|
Pilhas e baterias de lanternas – Entendendo um pouco sobre elas
Atualmente encontramos diversos tipos e modelos de lanternas disponíveis no
mercado de equipamentos de mergulho, mas poucos destes são detalhados, vindo a
confundir o mergulhador com tanta informação desencontrada e desnecessária.
Pilhas e Baterias
Pilha ou bateria, é um tipo de gerador elétrico cuja energia é obtida
através de processos químicos. Atualmente encontramos no mercado três tipos:
comuns, alcalinas e recarregáveis.
A diferença está na composição de cada uma delas.
Pilhas comuns são compostas de zinco metálico em meio ácido separado por
um papel poroso.
Pilhas alcalinas também provém voltagem de 1,5 V, e não são recarregáveis.
Comparando-se com as pilhas secas comuns, as alcalinas são mais caras, mantêm
a voltagem constante por mais tempo e duram em média, cinco vezes mais. Isso
ocorre porque o hidróxido de sódio ou potássio, é melhor condutor eletrolítico,
resultando em uma resistência interna muito menor que as pilhas comuns. Além
disso, o meio básico faz com que o eletrodo de zinco sofra um desgaste mais
lento, comparado com as pilhas comuns que possuem um caráter ácido.
Quando falamos em mergulhos onde haja a necessidade de um planejamento maior,
como é o caso de mergulhos em noturnos, em naufrágios ou cavernas, o
mergulhador deve utilizar pilhas alcalinas, devido a durabilidade.
Pilhas Recarregáveis
Os primeiros modelos lançados no mercado, eram compostos de uma liga de níquel
cádmio (Ni-Cd).
As pilhas e baterias recarregáveis são indicadas para mergulhos rápidos e
que não haja riscos aos mergulhador. A grande vantagem dela, é justamente a
possibilidade de recarga, contudo, a queda de sua energia é rápida, onde ao
final de sua carga, sua energia cai abruptamente, levando alguns míseros
segundos para que a lanterna se apague, deixando o mergulhador literalmente na mão.
Em mergulhos noturnos, é comum ver a lanterna deixar o mergulhador no escuro,
por não ter tido tempo hábil para pegar outra lanterna.
Ao receber uma sequência de cargas parciais, as pilhas e baterias de Níquel
Cádmio passam a armazenar cada vez menos energia, até ficarem inutilizadas.
Elas são compostas por cristais microscópicos, desenvolvidos para
proporcionar uma área de contato maior. Após algumas cargas parciais, os
cristais começam a se juntar, formando cristais maiores. Quanto maiores os
cristais, menor será a área de contato e menos energia será armazenada. É
possível quebrar os cristais "exercitando" a bateria, através de uma
série de ciclos de carga e descarga completa. Alguns carregadores utilizam
pulsos de recarga, onde a tensão aplicada varia em ciclos de menos de um
segundo. Estes pulsos ajudam a quebrar os cristais, acelerando o processo de
recondicionamento. Outra técnica é fazer uma "Deep Discharge", ou
seja, uma "descarga profunda", onde a tensão das células é reduzida
a um valor muito abaixo do normal, processo seguido por uma recarga completa.
Um ponto importante deste tipo é sua a toxidade. Baterias de Níquel Cádmio
não podem simplesmente serem jogadas no lixo. Precisam ser entregues nas
lixeiras especiais, pois seu conteúdo é altamento tóxico.
As baterias de Níquel Metal Hidreto (Ni-MH) foram desenvolvidas a partir da
década de 70, e aperfeiçoadas ao longo da década de 1980. Elas são uma evolução
direta das Níquel Cádmio.
Possuem uma densidade energética 40% superior a das baterias Ni-Cd e são
muito menos suscetíveis ao efeito memória. Realizar um ciclo completo de carga
e descarga é normalmente suficiente para reverter os danos causados por algumas
recargas parciais. Por outro lado, as baterias Ni-MH são mais caras e suportam
bem menos ciclos de recarga.
Baterias Li-ion são de longe mais complexas e temperamentais que as Ni-Cd e
Ni-MH, em compensação, possuem uma densidade energética de duas a três vezes
maior que as baterias Ni-MH (considerando duas baterias de mesmo peso), conforme
a técnica de fabricação utilizada.
Além disso, não possuem efeito memória. Pelo contrário, descarregar a
bateria completamente antes de carregar acaba servindo apenas para desperdiçar
um ciclo de carga / descarga, tendo um efeito contrário ao esperado.
As baterias Li-ion são de uma tecnologia relativamente recente. Os primeiros
testes foram feitos na década de 70, utilizando o lítio na forma de metal, com
resultados quase sempre catastróficos. O lítio é um material muito instável
e por isso as baterias explodiam, destruindo os equipamentos e até ferindo os
operadores. Em agosto de 2006 a Dell e a Apple anunciaram um grande recall de
baterias, substituindo 5.9 milhões de baterias de um lote defeituoso, fabricado
pela Sony. Estas células foram acidentalmente produzidas com lítio impuro,
contaminado com traços de outros metais.
Durante a década de 80, as pesquisas se concentraram no uso de íons de lítio,
uma forma bem mais estável. Em 1991 a Sony lançou as primeiras baterias
comercias.
Atualmente as pilhas e baterias de Ni-MH estão sendo utilizadas na maioria
das lanternas de canister, e são excelentes para o uso no mergulho técnico. As
de Li-Ion ainda são muito caras e com características ainda não muito bem
estudadas, como por exemplo, a sua atuação sobre pressão. Recomendações
- Ao deixar a bateria recarregando mais do que o necessário, pode reduzir o
ciclo de vida da mesma devido ao continuo calor gerado durante o processo de
carga. Este aquecimento contribui na degradação da bateria.
- Não deixe a bateria no carregador toda a noite ou mais do que o
recomendado. - Não deixe de utilizar a bateria por longo tempo. Mesmo que não
haja mergulho previsto, ligue sua lanterna e deixe-a dentro de um balde com água.
Faça isso pelo menos a cada 60 dias no máximo.
|