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Como se classificam os Rebreathers
Com a chegada de diferentes tipos de rebreathers ao cenário de
mergulho brasileiro é comum que mergulhadores façam perguntas sobre
o uso desse tipo de equipamento. Uma das perguntas mais frequentes é
porque raios um determinado equipamento se chama O2CCR, aSCR, pSCR,
eCCR, ou mCCR. Para ajudar a tirar algumas dúvidas vamos falar um
pouco de cada um desses tipos de rebreather. Para começar, posso
dizer que os rebreathers são na verdade, classificados de acordo com
o principio de adição de gás que utilizam.
Para que um rebreather funcione, são necessários, simplificando,
três componentes básicos: o contra-pulmão, o depurador, e um
mecanismo de adição de gás.
O contra-pulmão é necessário para armazenar e circular o gás, o
depurador remove o CO2 quimicamente, e o mecanismo de adição de gás
garante que um gás seja injetado, de acordo com o planejamento do
mergulho e com o principio de funcionamento. É claro que muitos
outros componentes são necessários para o funcionamento de um
rebreather, entre eles: cilindros e válvulas de alta pressão,
reguladores, mangueiras de diversos tipos, válvulas de exaustão,
colete equilibrador, etc.
O rebreather com o principio de adição de gás mais simples é o
Rebreather de Circuito Fechado de Oxigênio (O2CCR). Este
rebreather adiciona oxigênio puro ao circuito respiratório do
mergulhador através de um dos três métodos: válvula de demanda,
fluxo contínuo, ou adição manual. Um mesmo aparelho pode usar dois
ou mesmo três desses métodos. O funcionamento começa com um
mergulhador respirando através do aparelho e exalando pelo nariz,
para limpar o circuito respiratório de gases inertes. Lembre-se que
este rebreather tem como objetivo usar oxigênio puro, qualquer
resíduo de gás inerte no circuito vai deixá-lo menos eficiente.
Assim que o mergulhador exalar pelo nariz e começar a inspirar pela
boca, o contra-pulmão tende a colabar, e uma válvula de demanda é
acionada.
O mergulhador inspira e, depois de limpar o sistema algumas vezes
exalando pelo nariz, começa a exalar pela boca, fechando o ciclo
respiratório. Se o mergulhador permanecer respirando, e
consequentemente metabolizando oxigênio, o volume do contra-pulmão
vai lentamente diminuir. Se nada mais for feito, esse volume diminui
ao ponto em que uma inspiração do mergulhador vai colabar o
contra-pulmão, acionando a válvula de demanda.
Para diminuir a
quantidade de vezes que a válvula de demanda é acionada alguns
modelos usam um orifício que injeta um fluxo contínuo de oxigênio.
Esse fluxo pode ser regulado para injetar uma quantidade de oxigênio
suficiente para compensar o consumo metabólico de um mergulhador em
repouso ou em baixa atividade, algo em torno de 0.8 lpm.
Alternativamente, pode-se adicionar ao sistema uma válvula de
adição manual, controlada pelo mergulhador. É importante notar que
este tipo de sistema é considerado de uso militar. Por essa razão, a
maioria desses tipos de rebreathers não possui uma válvula de
exaustão, para evitar que bolhas indiquem a presença de um
mergulhador.
O próximo principio de adição da nossa lista é o Rebreather de
Circuito Semi-Fechado de Adição Ativa (aSCR). Este é na
verdade o principio utilizado no rebreather produzido pela empresa
alemã Dräger, o Dolphin. Este é um sistema simples que
constantemente injeta uma quantidade fixa de gás (normalmente Nitrox)
dentro do circuito respiratório do mergulhador. Para cada tipo de
mistura gasosa (cada FO2) existe um fluxo de gás recomendado. O gás
injetado vai se misturar ao gás exalado pelo mergulhador, formando
uma nova mistura. A quantidade de oxigênio nessa nova mistura vai
depender do consumo metabólico (VO2) do mergulhador, além é claro
do gás que está sendo injetado.
Se o mergulhador estiver em repouso, com um VO2 baixo, a Fração
Inspirada de Oxigênio (FiO2) resultante tende a ser alta. Se o VO2
for alto, nadando contra a correnteza por exemplo, a FiO2 tende a ser
baixa. Além do sistema de fluxo continuo esses rebreathers também
possuem uma válvula de demanda e uma válvula de exaustão. O
rebreather funciona da seguinte forma: o mergulhador começa a
respirar no circuito, já com a válvula que injeta o gás fluindo.
Quando o mergulhador inspirar, assumindo que o contra-pulmão
reservatório ainda não está cheio, o contra-pulmão vai colabar,
acionando a válvula de demanda e, consequentemente, adicionando gás
ao circuito. Se o mergulhador estiver em repouso, com um ciclo
respiratório lento, quando terminar de exalar e começar a inspirar a
bolsa já estará cheia para a próxima inspiração. Ao final de cada
exalação do mergulhador, com o contra-pulmão já cheio, uma pequena
quantidade de gás é automaticamente exalada através da válvula de
exaustão.
Continuando a nossa classificação, vamos falar do Rebreather de
Circuito Semi-Fechado de Adição Passiva (pSCR). Como já
mencionamos, os rebreathers aSCR têm uma certa flutuação na FiO2
oferecida ao mergulhador. Os sistemas passivos, como o RB80, o
Habanero, entre outros, corrigem esta flutuação ao adicionarem gás
de acordo com a respiração do mergulhador. Isto é, este sistema só
adiciona gás do cilindro se o mergulhador respirar. O sistema ativo
injeta gás constantemente e na mesma proporção, não interessa se o
mergulhador está em repouso ou fazendo muito esforço.
O passivo só
injeta gás quando o mergulhador respirar, e quanto mais ele respirar
mais ele injeta, isto é, uma adição ajustada ao RMV do mergulhador.
Como ele faz isso? Este tipo de rebreather tem um sistema de
contra-pulmões diferente: um dentro do outro. O contra-pulmão
periférico (o maior) tem instalado um contra-pulmão interno (menor).
Esses dois contra-pulmões funcionam como uma sanfona: quando o
mergulhador exala, eles se expandem; quando o mergulhador inala, eles
se contraem. Estes movimentos são simétricos entre os dois
contra-pulmões.
O gás se movimenta dentro do sistema da seguinte forma: o
mergulhador exala através do tubo central de exalação para dentro
dos contra-pulmões, com um detalhe, o gás passa para o
contra-pulmão interno através de uma válvula unidirecional. Quando
o mergulhador inalar, os dois contra-pulmões se contraem.
O
contra-pulmão periférico deixa o gás fluir em direção ao
depurador, enquanto o contra-pulmão interno faz com que o gás seja
expelido para o meio ambiente, através de outra válvula
unidirecional. Como uma parte do gás exalado pelo mergulhador foi
expelido para o meio-ambiente, ele precisa ser reposto de alguma
forma. Assim que os contra-pulmões colabarem, uma válvula de
adição é acionada e gás novo vindo do cilindro é adicionado ao
circuito respiratório. Na verdade a cada ciclo respiratório uma
porção de gás é exalada e outra é adicionada.
Os Rebreathers de Circuito Fechado (CCR) são os mais
eficientes em termos de consumo. Os CCR são divididos em duas
categorias: os mCCR (de controle manual) e os eCCR (de controle
eletrônico). Estes dois tipos de rebreather têm uma adição de gás
ajustada ao consumo metabólico do mergulhador. Os mCCR
adicionam oxigênio puro ao circuito respiratório do mergulhador
através de uma válvula que injeta uma quantidade pré determinada de
oxigênio.
O objetivo dessa válvula é injetar uma quantidade de
oxigênio equivalente ao consumo metabólico de um mergulhador em
baixa atividade, cerca de 0.8 lpm. Na verdade cada mergulhador ajusta
este valor de acordo com o seu metabolismo e necessidade. Sempre que o
consumo metabólico real for superior à quantidade de oxigênio
adicionada automaticamente, o mergulhador precisa injetar oxigênio
manualmente. Ele controla essa necessidade através da Pressão
Parcial de Oxigênio (PPO2) no circuito respiratório. Vamos ao
circuito: com um fluxo contínuo de oxigênio já fluindo através da
válvula, a FO2 e consequentemente a PPO2 estão aumentando dentro do
circuito respiratório.
Enquanto o mergulhador respira normalmente, e metaboliza oxigênio,
o sistema adiciona oxigênio automaticamente, de acordo com o ajuste
feito pelo mergulhador. O sistema tem pelo menos três sensores de
oxigênio e um display digital para que o mergulhador controle a PPO2
do gás no circuito respiratório. Se o consumo metabólico aumentar,
a PPO2 do gás no circuito respiratório diminui.
O mergulhador atento
vai adicionar oxigênio através de uma válvula de adição manual,
fazendo a PPO2 subir novamente. Este ciclo se repete durante o
mergulho. Além da adição de oxigênio, esse sistema tem a adição
do diluente. O diluente é um gás (ar, nitrox, trimix, heliox) que
vai ser utilizado quando o mergulhador descer na coluna de água para
manter o volume do circuito estável, e para baixar a PPO2 do gás no
circuito respiratório se necessário. O diluente pode ser adicionado
através de uma válvula de demanda ou manualmente.
Os sistemas eCCR são semelhantes aos mCCR. A diferença
está na forma de injetar oxigênio ao circuito respiratório. Os eCCR
usam uma válvula eletromagnética, o solenóide, para adicionar
oxigênio puro. Também usando pelo menos três sensores de oxigênio,
um computador lê a PPO2 do gás no circuito e sempre que a PPO2
baixar de certo ponto, conforme programação do mergulhador, o
computador envia um sinal ao solenóide para que injete um pouco de
oxigênio. Se o consumo metabólico do mergulhador aumentar, o
solenóide injeta mais vezes, automaticamente.
Este tipo de rebreather
também costuma ser chamado de Rebreather de PPO2 Constante. Os eCCR
também têm displays digitais de PPO2, normalmente integrados ao
computador que controla o solenóide. Além disso, os computadores
também têm as funções de controlar a absorção de gases inertes,
tempo, profundidade, etc. Assim como os mCCR, os eCCR também têm uma
válvula de adição de oxigênio manual, válvulas de adição de
diluente e válvula de exaustão.
O funcionamento dos rebreathers tem uma série de particularidades
que não foram descritas acima por não serem pertinentes a um rápido
artigo. O objetivo do artigo é na verdade de despertar o interesse e
a curiosidade do leitor para que vá buscar mais informações sobre o
sistema, ou sistemas, de que mais se interessou.
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Esquema de um O2CCR
 
Esquema de um aSCR
 
Esquema de um pSCR
 
Esquema de um mCCR
 
Esquema de um eCCR
 
Unidade dosadora de um aSCR
 
Orificio de um mCCR
 
Solenóide de um eCCR
 
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