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Escolha do Equipamento de Foto-Sub
Vários e-mails que eu recebo tem uma simples linha de pergunta,
que pede uma resposta altamente subjetiva, e portanto extremamente
extensa: "Qual equipamento você recomenda para compra ?".
É uma pergunta difícil, pois a resposta depende de diversos
fatores. De cara o primeiro a considerar é a disponibilidade
financeira do interessado na compra. Como na fotografia convencional,
não há mágica a fazer; quanto mais recursos e qualidade um
equipamento tem, mais caro ele é. O problema é saber primeiro até
quanto se está disposto a gastar, para depois buscar a melhor
solução dentro deste patamar, que pode não ser necessariamente a
mais cara, já que as pretensões do fotógrafo também contam nesta
escolha.
Há várias categorias de equipamento de foto digital no mercado, e
apenas uma parte destes equipamentos tem caixas-estanques fabricadas
em série; mas há a opção de se mandar fazer caixas-estanques por
encomenda, como veremos mais à frente. A linha mais simples de
câmeras abrange as automáticas, chamadas de
"point-and-shot" ou seja, aponte e dispare sem se preocupar
com mais nada. São as câmeras para quem quer simplesmente ter uma
lembrança dos seus mergulhos, sem muitas preocupações com
qualidade. São aquelas fotos do peixe que passou, do dupla sorrindo
sem o regulador, do sinal de OK quando do batismo-sub, etc. O
fotógrafo não tem domínio sobre praticamente nenhum ajuste de
exposição de luz, a câmera faz tudo por ele segundo cálculos
próprios e nem sempre adequados, e nos modelos mais simples nem isso
acontece, a câmera dispara somente em determinados padrões
pré-estabelecidos, sem considerar distância do objeto, quantidade de
luz ambiente, etc. As pessoas que dizem não ter pretensões em
fotografia (geralmente a frase mais usada é algo como "eu sou
iniciante, quero alguma coisa básica pra eu registrar meus
mergulhos") se enquadram nos usuários desse tipo de equipamento.
Mas basta começar a gostar da coisa, ou apurar o senso crítico um
pouco, pra se sentir falta de coisa melhor, de equipamentos que
permitam fazer as fotos que o vizinho do lado no barco está
mostrando, ou que alguém do grupo daquela mesma viagem disponibilizou
na internet. Normalmente o interesse em melhorar de equipamento
começa pelo equipamento do vizinho do lado no barco, e o barato
(equipamento mais simples) acaba saindo caro, pela perda de dinheiro
na venda, contando sempre que equipamento de foto digital é como
computador, toda hora sai modelo novo, e o valor vai caindo. Portanto,
a opção de comprar "algo barato pra começar" muitas vezes
não é adequada.
De uma forma geral, vamos discutir recursos interessantes que podem
pesar na escolha do equipamento. Em termos de resolução, o mínimo
interessante são as câmeras no patamar de 3,2 megapixels, que
permitem uma impressão de boa qualidade até uns 20x25cm sem
necessidade de muitas manobras no computador. Há excelentes câmeras
no mercado de digitais compactas com até 10 megapixels, uma
resolução que será interessante se o usuário pretender fazer
grandes ampliações, ou então cortar seções das suas fotos e mesmo
assim manter uma resolução razoável para impressão. Vale à pena
avaliar a diferença de preço entre câmeras de diversas
resoluções, as vezes esta é percentualmente pequena, e os recursos
das câmeras com mais resolução costumam ser mais interessantes do
que as menos dotadas de pixels. A existência de ajuste manual de
exposição (sensibilidade, abertura e velocidade) é um item
importante se o fotógrafo pretende dar um toque pessoal nas suas
fotos. Fugir dos ajustes
automáticos, que são bem limitados quando há baixa luminosidade
(mergulhos mais fundos, água mais turva, etc) é uma excelente
ferramenta, principalmente para aqueles que tem noções básicas de
fotografia (por exemplo adquiridas em um bom curso de foto-sub).
Se estiver escolhendo entre alguns modelos de câmera compacta,
verifique quais delas possuem o modo "M" de exposição, e
lhes dê prioridade. Esse recurso não encarece muito
a câmera em relação às que não o possuem. O ângulo máximo de
cobertura da lente (distância focal mínima) e a quantidade de vezes
do zoom ótico (embora este seja pouco usado em foto-sub, como já
visto em artigo anterior nesta seção) são características
importantes a considerar. Quanto maior o ângulo de cobertura, mais o
fotógrafo vai poder ser aproximar de grandes objetos antes de
fotografá-los, sem cortar partes do mesmo (pessoas, por exemplo), e
"quanto mais perto, melhor" é uma regra básica da
foto-sub. Para conhecer o ângulo de cobertura deve-se consultar os
dados técnicos das câmeras, que normalmente apresentam as
distâncias focais efetivas, e sua equivalência em câmeras de filme
35mm, os filmes tradicionais. Essa equivalência é necessária já
que as câmeras usam diversos tamanhos de sensores, e o tamanho do
sensor junto com a distância focal mínima da lente (quando focada em
infinito) determinam o ângulo de cobertura. Para se comparar o
ângulo de cobertura de duas câmeras digitais deve-se comparar as
distâncias equivalentes a 35mm de ambas. Quanto maior o número, mais
fechado é o ângulo. Atualmente algumas câmeras apresentam ângulos
de cobertura equivalentes a lentes de 27 e de 28mm, já consideradas
grande-angulares (ou lentes panorâmicas, que cobrem uma grande
área). Vale dizer que o ângulo cai durante o mergulho, por causa do
fenômeno ótico conhecido como refração (que faz com que vejamos os
objetos na água mais próximos e maiores do que realmente são.
A capacidade "macro" da câmera é uma característica
muito importante, pois em nossas águas nem sempre claras e com farta
exploração de pesca e caça-sub, as pequenas criaturas marinhas
acabam sendo muitas vezes as melhores opções a fotografar. Quanto
mais perto se puder chegar dos objetos, melhor. Há câmeras que
permitem macro a até 1 cm. do objeto, mas 4 ou 5 cm. já são uma boa
marca, principalmente porque haverá uma caixa estanque entre o objeto
e a câmera e não será possível chegar a 1 cm deste....
É claro que não há como se pensar em foto-sub com digital
compacta se não houver uma caixa estanque disponível para a câmera
escolhida. Normalmente, devido à peculiaridade de cada modelo, as
caixas estanques são específicas. Cada câmera tem a sua, é um
casamento de difícil dissolução; então a escolha tem que ser
casada, para evitar se comprar uma caixa para uma câmera que depois
não haja à venda, e vice-versa. Diversos modelos tem caixa própria,
e há alguns fabricantes independentes, principalmente a Ikelite, nos
EUA (representada no Brasil pela Fun
Dive).
No Brasil a Compartitec CROMA, no Rio de janeiro, está fazendo caixas
estanques sob medida, uma vantagem para quem possui câmera sem caixa
no mercado, e até mesmo um caso a se pensar para usuários de
câmeras que tem caixas estanques com limite de profundidade baixo (as
caixas da CROMA vão a 60 metros com segurança, o que viabiliza
mergulhos técnicos com elas). Uma característica importante em
caixas estanques é a possibilidade de acoplamento de lentes
acessórias, o que expande as possibilidades do fotógrafo-sub. Se a
caixa tiver uma "marquise" para fazer sombra sobre o visor
traseiro (LCD), ajuda bastante na hora de usá-la em ambientes com
muita luz, como locais rasos.
A compatibilidade com flash externo é uma preocupação
desnecessária, pois todas as compactas digitais, mesmo aquelas que
tem a função "pré-flash" (um disparo prévio do flash
para ajuste da exposição) podem ser usadas com flashes digitais que
possuam célula fotoelétrica para disparo. Mas para quem só vai usar
o flash interno, a existência de difusor na caixa ajuda bastante,
principalmente quando este fica alinhado com o "bico" do
compartimento de lente, o que evita sombras indesejáveis.
O tipo de bateria também é importante. Câmeras que usam baterias
específicas (dedicadas)
necessitam de maior investimento, pois ter uma bateria reserva é
importante em muitas ocasiões, assim como um carregador extra para
viagens mais longas. As baterias tipo "AA" tem a vantagem de
serem mais facilmente encontradas, e podem ser também recarregáveis.
Os tipos de cartão de memória mais comuns são é o "compact
flash" e o "SD", embora haja diversos modelos no
mercado. Pense que se você futuramente for trocar de câmera, é
importante não precisar trocar também de cartão de memória, já
que com certeza você terá que comprar um cartão adicional (as
câmeras vem geralmente com cartões de baixíssima capacidade em
relação às necessidades de qualquer fotógrafo).
O uso de câmeras sofisticadas como as DSLR (Digital Single Lens
Reflex) no mergulho é possível, mas é bem caro. Se você já tem
uma câmera reflex boa e for considerar seu uso sub, pense que você
vai precisar investir em lentes mais específicas (lentes zoom
genéricas nem sempre apresentam bons resultados, por não darem
aproximação suficiente pra macro-fotografia nem angulo de cobertura
grande para fotos panorâmicas; acabam sendo boas para se fotografar
objetos no meio termo). As caixas de câmeras reflex são bem mais
caras do que as das compactas, pelo menos 10 vezes mais (sem
exageros), fora alguns acessórios necessários.
Com o dinheiro de uma caixa estanque de câmera reflex se compra um
conjunto completo de câmera compacta, incluindo até mesmo um
flash... Em minha opinião pessoal, a não ser que a pessoa já
conheça bem fotografia e tenha disponibilidade e vontade de investir
no tema, o começo com uma boa compacta é o melhor caminho. Comece
com a câmera, caixa-estanque e um bom cartão de memória; faça
algumas fotos com o flash interno para se familiarizar, depois invista
em um flash externo que dispare como "escravo"
(sensibilizado pelo disparo do flash interno da câmera), e depois
invista em lentes acessórias, principalmente uma grande-angular que
cubra pelo menos 90 graus. Se você chegar a este ponto, certamente
estará armado para boas fotografias; um segundo flash é uma boa
opção pra melhorar ainda mais. Daí pra frente, em termos de
equipamento, resta a migração para uma reflex, que é tema para o
titular desta coluna.
Como sugestão final, procure opiniões de pessoas do seu círculo
de amizades ou conhecidos de mergulho que tenham câmera com caixa
estanque, pois há críticas no mercado sobre algumas marcas de
câmeras e de caixas-estanques. Lembre-se que a economia é
importante, mas sua satisfação também tem que ser levada em conta;
é melhor gastar um pouco mais e ficar satisfeito, do que economizar e
acabar deixando seu investimento de lado.
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