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Peixe Leão – Ele está chegando !

Lembro antigamente quando o pai de uma grande amiga minha tinha uma empresa de aquários de grande porte, viajando pelo mundo à fora e cuidando de aquários de multinacionais. Na época, cheguei até ver um aquário portátil que mantinha a temperatura da água numa determinada marca e provia a alimentação aos peixes de forma automatizada. Uma coisa de outro mundo...

Na época, um simples Peixe Leão ou Lion Fish como é chamado no exterior, chegava a custar a bagatela de U$ 1.200 a unidade Era uma raridade tê-los em aquários particulares. Em filmes do 007 por exemplo, tiveram destaque em algumas cenas, como se fosse uma obra de arte na casa do vilão.

Hoje, esse peixe é o maior temor dos profissionais ligados aos oceanos, pois ele se tornou uma praga mundial e teoricamente, sem predadores.

Em meados de 1990 o peixe leão acabou aparecendo no Oceano Atlântico e se tornando uma espécie invasora ao longo da cosa leste dos Estados Unidos e área norte do Caribe. Este peixe é um imenso destruidor de corais e seres marinhos. Normalmente eles se alimentam de pequenos peixes, invertebrados e moluscos em grandes quantidades. Alguns pesquisadores relataram que em apenas 30min, um peixe leão chegou a comer 20 peixes de pequeno porte, sendo um devastador em potencial.

 

O Peixe Leão

O peixe leão têm como características, algumas linhas brancas e marrons ao seu redor, além dos diversos espinhos venenosos. Em média, um peixe leão chega à ter 38cm, pesando em média 480g. Seu veneno é forte, o que afasta possíveis predadores. Se um ser humano receber uma dose desse veneno através dos espinhos, este poderá ter febre, vômitos, suor, calafrios e até óbito em alguns casos.

Eles costumam viver sempre na mesma área e ninguém sabe ao certo como foram parar nos Estados Unidos e Bahamas. Existem relatos de que entusiastas de aquários marinhos teriam libertado alguns peixes em uma praia americana. Durante uma visita ás Bahamas, uma pessoa nos contou que o furacão Andrew teria sido o causador do problema. Devido a grande força desse furacão, ele teria danificado um grande aquário marinho presente em um parque em uma das ilhas das Bahamas, o que permitiu a saída de diversas espécies em direção ao, inclusive, o peixe leão.

Em menos de uma década, eles se tornaram a maior ameaça aos recifes no mar caribenho, se tornando uma das espécies de peixes mais abundantes entre a Carolina do Norte e as Bahamas.

Alguns estudos comprovaram que a variação brusca de temperatura, influenciou na popularização do peixe leão, onde os resultados demonstram que onde a água se torna mais fria, este peixe deixa de ser mais visto.

 

Erradicação

Tendo em vista os danos que o peixe leão vêm causando ao meio ambiente, muitos países estão promovendo a sua erradicação, chegando à pagar U$ 1 por cada peixe capturado. Algum tempo atrás, houve um campeonato em uma ilha caribenha, onde foram pagos U$ 3.000 ao grupo de mergulhadores que capturasse a maior quantidade desses peixes.

No Brasil, ainda não há relatos quanto ao seu aparecimento, mas é uma situação muito preocupante, pois os peixes leões estão se proliferando e devastando o fundo marinho. Existe um estudo quanto a Garoupa Tigre poder ser um valioso predador desses peixes, mas o estudo ainda está em andamento e não há uma comprovação efetuada. Recentemente um grupo de mergulhadores conseguiram captar algumas imagens de tubarões de recife, devorando alguns Lions Fishes, o que certamente poderá contribuir para um equilíbrio natural, porém, isso levará alguns anos para que os tubarões enxerguem o peixe Leão como um dos integrantes de seu cardápio.

Alguns ambientalistas cogitam na possibilidade de promover a captura para alimentação humana, pois a carne desses peixes é limpa, e segundo algumas pessoas que já comeram, possui um gosto parecido com o da garoupa.

O que nos resta fazer, é aguardar e ver o que irá acontecer dentro de alguns anos em nossos mares e torcer para que os pesquisadores consigam chegar numa solução eficaz contra esse devorador de seres marinhos e corais.


 


 


 




Clécio Mayrink, nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS, sendo uma das referências do mergulho no Brasil.

Foi um dos primeiros Dive Masters formados pela PADI no Brasil (1990). É mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount).

Idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998, foi consultor técnico sobre mergulho no Atlas dos Esportes no Brasil, um projeto promovido pelo Ministério dos Esportes, relacionando todo o histórico dos esportes no Brasil, e consultor no projeto de proteção mundial de naufrágios promovido pela ONU / UNESCO. É juiz internacional AIDA e integrou a expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008.

Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 25 países, atuando em reportagens para revistas e TV's. Com a experiência adquirida ao longo dos anos, criou a empresa Brasil Mergulho Produções, destinadas a produção de imagens náuticas e subaquáticas.

Foi o responsável pela integração de sistemas tributários entre a Secretaria Estadual de Fazenda do Rio de Janeiro e a Receita Federal, além de ter sido um dos responsáveis pelo SINTEGRA, para troca de informações fiscais entre Estados.

 














 
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