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Mergulho Técnico: Responsabilidade e Treinamento

Vejo várias pessoas realizarem cursos técnicos por aí, e em alguns casos, o mergulhador não estão apto para este tipo de atividade, principalmente pela falta experiência no que diz respeito ao mergulho recreacional.

Obviamente, de nada adianta um mergulhador possuir 100 mergulhos em uma mesmo local, onde muito em breve, este já conhecerá o ambiente. Mergulhando em um local distante, o mergulhador nunca terá total idéia dos possíveis problemas que poderá enfrentar. Digo isso, pois mergulhadores acostumados a cair em águas claras e quentes, terão dificuldades por exemplo, em mergulhar em locais como a região sudeste do Brasil, onde encontramos condições bem diferenciadas, como água fria e visibilidade muito reduzida, se compararmos com as águas do nordeste. Um mergulho efetuado aos 100m com água quente e visibilidade de 40m, é ao meu ver, muito menos complicado que um mergulho em um naufrágio aos 50-60m com água aos 12º, visibilidade de 1 a 2m e corrente de fundo. E em determinadas circunstâncias, com algumas redes de arrasto prontas para pegar se surpresa o mergulhador desatento.

Tenha em mente que um bom mergulhador técnico é aquele que está sempre tentando aprimorar suas habilidades e conhecimentos na atividade, desde que tenha o devido treinamento, e acima de tudo, não tentando fazer os mergulhos mais radicais dos radicais. Mesmo que você tenha acabado de obter um certificado Full Trimix ou Full Cave, não quer dizer que você esteja totalmente apto para mergulhos tão profundos ou tão distantes dentro de cavernas. Experiência é adquirida com muito treino e gradativamente.

Além disso, é inconcebíbel que um mergulhador recreacional se proponha a realizar um mergulho considerado técnico, com dupla, misturas de gases como trimix, e toda a "tranqueira" necessária para tal. Ele coloca não só a sua própria vida como a do seu dupla em jogo. Se algo ocorrer, você se responsabilizará ?

É claro que não...

Treinei adequadamente, e se você já possui treinamento, mergulhe muito e procure sempre conhecer novos locais. Se deseja crescer no mergulho técnico, experimente condições adversas. Um mergulhador que sempre mergulha de dupla e demais equipamentos, seja em Paraty, Pedreira em Sorocaba ou até mesmo na Laje de Santos, estará se aprimorando mais do que um mergulhador que caia de vez em quando com sua dupla e seu material técnico.

Se for ingressar no mergulho técnico, não se deixe levar por falsas afirmações ou facilidades em realizar um curso. Pare e pense se está pronto para o mergulho técnico e tenha um objetivo para o mesmo. Faça um curso com profissionais da área e nunca realize mergulhos técnicos os quais você não esteja devidamente treinado.


Clécio Mayrink, nascido no Rio de Janeiro, é consultor em TI. Foi consultor técnico sobre mergulho no desenvolvimento do 1º Atlas dos Esportes no Brasil, um projeto do Ministério dos Esportes, participou do mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS, e idealizador do site Brasil Mergulho em 1998, sendo atualmente coordenador. Ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS, atuou como Dive Master pela PADI (#53.668) em 1990/91, e realizou diversos cursos e especialidades. Atualmente é Mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave e Advanced Cave Side Mount e No Mount pela IANTD, com especialidades em O2 Administrator, First Aid e CPR também pela IANTD.

Participou de reportagens para revistas e TV's, onde teve a oportunidade de mergulhar em diversos locais do Brasil e no exterior. Além do mergulho, realiza estudos sobre rádio-frequência e sensoriamento remoto.

Site: www.clecio.com.br