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A realidade dos
Rebreathers
A idéia deste artigo, é demonstrar que os Rebreathers
não são uma tecnologia assustadora como muitos pensam, mas quando
utilizados dentro das normas e principalmente dentro da experiência no
equipamento de cada mergulhador, são muito confiáveis e úteis. Se
analisarmos a sua trajetória, veremos que seu início data do século
XVII e é rica em experiências, testes, fatos, histórias, histórias,
sucessos, fracassos e sua evolução até os dias de hoje representa um
marco no mundo do mergulho.
Em contrapartida, há o conhecido circuito-aberto,
recentemente criado e utilizado pela imensa maioria dos mergulhadores no
mundo.
Muitos perguntam o "porquê" do circuito-aberto
ser tão mais utilizado em relação aos Rebreathers...
Há vários fatores, dentre os quais destacamos: o preço
pesa muito na escolha, o maior número de tarefas pré e pós imersão,
disponibilidade de materiais (spare-parts, sensores, cal sodada, etc) são
fatores agravantes.
Não acredito em complexibilidade, já que a necessidade
de mais cursos e um maior número de procedimentos a serem seguidos, que
devem ser encarados como uma evolução pelo mergulhador... qual é o
mergulhador que não gostaria de dominar a maioria dos aspectos
fisiológicos, físicos, psicológicos e técnicos do mergulho ?
E esses aspectos sim, são necessários para que um
mergulhador Rebreather, domine bem o seu equipamento. O circuito-aberto
segue de alguma forma essa evolução, já que existem cursos iguais e
necessários à ambos, como por exemplo, o Nitrox, Extend Range / Deep Air,
Trimix e até o curso de Gas Blender. Se nesses pontos não dá para sentir
uma diferença entre circuito-aberto e rebreathers, no tópico treinamento,
mergulho e procedimentos há uma grande distância entre ambos, senão dizer
um abismo.
Os modelos de Rebreather variam consideravelmente. Há
variações entre as unidades, podendo ser controladas mecanicamente ou por
computador, por unidades que utilizam uma única mescla e outras que usam
mesclas múltiplas. Existem ainda as diferenças do semi-fechado, para o
fechado de O2, fechado sem eletrônica, fechado com eletrônica.
Como em todos os setores do mergulho a experiência é o
fator diferencial. Ela só é adquirida após várias horas embaixo d'água
e acima dela, através de muito estudo e pesquisa. O interessante com os
Rebreathers, é que a experiência com o circuito-aberto de nada vale, não
adianta ter milhares de horas no Log-Book pois o mergulhador será, queira
ou não, um iniciante... isso pode ser difícil para o "ego" de
muitos mas é pura realidade que deve ser encarada com personalidade e
humildade.
Ao ignorar esse fato, os mergulhadores iniciantes nos
rebreathers tendem a menosprezar os procedimentos e com isso aumentar a fama
de "problemático" dos rebreathers. Os limites devem ser
observados com atenção e os costumeiros "super-homens" terão
problemas !
Se os iniciantes sofrem desse mal, do outro lado da linha
temos os mergulhadores rebreathers com extrema experiência e que por
motivos de auto-confiança demasiada, acabam se tornando complacentes ao
ignorar as regras e procedimentos realizados anteriormente, em inúmeras
vezes e com sucesso. Acabam ultrapassando os mesmos limites dos iniciantes e
se tornando mais uma fatalidade.
Dentro dessas fatalidades, analisando as centenas de
relatórios de acidentes que possuo, constato que cerca de 95% ou mais
delas, foram causadas pelo mergulhador. As falhas técnicas existem mas são
poucas e algumas delas poderiam ter sido evitadas com uma manutenção
correta ou checagem eficiente antes da imersão.
Os diversos problemas mecânicos que podem vir a surgir
devem ser analisados e conferidos antes, durante, e após cada imersão,
como se fosse uma rotina militar onde as normas de segurança devem ser
obedecidas... tenha o mergulhador 1 hora de imersão ou tenha ele algumas
milhares de horas.
Interessante é ressaltar, ainda que rapidamente, que os
acidentes também ocorrem com o circuito-aberto, envolvendo todas as partes
que compõe o equipamento e as estatísticas comprovam que houve acidentes
fatais por problemas no Colete Equilibrador (BCD), Regulador, Manômetro,
Octopus, Máscara, Cilindro, Nadadeiras, Computador, Cinto de Lastro e até
com a Lanterna, Snorkel e Faca. Alguns devem estar perguntando o que isso
tem a ver com rebreathers e a resposta é simples: É que os acidentes podem
ocorrer em qualquer tipo de circuito, seja ele aberto, de O2 puro,
semi-fechado, fechado e além disso em qualquer item que compõe o
equipamento.
Então vem aquela frase que normalmente ouvimos: "Os
Rebreathers são muito perigosos ! ". Isso não passa de uma
informação errônea e principalmente falta de conhecimento do que se está
falando.
Os Rebreathers são utilizados nas mais diversas
profundidades, como por exemplo, militares com oxigênio puro acima dos 6m
ou abaixo em outras atividades de reconhecimento e operações especiais,
por pesquisadores a 140m, por mergulhadores comerciais a 300m, podendo até
ser utilizado a 600 ou mais metros em diversos tipos de operações.
Os acidentes tem ocorrido nas mais diversas profundidades
mas por incrível que pareça o raso aparece como um vilão. Um dos fatores
é o relaxamento nos procedimentos ao se chegar no raso de um mergulho
profundo ou ao se mergulhar apenas no raso. Há o equívoco de se pensar que
nessas profundidades tudo está bem e que o perigo passou... puro engano !!!
Devemos ter em mente, que com Rebreathers tanto faz estar
a 1 metro, como a 100 metros, a atenção e a disciplina aos procedimentos e
regras devem ser seguidas... não há diferença.
Que tal um exemplo que anos atrás foi marcante:
A morte em fevereiro de 1999 do Prêmio Nobel, o Físico
Henry Kendall durante a exploração em Wakulla 2 (Kendall estava
mergulhando sozinho, violando claramente as regras de Wakulla). Após o seu
corpo ter sido recuperado, um grupo de especialistas afirmou que a válvula
de seu Rebreather Cis-Lunar
MK-5 não estava corretamente
ajustada, o que levou a um "black out" pela falta de O2. A equipe
de Wakulla mudou mais tarde esse testemunho, dizendo que sua morte foi por
causas naturais mas na realidade sabemos que ele morreu porque simplesmente
não acionou seu fornecimento de O2.
Neste caso, podemos ver um Prêmio Nobel de Física,
utilizando um Cis-Lunar (o mais completo e desenvolvido rebreather), muita
experiência, falhando num procedimento básico e falecendo aos 6 metros de
profundidade.
Essa é a complacência tão condenada no meio
Rebreather, que deve ser evitada a todo custo por qualquer mergulhador que
os venha a utilizar. Procure um profissional sério, que não queira apenas
o seu dinheiro e que dê um curso "meia-sola" ... Procure sim, um
curso que mostre todos os caminhos e atalhos para um mergulho seguro.
De resto é usufruir as maravilhas do mergulho rebreather
!
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