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Do ar para o mar
Sábado, 25 de março de 2006
Nos preparamos para mais uma operação com a
operadora Projeto Netuno.
Mar calmo e tempo nublado, sem perspectivas de chuva,
e depois de embarcados os seis clientes, demos início a viagem de mais
ou menos uma hora e meia até o Parque
Estadual Marinho da Risca do Meio. O parque possui uma área de 33
Km² e está há dez milhas do porto do Mucuripe, em Fortaleza.
Existem dez pontos de mergulho, com profundidades
entre 18 e 29 metros.
O ponto de mergulho à ser visitado, não estava
definido, pois era preciso verificar as condições de mar e
visibilidade, para nos dirigir ao ponto mais adequado para as
condições daquele dia.
Ao passarmos pelo quebra-mar do porto do Mucuripe,
nossas expectativas de mar calmo se confirmaram e o Gonça (Subtente
Gonçalves do Corpo de Bombeiros), responsável pela a operação,
definiu o ponto: Vamos para o avião !
Tratava-se de um Avião
Bandeirantes que caiu ali por volta de 1990. Era um avião bimotor
usado para pesquisas meteorológicas que caiu a 12 milhas do litoral de
Fortaleza. Em sua queda, morreram os dois tripulantes, piloto e
co-piloto.
O Bandeirantes está agora na areia há 28 metros de
profundidade e é morada de muitos animais marinhos.
É um mergulho pouco visitado, pois está dentro dos
limites do Parque Estadual Marinho onde não é permitida a prática de
caça-sub e o Projeto Netuno, atualmente a única operadora de
Fortaleza, e devido a isso, a única a realizar mergulhos periódicos no
parque marinho.
É comum encontrarmos Lambarus, Arraias-Manteigas e
até Meros em seus destroços, além dos cardumes de Parus-Brancos e do
jardim de Enguias que podemos observar quando estamos em grupos pequenos
e não as assustamos.
Chegando ao ponto, lançamos nosso homem-garatéia, o
Miguel, que retornou à superfície em 3 minutos comemorando os 20
metros de visibilidade. Miguel nos contou que no fundo, junto aos
destroços, estava pousada uma Arraia-Manteiga com quase dois metros de
envergadura !
Todos prontos, fomos para água, dando início ao
mergulho.
Aos dez metros já avistamos as manchas dos
destroços do antigo Bandeirantes e um pouco ao lado uma mancha escura
não identificada. Mais cinco metros e já identificamos bem os
destroços. Chegando ao fundo, e verificamos que a parte da frente do
avião onde seria a cabine estava parcialmente enterrada, junto à uma
de suas asas. Junto a esta e um pouco mais à frente, encontra-se um dos
motores, com sua hélice ainda no lugar e sua pontas amassadas,
provavelmmente devido ao impacto com a água. Do outro lado, no lugar da
outra asa, não havia nada, provavelmente se despedaçou na queda ou
está enterrada.
A cauda do avião estava separada do resto da
fuselagem, deitada para o lado esquerdo e dentro dela, um
"Dentão" de bom tamanho parecia não gostar da invasão. Ao
redor, há pontas de metal denunciando restos enterrados. A mancha
escura agora identificada era uma arraia imensa e muito escura,
repousando no fundo do mar, com sua indiferença, característica das
Arraias-Manteigas.
Após curtos 25 minutos e várias fotos, retornamos
à superfície, com a tradicional parada de segurança.
De volta ao barco, iniciamos uma viagem de trinta
minutos ao segundo ponto do dia, uma pedra baixa, chamada Cabeço do
Balanço, aos 18 metros de profundidade e uma fauna marinha incrível !
Neste ponto, observamos um Lambarú com um metro de
comprimento, cardume de Xila que cobria toda a pedra, Peixes-Anjo e
diversas outras espécies.
Trinta e cinco minutos de mergulho, com todos muitos satisfeitos,
voltamos para a terra contentes e já esperando pelo próximo dia de
mergulho.
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