| Notas
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Foi aparelhado à escuna e, como se fosse destinado à classe
canhoneira, foi armado com dois canhões Paixhans de 30 libras.
Foi-lhe passada Mostra de Armamento a 14/08/1850, e o 1º Tenente
João Gomes de Aguiar, foi o primeiro comandante. Gastou-se com a
embarcação entre 1850-51 quantia de 1:978$330.
Em 1851, sofreu com reparos que foram contratados com Manoel
Nunes de Azevedo Sampaio.
Encontrava-se na Baía do Sombrio (Ilha de São Sebastião) em
06/02/1851, quando faleceu à bordo, o 2º Tenente Inocêncio da
Cunha Galvão. Em 24/02/1851 foi nomeado novo comandante, o 1º
Tenente Felício de Sá Brito, em substituição do 1º Tenente
Manoel Mendes de Moraes e Vale, que desembarcou por doença. O
navio tinha sido dias antes, incorporado à Divisão Naval do Rio
da Prata, chefiada pelo Almirante Grenfell. Em março, foi
desligado desse comando, por suas condições de navegabilidade
que eram apontadas como precárias.
A 30 de abril, realizou manobras militares na Baía de
Guanabara a fim de reconhecerem-se suas qualidades náuticas.
Ficou constatado que demonstrava dificuldade em virar de bordo e
grande abatimento, e que só serviria para navegação fluvial.
Foi desarmado e em 1851, Mestre Joaquim Francisco, no Arsenal,
procurou corrigir os defeitos apontados. Em dezembro deste ano,
assumiu seu comando o 2º Tenente José Maximiano de Melo e
Alvim. Em julho de 1853, passou a comandá-lo o 2º Tenente José
Rodrigues dos Santos. Em 04/10/1854, mandou-se fornecer-lhe um
canhão-obus francês de 30 libras e trem de guerra.
Por Aviso publicado em 17/10/1854, foi nomeado seu comandante o
1º Tenente Antônio Mariano de Azevedo. Por Aviso de 10 de
novembro, foi nomeado seu comandante o 2º Tenente Salustiano
Caetano dos Santos.
Por Aviso de 14 de dezembro, passou a comandá-lo 1º Tenente
João Travassos da Costa. Zarpou a 24 do dito mês para o Rio da
Prata, onde passou todo ano de 1853.
De dezembro de 1856 a dezembro de 1857, empregou-se em
cruzeiros contra o tráfico de escravos africanos, sob o comando
do 1º Tenente Antônio Carlos de Mariz e Barros. O historiador J.
Artur Montenegro, em 1897, sob o título "Audácia e
Valor", escreveu:
"Esplêndida manhã de 20 de fevereiro de 1895 (deve ser
1857). Garbosa corveta, proa ao norte, veleja mar em fora,
singrando rápido às alturas de Ilha Grande. Gávea e papafigos
enfunados pele fresca brisa de Norte/Nordeste, imprimem oito nós
ao formoso barco, cujo talhamar corta altaneiro aqueles mares de
esmeralda, com a poética majestade do branco e saudoso alcione.
No horizonte, nenhuma vela suspeita. Nenhum navio negreiro cruza
nessas paragens, vigiadas pela Veleira Campista, comandada pelo
jovem Mariz e Barros – o terror desse piratas de carne humana,
miseráveis algozes de uma raça infeliz.
"O vigia da gávea assinala uma vela a Leste.
Imediatamente Mariz e Barros ocupa a ponte; cada qual guarda o seu
posto e a corveta – ligeira gaivota deslizando à flor das ondas
– manobra no sentido de reconhecer o navio que aparece ao longe.
Eram 8h da manhã. As 10 estava à vista um lúgar desconhecido,
navegando a todo pano; conformação e pintura do casco,
disposição do aparelho, rapidez de manobra denunciando essa
precisão técnica peculiar aos corsários – tudo induz a crer
estar ao alcance dos telescópios um navio negreiro, desconhecido
nos mares do Brasil. Mariz e Barros manda içar a flâmula e a
bandeira; um tiro de canhão firma a intimação de chegar à
fala.
"O navio suspeito, porém, continua impassível a sua
derrota. Segundo e terceiro tiro da Campista. Nada ! O
pirata faz-se ao largo, aumentando o pano ! I mpaciente,
tremendo de raiva ante a expectativa de perder a presa, Mariz e
Barros grita à equipagem: "Larga tudo ! Fora
cutelos e varredouras... !"
E a corveta, obedecendo aos intuitos do fogoso comandante da
ardida guarnição, atira-se veloz sobre a crista espumante das
vagas, encurtando precípite o espaço que a separa do misterioso
barco que veleja no bordo do mar. No convés brasileiro,
prepara-se tudo para o combate: guarnições a posto esperam o
sinal do chefe pelo apito do guardião, para fulminar o barco
negreiro que parecia zombar da pequena corveta, mostrando seis
largas portinholas e a boca escura de outras tantas caronadas.
Duas milhas apenas separam os contendores. Então o passadiço da
Campista, vê-se a olho nu, alteroso navio armado em guerra,
guarnecido em numeroso pessoal... mas, a Campista avança sempre.
Súbito, amaina o vento ! O pano, momento antes
entesado pelo fresco terral, bate ao compasso do balanço, ao som
plangente dos gemidos das retrancas em sua eterna luta com as
escotas. A raiva apodera-se de todos ! Do comandante
ao último grumete apodera-se o furor do despeito, a ira da
impotência, o desejo agora de lutar a todo transe...
- Escaleres ao mar e à abordagem ! - ordena o moço
comandante. Soa o apito, gemem as talhas nos cadernais
! E, num abrir e fechar de olhos, dois terços dos
homens da Campista – vinte e oito bravos – guarnecem dois
escaleres. Vinte e dois remos fendem as águas e, a voga larga,
quais velozes cetáceos, voam barcos ao encontro do navio pirata,
que nesse momento, percebendo a manobra dos brasileiros, parou,
atravessando.
"A meia amarra do navio suspeito, Mariz e Barros manda
levar remos. De pé, no castelo do primeiro escaler, espada em
punho, prestes a ensinar aos seus homens o caminho da grita:
"À abordagem !"
"Então viu-se uma cena indescritível, digna dos heróis
de Plutarco. O comandante contrário, rodeado de seus oficiais, no
passadiço da Beacon, levanta sua voz firme e sonora: "Hurrah
!" – "Hurrah ! Hurrah !" – responde a maruja
trepando às vergas, ao mesmo tempo que ao penol da fragata era
levantado o pavilhão da guerra da orgulhosa Albion !
Ao som do pífaro e tambor, em marcha batida, ergue-se também,
ao tope do grande vaso britânico o pendão auriverde do Brasil;
vinte e um tiros de peça saúdam aquele rasgo de heroísmo de um
punhado de bravos. O barco suspeito era a fragata inglesa Beacon,
cruzava perseguindo os navios negreiros.
Seu comandante, Comodoro E. Parsons, vira a galhardia do jovem
chefe brasileiro e, admirado com sua resolução de tomar de
abordagem, com duas dúzias de homens, um vaso artilhado, deixara
que ele se aproximasse pra recebê-lo com essa tríplice
saudação que os marinheiros sabem tributar aos feitos de
audácia e valor. A rainha dos mares sagrava o herói brasileiro
à sombra da mesma bandeira que tremulara em Trafalgar: Nelson
fora o paraninfo do oceano, a imensa pia batismal para o jovem
Mariz e Barros"
Em julho de 1857, a Campista foi aparelhada a patacho. Cruzava
na costa do Rio de Janeiro, em frente a restinga da Marambaia,
quando naufragou, a 21 de janeiro de 1858. Comandava-a o 2º
Tenente Camilo de Lelis da Silva.
Fonte: Arquivo Histórico da Marinha
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