| Notas
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Este é o texto
original na impressa do Orion, navio que naufragou na Ilha do
Macuco, também chamada de lha do Amendoim. O Orion naufragou no ano
de 1912, somente dois anos após ter sido construído e incorporado
ao Loyd Brasileiro.
Navio de passageiros
com primeira e segunda classe, fazia a linha regular entre Rio de
Janeiro e Buenos Aires com diversas escalas, infelizmente, a
visibilidade na ilha do Macuco sempre deixa a desejar, mas um
excelente mergulho para que gosta da aventura de naufrágio.
"No dia
15 deste mês, em Santa Catarina, próximo a Ilha dos Macucos,
devido a cerração que reinava na ocasião, naufragou o paquete
Orion o melhor da frota do Lloyd Brasileiro, pertencente a linha do
sul, sob o comando do Sr. Luiz Carlos de Carvalho.
A principio pensou-se
em poder salvar-se o excelente navio, que tanta falta vai fazer aos
portos daquela linha, mas bem depressa foi verificado ser isso
infelizmente impossível. Foi salva toda a sua guarnição, bem como
todos os passageiros.
Este últimos,
transportados para a bordo do Itapuca da Casa Lage & Irmãos,
chegaram a este porto no dia 24 deste mês.
Um desses passageiros
prestou a imprensa as seguintes informações a propósito do
sinistro: As 10 horas da manhã de sábado, 14, o Orion zarpou de
Florianópolis. Das 11 para as 11 1/2, como caísse intensa
cerração, o comandante Luiz Carlos de Carvalho fez o vapor deitar
ferro á entrada do canal. As 6 1/2 horas da manhã de domingo tendo
cessado quase pôr completo o nevoeiro, foram dadas ordens para que
o Orion prosseguisse na sua derrota.
Pouco depois de
levantar ferro o paquete, reapareceu fortíssima cerração. Era
então impossível, como outra vez se fizera, fazer ancorar o navio,
devido á profundidade do mar, na altura em que o Orion se vira
novamente surpreendido pelo phenomeno-atmospherico. Nestas
condições, o comandante Carlos de Carvalho teve de continuar na
viagem, a meia velocidade, de conformidade com o regulamento da
navegação.
Entre 8 e 8 1/2 horas
da manhã, foi sentido um grande choque. As máquinas, invadidas
pela água tinham cessado de funcionar. O Orion havia batido de
encontro a uns banco de pedra. O comandante e a oficialidade de
bordo providenciaram solicita e imediatamente para que fosse,
arriados os escaleres afim de serem realizados os trabalhos de
salvamento de passageiros.
Segundo nos disse o
informante que ouvimos, nenhuma balbúrdia ou atropelamento se
manifestou entre os passageiros. Calmamente, com a maior
resignação, prepararam-se todos para sair de bordo, animados pela
palavra do comandante, que os encorajou com as palavras mais
tranquilizadoras.
E, metodicamente, na
maior ordem sem as correrias tão comuns em tais casos, foram todos
transportados para a ilha do Macuco que fica nas proximidades do
local onde ocorreu o sinistro.
O comandante e sua
filha foram os últimos a abandonar o navio. Concluída a retirada
dos passageiros, procedeu-se ao serviço de salvamento das bagagens
de camarotes e de porão, sucessivamente, de mantimentos e de
aparelhos radio-telegraphicos de bordo. E mais nada se pôde fazer,
porque, as 6 horas da tarde, o Orion começava a submergir. A
noticia do desastre foi comunicada para Florianópolis pôr um
oficial de bordo, que a transmitiu, em telegrama de bordo, de Porto
Belo. Foi em virtude dessa comunicação que a agencia do Lloyde na
capital catarinense fez partir os primeiros socorros para o ponto em
que se deu o sinistro. O passageiro que ministrou as notas supras
disse que nenhuma culpa se pode increpada ao comandante do Orion.
Esse velho marujo,
que conta mais de trinta anos de bons serviços, possuidor de longas
praticas de navegação, não podia de forma alguma evitar a
catástrofe. Além do formidável nevoeiro reinante na ocasião do
desastre, a ponto de não permitir que se observasse qualquer coisa
a poucos metros de distância, o vapor, sem poder parar, era
impelido pôr fortes correntes marítimas, que o deslocaram do rumo
natural, sem que a agulha de bordo acusasse esse desvio.
Contou-se também que
houve oficiais a bordo, na ocasião da catastrophe, que choraram
condoídos da sorte do velho navio, verdadeira jóia dos portos,
pôr ele servidos"
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