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Anatomia
do Mergulhador Técnico
O mergulho
técnico sofreu mudanças significativas durante a
última década, mas poucos temas continuam sendo tão
polêmicos como a configuração do equipamento de
mergulho técnico. Dezenas de estilos surgiram clamando
ser o mais efetivo, o mais seguro, o mais fácil, ou em
suma o mais "técnico". Alguns recomendam um
estilo em detrimento dos outros, outros advogam que cada
mergulhador deve utilizar aquele estilo que o faça
sentir mais confortável. Em vista de toda esta
polêmica, como pode um mergulhador tomar uma decisão
abalizada e razoável ?
Na minha
opinião, a maneira mais sensata de se chegar a uma
conclusão é angariar informações e avaliar quais das
opções disponíveis satisfaz da melhor maneira suas
necessidades e requisitos. A maioria das opções
disponíveis para configuração de equipamento permitem
ao mergulhador executar um mergulho técnico. Até
mergulhadores "recreativos" conseguiram
executar mergulhos "técnicos" e retornar
ilesos da aventura, mas apesar disto é consenso que um
certo mínimo de equipamentos é necessário para
adentrar no reino do mergulho técnico com segurança. E
a questão central deste tema é qual equipamento
utilizar e como configurá-lo.
Na minha
busca pela configuração ideal experimentei vários
estilos e acabei me tornando um firme defensor do estilo
Hogartiano, concebido por William Hogarth Main e
continuamente aperfeiçoado pelo WKPP, indiscutivelmente
o grupo de mergulhadores técnicos com o melhor
histórico da área, tanto em termos de metas atingidas
como em termos de segurança. Tanto o WKPP e em
particular o seu diretor, George Irvine, gozam de uma
reputação controvertida. Na minha experiência pessoal,
se você estiver afim de aprender, eles estão afim de
ensinar e são um dos poucos que têm algo a acrescentar
nesta área do mergulho técnico. Para aqueles que
desejam conhecer mais sobre este estilo de
configuração, continuem lendo.
Configuração
Hogarthiana
O conceito básico do
equipamento é a simplicidade, ou quanto menos melhor. Se
você não necessita do item durante o mergulho, não o
leve consigo. Num meio onde o que predomina são as
conversas sobre redundância absoluta, os mergulhadores
hogarthianos esperam e confiam que sua real redundância
é seu parceiro de mergulho. Através de uma
configuração que é ao mesmo tempo hidrodinâmica e
confortável, o mergulhador enfrenta menos
"stress", "task loading" e portanto
consegue melhorar seu consumo de gás.
Um dos principais aspectos
a ser considerado em qualquer configuração é se
perguntar se você consegue descrever suas ações para
enfrentar um determinado problema em apenas uma linha.
Caso você não consiga, seu método não irá funcionar
debaixo dágua. Só como exemplo, considere os
seguintes possíveis problemas: (1) compartilhar gás ou
gerenciar consumo de gás utilizando cilindros duplos
independentes, e (2) uso de uma mangueira longa
armazenada em "loops" e presa por tubos
elásticos numa situação de falta de gás. Tente
explicar para o seu parceiro como você executaria as
tarefas descritas. Se a descrição for muito complexa, o
método não funcionará quando você mais precisar dele.
Os "links"
abaixo vão levá-lo a uma descrição detalhada do
sistema hogarthiano. Mesmo se você decidir não
adotá-lo, nós da Tech Diving esperamos que você
absorva os fundamentos do sistema (simplicidade,
hidrodinâmica, busca continua da perfeição,
minimalista) e aplique-os nos seus mergulhos.
Por último, eu gostaria
de compartilhar alguma afirmações feitas a mim pelo
George Irvine e Jarrod Jablonski:
-
Lembre-se que quanto menos melhor, se você não precisa
do item, não leve-o consigo se ele adiciona um
ponto de falha, não use-o.
- NUNCA
aceite nenhum equipamento que não esteja em perfeitas
condições e 100% de acordo com seus critérios
habitue-se a corrigir imediatamente todas as
imperfeições.
-
Lembre-se que seu parceiro de mergulho é sua
redundância. Não aceite mergulhar com pessoas que não
possam assumir tal compromisso.
Cilindros
O ponto
básico de partida são os cilindros duplos, que são
unidos através de um "manifold" com registro
isolador. O isolador é um componente essencial,
permitindo acesso a todo o gás disponível nos cilindros
duplos, mesmo após uma falha de regulador, mangueira, ou
"Oring". São utilizadas cintas de aço
inoxidável para manter os cilindros duplos montados na
posição correta, permitindo também que eles sejam
montados no "back-plate" via parafusos de 8 mm.
Quais
cilindros ? Nós utilizamos cilindros OMS ou
Pressed Steel, ambos disponíveis em vários
tamanhos. Os tamanhos mais comuns são os Pressed
Steel 104 e os OMS 108, sendo que os números
indicam a capacidade dos cilindros em Pés
Cúbicos. Estes cilindros são os que apresentam
as melhores características de flutuabilidade e
são compactos em tamanho e forma.
A capacidade do cilindro depende do
mergulho em questão, mas a configuração
característica é uma dupla de PS 104s ou
OMS 108s ou ainda PS 121s dependendo
da necessidade de suprimento de gás para o
mergulho. (A
figura ao lado mostra cilindros Pressed Steel nos
tamanhos 95 CuFt, 104 CuFt e 121 CuFt).
Os cilindros devem
ser mantidos o mais livre de adereços e adornos, sem
"boots" nem redes de nenhum tipo. As duplas
são mantidas na posição através de bandas de aço
inoxidável. A função principal de um "boot"
é manter os cilindros na posição vertical, algo que
seu instrutor de mergulho básico lhe ensinou a não
fazer. Outro ponto negativo dos "boots" em
cilindros de aço é que eles escondem um possível local
de corrosão, que só será notada por ocasião dos
testes periódicos, quando normalmente é tarde demais
para evitar que o cilindro falhe. Redes de
"proteção" geralmente rasgam e podem
enganchar em saliências de naufrágios/cavernas,
tornando-se um ponto de enganchamento. Além disso as
redes diminuem o perfil hidrodinâmico dos cilindros.
Para maiores informações de como montar uma dupla,
visite o "site" http://www.cisatlantic.com/trimix/doubles/doubles.htm.
Quanto a adesivos e
similares, mantenha o absolutamente mínimo necessário.
Para maiores dados sobre como identificar seus cilindros,
visite o "site" do WKPP sobre identificação
de cilindros (http://www.wkpp.org).
D-Rings
nos cilindros
É muito
comum observarmos fotos de cilindros que possuem
"D-rings" montados em sua parte inferior,
normalmente utilizadas para prender lanternas,
carretilhas, etc. Na verdade estes pontos de fixação
estão localizados num lugar péssimo. Os
"D-rings" são um ponto de enganchamento para
qualquer cabo ou monofilamento com o qual o mergulhador
entre em contato. Qualquer lanterna presa nestes
"D-rings" estão livres para balançar e se
chocar contra os cilindros, aplicando uma vibração
excessiva nos filamentos da lâmpada, fazendo com que
elas falhem na hora em que você mais precisar delas. Ou
então que elas falhem durante a caminhada entre o ponto
em que você se equipa e o ponto de mergulho.
E os manifolds ?
Os
cilindros são unidos através de um manifold com
registro isolador, constituindo a maneira mais simples de
gerenciar seu suprimento de gás. As única exceção é
quando você está mergulhando solo ou com "side
mounting", quando então a configuração de
cilindros completamente independentes faz mais sentido.
Mergulho com cilindros independentes exige um cuidado
maior e uma capacidade extra para efetiva gerência do
suprimento de gás. A experiência tem mostrado que a
maioria dos mergulhadores que utilizam configuração de
cilindros independentes comete erros na gerência do
suprimento de gás.
Manifolds com
registro isolador permitem ao mergulhador a
opção de isolar os cilindros no evento de uma
falha no "O-ring" do pescoço do
cilindro. Todas as outras falhas (primeiro
estágio, segundo estágio, mangueiras de alta
pressão, etc) podem ser isoladas através do
registro no qual o regulador está conectado,
permitindo que o regulador remanescente continue
acessando todo o suprimento de gás.
O fato do manifold possuir um registro
isolador NÃO PERMITE que o mergulhador mergulhe com
diferentes misturas em cada um dos cilindros da dupla. Esta é
uma prática extremamente perigosa.
O
manifold é constituído por registro e
"O-Rings", assim como o registro de
seus cilindros tradicionais, e portanto também
está sujeito a falhas. Sendo assim, é
importante examinar o manifold que você irá
adquirir para garantir que o melhor projeto está
sendo utilizado. Saiba que redundância que não
pode ser utilizada não é redundância: você
deve ser capaz de alcançar e manipular
(abrir/fechar) com conforto todos os registros do
seu manifold, mesmo durante o mergulho. No caso
da falha de uma mangueira de alta pressão ou de
um "free flow", a primeira providência
é fechar o registro isolador, de modo a proteger
o conteúdo de um dos cilindros. Imediatamente a
seguir, deve-se fechar o registro associado à
falha, quando então pode-se reabrir o registro
isolador para dar acesso a todo o suprimento de
gás.
O manifold deve
utilizar "O-Rings" do tipo
"barril" para a seção central, como
mostra a figura ao lado. Este tipo de manifold
permite que a seção central se mova na
eventualidade de uma rotação, sem que os
"O-Rings" sejam danificados no processo
e causem um vazamento de gás. Dois dos
"manifolds" que preenchem estes
requisitos são os fornecidos pela ScupaPro e
pela Dive Rite.
O
manifold e os registros podem sofrer sérios
danos caso você não seja cuidadoso. Alguns
mergulhadores tentam protegê-los com
"gaiolas" ou protetores, mas estes
dispositivos são sérios candidatos a
enganchamentos, além de dificultarem
sobremaneira o acesso aos registros do manifold,
impendindo acesso rápido e fácil às manoplas
em uma eventualidade.
Caso você esteja atingindo várias
vezes o teto da caverna ou naufrágio, talvez
seja o caso de aprimorar sua técnica. Com
certeza a melhor solução para proteger os
registros é evitar o choque em primeiro lugar.
Outro aspecto
importante na seleçãodo manifold são as
manoplas. Na eventualidade de haver o choque da
manopla, é importante que ela não fique
inutilizada. As manoplas possuem um disco de
metal em seu interior que se encaixa no eixo do
registro. A combinação do material da manopla e
da espessura deste disco de metal irão ditar a
resistência da manopla a choques.
Carregando
a dupla pelo manifold
Todos nós já vimos isto
acontecer em uma ocasião ou outra, em lojas ou
operadoras. Carregar a dupla pelo manifold não é uma
boa prática, pois aplica um esforço extra no manifold.
Caso você veja este tipo de atitude numa loja de
mergulho com a sua dupla, solicite polidamente ao
técnico de misturas da loja para que não o faça mais.
Sugira que ele pegue a dupla pelos dos registros da dupla
ou para que uma das mãos peque um dos registros e a
outra pegue o fundo do mesmo cilindro, de modo que a
dupla fique atravessada ao longo do peito do carregador.
Lembre-se que a pessoa que está carregando a dupla de
maneira inapropriada pode simplesmente ignorar que isto
pode ser prejudicial para o manifold e que esta é uma
ótima oportunidade para educá-la.
Alta
pressão x Baixa Pressão
Cilindros de alta
pressão, tais como os cilindros da linha Genesis,
geralmente não são uma boa escolha, já que apresentam
características desfavoráveis de flutuabilidade e uma
relação pior entre pressão e volume. Além disso, é
importante ressaltar que as leis dos gases tornam-se
não-lineares acima de 3.300 PSI (220 bar), diminuindo em
muito a precisão da mistura.
DIN x Yoke
O sistema DIN é o mais
aceito no meio do mergulho técnico. Seu sistema de
"O-Ring" capturado em um "berço"
apresentam uma menor probabilidade de extrusão do
"O-Ring" que leva a um vazamento de gás. Além
disso, o sistema Yoke foi projetado para trabalhar em
pressões de até 3.000 PSI (207 bar).
Flutuabilidade
Conforme o gás de seus
cilindros é consumido, seus cilindros vão ficando mais
leves. Todos nós aprendemos no curso de mergulho básico
que devemos ajustar nossa flutuabilidade com os cilindros
vazios. Da mesma maneira, os mergulhadores técnicos
devem ajustar sua flutuabilidade com os cilindros vazios
e a uma profundidade de 6 metros. Para aqueles que
necessitarem de peso adicional, recomendamos a
utilização dos pesos em forma de "V", que
ficam acondicionados entre o back-plate e a dupla. Mais detalhes: http://www.cisatlantic.com/trimix/vweight/pweight.htm
.
Harness e Back-plate
O back-plate é de
metal, geralmente de aço inoxidável ou
alumínio. Apesar de disponível, os back-plates
de ABS não são recomendados por serem menos
duráveis e apresentarem o potencial de falha
devido ao peso do equipamento sendo carregado. A Halcyon oferece um excelente back-plate de aço inoxidável que já vem com o
harness configurado da maneira apropriada. O Harness deve ser feito
com uma cinta contínua de 2 polegadas de
largura, sem nenhum clip ("quick
release" ou não). Isto faz com que o
harness componha um sistema muito mais forte, sem
ser propenso a falhas que podem ser
catastróficas durante o mergulho. Para aqueles
que desejam um diagrama, o "site" do Jeff
Bentley
apresenta um diagrama que exemplifica como fazer
este "harness".
Note como a
face inferior da tira acompanha o seu corpo até a abertura
inferior do back-plate. O lado com o "D-Ring" é
aquele que se origina a partir da abertura mais externa da
parte inferior do back-plate. Para evitar deslocamentos
indesejáveis, você pode colocar um retentor de peso na fita
no ponto entre as aberturas, como exemplifica a figura ao
lado.
A fita do harness
possui um "D-Ring" em cada ombro e um
"D-Ring" no lado esquerdo da cintura, onde se
prende o manômetro. Normalmente o clip utilizado no
manômetro é preso à mangueira de alta pressão,
diminuindo o risco de uma quebra acidental do mesmo.
Estes 3 "D-Rings" são suficientes para montar
todos os "stages" que porventura sejam
necessários durante o mergulho. A fita do harness possui
um banda extra de câmara de bicicleta, que será
utilizado para fixar a lanterna de "backup" no
caso de falha da banda original.
A mangueira corrugada e a
mangueira de baixa pressão do colete equilibrador tipo
asa são mantidos juntos via 3 bandas de câmara de
bicicleta e depois são presos ao harness através de um
elástico que fica posicionado logo acima do
"D-Ring" do ombro esquerdo. Este método impede
que a mangueira do BC se mova sem controle e fique for a
de seu alcance. Você pode visualizar este método na
página de roteamento de mangueiras.
A fita superior
é roteada de acordo com a figura ao lado. Ela
não cruza atrás da cabeça, por não ser
necessário e por aumentar a possibilidade da
fita "beliscar" seu selo de pescoço da
roupa seca e causar um vazamento de água caso
você olhe para baixo durante o mergulho. Uma pequena faca com
lâmina serrilhada e toda de metal deve ser
montada na fita da cintura, no lado esquerdo
antes da fivela, de acordo com a figura ao lado.
O último item do
harness é o "crotch strap", que vem do
centro da parte inferior do back-plate e tem um
"loop" para que a fita da cintura passe
através. Novamente temos um "D-Ring"
na parte traseira do "crotch strap" que
pode ser utilizada para fixar carretilhas,
pára-quedas, ou para rebocar
"scooters" de reserva. A parte
dianteira do "crotch strap" também
possui um "D-Ring" que é utilizado
permitir que o scooter reboque o mergulhador.
Geralmente, para o
tipo de mergulho que este equipamento se propõe, a
quantidade de cilindros e equipamentos significam que
você não necessitará de um cinto de lastro. Caso você
ainda necessite de peso extra, considere utilizar um peso
em formato de "V" montado entre os cilindros e
o back-plate. Você pode ver mais detalhes sobre esta
técnica no "site" do Jim Cobbs.
Colete tipo Asa
Como sabemos pelo Princípio de Arquimedes, obtemos
empuxo (ou sustentação) através da variação do volume do nosso BC.
Mo caso de mergulho técnico utilizamos coletes do tipo "asa".
Devemos selecionar a asa que melhor se adapte ao restante do sistema que
estamos montando. As asas disponíveis que melhor se adequam ao estilo
Hogarthiano são as asas da Seatec, Halcyon ou Dive Rite
- modelo Tradicional.
Todas elas são similares em construção, possuindo
uma câmara interior recoberta por uma proteção externa, tipicamente
de Cordura. Para aqueles que desejam proteção extra, o
"site" do Jeff Bentley exemplifica como reforçar seu colete
tipo "asa" no ponto mais propenso a perfurações.
Durante o mergulho, os coletes "asa"
Seatec, Dive Rite Tradicional e Halcyon ficam posicionados bem junto aos
cilindros, "abraçando" os mesmos e reduzindo em muito sua área
de arrasto. Todos eles oferecem sustentação similar, em torno de 45 a
50 libras, que deve ser mais do que suficiente para o mergulhador que
estiver equilibrado apropriadamente para o mergulho a ser executado.
Asas duplas ou câmaras redundantes
Não concordo com a teoria da redundância de
coletes. A carga adicional de tarefas ("task loading") e a
complicação de equipamento inerentemente associada à existência de 2
coletes e 2 mangueiras de inflar trazem muito mais desvantagens do que
vantagens. Lembrando-se sempre que o estilo Hogarthiano é um estilo
minimalista e busca a simplicidade, qualquer sustentação adicional ou
alternativa deve ser obtida através de outro equipamento que é capaz
de servir a este propósito além do seu propósito original, tais como:
roupa seca, pára-quedas, etc. Uma das desvantagens principais do método
de asas duplas é enfrentar a inflagem descontrolada do colete
equilibrador e não conseguir determinar qual mangueira de inflar está
causando o problema, principalmente se isto ocorrer enquanto você está
lidando com outro incidente ou problema de menor gravidade.
Alguns mergulhadores alegam que isto pode ser evitado
utilizando-se apenas uma única mangueira de baixa pressão para
inflagem do colete, que seria movida para o colete reserva no caso de
uma pane do principal. Ora, acabamos de comprometer seriamente
exatamente o que estamos tentando atingir: a redundância de sustentação.
No caso de falha associada ao regulador onde esta mangueira está
conectada, ficamos sem sustentação nenhuma. Além disso, qualquer ar
adicional presente no colete reserva – que provavelmente não será
notado no início do mergulho, quando o mergulhador está mais pesado
– irá afetar sua subida, forçando o mergulhador a lidar com a deflação
da roupa seca, do colete principal e do colete reserva, além da possível
necessidade de se manipular uma carretilha para descompressão. Não
creio que já inventaram um mergulhador que possua tantas mãos assim.
Asas com
tiras elásticas
Apesar de a princípio
parecer uma boa idéia, as tiras elásticas estão
tentando resolver um problema que não existe e, no
processo, introduzem outros problemas. As tiras
elásticas exercem pressão contrária à inflagem do
colete, forçando a atuação da válvula de
sobrepressão ("dump valve") muito antes do
colete atingir a pressão ambiente. Os elásticos também
representam uma carga estática muito perigosa para os
pulmões do mergulhador caso seja necessário executar
uma inflagem manual. Caso eles estejam muito apertados, o
que muitos mergulhadores fazem imaginando que terão
menor arrasto, impedirão o colete de fornecer sua
sustentação nominal.
Já houveram outros tipos
de acidentes relacionados com este tipo de colete, tanto
que o fornecedor agora os envia com os elásticos soltos,
cabendo ao mergulhador ou à loja amarrá-los. Com
relação ao arrasto, na verdade o resultado obtido é o
oposto do que se espera. Os elásticos impedem que o
colete "abrace" os cilindros e a superfície do
colete com elásticos causa o chamado efeito vortex,
aumentando substancialmente o arrasto, sem mencionar os
possíveis pontos de enganchmento criados por todos
aqueles elásticos.
Reguladores
A compra de um regulador
deve levar em consideração os seguintes aspectos:
Construção e montagem do
regulador
Deve
ser possível desmontar o segundo estágio
enquanto submerso, caso seja necessário remover
contaminantes ou dobras na válvula de exaustão
que possam estar forçando você a respirar
"água". Mesmo um problema com o
diafragma do segundo estágiopode ser reparado
utilizando-se peças de outro regulador que já
tenha sido utilizado ou ainda vá ser utilizado.
Lembre-se que ninguém pode simplesmente
interromper uma descompressão de 30 minutos para
ir a uma loja de mergulho reparar seu regulador e
retornar à descompressão.
Nós utilizamos
reguladores ScubaPro G200B ou G250. No caso do
G250 é importante lembrar de remover o
pino-trava frontal.
Reputação do Fabricante,
facilidades de manutenção
Pergunte aos seus companheiros de mergulho e para
aqueles que você conhece que realizam mergulhos
mais avançados para verificar que reguladores
eles utilizam. Verifique a frequência de falhas,
quão fácil é obter peças para reparos, como
é o desempenho dos reguladores ao longo do
tempo, etc.
Outras considerações
Deve-se fixar um clip pequeno na mangueira longa,
perto do segundo estágio para permitir prender o
regulador no D-Ring do ombro direito enquanto
respirando de reguladores de "stages"
ou de descompressão. Dê preferência a utilizar
reguladores que não utilizem medidas fora de
padrão para as mangueiras, pois isto irá
dificultar a obtenção de peças de reposição
ou de mangueiras de tamanhos diferentes.
Considere ter
todos os reguladores do mesmo fabricante e
modelo. Isto simplifica sobremaneira a logística
de manutenção, além de permitir que você
troque os reguladores no caso de falhas
inesperadas.
Roteamento das
Mangueiras
Um dos aspectos mais
importantes do "rig" é o roteamento das
mangueiras. A idéia é de produzir uma arrumação que
permita que as mangueiras saiam do primeiro estágio
diretamente para "baixo" e depois sejam
roteadas para seu "destino". Não se admite a
utilização de adaptadores no primeiro estágio, pois
isto adicionaria desnecessariamente outros pontos de
falha. Todas as mangueiras devem possuir aquele protetor
de conexão ("strain relief ") que alivia o
esforço da mangueira no seu ponto mais frágil: o ponto
de conexão ao primeiro estágio.
Nós utilizamos dois
métodos para rotear as mangueiras, cuja diferença
básica entre eles é apenas de que regulador saem as
mangueiras de baixa pressão que se destinam à roupa
seca e ao BC.
Os
fundamentos
O roteamento das
mangueiras é executado da seguinte maneira: o
mergulhador respira da mangueira longa,
que está conectada no primeiro estágio do registro do
ombro direito do mergulhador. A mangueira longa é
roteada diretamente para baixo, numa linha reta entre o
cilindro e o colete-asa, passa por baixo da caixa
estanque das baterias da lanterna principal (veja a
seção sobre lanternas), sobe diagonalmente cruzando o
peito do mergulhador, passa por trás de seu pescoço
chega na boca do mergulhador vindo por sobre o seu ombro
direito. Esta mangueira deve ser a última a ser
arrumada, de modo a impedir que ela seja superposta por
qualquer outra coisa que impeça o emprego simples e
direto no caso de uma situação de falta de ar. Quando o
mergulho não exige uma lanterna principal, o mergulhador
pode rotear a mangueira sob a bainha da faca que deve
estar no seu cinto, ou simplesmente colocar um pequeno
seio da manqueira sob o cinto do "harness".
Um ponto importante é que
a mangueira longa não é "sanfonada" e presa
por elásticos em nenhum lugar. Os elásticos e a
mangueira longa "sanfonada" atrasam o emprego
da mangueira longa, não importa como ou onde os
elásticos sejam utilizados para prende-la. Tente soltar
uma mangueira presa por elásticos (os americanos chamam
este método de "sutffed hose") e oferecê-la
para um mergulhador em situação de falta de ar em menos
de 2 segundos. O método de roteamento usado no sistema
Hogarthiano permite isto: basta abaixar a cabeça e doar
o segundo estágio principal e seu companheiro já ter
gás. Com um simples gesto de dedão, remova o metro
restante de mangueira debaixo da caixa estanque da
lanterna ou do cinto e seu companheiro tem mais de 2
metros de mangueira para a saída da caverna ou do
naufrágio. Mangueiras presas por elástico
("stuffed hoses") têm o hábito de se
enganchar nos lugares mais inesperados ou ainda de se
soltarem durante o mergulho. Quando isto acontece, não
existe um método conveniente para se prender a mangueira
novamente, tipicamente exigindo 2 mergulhadores para tal.
O regulador secundário
tem seu primeiro estágio no registro do ombro esquerdo
do mergulhador, e sua mangueira passa por trás do
pescoço e vai para sob o queixo, onde o segundo estágio
fica preso através de um tubo elástico cirúrgico ao
redor do pescoço pronto para ser utilizado. Uma boa
prática é verificar periodicamente este regulador
durante o mergulho, de modo a se certificar que ele está
funcionando a contento no caso de ser necessário. Este
primeiro estágio também tem o manômetro, cuja
mangueira desce diretamente para baixo e deve ter o
comprimento ajustado de modo a permitir que o manômetro
seja preso via clip ao "D-Ring" localizado no
lado esquerdo do cinto do "harness".
Todas as mangueiras devem
ter seus comprimentos exatos para garantir a arrumação
perfeita do conjunto e evitar a formação de
"bolsões" de mangueiras. Exemplo: a mangueira
de alta pressão do manômetro deve ter 66 centímetros
(26 polegadas), indo em linha reta do primeiro estágio
ao "D-Ring" do lado esquerdo do cinto do
"harness".
Você consegue arrumar e
rotear as mangueiras da maneira apropriada com quase
qualquer regulador disponível. Não se incomode com as
"portas especiais" de determinados reguladores,
que prometem maior fluxo de gás. Qualquer BOM regulador
é capaz de garantir o fluxo de gás que você necessita
através de qualquer porta.
Método
George Irvine
O George Irvine utiliza o
método Hogarthiano original, onde a maioria das
mangueiras de baixa pressão se cruzam atrás do seu
pescoço, de maneira que você possa escutar qualquer
vazamento - sua caixa craniana transmite perfeitamente o
som. A mangueira de alta pressão pode seguir
diretamente, pois qualquer vazamento produzirá um som
muito alto.
A foto mostra
como as mangueiras podem ser roteadas
utilizando-se o primeiro estágio MK20 da
ScubaPro, que possuem uma porta no topo do
primeiro estágio. Como vocês podem notar, esta
porta facilita o roteamento das mangueiras e
torna o sistema bem "limpo". O primeiro
estágio do ombro esquerdo do mergulhador tem o
regulador secundário saindo da porta superior, a
mangueira de baixa pressão da roupa seca sai de
uma das portas da torre giratória e a mangueira
de alta pressão sai diretamente para baixo de
uma das portas de alta pressão do regulador. O outro primeiro estágio
tem a mangueira longa saindo da porta superior e
a mangueira de baixa pressão do colete-asa
saindo de uma das porta da torre giratória. Este
regulador não possui mangueira de alta pressão,
pois só utilizamos um manômetro.
A figura ao lado
representa o meu "rig" de mergulho.
Como podem ver, a mangueira corrugada do
colete-asa é substituida por uma mangueira mais
curta (em torno de 15 a 20 cm) de modo que o
inflador automático fique logo abaixo do ombro
esquerdo e é mantido no lugar através de um
"loop" de tubo cirúrgico logo acima do
"D-Ring" do "harness". Com
esta modificação, a mangueira do colete-asa
não atrapalha no transporte de cilindros de
"stage" e facilita sobremaneira as
operações de inflagem/desinflagem do
colete-asa, submetendo as mangueiras e o primeiro
estágio a um esforço menor.
Método
JJ Neste
método, o colete-asa é inflado por uma
mangueira de baixa pressão bem curta que está
conectada ao primeiro estágio do registro do
ombro esquerdo do mergulhador. A mangueira
corrugada do colete-asa também é trocada por
uma mangueira mais curta. Nesta arrumação, a
mangueira de baixa pressão do colete-asa é mais
curta, de 15 a 20 cm (6 a 8 polegadas), de modo a
evitar excesso de mangueira.
A foto ao lado
mostra como ficam as mangueiras montadas no
sistema. A mangueira de baixa pressão (quando
não estamos utilizando Argônio) vem do primeiro
estágio do registro do ombro direito do
mergulhador. Note
como os primeiros estágios estão posicionados
de maneira inclinada de modo a facilitar o
roteamento das mangueiras.
Por que respirar da mangueira longa ?
(Texto adaptado de um
artigo de autoria de Steve Irving)
No sistema Hogarthiano
acredita-se que a única conclusão razoável após
considerarmos todos as evidências é que o regulador
primário de um mergulhador deve ser aquele que possui a
mangueira longa. Primeiramente, todos concordam que a
razão da utilização da mangueira longa é para
facilitar a saida segura de um mergulho em
caverna/naufrágio no caso de uma situação de
emergência. O comprimento extra permite a passagem em
fila indiana através de restrições, dá mais
segurança no caso de baixa
visibilidade e mais conforto
durante a descompressão. Adquirimos a mangueira longa na
esperança de nunca termos que utilizá-la, mas ela está
lá quando necessária.
Todos também concordam
que equipamentos destinados a emergências devem estar em
perfeitas condições de uso e imediatamente acessíveis.
Devemos assumir que o mergulhador com falta de ar diver
só irá notar sua situação após exalar e tentar
inalar o vácuo. Pânico, mesmo para os mergulhadores
mais treinados, está apenas a segundos de distância.
Eles precisam de gás, e precisam dele imediatamente.
Eles necessitam de gás, não de água. Eles precisam
imediatamente de um regulador que esteja em perfeito
funcionamento. Eles não tem tempo para remover pedaços
de madeira ou contaminantes ou para remover a água do
segundo estágio sendo doado. Todos concordamos que o
regulador que você está respirando neste momento está
funcionando a contento. Se não estiver, ou você o
conserta ou termina o mergulho! Também concordamos que
não há como saber se o regulador secundário (aquele
que você não está respirando) está funcionando ou
não. Você verificou seu funcionamento no início do
mergulho, e verificou novamente alguns minutos atrás
(não é mesmo ?), mas neste exato instante você não
sabe.
Se o regulador secundário
está com algum contaminante ou sujeira e precisa sofrer
alguma intervenção, quem está em melhores condições
para aruumá-lo? O seu companheiro que está com falta de
gás provavelmente sinalizou e inidicou que está sem
gás. Vocês começam a nadar um em direção do outro.
Agora é hora de utilizar o regulador secundário, e
você está em melhores condições para lidar com
qualquer dificuldade. E se seu companheiro estivesse
muito próximo e simplesmente arrancasse o regulador de
sua boca sem aviso prévio ? Você ainda está em
melhores condições: você tem gás. E qual o regulador
você acha que o companheiro em "stress" irá
buscar ? Infelizmente nem todos os mergulhadores mantêm
seus reguladores secundários no mesmo lugar, mas todos
sabemos que os mergulhadores tem suas bocas no mesmo
lugar. Sendo assim, qual regulador será o alvo ?
Alguns argumentam que em
passando o regulador primário para o mergulhador em
dificuldades temos 2 mergulhadores temporariamente sem
gás, e isto seria um problema. Se você não consegue
remover o segundo estágio de sua boca e trocá-lo por
outro, você deveria estar mergulhando ? Pense bem
isto é uma das técnicas básicas de mergulho.
Outros argumentam que a
mangueira longa aumenta a resistência de respiração e
portanto respiram da mangueira curta. Um regulador de
qualidade que esteja regulado e ajustado da maneira
apropriada é capaz de fornecer quantidade adequada de
gás mesmo através da mangueira longa. Se isto não
fosse verdade, como seu companheiro em dificuldades irá
reagir quando tentar dar as primeiras respiradas já em
estado de "stress" ? Na verdade a pergunta
básica a ser feita é: você está disposto a salvar seu
companheiro, oferecendo o regulador que está funcionando
quando isto for necessário? Não creio que seja uma boa
idéia planejar um mergulho onde você corre o risco de
receber um regulador que não está funcionando quando
enfrentar uma emergência de falta de gás.
Outras
considerações sobre mangueiras
Todas as mangueiras são
de tamanho customizado. Como temos dificuldade de obter
estas mangueiras no Brasil, eu as encomendo via e-mail da
loja Lloyds
Bailey.
Lanternas
Lanternas
Principais
A lanterna
principal utilizada é do tipo que utiliza caixas
estanques para as baterias e oferecem em torno de
3 horas de autonomia com lâmpadas de 50W. Os
melhores modelos são fornecidos pela Extreme Exposure ou pela American
Underwater Lights (AUL). A caixa estanque das baterias é
montada no cinto do harness sob o ombro direito,
aproveitando o escudo hidrodinâmico criado, e é
mantida o mais próximo possível do back-plate
através de uma fivela extra. Isto permite que a
lanterna fique fixa no cinto mesmo quando o
mergulhador abre a fivela principal.
A lanterna propriamente dita utiliza um
"Goodman handle", que é uma manopla que envolve a
palma da mão do mergulhador, permitindo que ele continue a
utilizar a mão enquanto está segurando a lanterna. O
cordão elétrico que une a lanterna à caixa estanque deve ter um
tamanho mínimo necessário de modo a ficar esticado quando a lanterna
está na mão esquerda com o braço completamente esticado na sua
frente.
Por
que colocar a caixa estanque abaixo dos cilindros é ruim
?
Os americanos chamam este
método de "butt mounting". Se você utilizar
este método, você certamente terá que apoiar seus
cilindros sobre a caixa estanque durante o tempo em que
você estiver se equipando. Para fixar a caixa estanque
sob os cilindros você terá que adicionar
"D-Rings" na sua dupla, criando outro ponto
potencial de enganchamento. Isto também leva a conexões
metal-com-metal. A montagem da caixa estanque sob sua
dupla significa que ela estará apoiada na parte traseira
de suas pernas durante sua natação normal, o que pode
ser muito desconfortável em mergulhos longos.
Muitos alegam que o
método de "butt mounting" é mais
hidrodinâmico, no entanto a caixa estanque na cintura
está na "área de sombra" do ombro durante a
natação. O cordão elétrico de uma lanterna "butt
mounted" terá que ser maior, aumentando a
possibilidade de enganchamentos e complicando
desnecessariamento o seu roteamento, interferindo com os
cilindros "stage" e com outros componentes do
seu "rig". Além disso, a posição onde a
caixa estanque fica ocupa o lugar que normalmente
utilizamos para carregar carretilhas de exploração ou
pára-quedas.
Lanternas
secundárias
Em mergulhos com penetração
(cavernas ou naufrágios) é normal o mergulhador
levar 2 lanternas secundárias. O melhor a fazer
é mantê-las o mais simples possível. As
lanternas secundárias ideais são aquelas
lineares de 3 pilhas tamanho "C" , são
ativadas quando se enrosca o topo (sem
interruptores ou botões para falhar). Elas
precisam ser fixadas em 2 pontos e acondicionadas
nas fitas do "harness" que vêm dos
ombros. Elas são presas pela parte de trás,
através de clips, nos "D-Rings" dos
ombros e pela parte da frente através de
"loops" de câmaras de bicicleta ou
"O-Rings" de cilindro colocados na fita
do "harness".
Aproveite
e coloque um "loop" extra em cada lado
do seu "harness", pois no caso do
"loop" arrebentar você ainda tem outro
para montar a lanterna. Este método de
arrumação permite mantê-las fora do caminho,
sem causar arrasto e acessíveis ao mesmo tempo. Montagem indevida das
lanternas secundárias é tão perigoso como não
utilizar a lanterna secundária apropriada. Para
utilizá-la, primeiramente remova-a do
"loop" de câmara de bicicleta,
mantendo-a fixa no "D-Ring" através do
clip. Ligue-a e depois a remova do
"D-Ring". Assim, se você a deixar cair
acidentalmente você ainda poderá localizá-la.
Lembre-se que estas lanternas são parte
integrante do seu equipamento de segurança,
utilizadas quando da falha de sua lanterna
principal. Mantenha-as sempre com baterias novas.
Carregar um
"cacho" de lanternas secundárias
presas ao "D-Ring" fixado no cilindro
é perigoso e sem praticidade. É o local natural
para qualquer enganchamento, além delas ficarem
se chocando com os cilindros o que causa a quebra
dos filamentos e bulbos. O acesso a elas é
bloqueado por outros itens do equipamento,
tornando quase impossível uma rápida
utilização das mesmas.
As melhores
lanternas secundárias disponíveis são as Extreme Exposure.
Bulbos
e baterias
Evite utilizar baterias
recarregáveis de Níquel-Cádmio, pois elas não dão
sinal de fim de carga e podem deixá-lo no escuro sem
aviso prévio e dificultando saber se a carga OK antes do
início do mergulho.
Assegure-se que a voltagem
da lâmpada é idêntica à voltagem das baterias. Se
você alimentar as lâmpadas com tensão superior à
nominal, você estará reduzindo a vida útil da mesma e
ela irá falhar justamente na hora que você mais
precisar.
No caso da lanterna
primária, por causa da alta corrente envolvida, o melhor
é utilizar baterias de gel chumbo-ácido. Este tipo de
bateria apresente uma baixa impedância interna e permite
que a voltagem permaneça constante independentemente da
corrente sendo utilizada.
Para lanternas
secundárias, as pilhas alcalinas são imbatíveis pela
sua capacidade em relação ao tamanho. As pilhas
alcalinas "morrem" devagar, possibilitando ver
quando se aproxima o fim da carga da lanterna e preparar
outra lanterna secundária ou a reordenação do time de
mergulho para proteger o mergulhador sem lanternas.
Cilindros de
"Stage" e de descompressão
Escolha
dos reguladores
Por bons
motivos, o ideal é que os reguladores dos cilindros
"stage" e de descompressão sejam iguais aos
utilizados na dupla. Se você tiver uma falha em qualquer
regulador antes do mergulho é possível utilizar peças
de um para arrumar outro, rearranjá-los e realizar o
mergulho com o plano adaptado à nova situação.
Principalmente no Brasil, a maior preocupação é chegar
no local de mergulho e não ser capaz de mergulhar.
Utilizando
sempre os mesmos reguladores, é fácil para o
mergulhador identificar quando um deles está com o
desempenho abaixo do normal ou com comportamento
estranho. A logística de peças de reposição é
enormemente simplificada se todos os reguladores forem
iguais.
Durante a
descompressão, você precisa de reguladores de alto
desempenho, pois é lá que você estará mais cansado e,
dependendo do perfil do seu mergulho, é o regulador que
você irá respirar por mais tempo. Além disso, você ja
estará com uma carga de O2 significativa e estará
exposto a altas pressões parciais de Oxigênio. Nesta
hora o que você menos deseja é um regulador com
resistência à respiração que possa levar a um aumento
do CO2 e disparar sintomas de intoxicação por
Oxigênio.
Forma e Cor
Alguns mergulhadores dizem
que os reguladores de descompressão (leia-se aqui
reguladores utilizados para quaisquer misturas
descompressivas trimix, nitrox ou O2
utilizadas durante o mergulho) devem ter formatos e cores
diferentes de modo que o mergulhador possa identificar a
mistura sendo respirada através do regulador. Na minha
opinião este é um método tolo, sujeito a muitas falhas
e com potencial para acidentes sérios. Basta que o
mergulhador monte o regulador no cilindro errado, aliás
erro que custou a vida de Bobby McGuire.
A disciplina de examinar e
abrir o cilindro "stage" que você está a
ponto de respirar é tudo o que é necessário. Quando
mergullhamos, todos os cilindros "stage" são
arrumados da mesma maneira, incluindo os reguladores.
Sendo assim, podemos utilizá-los para qualquer
finalidade: cilindros de viagem ou cilindros de
descompressão, facilitando a preparação do mergulho.
Antes de utilizar o
cilindro, olhe no pescoço do mesmo e verifique qual é a
profundidade máxima operacional (PMO) da mistura. Abra o
cilindro correto, livre a mangueira do regulador de
"stage" acoplado a este cilindro, e passe a
mangueira por detrás do seu pescoço de modo que todos
os reguladores venham do lado direito, remova o regulador
principal e respire da "stage". Caso você
tenha apanhado o regulador errado e ele der mais do que 1
respirada (evitando portanto o risco de intoxicação por
O2), basta retornar ao regulador principal e acertar o
erro. Se o regulador fornecer gás continuamente, ele é
o regulador correto.
Prenda o regulador
principal ao "D-Ring" do lado direito do
mergulhador através do clip. Nós agora temos um
regulador em nossa boca, um regulador secundário sob
nosso queixo, e o regulador principal preso no
"D-Ring" do ombro direito. Ao final desta
operação, deve-se verificar nosso companheiro de
mergulho para ver se ele está utilizando o cilindro
correto.
Como o cilindro dele deve
estar identificado na lateral com a profundidade máxima
operacional em letras com 5 a 8 cm de tamanho, você
será capaz de auxiliá-lo a corrigir qualquer engano.
Caso sua descompressão exija mais de uma mistura, você
deve abrir o cilindro apropriado, livrar o regulador, e
seguir todo o procedimento anterior. O regulador do
cilindro já utilizado deve ser guardado da maneira
apropriada e o cilindro deve ser fechado.
Primeiro
estágio e manômetro
O uso de um
regulador de torre rotatória é uma boa idéia,
pois permite que as mangueiras apontem para baixo
na hora de prende-las junto ao cilindro e permite
que apontem para cima durante a utilização.
Para permitir a
utilização da mangueira sobre o pescoço, a
mangueira dos reguladores de "stages"
devem ser mais longas que as normais, tendo entre
96 e 101cm.
Sempre
utilize um manômetro nos reguladores de
descompressão. Muitos consideram que este
regulador não necessita de um manômetro, pois a
pressão dos cilindros é medida antes do
mergulho para garantir que eles têm suficiente
gás para a descompressão. Além disso,
consideram que a presença do manômetro não
modifica a situação de falta de gás para
descompressão. No entanto, como os reguladores
de "stage" e os reguladores de
descompressão são arrumados da mesma maneira,
eles são intercambiáveis até que estejam
montados em um cilindro. Sendo assim, o
manômetro é necessário para controlar o
consumo de um cilindro "stage" até um
determinado ponto do mergulho. A melhor maneira de montar
um manômetro é através de uma mangueira curta
(15 cm 6 polegadas), como mostra a figura
ao lado. A mangueira é mantida em "U"
através de um pedaço de cabo ou elástico tipo
"bungee". Isto não danifica a
mangueira de alta pressão pois ela fica
permanentemente nesta posição. O que danifica a
mangueira é a movimentação e torção
constante que uma mangueira livre sofre ao longo
de sua vida.
Montagem
do cilindro "stage" Todos os cilindros
"stage" são levados pelo mergulhador
do lado esquerdo, exceto quando transportando
três "stages", quando então o
terceiro cilindro pode ser levado do lado
direito. O pescoço do "stage" é preso
através de clip ao "D-Ring" do ombro
esquerdo. O fundo do "stage" tem uma
única fita de aço inoxidável sob a qual passa
o cabo utilizado no "arreio"
("harness") do "stage".
Como você pode
ver o cilindro "stage" não é preso ao
mergulhador através de conexões de
metal-com-metal, pois estas podem engripar e
possivelmente impedir que você o remova no caso
de uma emergência. Com este sistema o cilindro
"stage". Pode ser removido a qualquer
instante, mesmo que isto exija o corte do cabo do
"arreio". A foto ao lado mostra um
cilindro AL80 montado como um "stage".
Identificação
dos cilindros "stage"
Todos os cilindros
"stage" devem ser identificados com o conteúdo
e com a profundidade máxima operacional. Quando você
analisar a mistura do cilindro, use "duct tape"
e cole uma "etiqueta" no pescoço do cilindro,
de modo que você possa vê-la quando estiver usando o
"stage", contendo a mistura, a PMO e a data da
análise. Além disso, seu "stage" deve ter sua
Profundidade Máxima Operacional (PMO) marcada com
caracteres de 8 cm de tamanho perto do fundo do cilindro,
de modo que seu companheiro de mergulho possa vê-la. Ele
então poderá utilizar esta informação como
referência durante um mergulho com múltiplos
"stages" para se assegurar que você está
utilizando o cilindro correto.
Por que
não se deve montar um cilindro de descompressão nas
costas
Vamos considerar duas
possibilidades o "stage" está
carregando a redundância da mistura de fundo ou está
carregando mistura de descompressão (ou seja, mistura
com alta porcentagem de O2 ou 100% O2).
"Stage"
com redundância de mistura de fundo - O
regulador deve estar pressurizado para evitar que a água
entre no primeiro estágio e o registro deve estar
fechado quando não em uso. A razão pela qual ele é
mantido fechado é para evitar que um "free
flow" desperdice todo o gás redundante. Isto não
pode ser feito no caso de estar montado nas costas pois
você não pode abrir ou fechar o registro, tendo que
ficar aberto durante todo o mergulho.
"Stage"
com mistura descompressiva - Novamente o
regulador deve ser pressurizado e o registro deve ser
fechado quando não em uso. Assim como prevenir um
"free flow", também temos que prevenir que
alguém respire desta mistura numa profundidade errada e
sofra de intoxicação por Oxigênio. Isto não pode ser
feito com o cilindro montado nas costas pela mesma razão
anterior.
Em ambos os cenários, se
o primeiro estágio falhar o mergulhador só conseguirá
utilizar o gás da "stage" se ele tiver acesso
ao registro, ou seja utilizar a técnica de "mamar
no cilindro" (abrir o registro para inalar e fechar
o cilindro para exalar), o que não pode ser feito se o
cilindro estiver montado nas costas. Além disso, o
mergulhador não consegue remover e trocar sua
"stage" sozinho no caso de ficar preso em
pequenas restrições em naufrágios ou cavernas.
Considere também passagens com formatos irregulares: seu
"stage" está de um lado e você pode passar
enquanto está penetrando, mas quando você está
voltando o "stage" está do outro lado da
restrição e você pode não conseguir passar sem
remover e recolocar o "stage".
Quando o "stage"
está montado nas costas ele cria um arrasto adicional.
Quando ele está ao longo do seu lado ele fica na
"sombra" do seu ombro sem criar arrasto
adicional.
E por último, roteamento
das mangueiras. Se o "stage" está montado nas
costas, onde vão as mangueiras do regulador ? Onde vai o
manômetro ? Como distinguir entre estes e os reguladores
e manômetro da sua dupla ? Quando o "stage"
está montado ao seu lado, o manômetro e facilmente
visualizado como estando conectado ao primeiro estágio
da "stage" pou uma mangueira curta, o regulador
está preso ao cilindro por tiras de câmaras de pneus de
carro de modo que você sabe que este regulador e este
manômetro pertencem a este "stage".
Removendo-se uma "stage" carregada lateralmente
ela sai como uma unidade completa, ou seja, sem nenhuma
mangueira presa ao mergulhador. Se você tivesse que
remover um "stage" montado em suas costas, o
que fazer com as mangueiras, regulador e manômetro ?
Cilindros
de Argônio Cilindros de Argônio são
utilizados para inflar a roupa seca. Argônio tem
características favoráveis de isolamento
térmico e é utilizado por mergulhadores que
estejam mergulhando em águas frias ou que
estejam utilizando misturas com gases de baixo
isolamento térmico em suas duplas, tais como
Hélio.
Inflar a roupa
seca com misturas baseadas em Hélio pode
produzir um nível perigoso de resfriamento do
corpo devido às características de
condutibilidade térmica do Hélio. Além disso,
existe um risco limitado de se sofrer de
contra-difusão gasosa quando o mergulhador está
imerso em um gás menos denso do que está
respirando.
Os cilindros de
Argônio normalmente variam de 6 a 14 pés
cúbicos e são mais eficientes com pressões de
trabalho em torno de 2000 PSI, já que os
cilindros de Argônio são tipicamente fornecidos
em baixa pressão. Geralmente o cilindro de Argônio é
fixado ao lado da sua dupla, mas se o cilindro
for muito pequeno pode ser fixado no cinto do
"harness".
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