Artigos: Equipamentos de Mergulho X Lavagem
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Equipamentos de Mergulho X Lavagem

Quando um mergulhador realiza o seu curso básico, uma das primeiras coisas que ele aprende, é que se deve sempre lavar os equipamentos logo após o mergulho. Mas o que o instrutor não fala, é que se deve lavar bem, muito bem seus equipamentos.

Quando o mergulho é realizado no mar, a alta salinidade é um fator prejudicial aos equipamentos de mergulho, principalmente quanto aos itens fabricados em borracha, por exemplo. No caso dos cilindros fabricados em aço, a presença do sal na água acelera a degradação e corrosão desses cilindros.

Após o mergulho, lave todo o material com água doce, deixando a água passar pelos equipamentos, e principalmente, pelas áreas restritas e de pequeno acesso, pois são os locais onde há mais chances de haver a presença de cristais de sal.

Pra quem não sabe, se um equipamento de mergulho não é lavado após a utilização do mesmo em água salgada, pequenos cristais de sal serão formados entorno do equipamento. Ao se formarem em locais onde contenham o-ring’s, por exemplo, esses cristais podem ser considerados como um elemento cortante, apesar do tamanho reduzido e microscópico, eles podem criar minúsculos cortes microscópicos, facilitando um alagamento dependendo do equipamento em si.

Em áreas metálicas, conforme o material utilizado na fabricação, o sal possuirá um poder de reagente químico capaz de deformar o material metálico. Já presenciei um cilindro utilizado como stage de mergulho técnico, com uma pequena cavidade em sua lateral, por causa do acúmulo de sal em uma área onde o rig estava montado. Nesse caso, o proprietário do cilindro mergulhava com ele no mar, porém, nunca removia o rig do cilindro, o que contribuiu para a concentração de sal no local, mesmo após as lavagens com água doce, o que não foram suficientes para uma limpeza eficaz.

Existem no mercado, alguns produtos de limpeza e tratamento dos equipamentos, com a finalidade de diminuir a degradação dos materiais, sendo essencial antes de tudo, saber e utilizá-los nos produtos dentre os quais se destinam. Antigamente por exemplo, talvez pela falta de informação e uma ferramenta de referência como a Internet, era comum os mergulhadores utilizarem silicone líquido em suas nadadeiras de borracha. Falava-se que passar o silicone líquido, diminuiria a degradação da borracha em si, ficando comprovado posteriormente que esse procedimento só deixava a borracha mais limpa e clara, dando uma boa aparência ao equipamento, porém, acelerando o processo de degradação enfraquecimento da borracha, devido a química utilizada na fabricação do silicone.

Hoje, é comum ver em algumas embarcações com um recipiente preenchido com água, para a colocação de máquinas fotográficas e câmeras de vídeo após terem sido utilizadas no mergulho. Antes de utilizar este recipiente, veja a coloração da água. Estando límpida, sem problemas. Água com tonalidade diferente de água potável, não utilizei. Muito provavelmente não é uma água trocada recentemente e o índice de sal estará alto, sendo pior deixar seu equipamento num recipiente desses, a deixá-los em uma mala de equipamentos molhados. Na dúvida, jogue um balde de água doce no seu equipamento pra garantir.

Reguladores

Ao lavar seu regulador, deixe a água doce correr pelo equipamento, fazendo com que ela passe pelo bigode do segundo estágio e pequenos orifícios que sejam encontrados no primeiro estágio. Jamais pressione o botão de purga enquanto estiver lavando seu regulador. Esteja atento ao protetor de filtro no primeiro estágio, também conhecido como "chapéu de bruxa", verificando se o mesmo encontra-se fixado antes de iniciar a lavagem, para evitar a entrada de água no regulador.

Colete Equilibrador (BC)

Deixe a água doce correr bastante por ele, e principalmente, pela traquéia do power (acionadores) e pelas válvulas de exaustão e purga. Isso diminui as chances de acúmulo de sal e futuros problemas e botões emperrados. É interessante deixar entrar um pouco de água no interior da câmara do colete, para que ela possa remover o resquício de água salgada que por ventura tenha sobrado no interior desta câmara.

Para realizar esse procedimento, coloque pouca água, algo em torno de meio litro, para evitar que o peso da água no interior da câmara venha a danificar as soldas eletrônicas da mesma. A colocação da água é feita via o bocal de enchimento do colete por via oral. Pressione o power como se fosse encher o colete com o ar dos pulmões e jogue o meio litro de água para o interior do mesmo através do bocal de enchimento.

Balance o colete para os lados com ele parcialmente inflado, deixando a água circular pelo interior do colete e pressione novamente o power com o colete virado para baixo. Isso fará com que a água em seu interior saia pela traquéia abaixo.

Manômetros e Profundímetros

Com o passar dos tempos, sujeita e acúmulo de sal se tornam presentes entre o instrumento e o boot (corpo de borracha). De tempos em tempos, é aconselhável remover o boot desses instrumentos e limpar com bastante água, principalmente os orifícios responsáveis pelas medições.

Cilindros

Não requerem grande atenção. Lave-os com água doce, e principalmente a torneira e sua parte inferior.

Cilindros com boots devem ser removidos de tempos em tempos, a fim de evitar a presença de sal e corrosão.

Existem muitas dúvidas sobre a melhor forma de armazenamento dos cilindros de mergulho. Alguns mergulhadores preferem deixá-los em pé e outros, deitados. Contudo, já foi comprovado que a melhor forma é deixá-los em pé. Os cilindros possuem uma parte inferior bem mais espessa que as laterais, e se você guarda o cilindro deitado, a corrosão irá atuar na lateral do cilindro, que é muito mais sensível a corrosão.

Havendo um pequeno acúmulo de água em seu interior, essa água poderá contribuir na corrosão interna, e essa água atuando sobre uma parede mais fina, o cilindro deixará de ser utilizado mais rapidamente.

Eventualmente encontra-se um pouco de água nos cilindros, face a grande concentração de humidade e principalmente, quando os responsáveis pela recarga, esvaziam o cilindro muito rapidamente para um determinado motivo.

Roupas de Mergulho

Lave-as com água doce e principalmente o zíper. Se você é do tipo de mergulhador que eventualmente urina na roupa, deixe-a de molho de um dia para o outro. Um amaciante vai bem e os companheiros agradecem.

Se você gosta de utilizar shampoo para facilitar a colocação da roupa, tome cuidado com o tipo utilizado. Ele deve ser neutro.

Evite ficar transitando com sua roupa com zíper estanque estando aberto, isso antes e após o mergulho. Deixe o zíper fechado ou remova a roupa. Isso evitara a movimentação dos dentes e a possibilidade de danificar sua roupa.

Se sua roupa que utiliza o zíper do tipo estanque, guarde-a com o zíper aberto. Quando o zíper está fechado e conforme a forma em que a roupa é guardada, os dentes estarão muito tempo conectados, e estarão forçando uns contra os outros, o que eventualmente danifica o trilho e/ou o nylon ao redor da costura do zíper, inutilizando o mesmo e permitindo a entrada de água no interior da roupa. Nesse caso, o único jeito é trocar o zíper, coisa que não é fácil hoje no Brasil.

O melhor tratamento que se pode dar a um zíper estanque, é passar o Zip Tech, que além de proteger o zíper, facilita o deslizamento do mesmo. Se você não possui esse produto e/ou tem dificuldades em obtê-lo, utilize um pedaço de parafina, que pode ser encontrado nas lojas de tintas.

Máscara, Snorkel e Nadadeiras

Basta lavá-los com água doce. No caso da máscara, quando se faz um mergulho saindo de praia, alguns modelos retesam areia no interior da mesma. Isso pode permitir a entrada de água durante o mergulho. Remova esses grãos muito cuidado, com alguma ferramenta pontiaguda, porém, não cortante. Todo cuidado é pouco para evitar um possível corte no silicone ou borracha da máscara.

Não use talco para proteger a borracha e/ou silicone. Se a sua mascara está embaçando, clique aqui e veja alguns procedimentos para evitar que isso ocorra.

Verifique sempre o estado das tiras da máscara e das nadadeiras, para não ter uma surpresa na hora de mergulhar. Se a tira utilizada nas suas nadadeiras são de borracha, pense em trocá-las pelas molas de inox. Clique aqui e veja seus benefícios.

Lanternas

Esse é um item o qual se dever ter muito cuidado. Ao chegar em casa, abra a lanterna e remova as baterias. Limpe o o-ring e sua sede, que é o local onde o o-ring fica encaixado. É possível limpar essa área com um cotonete, mas tenha bastante atenção, pois um pequeno fio de algodão, será o suficiente para um alagamento fatal.

Não utilize silicone no o-ring. Existem diversos silicones no mercado, variando na qualidade e principalmente na densidade. Alguns silicones poderão facilitar o alagamento, não permitindo o contato do o-ring por completo com o corpo da lanterna.

Evite o contato de qualquer parte do corpo diretamente na lâmpada, pois as lâmpadas halógenas são sensíveis ao toque. O mesmo deve ser feito quanto ao refletor. Os refletores possuem uma fina camada brilhosa e espelhada sensível a gordura presente em nossas mãos. O contato com essa gordura poderá fazer com que o espelhamento se dissolva do refletor, perdendo a sua função.

Evite também o toque dos dedos nos contatos do suporte de pilhas da lanterna. Isso poderá facilitar na criação de uma oxidação e um mau funcionamento da mesma.

Guarde as baterias sempre fora da lanterna. Se elas forem recarregáveis, faça a recarga e caso você não venha a utilizar a lanterna por um longo tempo, recarregue as baterias a cada um mês e meio ou dois meses. Esse procedimento ampliará a durabilidade da bateria.

Conclusão

Tenha em mente que por pior que seja uma lavagem de equipamentos, ela trará uma vida maior aos equipamentos de mergulho e consequentemente, menos gastos com a manutenção dos mesmos.

Independente disso, é muito importante que você leve seus equipamentos até um especialista, para se que seja realizada uma manutenção preventiva. Isso diminuirá o risco de você perder um mergulho ou até mesmo uma viagem, devido a pane em algum equipamento seu. Lembre-se que Lei de Murphy existe e se algum equipamento tiver que apresentar problemas, a maior chance disso ocorrer será na hora de montar seus equipamentos.

Se você é do tipo preguiçoso e deixa para lavar seu material no dia seguinte após o mergulho, experimente o serviço de lavagem de equipamentos que algumas operadoras de mergulho estão oferecendo. Você deixa o equipamento e só volta para buscá-lo dias no dia seguinte ou quando desejar. Essas empresas se encarregam de lavar seu material e verificar as condições dos equipamentos.


   

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 



Clécio Mayrink, nascido no Rio de Janeiro, é consultor em TI. Foi consultor técnico sobre mergulho no desenvolvimento do 1º Atlas dos Esportes no Brasil, um projeto do Ministério dos Esportes, participou do mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS, e idealizador do site Brasil Mergulho em 1998, sendo atualmente coordenador. Ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS, atuou como Dive Master pela PADI (#53.668) em 1990/91, e realizou diversos cursos e especialidades. Atualmente é Mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave e Advanced Cave Side Mount e No Mount pela IANTD, com especialidades em O2 Administrator, First Aid e CPR também pela IANTD.

Participou de reportagens para revistas e TV's, onde teve a oportunidade de mergulhar em diversos locais do Brasil e no exterior. Além do mergulho, realiza estudos sobre rádio-frequência e sensoriamento remoto.

Site: www.clecio.com.br