Artigos: Mergulho Profundo a Ar – Um risco desnecessário
 
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Mergulho Profundo a Ar – Um risco desnecessário

Desde o curso básico, somos apresentados ao cilindro de ar comprimido, como sendo a nossa fonte de ar embaixo d´água. Aprendemos também, que o mergulho amador apesar de ser extremamente seguro e confiável, é uma atividade que requer atenção e atitude do mergulhador.

No passado, mergulhos realizados além dos 50m de profundidade a ar, eram muito comuns. A falta de segurança era notória, e isso ocorria pela por de informação e equipamentos. Víamos mergulhadores caindo na água com duplas Cobra-Sub com 2250 PSI de pressão, e torneira com alavanca reserva. Na época, não eram utilziados manômetros, octopus e coletes equilibradores. E isso não têm muito tempo. Década de 80´.

Os três últimos itens mencionados acima, começaram a aparecer no Brasil por volta de 1985-1988 somente, e de forma bem lenta. No início, esses equipamentos eram importados por comissários de bordo das companhias aéreas, que traziam esses equipamentos para aqueles que tivessem algum contato com eles, pois não haviam lojas colocando esses produtos à venda no Brasil. Além disso, não existia a globalização e qualquer contato com o mundo exterior por correspondência, levava-se semanas para obter qualquer retorno.

O fato é que o mergulho hoje é limitado aos 30m e profundidade utilizando-se ar comprimido, sendo um limite razoável, pois daí em diante, o mergulhador fatalmente terá narcose, o que poderá ser um problema.

A narcose limita os movimentos e a percepção do mergulhador. Se o mergulho for realizado em águas escuras, com baixa temperatura e visibilidade reduzida, o efeito da narcose no mergulhador é significamente ampliado.

Alguns mergulhadores brasileiros ao saírem do país com destino a locais como Bonaire, Cuba e outros destinos com caracteríscas próximas, encontram águas quentes e com grande visibilidade, e não é incomum vermos alguns mergulhadores descendo além dos limites do mergulho recreacional, acreditando que o efeito da narcose será menor, acabando por criarem verdadeiras "procissões" embaixo d´água rumo ao azul profundo. O problema, é que além da narcose, esses mergulhadores não estão preparados para um problema em grandes profundidades, pois além a falta de treinamento, eles não estarão portando os equipamentos necessários para a realização de mergulhos em profundidades superiores aos 30m.

E porque isso ocorre ?

Em muitos casos, os mergulhadores acham interessante ir além dos limites, o que já é uma característica do ser humano. Em outros casos, os mergulhadores descem mais para apreciar as belezas naturais em altas profundidades, para apreciar o belíssimo visual e tonalidade do azul.

Um pouco de conhecimento

Alguns anos atrás, um grupo de mergulhadores foi conhecer uma determinada ilha caribenha. Durante os dias de mergulhos, estes mergulhadores desciam até os 60m de profundidade, alegando que a água era quente e clara, e o efeito da narcose era pequeno, deixando-os bem à "vontade e seguros".

Em um determinado dia, uma mergulhadora do grupo avistara algumas bolhas por trás de uma formação rochosa e decidiu descer em direção à mesma e ir atrás dos mergulhadores do grupo, imaginando ela, ser uma dupla de amigos que teriam ido mais fundo no mergulho em questão, pois ela já se encontrava aos 60m e se sentia à vontade.

Durante sua natação, ela desmaiou e foi em queda livre em direção ao fundo do mar. Ao passar pelos 90m de profundidade, um mergulhador profissional da ilha que estava realizando uma coleta marinha, viu o corpo caindo lentamente em direção ao fundo. Ele correu em direção da mergulhadora desmaiada e conseguiu pegá-la aos 105m de profundidade !

Como não era o dia dela, ele conseguiu salvá-la à tempo.

Essa história me foi relatada por dois mergulhadores que participaram da expedição à ilha em questão, e tomo como referência quanto a periculosidade dos mergulhos profundos à ar.

Se você aprecia mergulhos profundos, faça um curso de mergulho técnico e conheça as vantagens e a segurança que o trimix traz aos mergulhadores.

Atualemente mergulhar fundo e com segurança é possível, e você ainda conseguirá lembrar de tudo o que viu embaixo d´água, o que não ocorre com aqueles que mergulham fundo à ar.

 
Profundímetro indicando os 45m.

 

 

Mergulhador visivelmente sob efeito da narcose


Clécio Mayrink, nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 sendo certificado pela CMAS. Atuou como Dive Master pela PADI (#53.668) em 1990/91, realizando diversos cursos e especialidades. Atualmente é Mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave e Advanced Cave Side Mount e No Mount, com especialidades em O2 Administrator, First Aid e CPR pela IANTD, e Juiz AIDA Internacional.

Consultor em TI, é o idealizador do site Brasil Mergulho criado no ano de 1998. Foi consultor técnico sobre mergulho no desenvolvimento do 1º Atlas dos Esportes no Brasil, um projeto promovido pelo Ministério dos Esportes, foi consultor no projeto de proteção mundial de naufrágios promovido pela ONU e UNESCO, e integrante do mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS.

Atuou em reportagens para revistas, documentários e matérias para TV's, onde teve a oportunidade de mergulhar em diversos locais do Brasil e no exterior. Com a experiência adquirida, criou também a empresa Brasil Mergulho Produções, destinada a produção de vídeos e documentários subaquáticos.

 




 
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