-ring. Realmente não tinha idéia ao
perigo o qual estava exposto.
Assim como eu, aqueles que chegaram à utilizar este equipamento,
tiveram a sorte de não sofre um grave acidente.
A fabricação de um cilindro de mergulho passa por várias fases até chegar
ao consumidor final, e uma pessoa que refaça a rosca de um cilindro de mergulho, provavelmente não
tem idéia do que terá em mãos. Seria como uma "bomba" que a
qualquer instante pode cuspir um registro a centenas de metros, passando por
cima do que estiver pela frente.
Fatos ocorridos
Nos últimos anos, ocorreram no Brasil, três acidentes relacionados à
roscas de cilindros, e um acidente pelo uso de torneira incompatível com a rosca
do cilindro.
Nos casos em que as torneiras se soltaram do cilindros, estes tiveram suas
roscas refeitas para que torneiras de padrão europeu encaixassem em cilindros fabricados com rosca padrão
americano. Devido à isso, a sala de recarga de uma operadora de mergulho foi
completamente destruída, e o técnico que realizava a recarga foi jogado
longe, devido ao deslocamento de ar (Veja a entrevista
com Paulo Dias sobre o fato).
No ano passado (2005), um mergulhador sofreu um grave acidente, pois a torneira utilizada no cilindro em questão, foi
literalmente "cuspida".
Refazer o rosqueamento em cilindros de mergulho pode ser rápido e prático para se tentar obter uma solução
para um problema de encaixe de torneira (registro) no cilindro, no entanto, a
rosca é milimetricamente perfeita quando feita pela fábrica de cilindros, e
dentro de padrões e normas internacionais. Adulterar uma rosca, é forçar um encaixe entre dois objetos,
e expor não só o mergulhador, como os demais à sua volta ao perigo
incalculável.
Com a pressão atuando diretamente do interior para fora, no caso de uma
torneira com rosca incondizente com a do cilindro, será esta a área mais
frágil e mais sucetível à saída desta pressão.
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Fotos: Thomas Weis

Acidente ocorrido durante a recarga de um cilindro com rosca refeita. Toda a
área foi destruída. Por sorte, não havia ninguém no momento.

Durante o transporte, a torneira foi cuspida do cilindro, e o deslocamento de ar
no interior do mesmo causou grande destruição.
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