Artigos: Freedive Adventures – Karol Meyer e os botos cor-de-rosa do Amazonas
 
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Freedive Adventures – Karol Meyer e os botos cor-de-rosa do Amazonas

Karol Meyer participou do Projeto Amazônia e mergulhou no maior rio do planeta, ao lado dos fantásticos botos cor de rosa.

O Projeto Amazônia visa mostrar as pessoas um pouco do que é feito para proteger a maior floresta tropical do mundo e, também, aproximá-las da Amazônia.

Parte dos recursos com a venda dos óculos Mormaii Amazônia, são destinados para projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF), coordenado pelo instituto amazonense (INPA) e pelo Smithsonian Institution (SI).

Para Karol Meyer foi mais do que uma "missão", um verdadeiro presente, poder encontrar os belos botos cor-de-rosa, espécie ameaçada de extinção.

O barco atracou numa plataforma fixada por enormes troncos, no meio do rio, criada pelo Ariaú Amazon Towers (hotel no meio da mata, cuja idéia de obra foi em parte do saudoso Jacques Cousteau) e foram recepcionados por um grupo de botos que seguia nadando velozmente na direção da plataforma.

As visitas são controladas, com número limitado de pessoas no local, bem como tempo e quantidade de alimentação fornecida aos botos.

Os botos são cetáceos, mamíferos marinhos de água doce, nome científico Inia Geoffrensis, únicos na região Amazônica. Bico comprido, olhos miúdos, pequena barbatana dorsal e despido de espinha dorsal e maior, nadando com maior agilidade do que seus parentes do mar, visto que na estação das chuvas precisam se deslocar com cautela entre troncos, raízes e galhos de árvores submersas em busca de alimento. São predadores natos, dificilmente perdem um ataque e adoram comer peixes e crustáceos. Infelizmente a pesca ilegal, encontros fatais com redes e crenças supersticiosas levaram o boto à ameaça de extinção.

A teoria é de que o boto afastou-se de seus ancestrais oceânicos há 15 milhões de anos, no período conhecido como Mioceno. Na época, "o nível dos mares era mais elevado", e partes extensas da América do Sul, incluindo a bacia Amazônica, podem ter sido inundadas por águas rasas e salobras. Quando esse mar interior recuou, os golfinhos permaneceram na bacia fluvial. (Fonte: Biólogo Healy Hamilton).

"Mesmo com pouca visibilidade é possível ver o seu tom rosa do corpo. Coloquei rapidamente minha roupa de neoprene e nadadeiras e cai na água. Mal podia acreditar no que estava acontecendo... eram vários... são maiores que os golfinhos do mar, um bico diferente, dentes fortes e uma espécie de bochecha, dão uma fisionomia peculiar. Ao tocar, percebi uma pele macia e, incrivelmente, não temem a nossa presença. Somente os machos, os mais agressivos, são rosados e capturam materiais com a boca para chamar a atenção da fêmea.

Fiz várias descidas para encontrá-los numa água um pouco mais fria, mais ao fundo, onde a água era escura, mas ainda era possível observá-los melhor do que da superfície. No fundo, eles nadam velozmente, são muito ágeis, bem mais do que os golfinhos do mar", conta Karol Meyer.

Lá no Rio Negro a "bototerapia" é aplicada em crianças carentes de diversas entidades filantrópicas da cidade de Manaus portadoras de patologias (sindrome de Down, autismo, paralisia cerebral, leucemia, depressão, stress crônico).

Durante dois dias, todas as manhãs foram destinadas ao mergulho com os botos, com direito até as brincadeiras com bolas.

"O boto "Moleque" me deu uma canseira, levando a bolinha com o bico e soltando longe, muito longe... e tinha que buscá-la diversas vezes. Ao nadar, às vezes esqueci de largar a bolinha e brincar, mas ele não... de forma inteligente dava um jeitinho de passar bem perto de mim e tocar na minha mão para que eu voltasse a brincar", conta Karol.

Lendas

São famosas as lendas da Amazônia, dentre elas a do boto cor-de-rosa, que pertence ao folclore brasileiro.

Reza a lenda que os botos gostam das festas juninas em noites de lua cheia, quando a população ribeirinha da região amazônica festeja com quadrilhas, fogos de artifício, fogueiras e pratos típicos locais. Nesta época o boto cor-de-rosa sai do rio Amazonas se transforma em metade homem e continua em condição de boto na outra metade do corpo. Ao sair da água, carrega consigo outros seres, que fazem parte da sua vestimenta. A espada é um poraquê (peixe-elétrico), o chapéu é uma arraia que todos os acessórios que usa são habitantes das águas: a espada é um poraquê, o chapéu é uma arraia, o sapato é um acari, cascudo ou bodó (um tipo de peixe), o cinto é um arauaná (outro tipo de peixe).

Um jovem elegante (roupa e chapéu brancos), belo e bom dançarino. Utilizando um chapéu para ocultar o orifício no alto da cabeça, feito para o boto respirar. Com seu jeito galanteador e falante, o boto aproxima-se das jovens desacompanhadas, seduzindo-as. Logo após, consegue convencer as mulheres para um passeio no fundo do rio, local onde costuma engravidá-las. Na manhã seguinte volta a se transformar no boto.

Quando uma criança nasce e não sabem quem é o pai, é denominado "filho do boto".

Também dizem que os botos socorrem os ribeirinhos em naufrágios e muitos que escapam , agradecem à Nossa Senhora de Nazaré e ao boto.

Infelizmente os olhos e os órgãos sexuais do boto são utilizados em feitiçarias para atrair o amor de alguém, sendo considerado um "amuleto". Isto que, conforme o IBAMA e nossas leis, a captura de qualquer mamífero aquático, isto inclui os botos / golfinhos, é proibida, assim como a compra de qualquer parte desses animais. Quem comete o crime pode pegar de um à seis meses de prisão, que pode ser multiplicada por três, caso a caça seja comercial.

Como se não bastasse, a carne do boto é utilizada como isca para pescaria. A denúncia internacional foi feita pela bióloga Vera da Silva do INPA. Numa manifestação sufocada nacionalmente, ela viu ouvidos lá fora. O jornal The Guardian chamou atenção para a causa. A bióloga afirmou ao jornal que, entre os principais acusados pela acentuada redução das populações de botos cor-de-rosa na Amazônia, está a técnica de pesca que teria sido importada da Colômbia, baseada no uso da carne do mamífero aquático. Para cada 80.000 toneladas de peixe, 800 são botos mortos.

Para a atleta, foi um momento inacreditável conhecer a Amazônia, divulgar o projeto e realizar mergulhos inesquecíveis com os botos cor-de-rosa no Amazonas, que é considerado o maior rio do mundo, cujo volume de suas águas representam 20% de toda a água presente nos rios do planeta, as informações sobre a urgência de preservação desta área única no mundo são uma realidade e um compromisso de todos os brasileiros.

"Olhando para esta imensidão de matas, águas e seres, me deparei tentando imaginar como era tudo isto há centenas de anos atrás, o quanto já levaram do nosso patrimônio, quantos seres foram reduzidos à pequenos grupos pedindo ajuda... como o boto cor-de-rosa. Espero poder retornar e ver uma população cada vez mais consciente, com as áreas de reserva preservadas, com atividades economicamente sustentáveis.

Todo o brasileiro deveria ter o direito de conhecer a Amazônia, este conhecimento já na infância, reverberaria no espírito e auxiliaria na construção de uma ética ecológica eficiente, capaz de movimentar forças para sairmos da crise.", diz Karol Meyer.

Muito mais sobre esta aventura será veiculado em matérias especiais pelo Planeta EXPN canal radical da ESPN e Aventuras com Renata Falzoni, no começo de 2010. Não percam !

  • Agradecimentos especiais:
  • Mormaii Sunglasses
  • Renata Falzoni
  • ESPN
  • Caixa Econômica Federal
  • Guias Roberto Abdias e Raimundo da lancha Princesa Kelly
  • Hotel Amazon Jungle Palace
  • Hotel Ariaú Amazon Towers










 


Clécio Mayrink, nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 sendo certificado pela CMAS. Atuou como Dive Master pela PADI (#53.668) em 1990/91, realizando diversos cursos e especialidades. Atualmente é Mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave e Advanced Cave Side Mount e No Mount, com especialidades em O2 Administrator, First Aid e CPR pela IANTD, e Juiz AIDA Internacional.

Consultor em TI, é o idealizador do site Brasil Mergulho criado no ano de 1998. Foi consultor técnico sobre mergulho no desenvolvimento do 1º Atlas dos Esportes no Brasil, um projeto promovido pelo Ministério dos Esportes, foi consultor no projeto de proteção mundial de naufrágios promovido pela ONU e UNESCO, e integrante do mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS.

Atuou em reportagens para revistas, documentários e matérias para TV's, onde teve a oportunidade de mergulhar em diversos locais do Brasil e no exterior. Com a experiência adquirida, criou também a empresa Brasil Mergulho Produções, destinada a produção de vídeos e documentários subaquáticos.

 




 
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