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Entrevista:
Daniel Botelho - Fotógrafo Sub Fotógrafo, divemaster e especialista em mergulho e
interação com tubarões.
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Conte um pouco de sua história e porque você optou principalmente em
fotografar a vida selvagem.
Eu sempre tive uma ligação muito forte com a natureza. Tive muita sorte, pois meu pai
possuía uma casa no meio do mato e meu tio uma casa no mar. Durante
minha infância, passava os fins de semana e férias no mato, procurando seres ou no mar praticando snorkel.
Meu pai, um grande entusiasta pela vida selvagem, me apresentou bem cedo aos
vídeos da National Geographic e assim desde criança, sonhei em estar presente
nas cenas que assistia. A fotografia surgiu como uma maneira de dividir com os
outros, momentos muito especiais de intimidade e confiança entre mim e os
animais selvagens.
Quais foram as dificuldades iniciais ?
Falta de lojas com bom sortimento de produtos para fotografia subaquática
no Brasil. Isso foi e ainda é uma dificuldade para o fotógrafo sub brasileiro.
É muito
chato comprar um produto pela internet sem poder ver e tocar pessoalmente antes
da aquisição. Porém, creio que a democratização da fotografia subaquática
através de equipamentos mais acessíveis e de alta qualidade, vêm aumentando
sensivelmente o número de praticantes desta modalidade, e espero que isso
incentive as lojas de mergulho brasileiras, a investirem na venda de caixas estanque
e flashes.
Que tipos de imagens você tem preferência ?
A fotografia jornalística, é fundamental para tornar uma foto interessante,
mas não o bastante para fazê-la atraente.
Gosto de fotografia artística,
embasada em cunho jornalístico e de interação bastante explícita, ou seja, gosto de imagens que revelam um acontecimento, valorizando o movimento e as
cores sem se esquecer da espontaneidade. Tento fugir do que já existe e criar
um conceito de que a fotografia da vida selvagem pode e deve ser usada como
artigo contemporâneo na decoração das casas, assim como um material atual e
ecologicamente correto para campanhas publicitárias e veiculação de
marcas.
Qual foi a fotografia mais difícil de ser obtida ?
Fotografar o Tubarão Tigre em Protea Banks foi bastante desconfortável
algumas vezes. Optei por esse local de mergulho, localizado na costa leste da África do
Sul, pois lá, é possível mergulhar com tubarões sem qualquer tipo de
atração por comida. Fotografar o animal não foi problema, mas sair da praia
em speed boat, encarando ondas de até dois metros com equipamento de foto na
mão e depois encarar intervalos de superfície embaixo de sol no meio do
oceano balançando para cima e para baixo, durante sete dias seguidos, foi
bastante desgastante. Mas é claro que os mergulhos e principalmente os
encontros foram bastante compensadores !!!
Como foi o seu primeiro encontro com os tubarões brancos ?
Foi em 2005 quando participei junto ao naturalista Michael Rutzen, da
produção de uma série de documentários do Discovery Channel e Animal Planet
sobre o comportamento natural de alimentação do Tubarão Branco, e sobre
o mergulho e
interação com tubarões brancos sem gaiola. Tivemos a grande sorte de
presenciar uma carcaça de baleia em decomposição sendo atacada por quarenta
tubarões brancos diferentes. Somente duas equipes conseguiram flagrar tal
evento até hoje na África do Sul.
Na sua visão, você acredita que hoje qualquer mergulhador possa obter
excelentes fotografias submarinas com as câmeras digitais ?
Eu demorei um pouquinho para aderir a fotografia digital, e comecei sem muita
fé adquirindo uma câmera compacta. Hoje posso dizer tranquilamente que a
fotografia digital é uma das grandes responsáveis pelo crescimento quanto ao
número de fotógrafos sub pelo mundo. O fato de não estar limitado à quantidade de
exposições do filme é um diferencial que deixa a fotografia digital anos luz
a frente da fotografia com filme no caso da modalidade subaquática.
Hoje, que equipamentos você utiliza ?
Atuo com uma Nikon D200, caixas Ikelite e Light & Motion Titan, uma dupla de DS200 Substrobe e outra dupla de DS125 Substrobe. Lentes:
Nikkor 10.5mm, 12-24mm, 14-24mm, 18-135mm, 105mm VR, 70-300VR e 200mm.
Com câmeras digitais básicas, é possível obter boas imagens ?
Sim, as câmeras atuais mesmo sendo básicas conseguem gerar imagens de
grande qualidade. Acrescentando um flash e lentes externas, elas são
praticamente equivalentes a DSLR com um custo beneficio bastante atraente.
O que um mergulhador precisa para ser um bom fotógrafo ?
Não basta ser mergulhador para ser fotógrafo assim como não basta
fotografar embaixo d'água. O inverso tem que ser verdadeiro, mergulhador e
fotógrafo, fotógrafo e mergulhador. Não basta colocar a câmera na caixa e
mergulhar, existe um treinamento fora d'água extremamente importante. Controle
manual total sobre a câmera, assim como, conhecer os fundamentos gerais da
fotografia são fatores preponderantes.
Essas tarefas devem ser praticadas dentro
e fora d´água. Flutuabilidade bastante apurada para manter a água clara e
não assustar o animal é crucial.
Os equipamentos devem estar em bom estado de
manutenção para que o mergulhador possa se dedicar com tranquilidade a
atividade em completa segurança. Por último e mais importante, uma dupla
bastante paciente pois acompanhar fotógrafos sub durante suas sessões de foto
não é lá mergulho dinâmico...
O que você diria aos mergulhadores que pretendem ingressar na fotografia sub
?
Cuidado na hora de comprar equipamentos, pesquise sempre o preço, comece pelo
básico e explore ao máximo até incrementar novamente a sua configuração. Fuja da
fotografia óbvia e a única maneira para isso é conhecendo a fundo o que já
existe.
Estou à disposição para qualquer dica na compra de equipamentos, para
ministrar cursos individuais e para grupos de interessados em fotografia
subaquática amadora e profissional.
Entrem em contato pelo meu
site www.danielbotelho.com
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