Artigos: Mergulho Técnico x Recreacional
Página Principal

     
 
Você está em  Principal > Mergulho Técnico > Artigos Imprimir   Favoritos    Recomende    Diminuir a Fonte Aumentar a Fonte
Mergulho Técnico x Recreacional

Pode parecer bobagem, mas os mergulhadores técnicos são considerados por alguns, pessoas que perturbam a vida dos operadores de mergulho e dos mergulhadores recreacionais.

Para os operadores, a grande quantidade de equipamentos levados nas embarcações, ocupa mais espaço e muitas vezes, atrasa a operação. No caso dos recreacionais, as reclamações se devem ao espaço que o mergulhador técnico necessita para montar seus equipamentos e a demora nos mergulhos.

Mergulho técnico em si, significa o uso de mais equipamentos pelo praticante e mais tempo de tudo. Isso ocorre no embarque, no planejamento da operação, na colocação dos equipamentos e nos mergulhos prolongados.

Eventualmente, o mergulhador recreacional acaba tendo que aguardar a turma do "tec diver" retornar do mergulho, sendo muitas vezes desagradável, face o tempo necessário para o retorno dos mergulhadores técnicos, ou principalmente, devido mudanças repentinas nas condições de mar, que acabam balançando as embarcações com o vai e vem das ondulações, não sendo nem um pouco prazeroso para aqueles que aguardam no barco.

Se o mergulhador técnico sai em uma operação recreacional, ele deve tentar se adequara operação em si, não sendo uma pessoal mal educada e muito menos, egoísta.

Misturar técnicos com recreacionais nem sempre é uma boa idéia. Lembro de uma ocasião em Arraial do Cabo, por exemplo, em que durante um mergulho na Gruta da Camarinha, lá estava com alguns amigos realizando um treinamento e utilizando sistemas de duplas e stages, e durante a imersão, um dos mergulhadores recreacionais ficou ligando e desligando "de brincadeira", a lanterna HID de um dos integrantes do treinamento.

O resultado disso, foi que a brincadeira de mau gosto deixou um mal estar entre um dos integrantes. O mergulhador que estava em treinamento, achou que sua lanterna estava com problemas e acabou não aproveitando o mergulho como deveria. Aliás, quase abortou o mesmo.

Após o mergulho, soube da brincadeira, e não ficou muito feliz com a mesma.

Parece bobagem, mas a visão daqueles que praticam e treinam o mergulho técnico, é muito diferente dos praticantes do mergulho recreacional. Não é uma questão de "deuses e sabedores profundos do mergulho", como alguns poucos colocam. Na verdade, são simplesmente mergulhadores que realizaram cursos técnicos e estão sempre treinando para melhorar suas habilidades subaquáticas.

O mergulho técnico é uma forma diferente e mais "técnica" de ver o mergulho avançado como uma forma mais segura de se mergulhar e com objetivos próprios, específicos e especializados.

A brincadeira da HID, poderia ter resultado na queima da lâmpada ou do ballast (sistema de ignição da lâmpada), por desconhecimento do mergulhador que brincava com o outro, pois este tipo de lâmpada, não se pode ficar ligando e desligando à todo momento. Pra quem não sabe, o custo de uma lâmpada HID ou de um ballast, gira em torno dos U$ 100 aos 150 cada um, e se ocorresse a queima, seria uma brincadeira cara, não ?

O mergulho técnico é encarado por muitos como uma coisa séria, e na minha opinião deve ser mesmo. A preparação, paciência e detalhes na montagem dos equipamentos é um diferencial que trará a segurança ao praticante desse esporte e evitará possíveis transtornos embaixo d'água.

Apesar de difícil, face a realidade brasileira, o ideal seria evitar a junção de mergulhadores recreacionais e técnicos na mesma embarcação. Se não houver jeito, faça uma separação dos grupos, deixando o processo mais seguro a todos, e evitando que pequenos transtornos desagradáveis possam ocorrer entre os merulhadores.

O mergulho deve ser um prazer que todos devem ter e apreciar, no entanto, quando uma brincadeira ou ato mal de mau gosto é realizado, podem trazer pequenos maus entendimentos deixando a atividade desgostosa, sendo exatamente o contrário ao que desejamos.

Foto: Bruno Tae / Local: Laje de Santos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto: Auder Lisboa / Local: Laje de Santos


Clécio Mayrink, nascido no Rio de Janeiro, é consultor em TI. Foi consultor técnico sobre mergulho no desenvolvimento do 1º Atlas dos Esportes no Brasil, um projeto do Ministério dos Esportes, participou do mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS, e idealizador do site Brasil Mergulho em 1998, sendo atualmente coordenador. Ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS, atuou como Dive Master pela PADI (#53.668) em 1990/91, e realizou diversos cursos e especialidades. Atualmente é Mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave e Advanced Cave Side Mount e No Mount pela IANTD, com especialidades em O2 Administrator, First Aid e CPR também pela IANTD.

Participou de reportagens para revistas e TV's, onde teve a oportunidade de mergulhar em diversos locais do Brasil e no exterior. Além do mergulho, realiza estudos sobre rádio-frequência e sensoriamento remoto.

Site: www.clecio.com.br