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O Jornal Monitor Campista se
refere a essa "irregularidade magnética", ao noticiar o
naufrágio do vapor de cabotagem Imbetiba, em 1881. Antes, cabe
dizer que em 12 de Junho de 1875 juntamente com os vapores Goytacaz e Bezerra
de Menezes, o Imbetiba trazia do Rio de Janeiro o imperador D. Pedro
II e comitiva, para inaugurar a ferrovia, com 104 Km de linha lançada
entre Imbetiba, ao sul da cidade de Macaé, e a estação da Coroa, a meio
quilometro da cidade de Campos. No km 1 ficava o porto de Imbetiba, em
frente à Ilha do Papagaio.
De acordo com o jornal Campista, o
comandante do navio, Cândido Lopes, relatou que no dia do acidente o mar
estava calmo e sereno, mas a noite começou a cair uma pequena cerração
que, por volta das 23 horas, tornou-se fortíssima. O vapor estava com uma tripulação de 25 homens, transportava mercadorias
variadas e passageiros para Macaé. Dispunha de três agulhas de marear
(bússolas), porém todas elas variavam. Assim, não houve como ter
ciência do posicionamento do navio naquele momento, além disso,
navegando as cegas em razão de um nevoeiro, a embarcação acabou batendo
num banco de areia, pouco antes da meia-noite.
Lopes mandou dar o grito de
"passageiros alerta" e, como o navio não abriu água, fez o
possível para resgatá-lo do banco de areia, mandando lançar ao mar
alguma carga e dar força total à máquina.
O vapor safou-se e continuou a sua
marcha, mas à meia noite, bateu em outro banco, encalhando em seguida.
Uma hora depois, dissipada a cerração, o luar clareou a madrugada e
pôde-se observar que o navio estava muito próxima a praia da Massambaba.
O comandante então fez conduzir para terra, nos escaleres, todos os
náufragos e, não tendo o Imbetiba ainda aberto água, tratou de salvar a
bagagem dos passageiros e a carga que, segundo o jornal, foi quase toda
resgatada. Todavia, um dos escaleres, ao se aproximar da praia, abriu
água e foi ao fundo, sendo os passageiros obrigados a lançarem-se ao mar
e a caminharem com água acima da cintura. Todos os náufragos passaram a
noite na praia e no dia seguinte, dirigiram-se a pé para o povoado, onde
foram bem acolhidos pelos cabistas.
No caso do acidente do Imbetiba,
estando cerrado o tempo e nula a visibilidade, é inquestionável que
cumpria fundear o vapor e aguardar o momento favorável para seguir
viagem. Em grande parte, esse tipo de acidente, tão frequente no
passado, era causado pela exagerada confiança do comandante em sua
própria experiência e capacidade profissional. O excesso de segurança
faz com que se negligencie as preocupações aconselháveis nessas
ocasiões, pois ao se navegar sob nevoeiro, além de reduzir a marcha, é
imprescindível a sondagem, pois é constatado que a profundidade diminui,
isto indica que o navio está mais próximo da costa.
Colaboração: Rodrigo
Coluccini
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