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Vídeo
Submarino para iniciantes - Parte I
Achados históricos mostram
que o homem sempre desejou registrar os seus feitos e aquilo que via.
Com o ambiente submarino não foi diferente. Desenhos retratam seres,
paisagens e alguns deles revelam até onde poderia ir a imaginação
do seu autor. A cinematografia “sub” começou por volta de 1910,
mas foi somente nos anos sessenta que os equipamentos começaram a
ficar mais acessíveis aos mergulhadores. É a época do oito milímetros
e um grande marco foi o lançamento, pela Eumig, do modelo anfíbio em
super oito milímetros (uma evolução do anterior). O tempo de gravação
girava em torno dos três aos cinco minutos e era um problema na hora
de trocar o filme.
No mundo profissional
reinava o 16 mm, principalmente, pelo tamanho. Fizeram história nomes
como Dimitri Rabikoff, que sugeria uma nova linguagem de câmera com
suas caixas com asas; Hans Hass, que filmou os principais points
de mergulho no mundo e registrou os primeiros encontros com animais exóticos,
usando equipamento de mergulho que não fazia bolhas; Jacques
Cousteau, que com o Aqualung nas costas e uma câmera nas mãos
tornou-se uma lenda viva e, hoje, é quase impossível encontrar alguém
que nunca tenha visto algo filmado por ele.
A
evolução
Com o advento do
videocassete, que tomou conta do mercado em torno de 25 anos atrás.
Captar imagens ficou realmente acessível. No início a câmera e o
gravador eram separados e o mergulhador precisou por os dois dentro de
uma caixa estanque. O resultado era algo volumoso e pesado. Mas logo
surgiram as camcorders em VHS e o volume começou a diminuir.
Na década de 80, entrou em cena o sistema de vídeo 8mm, superior ao
VHS e bem mais compacto. A cinegrafia submarina o adotou prontamente.
O sistema VHS
apresentava também um modelo compacto que tecnicamente não fazia
frente ao valente 8mm. Bem, resolvido o problema de tamanho, a
tecnologia apontava para as câmeras com melhor captação de imagem e
as de três CCDs invadiram o cenário. Nos anos 90, é a vez da geração
HI-8 e super VHS, saltando das 240 para 400 linhas de resolução, que
firmaram-se no mercado semiprofissional submarino. Finalmente,
chegamos a era digital e o formato DV com sua variações oferecem além
do tamanho reduzido uma qualidade de imagem superior, que é mantida
nas copias e processo de edição.
Conclusão:
uma enorme vantagem em relação ao sistema anterior (analógico). Na
era DV qualquer pessoa pode ter em sua casa uma ilha de edição com
recursos antes só possíveis a estúdios profissionais e, como
veremos em outro artigo, é na edição que as imagens ganham sentido
e tornam-se obras.
Quanto à iluminação
artificial, embora tenha evoluído com relação a tamanho,
durabilidade e temperatura das cores, é ainda uma dificuldade, pois
raramente seu raio de ação ultrapassa os dois metros, uma vez que a
água absorve intensamente a luz.
Para finalizar, vivemos numa época na qual as novidades acontecem a
todo instante e é possível que no momento em que você esteja lendo
este artigo, algo de novo tenha surgido, portanto não se desespere
com tantas novidades. Aprenda a configurar um equipamento que atenda
as suas expectativas e necessidades.
Os porquês do vídeo ?
Para quem inicia nas
imagens subaquáticas os resultados são mais rápidos e gratificantes
que na foto submarina. Vamos comentar o porquê desta afirmação.
Primeiro o iniciante pode deixar os comandos (foco, white balance
etc) no automático para se concentrar no enquadramento, controle da câmera
vertical (através da respiração) e horizontal (natação), além de
controlar aspectos inerentes a segurança do próprio mergulho
(reserva de ar, tempo, profundidade etc).
Sem contar, que o vídeo
registra cenas em movimento num mundo tridimensional. Você consegue
imaginar um mar estático ?
Depois as câmeras de vídeo
funcionam com pouca luz e mesmo em condições ruins de visibilidade
ainda conseguem obter resultados interessantes. Além disso, depois do
mergulho pode-se assistir, vibrar e, principalmente, aprender com o
que se acabou de gravar. E ainda, a exibição das imagens (editadas,
por favor) pode ser um acontecimento social principalmente para
aqueles que participaram da "aventura".
Primeiros passos
O ideal é fazer um
curso isso acelerará seu desenvolvimento. Consulte livros e revistas
sobre o assunto e assista a filmes subaquáticos, sempre voltando a
sua atenção para como foram construídos os planos e realizados os
movimentos de câmera embaixo da água. Descubra que existe uma
linguagem diferente de câmera para dentro e fora da água e entenda
que um vídeo (caseiro ou profissional) deve ter início meio e fim.
Planeje antes de
aventurar-se e comece anotando tudo. Primeiro informe-se o máximo
possível sobre o tema que irá abordar. Por exemplo: profundidade,
tipo de fundo e água, fauna predominante etc. Esses detalhes irão
ajudá-lo a tomar decisões técnicas como lentes filtros etc.
Faça um roteiro. A
história vai começar quando ? Quando o grupo se encontra
para a viagem ? Quando cada um acorda ?
Quando se reúnem para
decidir a expedição ? Enfim são detalhes importantes,
que devem ser pensados.
No barco grave o
briefing do guia isso dará uma idéia geral. Grave detalhes dos
mergulhadores equipando-se suas expressões faciais etc. Registre a
entrada na água e uma vez lá embaixo tente visualizar as cenas do
ponto de vista da edição. Lembre-se cenas desnecessárias podem ser
descartadas, porém o contrário... Na volta do mergulho grave de novo
as expressões das pessoas e colha alguns comentários imediatamente
após o mergulho. Lembre-se que todos viveram as situações sem poder
falar e é clássico que ao emergir todos sintam uma necessidade de
falar a respeito. São os melhores depoimentos.
Algumas dicas Se você está fazendo
as primeiras filmagens comece com luz natural. As possibilidades e
variantes são muitas, além de facilitar a sua integração com a
fauna. Deixe o sol a sua costas para melhor definir a imagem e aponte
para ele somente para criar silhuetas. Deixe o investimento e a técnica
de iluminação artificial um pouquinho mais para frente quando
estiver dominado outros aspectos que são importantíssimos e
predominantes.
Sempre procure locais
de água transparente e use lente grande angular, que permitem maior
aproximação dos objetos de cena. Lembre-se: do ponto de vista técnico
quanto menos água existir entre sua lente e o objeto melhor será a
imagem.
Os manuais dizem que o
sol do meio dia é o melhor para se filmar. Tecnicamente isso é
correto, mas se você deseja registrar um determinado fenômeno que
acontece em outros horários essa regra terá que ser quebrada. Outro
exemplo relacionado a horário é que ao gravar imagens numa parede de
recife: é melhor que o sol incida num ângulo de quarenta e cinco
graus do que a cento e oitenta graus (sol do meio dia).
Procure "ver"
a cena antes de apertar o botão de rec. Confira sempre se a câmera
esta em stand by ou em rec (é comum esse tipo de engano
por causa dos controles externos da caixa) evite assim perder aquela
cena especial que você caprichou na tomada e pensou que gravou, ou
nadar um tempão com a câmera em rec sem perceber.
Bem, na próxima edição
estaremos falando sobre escolha de equipamentos, até lá.
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