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Princípios Científicos da Preparação Física aplicada a Mergulhadores de
Resgate
Hoje em dia é impossível imaginar qualquer treinamento sem o aval da
ciência, pois esta tendência é sem sombra de dúvidas uma das estudadas em
todo o mundo. O mesmo podemos afirmar a respeito da preparação física de
mergulhadores de resgate.
Se você é um mergulhador de resgate ou pretende ser, deve em primeiro lugar
entender que uma preparação física séria deve ser planejada, assim como em
qualquer outro esporte.
Diz-se frequentemente nos bastidores das equipes de salvamento e de resgate
aquático, que conforme se quer salvar assim se deve treinar, ou seja, sugere-se
uma relação de interdependência e reciprocidade entre o resgate e a
preparação.
Essa premissa é uma verdade. Pretende-se que a preparação de um
mergulhador de resgate seja adequada, isto é, que induza adaptações
específicas que viabilizem uma maior eficácia nos salvamentos e resgates
aquáticos e subaquáticos.
Os comportamentos exteriorizados pelos mergulhadores de resgate durante
situações reais traduzem, em grande parte, o resultado das adaptações
provocadas pelo processo de treinamento.
Da mesma maneira, a orientação do processo de treinamento decorre da
informação extraída em situações reais, do que aprendemos de fato em cada
emergência.
Por isso deve-se conhecer cada vez melhor o salvamento e o resgate e,
sobretudo, os fatores que concorrem para a sua qualidade.
Com base na análise de salvamentos e simulados, instrutores das diversas
agências têm procurado desenvolver a atividade por vários caminhos.
Posso afirmar que juntamente com toda a matemática que envolve um programa
de preparação física científico, não podemos perder de vista alguns
princípios que norteiam todo o treinamento desportivo. São eles:
1. Princípio da Individualidade Biológica - Cada indivíduo é único,
possuindo suas características pessoais integradas, somatório de sua carga
genética com suas experiências pessoais.
Inferimos que assim sendo não existe rigor científico em um programa de
condicionamento físico grupal, onde todos fazem os mesmos exercícios em
conjunto. O programa precisa ser individualizado.
2. Princípio da Adaptação - Sempre que o corpo humano é estressado por uma
atividade física ocorre uma perturbação na homeostase. A resposta orgânica
é uma adaptação fisiológica visando restabelecer o equilíbrio, além de
preparar-se para receber em melhores condições um novo stress. Esta
adaptação é o que objetivamos: o aumento da performance.
3. Princípio da Sobrecarga - Após um retorno à homeostase o organismo estará
mais preparado para receber um novo stress de mesma intensidade. Com isto,
depois de algum tempo recebendo as mesmas cargas, o organismo não se
desequilibrará mais, deixando com isto de aumentar a performance.
Quem nada diariamente a mesma distância, na mesma velocidade, tem o direito
de se considerar condicionado fisicamente. Mas, com certeza, seu condicionamento
físico não evoluirá. Ele apenas atingiu um outro patamar de equilíbrio e
permanecerá por lá enquanto não desequilibrar novamente sua homeostase.
Para gerar esse desequilíbrio, será necessário um novo stress, aumentando
a carga do treinamento, seja em volume ou intensidade.
4. Princípio da Interdependência Volume-Intensidade - Um organismo não
aguenta trabalhar por muito tempo um alto volume (grande quilometragem, muitas
repetições na musculação, horas e horas de treinamento) com uma alta
intensidade (grande velocidade, grande carga na musculação, redução dos
intervalos de descanso).
Em geral, utiliza-se grande volume e pequena intensidade no início da
preparação física básica, invertendo-se esta situação mais tarde, na fase
de preparação específica.
5. Princípio da Continuidade - No momento exato em que acontece um salvamento,
seja simulado ou seja real, o organismo não está executando nada de bom para
ele. Pelo contrário, há um stress físico que, dependendo do nível de volume
e/ou intensidade, pode resultar em cansaço, fadiga, sobretreinamento ou
exaustão. Cansaço e fadiga são esperados e desejados em um programa de
condicionamento físico. Porém sobretreinamento e exaustão são indesejáveis
e podem colocar todo o planejamento do treinamento a perder.
O stress provocado pela sessão de treinamento deve levar o organismo a
depleção energética e, em seguida, favorecer a recuperação e evolução
para um patamar acima dos valores iniciais.
Vale lembrar que esta permanência não é eterna. Se não acontecer o treino
seguinte enquanto o metabolismo encontra-se em "supercompensação", a
tendência é a volta aos valores iniciais, perdendo-se a chance deste treino
levar a uma melhora da performance.
6. Princípio da Especificidade - A fisiologia do esforço diz e a prática
desportiva de alto nível corrobora que o treinamento deve chegar o mais perto
possível do gesto esportivo da modalidade em questão. E isto é verdade tanto
em relação à coordenação motora quanto à fonte energética usada.
Assim sendo, o princípio da especificidade preconiza que sejam treinados os
aspectos que se prendem diretamente com o salvamento e o resgate (estrutura do
movimento, tipo de esforços, natureza das tarefas, no sentido de viabilizar a
maior transferência possível das aquisições conseguidas no treino para o
contexto específico do resgate).
Se você seguir seriamente estes princípios e calcular corretamente os
valores de volume e intensidade de cada sessão de treinamento, considerando-se
todo o período do macrociclo, as chances de você completar com sucesso seus
objetivos serão enormes.
Lembre-se: você pode fazer a diferença !
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