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Milagre no Rio de Janeiro
No dia 25 de setembro de 1893, durante a revolta da
Marinha Brasileira contra o então Presidente Floriano Peixoto, ocorreu
na Cidade do Rio de Janeiro um fato que foi tratado pelos moradores como
um MILAGRE. Uma grande estátua de mármore portuguesa que representava
a Religião caiu de uma altura de quase 30 metros e não se quebrou,
sofrendo apenas danos em um de seus dedos e pequenos danos em sua base.
Este fato passaria despercebido por nós
mergulhadores não fosse o fato que fez a estátua despencar do alto da
torre de uma Igreja: o famoso Encouraçado Aquidabã,
hoje naufragado em Angra
dos Reis, desferiu um tiro de canhão que destruiu a torre da Igreja
Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, onde a estátua ficava. A bala de
canhão veio a cair do outro lado do quarteirão, causando destruição
de parte do terceiro andar de um prédio.
Atualmente tanto a estátua quanto a bomba
encontram-se expostas na Igreja localizada na Rua do Ouvidor, 35 –
Centro – RJ. Tocar naquela que foi uma das primeiras Balas Perdidas da
cidade do Rio de Janeiro, causa emoção à nós mergulhadores que somos
transportados no tempo vendo aquele que era considerado uma das maiores
unidades de Guerra da Marinha Brasileira.
Porém a mesma sorte não teve o Encouraçado
Aquidabã que veio a naufragar pela primeira vez em 16 de abril de 1894
em Florianópolis - SC durante a Revolta da Armada, atingido por um
torpedo disparado pelo Contra Torpedeiro Gustavo Sampaio, sendo
posteriormente colocado a flutuar parcialmente até o estaleiro que o
consertou e posto a navegar novamente. Mas em 11 de janeiro de 1906 veio
a naufragar novamente, desta vez definitivamente, na Enseada de
Jacuacanga – Angra dos Reis – RJ por motivo de uma enorme explosão
que veio a vitimar 112 tripulantes. Considerado até hoje um dos maiores
desastres da Marinha Brasileira o motivo da explosão nunca foi
descoberta.
Curioso imaginar que aquele que no passado veio a
desferiu um tiro de canhão contra a torre de uma igreja, viria a
naufragar anos depois por explosão de suas próprias bombas.
Diz a Lenda dos Navegantes que não se deve trocar o
nome de uma embarcação, pois seu destino será de ir a pique. Pois
bem, durante o período em que o Aquidabã foi para reparos do primeiro
naufrágio, seu nome foi rebatizado de Encouraçado Vinte e Quatro de
Maio. Posteriormente seu nome original voltou a ser adotado, como se
tentassem consertar um erro que não seria perdoado pela velha lenda dos
navegantes.
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Fotos: Clécio Mayrink

Modelo idêntico do torpedo 
Museu da Marinha no RJ
Igreja NS Senhora da
Lapa dos Mercadores
Projétil que caíra na igreja
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