Artigos: Mergulho no Paraná
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Mergulho no Paraná

Dos estados brasileiros que divisam com o mar, o estado do Paraná é o que possui uma das menores extensões de litoral. Ao norte e ao sul, o mar sofre a incidência do deságue das baías de Paranaguá e de Guaratuba, o que por um lado prejudica a visibilidade, pelo outro, representa um grande ingresso de nutrientes ao mar, atraindo bastante vida marinha.

A atividade de mergulho neste estado, desenvolveu-se mais substancialmente a partir da implementação do Projeto RAM (Recifes Artificiais Marinhos) da Universidade Federal do Paraná, no ano de 2001. Naquela época foram afundadas cerca de duas mil estruturas de concreto mais duas balsas graneleiras formando um quadrilátero imaginário, cuja área corresponde a cerca de 1% (um por cento) do mar territorial paranaense.

Não demorou muito para que os recifes artificiais fossem adotados como morada de muitos Meros, o que deu origem ao Parque dos Meros, sendo um importante ponto de mergulho neste Estado.

Além do Parque dos Meros, e das Balsas Espera 7 e Dianka, os mergulhos também são realizados nas ilhas dos Currais, Ilha de Itacolomis e Ilha da Figueira.

Principais pontos de mergulho na região

Parque dos Meros

Este parque na verdade, são conjuntos de recifes artificiais localizados em área desabrigada, onde profundidade varia entre 16 e 19m, sujeito à uma correnteza de leve a moderada, e com visibilidade variando entre 2 a 12m. É possível avistar meros, garoupas, badejos, bijupirás, raias-prego, cavalas, cardumes de sardinha e manjuba, além de muitas marias-da-toca, robalos e até lagosta.

Ilha dos Currais

Situada a cerca de 8 milhas da costa, a ilha na verdade, é um conjunto de três ilhas em sentido leste / oeste, estando a maior delas mais ao leste. Nesta, encontramos o maior índice de aves por metro quadrado do Brasil, sendo avistados mais comumente gaivotas, atobás e andorinhas-do-mar. Embaixo d’água, a profundidade máxima não passa dos 11m. O relevo submarino é formado por muitas pedras e várias tocas onde é possível encontrar além de corais e vegetação muito bem preservada, guaiúbas, salemas, jaguareças, moréias, anteninhas, ermitões, peixes borboleta e tartarugas.

Para os mergulhadores com certificação de avançado, é possível realizar um drift-dive no parcel que se estende ao oeste das ilhas. A visibilidade local varia entre 5 e 12m, e com temperatura da água entre 20 e 26ºC o ano todo.

Balsas

Sem dúvida o melhor mergulho do Estado. A profundidade varia entre 25 e 30 metros, com visibilidade de 2 aos surpreendentes 30 metros em dias de mar e vento calmos. No local o grande barato, além das estruturas naufragadas, são os peixes de passagem, como cavalas, peixes-galo e bicudas. Cardumes de sardinha também são frequentes, assim como os inefáveis meros.

Ilha de Itacolomis

Um pequeno maciço de pedras sem vegetação ao largo do badalado balneário de Caiobá, proporciona excelentes mergulhos, com águas claras e muita vida marinha. Profundidade máxima de 16m, sujeita a variações inesperadas de visibilidade, face à proximidade com a Baía de Guaratuba e a pequena região de abrigo.

Ilha da Figueira

Esta é a mais bela das Ilhas Paranaenses, localizada na divisa com o Estado de São Paulo, seu formato é intrigante, pois erige-se da água diretamente a quase 60 metros de altura. A profundidade média fica em torno dos 15m, com as demais características semelhantes à da Ilha dos Currais. Nenhuma das operadoras locais realiza saídas regulares para lá, devido à distância.

 
Foto: Noeli Ribeiro

Fotos: Fabrício Todeschini

Foto: Ana Cristina Casara


Samuel Martins, Advogado especialista em Direito Tributário. Mergulha desde 2005. Integrou a equipe que realizou o primeiro mergulho noturno no Parque dos Meros, em Dezembro de 2006. Grande entusiasta no desenvolvimento da atividade de mergulho no Estado do Paraná.