Artigos: Misterioso afundamento do Cisne Branco
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Misterioso afundamento do Cisne Branco

Fabricado em Santa Catarina com casco de madeira, motorizado e voltado para a marinha mercante, o  Cisne Branco misteriosamente levava consigo, uma carga desconhecida por sua própria tripulação. Era a época da 2ª Guerra Mundial, e à bordo, havia um sargento e três soldados do exército, onde à princípio, estariam acompanhando o navio até uma base americana que estaria sendo construída no Rio Grande do Norte, mas ninguém tinha a certeza do local de desembarque até então. O navio chegou à realizar algumas viagens em zonas de conflito militar (Natal - Belém), participou de comboios e abastecimento de tropas. Na ocasião, alguns marinheiros acreditavam que estariam levando material bélico à bordo.

Era meia noite e meia do dia 27 de setembro de 1943 nas proximidades do Farol de Aracati, Ceará, o Cisne Branco estava retornando ao Rio de Janeiro, viajando tranquilamente em uma noite calma e tranquila, quando violentamente foi torpedeado por um submarino que navegava as escuras. O impacto foi tão grande, que partiu o navio ao meio, fazendo água imediatamente, não dando tempo à tripulação para pegar nenhum objeto. Durante a catástrofe, suas baleeiras haviam sido destruídas e uma balsa salva-vidas caiu na água, onde 13 pessoas conseguiram subir na tentativa de se salvarem, mas o mar arrastou a balsa mar à fora, deixando os náufragos três dias e três noites à deriva, sem alimentação.

Outros náufragos que conseguiram se agarrar em pedaços dos destroços do navio, foram resgatados no início da manhã, com a ajuda dos jangadeiros da região, que saíram em suas pequenas embarcações para socorrê-los.

Às 23h do terceiro dia posterior ao naufrágio, a balsa foi avistada por uma senhora que estava na praia, e avisou aos jangadeiros, que foram novamente resgatar os náufragos do Cisne Branco.

Após receberem alimentação e roupas novas, a tripulação do Cisne Branco chegou a levar quase dois meses para conseguir retornar à Santa Catarina, pois não tinham como retornar. Chegaram a viajar em outros barcos, trem, e trabalharam no Rio de Janeiro para então conseguir ter dinheiro e retornar São Francisco do Sul-SC. Suas famílias não tinham notícias de seus entes e acreditavam que já estavam mortos.

Ex-combatente ganha ação judicial e passa a receber pensão

No dia 07 de agosto de 2005, o cozinheiro aposentado Turíbio João Moreira, de 85 anos de idade, ganhou uma ação movida contra a União, onde passará a receber uma pensão especial de ex-combatente. Turíbio tinha 23 anos na época, e era o cozinheiro do Cisne Branco. Na sua última tentativa em obter uma pensão de ex-combatente, após outras tentativas frustradas, a juíza responsável pelo processo deu causa ganha à Turíbio, pois ficou comprovada a sua participação em operações militares, e a condição de ex-combatente deveria ser reconhecida pela União, fazendo jus à pensão especial instituída pela Constituição de 1988.

Uma prova que este navio estava sendo utilizado em caráter militar, foi o diário emitido pela Capitania dos Portos em São Francisco do Sul, atestando a saída do Cisne Branco do porto do município, com destino à um a porto confidencial, sem data anotada, entre 3 de agosto e 18 de setembro de 1943. Para a magistrada, o documento demonstr ou caráter sigiloso da viagem, sendo um forte indício de que estava em missão de guerra. Outra prova utilizada, foi a emissão em 2 de agosto de 1983, pela Diretoria de Portos e Costas, dando reconhecimento a condição de ex-combatente à Omar Alves Pereira, por ter sido comandante do Cisne Branco durante um a viagem em que ocorreu o naufrágio.

 

Foto: Marcus Davis

Destroços do Cisne Branco

 

 


Clécio Mayrink, nascido no Rio de Janeiro, é consultor em TI. Foi consultor técnico sobre mergulho no desenvolvimento do 1º Atlas dos Esportes no Brasil, um projeto do Ministério dos Esportes, participou do mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS, e idealizador do site Brasil Mergulho em 1998, sendo atualmente coordenador. Ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS, atuou como Dive Master pela PADI (#53.668) em 1990/91, e realizou diversos cursos e especialidades. Atualmente é Mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave e Advanced Cave Side Mount e No Mount pela IANTD, com especialidades em O2 Administrator, First Aid e CPR também pela IANTD.

Participou de reportagens para revistas e TV's, onde teve a oportunidade de mergulhar em diversos locais do Brasil e no exterior. Além do mergulho, realiza estudos sobre rádio-frequência e sensoriamento remoto.

Site: www.clecio.com.br