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Navio da Ponte
Fortaleza já teve diversos portos, onde dentre
estes, destacamos o antigo "Poço da Draga" que serviu até
1906, neste ano foi inaugurada a Ponte Metálica que foi utilizada para
o desembarque de cargas e passageiros até 1947.
A Ponte Metálica foi construída devido à crescente necessidade de
um porto que permitisse a aproximação de navios maiores. Porém, foi
desativada para dar lugar ao atual Porto do Mucuripe.
Nas proximidades da Ponte Metálica é possível avistar os
destroços do cargueiro Mara
Hope, encalhado na região há cerca de vinte anos. Mas o que não
se pode ver, pelo menos acima da linha do mar, são outros dois naufrágios. Um
deles, batizado como Navio
Encantado (também conhecido como Draga), está a 500m da Ponte
Metálica. Embora mergulhe há algum tempo no local, só soube da sua
existência há um ano, e ele ainda permanece não identificado. Já o
outro, para a minha surpresa estava literalmente sob meus olhos o tempo
todo !
Conversando com pescadores e mergulhadores da região, soube da
existência de uma hélice e algumas ferragens junto à Ponte Metálica,
à uns 20m da praia. Fui diversas vezes mergulhar por lá, porém, a
água nunca ajudava. A visibilidade é quase sempre zero devido à
proximidade com a praia e o movimento constante das ondas.
Ocasionalmente, a visibilidade chega aos dois, três metros. Por estes
motivos, mergulhar no Navio da Ponte é um pouco complicado e deve ser
feito na maré cheia.
Entre março e julho o vento intenso dá uma trégua e a água limpa
chega até a costa. Costuma-se alcançar até cinco metros de
visibilidade em alguns raros dias. Mais raros ainda, são os dias como
hoje em que a visibilidade chegou ao 8 metros na beira da praia !
Eu e Thadeu fomos até a Ponte Metálica para praticar mergulho
livre, apenas para nos manter molhados. Quando chegamos e vimos a cor da
água, não acreditamos ! A água estava azul
! Não tinha levado a câmera fotográfica e então
voltei em casa para pegá-la, pois não podia perder essa oportunidade
! No caminho meu receio era que água sujasse nos
vinte minutos que levei até retornar à ponte.
Ao voltarmos encontramos um dos piratas locais. Ele vinha trazendo
uma escotilha de bronze que havia acabado de retirar do naufrágio em
que pretendíamos mergulhar. Ele está sempre no Mara Hope e em outros
naufrágios da costa retirando seus metais de valor, como cobre e
bronze. Conversando com ele, me disse que uma vez achou até um
"Buda" de bronze, pesando vinte e oito quilos, entre o Mara
Hope e o Navio Encantado. Quando questionei sobre a veracidade da
informação ele disse: "É rapaz ! Um Buda !
Aquele gordinho sentado... !".
Depois fomos para a água explorar o Navio da Ponte. É um navio de
aço, com uns 50m de comprimento e uns 4 ou 5m de largura. Está com a
proa virada para a praia e a Ponte Metálica, fazendo um ângulo de 60º
com ambas. O naufrágio está completamente desmantelado e repousa sobre
formações coralíneas a estibordo.
Iniciamos a exploração pela popa onde ainda se encontram o hélice,
que foi claramente serrado de seu eixo, e as estruturas do leme. O eixo
do hélice ainda está inteiro e segue em direção à proa. Os restos
do casco estão dos dois lados, mas estrutura do que seria o fundo,
ainda está parcialmente inteira. Seguindo o eixo encontramos estruturas
que parecem ser do antigo motor. Mais à frente, por bombordo,
encontramos algumas engrenagens que parecem ser o cabrestante. Próximo,
ainda por bombordo, encontramos os cabeços de amarração. Sua proa
ainda pode ser identificada, mas está bem corroída.
Perto da popa, a 15m do naufrágio, por bombordo, está uma estrutura
cilíndrica de uns quatro metros de comprimento por três de diâmetro
que se encontra na posição vertical em relação ao fundo, aflorando
na maré baixa. Dentro dessa grande estrutura estão três outras
estruturas cilíndricas de um metro de diâmetro cada.
Cruzamos com poucos peixes durante os mergulhos. Apenas alguns "cirurgiões"
e um "frade". Algumas lagostinhas também moram por lá, mas
fora isso, parece um deserto comparado aos mergulhos do Parque
Marinho da Risca do Meio.
É incrível como topamos inesperadamente com a história.
De onde será esse navio ? Qual será a sua nacionalidade
? Quando e por que naufragou ? Teria encalhado
nos recifes fruto de uma fundeação mal feita ? Qual era
sua carga ?
Estas perguntas apenas ilustram como a história marítima do Ceará
permanece desconhecida. Mistérios antigos atiçam a curiosidade de
alguns. Só lamento que seja mais um item da história do Ceará
esquecido como tantos outros...
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