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Museu da História do Mergulho
Após passar alguns meses morando e trabalhando com mergulho na Republica
Dominicana (estarei enviando um relato sobre esse episódio em breve ao Brasil
Mergulho), minha passagem de volta ao Brasil faria uma baldeação em Miami.
Antes de sair do aeroporto de Punta Cana na Republica Dominicana para Miami,
deixei o vôo de volta para São Paulo pré marcado apenas para o próximo dia,
o que me deixaria com umas 36 horas livres para conhecer a cidade e dar uma
passeada rápida por seus arredores.
Ao desembarcar no aeroporto internacional de Miami, aluguei um carro que
tornou-se minha mochila até o momento de voltar ao Brasil. Afinal, estava
voltando de cinco meses e meio na Republica Dominicana carregado de mochilas e
caixas com tralha de mergulho recreacional e técnico e não pensava em gastar
com hospedagem no EUA. Após morar em um lugar tão pobre, passar um tempo em um
carro alugado seria cinco estrelas pra mim.
A princípio o plano era conhecer a cidade de Miami e descer pela estrada 01
para conhecer Florida Keys até Key West e aproveitar para passar em alguns dive
outlet’s pelo caminho.
Nesse caminho existem muitos desses dive outlets, grandes lojas de
equipamento de mergulho, mas para minha decepção não encontrei nada que
compensasse trazer pelo preço ou que fosse realmente mais barato que aqui no
Brasil. A única coisa que compensa comprar por lá em minha opinião são
cilindros S40 que custam US$ 120,00 já com a torneira, quase um terço do que o
preço vendido aqui no Brasil e podem ser trazidos na bagagem. De resto por ser
próximo a Miami, os equipamentos por lá são em geral caros.
Quando estava seguindo a estrada sentido Key west, ainda era cedo da
madrugada e estava tudo fechado nas ruas, com exceção de algumas lojas de
conveniência.
Uma
local com uma grande pintura na fachada de um cenário submarino, com um
tubarão baleia desenhado em tamanho real na parede me chamou a atenção.
Encostei o carro no estacionamento na calçada em frente onde havia uma placa
dizendo: History of Diving Museum, e havia um escafandro desenhado em uma enorme
placa.
Na porta de entrada vi o horário de abertura museu (salvo melhor juízo era
às 9:00 da manhã), e decidi passar e dar uma olhada quando estivesse voltando
de Key west já que inevitavelmente passaria por lá.
Na volta dos Keys já estava amanhecendo, e as lojas abrindo. Existem
diversas operadoras e lojas de mergulho pela beira da estrada, algumas bem
interessantes. Em uma delas existia uma vitrine com a coleção de todos os
reguladores Scubapro que já saíram no mercado até hoje, inclusive alguns de
edição limitada, bem curiosos e de cores bem diferentes. Infelizmente o
proprietário não permitiu que fosse fotografada tal coleção.
Quando voltei no horário de abertura após um passeio pelos Keys, um
simpático senhor de bigode (típico americano da Flórida) estava abrindo o
museu e me convidou a entrar e esperar enquanto abria o local, e um ajudante
dele foi me explicando e dando orientações sobre o museu.
Segundo
ele, tratava-se de um museu recente, aberto a menos de 6 meses, com a maior
coleção no mundo de artefatos sobre o mergulho e sua história. Os donos do
museu são um casal de milionários chamados Drs. Joe e Sally Bauer que nos
últimos 30 anos viajou o mudo todo comprando e colecionando peças de todos os
tipos sobre o mergulho em diferentes épocas e coisas relativas sobre o assunto.
No site do museu épossível obter mais informações sobre eles.
Após uma breve explicação, esse senhor que me recepcionou, entregou-me um
planfleto informativo com o croqui do museu e disse que eu poderia ficar à
vontade o tempo que quisesse por lá, e o que eu tivesse de duvidas era só
chama-lo que teria o prazer de explicar. Não resisti e perguntei se poderia
fotografar o museu, e para minha felicidade ele disse que poderia filmar e
fotografar o quanto quisesse. Disse a ele que enviaria para um site de mergulho
no Brasil e divulgaria o museu por aqui.
Aproveitei e fiz um grande acervo de imagens e pequenos vídeos. Infelizmente
fica inviável colocar tudo nessa matéria, principalmente os vídeos mas vou
tentar escrever o menos possível colocar o máximo possível de fotos
interessantes que dirão por si só.
O croqui do museu é o seguinte:

O museu é um caminho que começa no quadrado a esquerda "Musseum
shop" que é a entrada e como nos EUA não poderia faltar uma lojinha de
suvenirs. Custa US$ 10 a entrada e vale muito a pena visitar o local, recomendo
mesmo àqueles que não são mergulhadores pois é muito interessante.
Um corredor segue para uma sala chamada Timeline of Diving, que é a linha do
tempo com os primórios do mergulho. Começando com o mergulho livre para
exploração de pérolas, passando por "Improbable Machines" onde tem
desde um snorkel medieval de 400 anos atrás, feito de um capuz de couro com 3
metros de comprimento, a sinos de mergulho feitos de madeira e esboços de
escafandros medievais inacreditáveis !
Na próxima seção "sul da Flórida e caçadores de tesouros"
estão as origem dos primeiros capacetes, de ferro feitos no século XVII, os
chamados Smoke Helmets utilizados à princípio, para trabalhos de bombeiros
para entrar em celeiros em chamas e combater incêndios e logo ao lado os
primeiros capacetes feitos para mergulho e desenvolvimento destes a partir dos
Smoke Helmets. Conta com um grande acervo histórico da importância do Sul da
Flórida no desenvolvimento do mergulho. Existem itens curiosos como uma
sandália de dedo feita de ferro que servia de lastro dentre diversas outras
coisas estranhas....
Terminado esse primeiro corredor do museu, chega-se a uma grande sala com os
Divinhoods e Home Made Helmets. É uma parte realmente incrível, os HomeMade
Helmets (capecetes caseiros) são de uma criatividade extraordinária, é
difícil de imaginar pessoas utilizando aqueles capacetes de ferro com mais de
60Kg, que mais lembram as lendas da mascara de ferro para mergulhar, sendo
alguns muito toscos ou exóticos, feitos provavelmente de pedaços de cano de
metal e restos de ferro velho, soldados na garagem de casa. Existem diversos
tipos e formas e cores nessa seção (vide fotos).
Em uma sala à parte denominada Pumps estão as bombas, manivelas e
compressores manuais. Algo inimaginável ! Hoje achamos absurdo os mergulhadores
de narguilé, mergulhando com compressor pra pegar lagosta no nordeste, mas ao
ver essa seção se tem outra visão sobre mergulhos absurdos. Naquela época se
mergulhava com capacetes de 60 Kg, muito desengonçados ao invés da pequena
mascara que usamos hoje e alem de tudo não era um compressor mecânico
bombeando ar e sim outra pessoa que ficava bombeando ar manualmente em uma
alavanca, fazendo movimentos frenéticos pra frente e pra trás se poder parar,
ou se companheiro ficaria sem ar de baixo d'água... muito interessante e
incrível só vendo pra crer.
Nessa mesma sala, alem das bombas manuais, também ficam o que poderíamos
chamar de avôs dos compressores atuais. Já com manômetros, mas com manivelas
de roda pra bombear o ar manualmente ainda.
A sala seguinte é a maior do museu. Denominada Parade of Nations, existe uma
coleção com os mais diversos capacetes do mundo, deve haver uns 100 capacetes.
Lindos ! Dos mais diferentes tipos, inclusive um russo de vidro
!!! Infelizmente não tem nenhum do Brasil.
É uma seção que emocional pela beleza, muito bonita e bem organizada.
Existe um croqui da sala com os nomes, ano de fabricação e paises de origem de
cada capacete.
Na sequência, um espaço com as origens dos lendários capacetes Mark V da
US Navy, com todos os seus antecessores (Mark I, II, III, IV e claro o V), alem
de fotos e documentos de época.
Próxima parte, as origens das lanternas e comunicação sub, com algumas
ferramentas também como suspensórios de lastro, facas, elevadores-stage para
escafandristas etc. São os primórdios do mergulho comercial, e existem
cenários montados bem legais com os escafandros "trabalhando".
Na sequência começa o inicio da utilização do gás Hélio no mergulho.
Escafandros incríveis que utilizam Trimix / Heliox e possuem scrubber na parte
de trás do capacete para absorver o gás carbônico, como em rebrethers. Estão
em exposição, escafandros "Helium" russos, japoneses e americanos.
Na seção ao lado já começa o acervo Scuba, com uma riqueza impressionante
de itens e documentos históricos.
Existe uma coleção dos primeiros reguladores de circuito aberto, muitas
fotos e relatos sobre claro Jacques Cousteau. Mas além do scuba de ciruito
aberto, existe muitas outras coisas pré e pós Jacques Cousteau sobre rebreathers. Pra quem gosta de rebreathers é um prato cheio, existem diversos
tipos, fotos e diagramas interessantes. Desde rebreathers da segunda guerra
mundial, um capacete rebreather, e até um capacete rebreather de madeira !!!
Chegando aos mais atuais como o famoso Dräger.
Quando estive no museu, ainda estava inacabada uma parte sobre mergulho no
abismo, que ficaria pronta dali a dois meses, deve ser muito interessante como
tudo que existe por lá.
Recomendo que quem passar por Miami gaste um tempinho e desça pra Florida
Keys, pra ser mais especifico para o Keys de Islamorada e confira o museu. Fica
aproximadamente a 160 Km do aeroporto internacional de Miami, bem no meio do
caminho que vai para Key West. Mesmo pra quem não mergulha é algo muito legal
e curioso de se ver, alem de não haver algo similar em outro lugar. Como
mergulhador me emocionei ao ver algumas coisas por lá, é realmente incrível.
Existe um site do museu na internet e para quem quiser conferir, o endereço é:
http://www.divingmuseum.com.
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